terça-feira, 21 de novembro de 2017

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2018 – OS INDICADOS


FILME

Me Chame pelo seu Nome
Corra!
The Florida Project
Lady Bird
The Rider

DIREÇÃO

Luca Guadagnino – Me Chame pelo seu Nome
Sean Baker – The Florida Project
Jonas Carpignano – A Ciambra
Jordan Peele – Corra!
Benny & Josh Safdie – Bom Comportamento
Chloé Zhao – The Rider

ATOR

Timothée Chalamet – Me Chame pelo seu Nome
Harris Dickinson – Beach Rats
James Franco – Artista do Desastre
Daniel Kaluuya – Corra!
Robert Pattinson – Bom Comportamento

ATRIZ

Salma Hayek – Beatriz at Dinner
Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime
Margot Robbie – I, Tonya
Saoirse Ronan – Lady Bird
Shinobu Terajima – Oh Lucy!
Regina Williams – Life and Nothing More

ATOR COADJUVANTE

Armie Hammer – Me Chame pelo seu Nome
Nnamdi Asomugha – Crown Heights
Barry Keoghan – The Killing of a Sacred Deer
Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime
Benny Safdie – Bom Comportamento

ATRIZ COADJUVANTE

Holly Hunter – Doentes de Amor
Allison Janney – I, Tonya
Laurie Metcalf – Lady Bird
Lois Smith – Marjorie Prime
Taliah Lennice Webster – Bom Comportamento

FILME INTERNACIONAL

Beats Per Minute (França)
Lady Macbeth (Reino Unido)
Loveless (Rússia)
Uma Mulher Fantástica (Chile)
I Am Not a Witch (Reino Unido)

ROTEIRO

Lady Bird
The Lovers
Três Anúncios para um Crime 
Corra!
Beatriz at Dinner

ROTEIRO DE ESTREIA

Donald Cried 
Doentes de Amor
Women Who Kill
Columbus
Ingrid Goes West

FILME DE ESTREIA

Ingrid Goes West
Columbus
Menashe
Patti Cake$
Oh Lucy!

DOCUMENTÁRIO

Visages Villages
Last Men in Aleppo
Motherland
The Quest
The Departure

FOTOGRAFIA

The Killing of a Sacred Deer
Columbus
Beach Rats
Call Me by Your Name
The Rider

EDIÇÃO

Bom Comportamento
Call Me by Your Name
The Rider
Corra!
I, Tonya

PRÊMIO JOHN CASSAVETES

Dayveon
A Ghost Story
Life and Nothing More
Most Beautiful Island
The Transfiguration

PRÊMIO ROBERT ALTMAN

Mudbound


Os indicados ao prestigiado Indie Spirit Awards foram anunciados. É sinal de que a awards season está só começando. E com ela surgem alguns favoritos, surpresas, esnobações. A corrida esse ano vai ser boa. 

Liderança de indicações, Me Chame pelo seu Nome – o grande hit cinematográfico de 2017 (talvez?) – parece ser até agora a aposta mais certeira para a temporada. Sai à frente em muitas categorias, principalmente na de filme. Surpresa ligada ao filme é a presença de Armie Hammer na categoria de ator coadjuvante (até então quem estava bastante cotado era Michael Stuhlbarg) mas vale lembrar que o Indie Spirits é um parâmetro parcial para os demais prêmios desta temporada, embora tenha um grande valor em apontar quais filmes poderão se repetir daqui pra frente. 

Corra!, filme que manteve seu pique lá em cima desde que despontou nas primeiras apostas, também parece ser um dos mais favoráveis concorrentes, saindo à frente com um bocado de indicações, especialmente nas categorias de filme, diretor e roteiro. Daniel Kaluuya, cuja atuação é das mais talentosas do ano, cresceu bastante nas apostas (já apareceu entre os indicados ao Gotham, pra lembrar) mas ainda permanece meio em off quanto a premiações maiores como o Oscar (o que não quer dizer que o ator não tenha chances). Precisamos acompanhar mais a temporada pra ver se isso se confirma. 

Bom Comportamento, outra pérola do ano, saiu à frente em cinco categorias, e infelizmente ficou de fora em melhor filme. Os irmãos Safdie podem levar Robert Pattinson ao Oscar? Só o tempo nos responderá. Surpresa nas categorias de atuação são Benny Safdie (que dirigiu o filme com seu irmão Josh e também foi indicado a edição) e Taliah Lennice Webster. 

