quinta-feira, 23 de março de 2017

Crítica: "AMATEUR" (1994) - ★★★★


Talvez se não fosse por Isabelle Huppert eu não teria conferido Amateur tão cedo, tal é a pouca fama deste título e sua divulgação quase escassa. A grata surpresa é que se trata de um grande filme, e que merece não apenas ser conferido como também lembrado como um dos trabalhos mais brilhantes do cineasta indie Hal Hartley (cujo nome também é menos cultuado entre os cinéfilos), que reinventa fórmulas do gênero policial e constrói um thriller inconvencional, inteligente, desconcertante, que coleciona sequências que seguem uma linha quase desconexa, e que, por fim, no segundo ato, acabam por se alinhar os dois lados então expostos na primeira parte do filme, um encontro de personas, histórias diferentes e contextos experimentais. 

Hartley emula gêneros e fórmulas cabíveis a sua trama que a todo instante parece ser muito previsível, mas consegue reverter seu caráter óbvio, digamos, com originalidade nata que confere à narrativa um gosto mais cinematográfico, a desconstrução de detalhes minimamente previsíveis acaba por guiar a história de uma escritora de contos pornográficos que outrora fora uma freira e que está "à espera da resposta divina", enquanto se depara com um homem que sofreu um acidente e não se lembra de quem é. Em contraste a esse caso, temos do outro lado da trama uma atriz pornô que está sendo caçada.

Em muitos momentos deste suspense, há a disposição de uma atmosfera anti-clímax que reafirma as intenções e as inconvencionalidades deste, por fim dando origem a uma abstrato narrativo que serve de base para o estudo das personagens abordadas, um estudo que tem uma conexão própria com os artifícios pouco óbvios aqui arquitetados.

O elenco está excepcional. São destaques Martin Donovan, Elina Löwensohn, Damian Young e, é claro, a grande Isabelle Huppert, que está simplesmente maravilhosa neste filme. Ela, que também aparece radiante em cenas tensas e ágeis, nunca esteve tão bem assim em um filme de suspense (e que mistura elementos de ação) antes, uma vez que já é raro vê-la envolvida em projetos do tipo, e por isso essa experiência é algo a se recordar. Por estes e outros mais motivos, creio que Amateur é um filme brilhante, na sua composição, na sua estrutura cinematográfica e na elaboração de uma trama riquíssima e que se sobressai pela utilização inventiva do anti-clímax e de artifícios propriamente fílmicos de uma forma excelente. 

Amateur
dir. Hal Hartley - ★★★★

Crítica: "EU, DANIEL BLAKE" (2016) - ★★★★★


Eu, Daniel Blake era o filme que ninguém esperava que iria conquistar a Palma de Ouro no prestigiado Festival de Cannes ano passado, e o feito foi tamanha surpresa que muita gente ainda contesta a atitude do júri em ignorar outros trabalhos mais potentes do que este, embora não seja errado afirmar que Eu, Daniel Blake é uma obra de Ken Loach, veterano do cinema britânico independente, e o ato em entregar a Palma ao filme tenha sido consumado em virtude da importância que este carrega, seu impacto e a força que o cinema de Loach administra, como denúncia do sistema e dos malefícios da sociedade capitalista. E o ato de premiar um filme desse porte em meio a tantos outros candidatos mais articulados é meramente nobre, embora irregular, caso formos comparar a produção a outros títulos de mais peso.

Neste filme, acompanhamos a jornada de um carpinteiro que sofre de problemas cardíacos e que está tendo problemas com a previdência social, enquanto conhece uma mãe solteira de duas crianças enfrentando a pobreza e a dificuldade de se encontrar um emprego. É um filme que trata de maneira realista a situação das classes sociais menores no Reino Unido atualmente e o impacto dos conflitos socio-econômicos enfrentados na região e a pobreza. Como sempre, Loach traz uma história cuja importância está centrada na urgência de seu contexto, uma crítica feroz ao capitalismo selvagem, uma denúncia viva, como quase todos os filmes de Ken Loach, um cineasta que dirige filmes em prol da comunidade trabalhista, das minorias e dos afetados pela pobreza em um país tão desenvolvido e rico.

