terça-feira, 25 de abril de 2017

Cannes 2017 – Júri da Seleção Oficial


por enquanto, a lista dos jurados do 70º Festival de Cannes está assim:

SELEÇÃO OFICIAL/EM COMPETIÇÃO

Pedro Almodóvar, cineasta espanhol (presidente)
Jessica Chastain, atriz americana
Will Smith, ator americano
Maren Ade, cineasta alemã
Fan Bingbing, atriz chinesa
Park Chan-Wook, diretor sul-coreano
Gabriel Yared, compositor franco-libanês
Agnès Jaoui, atriz e diretora francesa
Paolo Sorrentino, cineasta italiano

UM CERTO OLHAR

Uma Thurman, atriz americana (presidente)

CURTAS/CINEFONDÁTION

Cristian Mungiu, diretor romeno (presidente)

CAMERA D'OR

Sandrine Kiberlain, atriz francesa (presidente)

SEMANA INTERNACIONAL DOS CRÍTICOS

Kleber Mendonça Filho, cineasta brasileiro (presidente)
Diana Bustamante Escobar, produtora colombiana
Eric Kohn, crítico americano
Hania Mroué, diretora do Metropolis Cinema libanesa
Niels Schneider, ator franco-canadense

L'ŒIL D'OR (OLHO DE OURO)

Sandrine Bonnaire, atriz francesa (presidente)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Crítica: "SILÊNCIO" (2016) - ★★★★★


Foi recebido com controvérsia o mais novo e aguardadíssimo trabalho do cineasta americano Martin Scorsese, o épico Silêncio. Alguns amam, outros odeiam. E essa recepção reafirma o quanto é questionável aquilo que nos é mostrado no filme, um dos trabalhos mais inusuais do diretor, no que diz respeito à construção cinematográfica e à perspectiva dilacerante e necessariamente contraditória que este desenha. Entretanto, não há como negar que está é um dos filmes mais bonitos feitos por ele recentemente. 

Martin, de descendência italiana, criado na Igreja Católica, já trabalhou com as temáticas da fé e da crença em filmes anteriores, e que também, assim como este, tiveram uma reação controversa por parte da crítica e do público, especialmente A Última Tentação de Cristo, considerado um de seus filmes mais polêmicos. Silêncio, o projeto que Scorsese planejava filmar há muitos anos, encerra um pequeno ciclo de trabalhos enfáticos em temas religiosos de sua filmografia, precedido por Kundun.

As quase três horas de duração de Silêncio provam o que há de melhor, tecnicamente falando, no cinema de Martin Scorsese, e o que ele sempre soube fazer de seus filmes, o trabalho artístico, o cuidado absurdo com o visual, com a criação fílmica em si. O vigor de sua realização minuciosa e paciente, que caminha aos poucos, de maneira quase transcedental. A narrativa é costurada com afinco, levantando questões inquietantes, provocantes até um certo ponto.

Adam Driver e Andrew Garfield – brilhantes – interpretam dois padres jesuítas rumo ao Japão à procura de Padre Cristóvão Ferreira (Liam Neeson). Na viagem, eles têm a missão de catequizar japoneses cristãos, ato que é intensamente repudiado pelos fervorosos inquisidores, que agem com intolerância frente à conversão dos nativos.

O que tem tornado este filme tão duplo, tão divisor, é o fato dele nos entregar os fatos na unilateralidade, dentro de uma visão tida como colonialista, sob o ângulo dos jesuítas portugueses, católicos. Talvez a questão sobre esta história não seja sobre heróis e vilões, certos e errados, mas sobre a fé em si, sobre a questão da crença, a existência humana e a necessidade de acreditar. O filme então, acaba se tornando mais uma reflexão sobre os fundamentos religiosos e a ligação da religião à política mais do que uma improvável endeusação dos católicos/antagonização dos budistas. Abordar o poder de maneira tão ambivalente, o poder da fé, da palavra, da imagem, das forças humanas, remete às crenças que o mesmo estuda e analisa, e eventualmente desarma, ao questionar, ao debater, ao testar, usufruindo de uma linguagem precisamente cinemática.