Lady Bird, outro título cujo buzz aponta um favoritismo desmedido (o filme foi sucesso estrondoso de crítica) recebeu indicações em filme, atriz principal (Ronan), coadjuvante (Metcalf) e roteiro (Gerwig), categorias em que deverá receber várias indicações (e prêmios) nesta temporada. Surpreendentemente, Greta Gerwig ficou de fora de direção (estranho porque esse ano a categoria teve seis indicados). The Rider, filme que arrancou aplausos em Cannes, apareceu em 4 categorias, inclusive filme e direção para Chloé Zhoe. Ainda é uma incógnita para os próximos prêmios, mas é um destaque a ser acompanhado. Inclusive, na categoria de direção esse ano, rolou indicação também para A Ciambra, do italiano Jonas Carpignano (que foi o escolhido da Itália pra concorrer a uma vaga no Oscar).

Em filme internacional, à parte das 2 produções inglesas que figuram, o francês Beats Per Minute e o russo Loveless, sucessos em Cannes, podem fazer uma bela trilha ao Oscar. Ameaça para eles é Uma Mulher Fantástica, do chileno Sebastián Lelio, que está fortíssimo na corrida a todo vapor (estranhíssima ausência de Daniela Vega, cuja atuação conquistou muitos elogios e um certo buzz) pra fazer bonito no Oscar. Aliás, categoria de melhor atriz este ano está meio "hum" comparada à do ano passado, mas Ronan, Robbie e McDormand seguem firmes e fortes. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

BOM COMPORTAMENTO (2017)


Acho que nunca falei antes aqui no blog sobre a dupla Safdie, os irmãos Josh e Benny, nomes promissores do cinema independente americano. Ainda vamos ouvir falar muito sobre esses dois arteiros, até porque Bom Comportamento é um grande filme e que deverá ser bastante comentado e falado daqui pra frente, ainda que muita gente praticamente desconhecia a filmografia deles. Antes de começar a falar sobre esse aqui, vou recomendar rapidamente 2 filmes da dupla que eu tive a chance de conferir esse ano e que são bastante especiais (e isso vale pra quem quer uma introdução na filmografia dos diretores) que são Traga-me Alecrim e Amor, Drogas e Nova York, sem falar também em The Pleasure of Being Robbed

Agora, vamos ao filme. Que alucinação, hein? Quem já tinha visto Amor, Drogas e Nova York até podia esperar uma boa dose de loucura e uma vibe meio alucinógena, mas talvez essa seja a confirmação definitiva do cinema dos Safdie. Bom Comportamento acompanha, em uma única noite, a trajetória de um criminoso tentando livrar seu irmão deficiente da prisão, e para isso ele enfrenta vários perrengues, encontra os tipos mais bizarros e as situações mais inesperadas. Aliás, Robert Pattinson está em sua melhor atuação (acreditem, totalmente digna). 

As comparações a John Cassavetes surgem já nas semelhanças estéticas e narrativas, mas eu creio que existe também um certo laço espiritual entre os filmes dos Safdie e Cassavetes, muito no que diz respeito às histórias de uma jornada mundana, de personagens mundanos, não rotineiros, mas que pertencem ao mundo, que vivem pelo mundo e que podemos encontrar ao virar a esquina. Comparou-se também a Scorsese e Friedkin, de forma mais indireta, até pela construção do gênero aqui, fica muito evidente que existe uma trilha entre o indie e uma aspiração maior ao cinema americano.

Bom Comportamento coleciona uma série de momentos altos e memoráveis. O filme já começa imerso num nível desmedido de adrenalina quando Connie invade o consultório onde está seu irmão, um jovem rapaz com problemas psicológicos (vivido pelo próprio Benny Safdie), e decide tirá-lo dali nem que seja a força. É o ponto de partida para uma jornada entorpecente, onde somos colocados no banco da frente a mil por hora, enquanto a emoção pulsa firme nas veias. Pra se ter uma noção, só durante os créditos, há uma utilização fantástica da narrativa, e o que segue dali é o cinema da mais pura e verdadeira qualidade. 

Bem, não vou dizer muito. Acho que é um filme que fala por si mesmo. Só garanto que os Safdie estão confirmadíssimos nessa nova safra de grandes diretores do cinema independente e Bom Comportamento é o melhor filme deles até agora. Fiquei muito contente em poder assistir esse baita filmaço. Sobre a nossa constante busca por libertação, redenção, fuga, o constante desejo da alma de se livrar das amarras do destino. É a fuga, é o escapismo que alimenta nossa vontade de sentir a vida no seu limite, pois é unicamente nessa intensidade, nesse ritmo frenético, que podemos sentir o tempo. Essa vontade louca de fugir de tudo, de enfim achar a liberdade, onde quer que ela possa ser encontrada. And have a good time. 