O espectador consegue simpatizar com a figura de Daniel Blake, o protagonista desse filme, um senhor que leva uma vida modesta, mas que tem de lidar, além dos seus problemas pessoais, com problemas sociais que dificultam sua vida e também das pessoas ao seu redor. Loach introduz um contexto humanista, sólido, a uma história tão verdadeira e infelizmente cruel. Provavelmente é a obra-prima de Loach, parece que ele finalmente encontrou o tom neste drama tão pontual e que consegue ser sentimentalista sem ser piegas. Dentre muitos outros ótimos filmes de sua longa filmografia, parece que ele sempre tentou, e de certa forma conseguiu (e muito) retratar as injustiças e as crueldades enfrentadas pelas minorias, mas nunca fez antes um filme capaz de emocionar tanto com um grupo de personagens tão verdadeiros e tão bem explorados. Na sua mera simplicidade, com personagens tão modestos e ainda sim grandiosos, e uma trama poderosíssima, Eu, Daniel Blake faz-se importante em tempos tão difíceis e conturbados. Trata-se de um filme verdadeiramente humano, sobre a humanidade de um homem e a sua clemência, seu apelo por um mundo melhor em um lugar tão desumano.

Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake)
dir. Ken Loach - ★★★★★

quinta-feira, 16 de março de 2017

FELIZ ANIVERSÁRIO, ISABELLE HUPPERT


Hoje faz 64 anos ela que é um ícone da sétima arte, lenda do cinema francês, um verdadeiro tesouro cinematográfico. Com um currículo extenso (conta com 132 participações em filmes, desde que começou sua carreira na década de 70) a francesa consagrou-se como uma intérprete de peso e tornou-se um ícone maior do cinema de seu país, tendo já trabalho com uma gama variada de cineastas reconhecidos, como Jean-Luc Godard, Otto Preminger, Michael Haneke, Claude Chabrol, Claire Denis, Paul Verhoeven, Michael Cimino, Andrzej Wadja, entre outros. Ela é uma autêntica musa, dona de talento e beleza incomparáveis. Também venceu 2 Césars, foi indicada ao Oscar este ano por sua interpretação excepcional em Elle, tendo vencido, por este filme, o Globo de Ouro. Foi premiada 2 vezes no Festival de Cannes e também possui 2 troféus Volpi Cup, a honraria dos atores entregue no Festival de Veneza. Parabéns, Isabelle!!! E obrigado por tanta competência, empenho e anos de contribuição ao cinema!!! Segue o meu ranking das melhores atuações dela. 

1. A Professora de Piano (2001)
2. Elle (2016)
3. 8 Mulheres (2002)
4. Um Assunto de Mulheres (1988)
5. Mulheres Diabólicas (1995)
6. A Comédia do Poder (2006)
7. Uma Relação Delicada (2013)
8. Minha Terra África (2009)
9. O Que Está Por Vir (2016)
10. O Portal do Paraíso (1980)

domingo, 5 de março de 2017

Crítica: "BELEZA OCULTA" (2016) - ★½



Beleza Oculta é um filme que tinha tudo para ser minimamente bom. Mas a pretensão acaba com tudo. Nem o elenco consegue dar conta do recado. O roteiro é repleto de furos e a direção do Frankel é bem meia-boca. Não recomendo pra ninguém. Muito fraco. Nem arrisco dizer que rende pra quem curte filme de ator... Will Smith se esforça, mas o personagem dele é muito superficial, e isso atrapalha um pouco a desenvoltura da atuação. A sensação que fica é a de que este foi um Oscar bait que não deu certo. As temáticas são promissoras, o filme tinha chance de ser algo, mas muito pouco acontece e tudo é muito superficial e artificial. 

A personagem da Kate Winslet, por exemplo, poderia ter sido trabalhada melhor. Aliás, todos os personagens desta história, cujos desenvolvimentos são extremamente rasos e sem aprofundamento, deveriam ter um tratamento mais digno. Desperdiçaram a chance de criar uma bela história. Bem, deixando os infortúnios de lado, o legal foi ver Keira Knightley de volta às telas. A atriz, que anda meio sumida, interpreta uma atriz que é contratada por um grupo de executivos para fingir que é o "amor" para o chefe deles (Smith), um homem que sofre de depressão e que recentemente perdeu a filha de seis anos. 

Frankel, que já dirigiu filmes sobre moda, cachorros, entusiastas de pássaros e crises conjugais com resultados meramente razoáveis, não esconde em nenhum momento a pretensão em seu novo projeto desleixado. O roteiro mal trabalhado, clímax exagerado, desperdício de um elenco de pesos-pesados e uma história até interessante tornam este o menos agradável dos seis filmes de David Frankel, um diretor com habilidade e proficiência, mas que não encontrou o tom neste drama forçado e rasgado. 

Beleza Oculta (Collateral Beauty)
dir. David Frankel - ★½

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Comentários do Oscar 2017



Aqui segue a íntegra do meu vídeo com rápidos comentários do Oscar 2017 e overview dos vencedores, enquanto eu acompanhava a premiação ontem à noite. Ano passado eu fiz uma live no youtube mas o resultado foi três horas de imagens minhas teclando no pc que nem um doido e tendo reações aleatórias... Então, achei que seria mais prudente só comentar esse ano.   