Silêncio é uma meditação sobre a fé, sobre o poder da crença, daquilo em que acreditamos e da religião em si. Scorsese, pela primeira vez assinando o roteiro em muito tempo, faz uso de simbolismos e de metáforas de uma forma contemplativa e riquíssima. O cinema de um dos maiores diretores continua firme e forte, talvez exposto a certos riscos, mas que consegue estabelecer um retrato fiel sobre uma história real, ao tratar de seus personagens com uma vericidade monumental. Trata-se de um filme de uma beleza irretocável, a fotografia é maravilhosa, com momentos inspiradíssimos (autoria de Rodrigo Garcia) merecedor do único Oscar ao qual foi indicado, o de fotografia – a ausência do filme nas premiações, Oscar, Globo de Ouro, etc., foi bastante comentada. E tal ausência é realmente estranha, já que o filme é bem melhor que muitos frontrunners desta última awards season. 

Silêncio (Silêncio)
dir. Martin Scorsese - ★★★★★

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cannes 2017 – Quinzena dos Realizadores


Seleção Oficial – Filmes

A Ciambra (dir. Jonas Carpignano)
Alive in France (dir. Abel Ferrara)
L'Amant d'un Jour (dir. Phillipe Garrel)
Bushwick (dir. Cary Murnion, Jonathan Milott)
Cuori Puri (dir. Roberto Di Paolis)
The Florida Project (dir. Sean Baker)
Frost (dir. Šarūnas Bartas)
I Am Not a Witch (dir. Rungano Nyoni)
Jeannette: The Childhood of Joan of Arc (dir. Bruno Dumont)
L'intrusa (dir. Leonardo Di Constanzo)
La Defensa del Dragón (dir. Natalia Santa)
Marlina the Murderer in 4 Acts (dir. Mouly Surya)
Mobile Homes (dir. Vladimir de Fontenay)
Nothingwood (dir. Sonia Kronlund)
Ôtez-moi d'un Doute (dir. Carine Tardieu)
Patti Cake$ (dir. Geremy Jasper)
The Rider (dir. Chloé Zhao)
Dark Glasses (dir. Claire Denis)
West of the Jordan River (Field Diary Revisited) (dir. Amos Gitai)

Seleção Oficial – Curtas

Água Mole (dir. Laura Goncalves & Alexandra Ramires)
La Bouche (dir. Camilo Restrepo)
Copa-Loca (dir. Christos Massalas)
Creme de Menthe (dir. David Philippe Gagné, Jean-Marc E. Roy)
Farpões, Baldios (dir. Marta Mateus)
Min Börda (dir. Niki Lindroth von Bahr)
Nada (dir. Gabriel Martins)
Retour à Genoa City (dir. Benoit Grimalt)
Tijuana Tales (dir. Jean-Charles Hue)
Trešnje (dir. Dubravka Turić)

sábado, 15 de abril de 2017

Crítica: "SIERANEVADA" (2016) - ★★★★★


Do aclamado cineasta romeno Cristi Puiu, tido como um dos nomes mais promissores do novo cinema romeno, autor dos aplaudidos A Morte do Sr. Lazarescu (vencedor do prêmio Um Certo Olhar em Cannes, no ano de 2005) e Aurora, veio esta preciosidade da sétima arte, um filme estimadíssimo, um dos mais obrigatórios lançamentos do ano de 2016: Sieranevada. Tive a sorte de conferir essa obra no cinema ainda no começo desse ano, embora tenha sido lançado por aqui em dezembro passado. E o resultado foi uma das experiências mais prazerosas e especiais que eu já tive dentro de uma sala de cinema, pelo menos nos anos mais recentes. 

O filme tem quase três horas de duração – e boa parte deste se passa dentro de um apartamento – pouca ação, pouca movimentação, nada de grandes acontecimentos e reviravoltas ou rumos surpreendentes, e justamente por isso é compreensível que o público mainstream se afaste desse tipo de filme, que tende a exigir mais do espectador e um pouco de concentração para compreender seus detalhes e suas propostas. 