Bom Comportamento (Good Time)
dir. Benny & Josh Safdie
★★★★½

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

LOVELESS (2017)


Minha lembrança de Leviatã (indicado ao Oscar em 2015) é muito boa. Era o primeiro filme que eu tinha visto do cineasta russo Andrey Zvyagintsev, e eu lembro ter gostado bastante. Não sei se posso dizer o mesmo do mais novo trabalho do diretor, Loveless, que em Cannes já saiu ganhando prêmios e agora já é aposta, novamente, ao Oscar, e todos os elogios da crítica que parecem celebrá-lo com um dos melhores do ano. Seria até compreensível, todo esse astral. Mas pra mim não fica tão claro. 

Andrey começa seu filme muito bem, uma fotografia inspirada (e uma frieza que parece já prever os decorrentes sombrios acontecimentos que permeiam a cinzenta tramoia do drama) e uma promessa de grande filme. Logo, todo esse universo meio nublado, gélido, penumbroso do filme cai numa artificialidade indigerível. As performances, de um elenco muito excelente, não conseguem reavivar a trama do filme quando esta já se encontra petrificada, congelada. As cenas de sexo são filmadas esculturalmente, os movimentos da câmera tão elaborados e bem coordenados, toda aquela mistura de técnica e cuidados mínimos com a manipulação da imagem congelam-se na frieza que o próprio filme personifica. 

Temos, em cena, um casal em divórcio (inclusive já com outros parceiros, e decididos a seguirem suas vidas separados) cujo único laço é um filho adolescente que eles tiveram, um jovem que vive a chorar sozinho em seu quarto enquanto brigas tempestuosas do casal ocorrem do outro lado da porta, ambos a mãe e o pai se cegam ao sofrimento do filho ao ver o relacionamento ruir. Do nada, o garoto desaparece. O pai acha que é apenas uma simples escapada, que o garoto estará de volta em 10 dias. Logo, o casal se vê preso a esse sumiço repentino e inexplicável do filho. Tudo vai culminar numa crise de culpa, angústia e perdição, em um casamento consumido pelas ruínas da individualidade. 

O filme tem uma premissa magnífica, assim por se dizer, mas em duas horas faz é pouco do que poderia ter feito em uma e meia e com doses bem menores do impacto que parece querer tanto nos causar, e quando ele chega (ou pelo menos é que o vemos) é tarde demais para as coisas enfim darem um passo à frente, como acontece no próprio casamento do casal protagonista. Chegou muito perto, mas infelizmente é um filme que perde a essência do seu próprio conflito à medida em que aspira causar um efeito que não está ali, confiando todas suas forças nesse efeito que não surte, logo menospreza toda uma camada de elementos que seriam muito caros à narrativa e ao desfecho dos personagens. O tratamento dramático tem momentos altos, mas o resultado fica um pouco abaixo do esperado. Não há como dizer se é um filme bom ou ruim, pelo menos pra mim é um filme que está exatamente no limite entre um e outro, sem ser completamente nenhum dos dois. 

Loveless
dir. Andrey Zvyagintsev
½

domingo, 12 de novembro de 2017

PERSONAL SHOPPER (2016)


Demorei a falar sobre o mais novo filme do cineasta francês Olivier Assayas, um dos maiores nomes do cinema contemporâneo mundial, esta preciosa obra que é Personal Shopper. Em Cannes, no ano passado, Assayas conquistou o merecidíssimo prêmio de melhor direção (mise-en-scène), conquista essa que foi bastante questionada até porque em 2016 a entrega dos prêmios do júri foi tida como controversa, vistas as inesperadas escolhas para filmes nem tão aclamados, e grandes filmes como Elle, Toni Erdmann, Aquarius, Julieta e Paterson saíram de mãos abanando. O caso de Personal Shopper é um filme justamente grande, que está entre os maiores destaques da edição (que foi, inclusive, uma das melhores em muitos anos no que diz respeito à seleção) mas que acabou sendo desprezado pelos críticos. É uma pena, pois trata-se sim de um filmaço, e com vários motivos para sê-lo.

Kristen Stewart interpreta a americana Maureen, a personal shopper de uma badalada celebridade, vivendo em Paris, que começa a ter estranhos contatos mediúnicos com seu falecido irmão gêmeo, que acaba surgindo para ela em diversos momentos, como se estivesse tentando dizer algo à irmã. A moça, que tem o poder de se comunicar com pessoas mortas, inicialmente parece estar assustada com esse seu dom, mas aos poucos ela vai passando a entender melhor os eventos que estão acontecendo ao seu redor. Stewart, que raras vezes esteve tão bem em cena, prova que é uma atriz de grandíssimo porte, e está incrível, hipnotizante, nesta que é a sua mais extraordinária atuação (e que é só uma previsão do que ela tem a nos mostrar daqui pra frente). E vale lembrar que essa não é a primeira vez que ela trabalha com o diretor do filme (em Acima das Nuvens, ela estava brilhante, ganhou vários prêmios e quase chegou ao Oscar, pra quem não se recorda). 