OSCAR 2017 (89th Academy Awards)


Pegadinha do Oscar

Num feito quase histórico, a categoria de Melhor Filme foi anunciada erroneamente pela dupla Warren Beatty e Faye Dunaway, estrelas de Bonnie & Clyde – os envelopes foram trocados, Warren teria pego o de melhor atriz, que já havia sido entregue por DiCaprio, ao invés do envelope correto de Melhor FilmeAnunciado que La La Land teria ganhado o grande prêmio da noite, fechando um círculo já previsível de vitórias e favoritismo incisivo, após algumas vitórias bem-sucedidas, houve um engano: o verdadeiro vencedor era Moonlight. O alarme falso encerrou com chave de ouro a noite de um dos Oscars mais acirrados dos últimos anos, e a briga entre os dois principais concorrentes foi tão árdua que até mesmo no momento da revelação houve uma reviravolta épica, algo sem precedentes no evento – uma espécie de reprise da Miss Universo de 2015.

Moonlight saiu vitorioso com três estatuetas nas categorias de filme, ator coadjuvante e roteiro adaptado. A aclamada obra-prima do cineasta independente Barry Jenkins é um feito cinematográfico grandioso quão essencial. E se por um lado a equipe de La La Land foi injustiçada de uma maneira quase humilhante, o longa de Chazelle detém o número de maior estatuetas desta edição: seis, incluindo as de direção e atriz.

Dizer que este foi um Oscar confuso não é errado. A maioria das categorias desta edição tiveram vencedores incertos e por vezes surpreendentes, grande parte destas técnicas. E se as categorias de atuação foram, de longe, as mais previsíveis, o resto teve de sobra surpresas tão gritantes que quem vê é capaz de nem acreditar. 


O legal dessa edição é que muitos outros filmes foram lembrados e premiados, como Até o Último Homem, A Chegada Manchester à Beira-Mar (que é na minha opinião o melhor dos indicados a filme, e que mereceu seus reconhecimentos em ator e roteiro original). La La Land também saiu com muitos prêmios (a média menor do que a esperada). Em um ano em que a Academia buscou a diversidade para rebater as críticas ao #oscarsowhite e à ausência de indicados negros em anos anteriores, houve uma enorme e merecida visibilidade. Pela primeira vez na história deste prêmio, tivemos como vencedor um filme formado por um elenco de atores negros. Este é um significativo avanço para esta premiação tachada de conservadora que começa a dar voz aos rejeitados no mundo do cinema e em Hollywood.

Particularmente a vitória de Emma Stone foi a mais injusta, já que, ao lado da atriz, tínhamos Isabelle Huppert, cuja performance estrondosa em Elle era a favorita de muitos, que acabou perdendo o prêmio. Stone está muito boa em La La Land, mas Huppert é quem merecia este Oscar. Bem, quem sabe no futuro, a Academia não reconheça mais amplamente os trabalhos da intérprete francesa? 

Casey Affleck, cujo SUPOSTO envolvimento em um polêmico caso de estupro estava gerando certo burburinho em relação às suas possibilidades de faturar este Oscar, levou merecidamente o prêmio de Melhor Ator para casa. Independente se ele cometeu ou não, repito, SUPOSTO assédio sexual, tiro meu chapéu para a sua atuação deslumbrante e magnífica. Deixem o Casey em paz, porra!

Em Filme Estrangeiro, não foi surpresa a vitória de O Apartamento, drama do cineasta iraniano Asghar Farhadi, que já era cogitada por muitos como forma de rebate às polêmicas de Donald Trump em relação ao banimento de imigrantes árabes nos EUA. O filme em si é espetacular, mas há quem diga que Toni Erdmann, obra de Maren Ade, merecesse o prêmio.

No mais, fiquei feliz pela vitória do filme de Farhadi, e a importância que esse reconhecimento reflete, além do discurso de Farhadi, lido por uma representante (já que o diretor não pôde comparecer à cerimônia por motivos de Trump) marca um dos pontos altos da noite do Oscar. Também gostei de ver o excelente O.J.: Made In America levar o prêmio em documentário. Justíssimo. Zootopia levar em melhor animação não foi tão surpreendente, mas foi merecido.

Nossa querida Viola Davis ganhou hoje seu primeiríssimo Oscar. Depois de duas indicações pelos filmes Dúvida e Histórias Cruzadas, a atriz finalmente abocanhou sua primeira estatueta por Um Limite Entre Nós. E Mahershala Ali, cuja vitória até então era bastante incerta, papou melhor ator coadjuvante. E foi muito merecido.