A família de um neurocirurgião se reúne no apartamento da matriarca para um evento religioso no decorrer da morte do patriarca, há um ano. O reencontro é recheado de momentos virtuosos, muitos engraçados e outros mais dramáticos, enquanto se instala um clima de instabilidade e nervosismo entre as figuras que transitam no quase minúsculo apartamento da família, obrigando todos a se, eventualmente, cruzarem nos corredores, na cozinha ou no caminho ao banheiro. 

A câmera executa um balé delicado em torno dos personagens, presenciando momentos de conflito e atrito entre estes, e outras vezes de uma beleza incalculável, tamanha a sensibilidade que o elenco – primoroso, primoroso, primoroso – evoca. A câmera é um dos membros do elenco também, um personagem invisível, que circula entre os corredores, segue personagens, e depois segue outros, adentrando os cômodos do apartamento onde transitam os personagens.

O filme, deliciosamente bem executado e arquitetado, produz sua crítica social feroz e genial à medida em que registra diálogos acirrados – como aquele da senhora discutindo sobre o socialismo, uma das melhores sequências do filme todo – e momentos singelos e despretensiosos que acabam tendo um certo impacto, e a proposta em si de adequar os personagens e as situações em que se encontram em cada cômodo da casa, como se estes fossem subdivisões de uma própria sociedade – a micro-representação da política na Romênia também se encaixa nesta proposta do filme – e cabe ao espectador interpretar esse estudo minucioso, em sua forma mais cinematográfica. 

O elenco – mais uma vez – como um todo, de índole perspicaz e aguçada, é de grande ajuda para a composição da relação dos personagens entre si, de uma vasta importância para o significado esotérico e metafísico do filme. Não há como dizer se Sieranevada é um filme cômico ou dramático – tudo depende do ponto de vista de cada espectador – mas são muitos os momentos cômicos, livres, que deixam a sessão mais gostosa, e por isso Sieranevada pode ser visto como um convite ao humor, à simpatia, mas também à crítica, à sátira social, à gravidade dos conflitos socio-políticos, muitas vezes referenciadas de maneira explícita ou não ao longo de suas três horas. Trata-se de uma pequena odisseia do comportamento humano, das relações familiares e da socialização entre as pessoas. 

O olhar sagazmente clínico de Cristi Puiu sobre os acontecimentos de seu filme e de sua história definem a textura crítica de uma obra verdadeira, simples porém enorme, de muitas maneiras, seja na duração, seja no viés monumental do elenco, seja na criação de diálogos riquíssimos, ou da elaboração de uma atmosfera que engloba humor e drama com um requinte absurdamente honesto. De qualquer forma, há uma certeza: Sieranevada é maravilhoso. E merece ser visto.

Sieranevada
dir. Cristi Puiu - ★★★★★

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Cannes 2017 – Jessica Chastain integra júri da seleção oficial


A atriz americana Jessica Chastain foi anunciada como membra do júri da seleção oficial do 70º Festival de Cannes. A celebrada intérprete é uma figura recorrente nos tapetes vermelhos dos festivais mais recentes e vários filmes protagonizados por ela abarcam na Croisette. É a primeira vez que Jessica participa do júri. Em 2011, o filme A Árvore da Vida, estrelado por ela, ganhou a Palma de Ouro no festival. A atriz já foi indicada ao Oscar duas vezes, e recentemente conquistou uma indicação ao Globo de Ouro por sua atuação no filme Armas na Mesa.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Cannes 2017 – Primeiras Impressões da Seleção Oficial



Um dos eventos mais aguardados do ano está chegando. Sim, amigos, estou falando do Festival de Cinema de Cannes, uma das maiores festas do cinema, uma celebração da arte cinematográfica e da tradição fílmica, realizado anualmente e trazendo algumas das mais maiores obras contemporâneas, sempre atraindo os olhares da crítica e dos cinéfilos. E este ano o festival está de volta trazendo mais títulos atrativos e de abrir o apetite de qualquer um. Entre retornos de diretores prestigiadíssimos e estreias aguardadas e cobiçadas, a lista está recheada de presenças marcantes.