Assayas capricha na construção atmosférica do seu filme, temperada por uma tensão que torna os silêncios, ensurdecedores. Aliás, tensão é uma coisa muito bem administrada em diversas cenas do longa, mesmo sem se revelar prontamente, mas que está sempre ali, como se fosse o fio condutor desse ar sobrenatural do filme, como acontece na cena do trem, que deve ser uma das melhores do filme, onde a tensão concentra-se completamente na conversa entre Maureen e um "anônimo" no celular.

A personagem de Maureen em si é arquitetada com uma certa complexidade, mas ao mesmo tempo envolta no próprio espectro sombrio que tonaliza a trama. É como se fosse ela a entregue ao desfecho de uma trama cada vez mais vertiginosa. É muito curioso também quando o Assayas faz uma conexão entre o mundo dos fantasmas e a internet, talvez o filme seja mesmo sobre "coisas que não vemos mas que estão presentes", ou como a ausência pode ser uma maneira de estar presente, indiretamente, em algo, "a vida após a morte". 

Por mais que muitos apontem este como um exemplar do gênero horror (o que parece muito lógico até por conta da temática do filme e do apelo comercial que um filme estrelado por Kristen Stewart pode fomentar as distribuidoras) mas pra mim é mais um filme noir do que horror propriamente dito. Muito digno comparar Assayas a um certo cinema hitchcockiano principalmente na forma como o gênero é trabalhado nos moldes da trama que investiga. É um jogo de suspense, e cada cena tem um certo valor nisso, nessa propriedade do thriller. Por mais que muitos considerem o noir um gênero morto, existem filmes dispostos a trazê-lo de volta ao primeiro plano do cinema, onde esse gênero já esteve, nos seus idos tempos de ouro, e Assayas se empenha justamente em catalisar o noir numa história sobrenatural sobre passado, descobertas, ausências, medos e recomeços, com um clima mais moderno e atual, mas sem deixar a pegada sinistra que sempre foi o grande "quê" do gênero morrer (e todo o seu universo). É essa relação de trazer o passado ao presente, os mortos ao mundo dos vivos, que rege Personal Shopper

Personal Shopper
dir. Olivier Assayas
★★★★★

sábado, 11 de novembro de 2017

GIMME DANGER (2016)


Passou em branco este documentário de Jim Jarmusch sobre a famosa banda de rock The Stooges, Gimme Danger, pelo menos aqui no Brasil nem sequer tivemos a distribuição, e por isso tive que recorrer a meios alternativos pra conferir o tal filme. Trata-se de um documentário bastante razoável, possui uma estrutura bem convencional e típica, principalmente das produções americanas recentes, nem sei se é muito lógico ficar cobrando grandes coisas quando o documentário possui um ar bastante despretensioso e o que quer mesmo é trazer um pouco da memória da banda através de depoimentos espirituosos e um acervo no mínimo interessante, então explica-se, talvez, porque de terem optado por uma construção mais óbvia.

Vale ressaltar que o filme é basicamente a entrevista de Jarmusch a Iggy Pop, ícone do mundo do rock e líder da banda The Stooges, cuja carreira é traçada e recontada, também com foco nos demais integrantes do grupo, durante os anos 70, quando houve um estouro na produção da indústria midiática norte-americana, numa época marcada pela revolução cultural e grandes mudanças na sociedade do país. E o mundo da música também foi alvo de muitas descobertas e novas experimentações.

Eu, como conheço muito pouco do mundo do rock 'n roll (menos do que eu possa admitir) fiquei especialmente fascinado com a abordagem do documentário e principalmente as filmagens dos shows dos Stooges, e aquelas performances adoidadas e impressionantes do Iggy Pop, que se soltava (e como) no palco fazendo estripulias e impulsionando seu corpo em movimentos alucinantes. Por isso, quem gosta de rock, com certeza vai gostar bastante de Gimme Danger. É prato cheio pros admiradores do trabalho da banda e quem aprecia um bom trabalho de montagem documental. Este aqui é bem mais simples, bem à la Jarmusch, mas seu cuidado com o conteúdo, e o singelo carinho das entrevistas e do espírito selvagem e roqueiro do documentário em si, rendem elogios. 