O host desta edição, Jimmy Kimmel, não poupou piadas à Donald Trump e até aproveitou um momento da cerimônia para mandar tuítes ao presidente. No geral, achei que foi bastante digna a apresentação dele, embora tenha alguns momentos fracos, mas o importante é que ele foi bastante carismático e conseguiu trazer descontração no nível certo e humor também. Acho que ele deve ser o melhor host da cerimônia desde a DeGeneres em 2014. Aquela parte em que o grupo de turistas entra no Dolby Theatre e começa a cumprimentar as celebridades é genial. Gostei bastante desse momento, muitos até chegaram a comparar à selfie da Ellen.

Bem, acho que entre os momentos mais memoráveis desta edição fica a vitória de Moonlight (pegadinha do malandro heheh), a abertura de Kimmel, alguns segmentos, a categoria de filme estrangeiro e a vitória de Viola Davis. Senti que as performances musicais este ano também estavam mais fraquinhas e de certa forma passageiras, mas talvez a única que eu gostei, mesmo que seja mediana, foi a do John Legend cantando "City of Stars" e "Audition" e também o segmento In Memoriam, homenageando os profissionais do cinema que nos deixaram em 2016 e no comecinho de 2017, um dos momentos mais sensíveis da noite. 

Esta foi uma edição satisfatória por alguns momentos de beleza, entretenimento, mas que passa a sensação de que foi arrastada demais, acho que poderiam ter encurtado mais. Concordo com a grande parte das vitórias (ou talvez todas, até) mesmo que ache algumas injustas demais, enfim... O Oscar 2017 foi uma coisa meio insana e ao mesmo tempo divertida, um pouco mais memorável que a média dos anos anteriores, mas que poderia ter sido melhor. 


O tapete vermelho, como sempre, teve aquele clima agradável, entrevistas com as celebridades e tal, normal para quem acompanha a premiação há muito tempo. Só tenho a dizer que essa polêmica do anúncio errado ainda vai dar o que falar. A poucos dias da premiação, por exemplo, tivemos um indicado desclassificado (Greg P. Russell, mixagem de som por 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi) acusado de fazer lobby, mendigar indicação, por telefone. 

Enfim, esse foi mais um Oscar, de altos e baixos, mas é sempre bom acompanhar com exclusividade o maior evento do cinema. Foi uma noite agradável, e eu espero que no Oscar 2018 venham mais momentos divertidos e emocionantes como desta noite. 

MELHOR FILME
Moonlight

MELHOR DIRETOR
Damien Chazelle – La La Land

MELHOR ATRIZ
Emma Stone – La La Land

MELHOR ATOR
Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis – Um Limite Entre Nós

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali – Moonlight

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Manchester à Beira-Mar (Kenneth Lonergan)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Moonlight (Barry Jenkins & Tarell Alvin McCraney)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
O Apartamento (dir. Asghar Farhadi, Irã)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Zootopia

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O.J.: Made In America (Ezra Edelman & Caroline Waterlow)

MELHOR TRILHA SONORA
La La Land (Justin Hurwitz)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
City of Stars
La La Land

MELHOR FOTOGRAFIA
La La Land (Linus Sandgren)

MELHOR EDIÇÃO
Até o Último Homem (John Gilbert)

MELHOR FIGURINO
Animais Fantásticos e Onde Habitam (Colleen Atwood)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
La La Land (David Wasco & Sandy Reynolds-Wasco)

MELHOR MAQUIAGEM/PENTEADOS
Esquadrão Suicida

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Chegada

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Até o Último Homem

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Mogli, o Menino Lobo

MELHOR CURTA-METRAGEM (LIVE-ACTION)
Sing

MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO)
Piper

MELHOR CURTA-METRAGEM (DOCUMENTÁRIO)
Os Capacetes Brancos

FILMES COMENTADOS:

sábado, 25 de fevereiro de 2017

INDEPENDENT FILM SPIRIT AWARDS 2017


MELHOR FILME
Moonlight

MELHOR DIRETOR
Barry Jenkins, Moonlight

MELHOR ATRIZ
Isabelle Huppert, Elle

MELHOR ATOR
Casey Affleck, Manchester à Beira-Mar

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Molly Shannon, Other People

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ben Foster, A Qualquer Custo

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Toni Erdmann

MELHOR ROTEIRO
Moonlight (Barry Jenkins & Tarell Alvin McCraney)

MELHOR PRIMEIRO FILME
A Bruxa (Robert Eggers)

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
A Bruxa (Robert Eggers)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
O.J.: Made In America

MELHOR FOTOGRAFIA
Moonlight (James Laxton)

MELHOR EDIÇÃO
Moonlight (Nat Sanders & Joi McMillon)

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
Spa Night