Gimme Danger
dir. Jim Jarmusch
★★

LADY MACBETH (2016)


Os últimos dias foram um pouco turbulentos, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na nossa vida acaba fazendo com que a gente passe a dar mais atenção aos pequenos momentos de desfrute e prazeres simples entre outros sentimentos que na maioria das vezes nos fazem sentir muito mal em relação a nós mesmos, ainda mais quando estamos enfrentando uma situação delicada e que costuma exigir bastante da gente (sentimentalmente falando). É nessas horas que percebemos o quão importante é o cinema a ponto de, no mínimo, nos sentirmos gratificados por termos na arte um refúgio das agitações do dia-a-dia.

Eis que me surge este belo exemplar do cinema britânico, Lady Macbeth, de um cineasta de quem eu nunca tinha ouvido falar antes, William Oldroyd, e que já é um dos maiores destaques do ano. Muitas coisas me impressionaram em relação a este filme. A começar pela atuação de Florence Pugh, que está aí para ganhar muitos prêmios na awards season (bem próxima), que interpreta uma bela e jovem moça que se casa, a contragosto, com um homem bem-sucedido apenas por conta de seu renome, quando ele é, na verdade, vil e insolente. Os dois quase não se comunicam e não interagem entre si, o que acaba criando um inevitável distanciamento, até por conta das viagens frequentes dele. Numa dessas viagens, a moça acaba se relacionando com um capataz do marido, que acaba se tornando seu amante. Mas a história toma rumos inesperados, e várias pessoas acabam sendo afetadas pela relação da moça com o empregado, o que sucederá em mortes e intrigas.

É muito interessante observar esse trabalho com a influência de uma ótica Shakesperiana, é claro, de Macbeth, onde o personagem-título tem de matar várias pessoas influentes da nobreza para chegar ao trono e alcançar o poder, com a ajuda de sua infame esposa, a inescrupulosa Lady Macbeth, que o "encoraja" psicologicamente a cometer os assassinatos e até se infiltra em seus negócios para manipular o poder. Lady Macbeth apoia-se nesta mesma premissa, só que a personagem, ao invés de matar por poder, comete as mortes pelo amor entre ela e o empregado (isso pode soar romântico de primeira mão, mas a realidade é a mais anti-romântica e trágica que se pode imaginar).

É, sem dúvidas, um filme muito bem articulado e construído, destaque para o elenco estelar, com grandes performances de todos os lados (também é destaque Naomi Ackie, a empregada que acaba sofrendo pelos atos cometidos pela sua senhora) e uma narrativa extremamente meticulosa que parece ter o controle sobre cada pedacinho desta trama macabra. A fotografia também tem muitos momentos de ouro. Tecnicamente falando, é irreparável.

Oldroyd conduz seu filme com o mesmo tom trágico do começo ao fim, culminando todos os personagens a um destino trépido e insosso, costurando as tragédias pessoais de cada um ao nível quase coletivo, em que o deslize de um reflete na miséria do outro, e como cada ação acaba tendo uma reação, às vezes, bem mais forte e impactante no outro, como é o caso da relação entre quem está no poder e quem é comandando por este, a reação sempre recai ao último (e o desfecho deixa isso muito claro).

Execução primordial, com diversas sequências espetaculares e muito bem filmadas, Lady Macbeth não é filme para se perder.

Lady Macbeth
dir. William Oldroyd
★★★½

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Oscar de animação: os pré-concorrentes


A Academia divulgou a lista das 26 produções que foram submetidas à categoria de Melhor Animação do Oscar. 

The Big Bad Fox & Other Tales
Birdboy: The Forgotten Children
The Boss Baby
The Breadwinner
Captain Underpants The First Epic Movie
Cars 3
Cinderella the Cat
Coco
Despicable Me 3
The Emoji Movie
Ethel & Ernest
Ferdinand
The Girl without Hands
In This Corner of the World
The Lego Batman Movie
The Lego Ninjago Movie
Loving Vincent
Mary and the Witch’s Flower
Moomins and the Winter Wonderland
My Entire High School Sinking into the Sea
Napping Princess
A Silent Voice
Smurfs: The Lost Village
The Star
Sword Art Online: The Movie – Ordinal Scale
Window Horses The Poetic Persian Epiphany of Rosie Ming

minhas primeiríssimas apostas

1. Coco
2. The Breadwinner
3. The Lego Batman Movie
4. Mary and the Witch's Flower
5. Loving Vincent

os outros cinco

1. The Big Bad Fox and Other Tales
2. Ferdinand
3. The Baby Boss
4. My Entire High School Sinking into the Sea
5. Despicable Me 3