São 18 filmes na mostra competitiva (geralmente são 20, 22 – creio que ainda vão aumentar a lista daqui a uns dias), 16 na mostra Um Certo Olhar e 19 filmes hors concours. Isso sem contar com a seleção de curtas. 

Hong Sang-Soo, o aclamado e querido cineasta coreano, está de volta à Croisette com 2 filmes: The Day After (em competição) e Claire's Camera (hors concours). O diretor, que já teve passagem por Berlim no começo desse ano com On the Beach at Night Alone (que rendeu a Kim Min-Hee o prêmio de Melhor Atriz) traz mais dois filmes em Cannes e os fãs do cineasta podem comemorar esse trio. 

Michael Haneke, desde 2012 sem entregar um filme, também retorna este ano à riviera com Happy End, filme sobre a crise dos refugiados estrelado por dois ícones maiores do cinema francês, Jean-Louis Trintignant e Isabelle Huppert, ambos tendo atuado em seu filme anterior, Amor, vencedor da Palma de Ouro. O filme é um dos mais aguardados deste ano e sua presença em Cannes reafirma uma certa expectativa em torno dele. 

O filme de abertura (mantido em segredo até o dia do anúncio da seleção oficial) é um pouco inesperado: o filme Ismaël's Ghosts, do diretor Arnaud Desplechin, esperado para estrear em competição, agora hors concours e film d'ouverture do evento este ano. O filme estrela Mathieu Amalric, Louis Garell, Charlotte Gainsbourg e Marion Cotillard. 

Entre os filmes já aguardados para estar na lista, figuram os já celebrados novos filmes de Sofia Coppola (The Beguiled), Bong Joon-Ho (Okja), Lynne Ramsay (You Were Never Really Here), Yorgos Lanthimos (The Killing of a Sacred Deer), Michel Hazanavicius (Le Redoutable), Todd Haynes (Wonderstruck) e Andrey Zvyagintsev (Loveless). Entre as surpresas da seleção competitiva, estão os filmes de Noah Baumbach (The Meyerowitz Stories), um diretor sem nenhuma passagem anterior no festival, sendo este seu 1º filme apresentado na Croisette; os irmãos Safdie (Good Time) cujo filme já é especulado como uma das estreias de peso do festival este ano; François Ozon (L'Amant Double) de volta à Cannes quatro anos após sua última apresentação.

Entre os filmes que ficaram de fora, estão os de Lucrecia Martel (Zama, filme que, por ter o crédito de produtor de Pedro Almodóvar, presidente do júri deste ano, não poderia entrar em competição, mas que era esperado para debutar na mostra Um Certo Olhar ou, talvez, hors concours), Woody Allen (o diretor recentemente exibiu seus dois últimos trabalhos no festival e o terceiro, Wonder Wheel, estava quase destinado a traçar este mesmo caminho), Alexander Payne, Roman Polanski, Lav Diaz, Richard Linklater, Kathryn Bigelow, Alfonso Cuarón, Doug Liman, Mahamat Saleh-Haroun, Bruno Dumont, Jean-Luc Godard...

Na seleção Un Certain Regard, figuram os filmes de Mathieu Amalric (Barbara, filme de abertura), Michel Franco (Las hijas de Abril), Kiyoshi Kurosawa (Before We Vanish) e Laurent Cantet (L'Atelier), até então tidos como favoritos à mostra competitiva, mas que ganham uma certa força com a inclusão nesta mostra que representa filmes com perspectivas distintas e que contempla também trabalhos de diretores iniciantes (só este ano são sete os filmes por diretores estreantes que debutam no festival).

Curiosamente, a lista dos filmes hors concours está menos interessante do que o esperado, sem muitas surpresas. Um título que realmente chama atenção é Carne y Arena, do mexicano Alejandro González Iñárritu, incluso como "realidade virtual: filme/instalação/exibição" na lista oficial. Entre outras aparições ainda mais interessantes e importantes que esta, estão a do último filme do saudoso cineasta iraniano Abbas Kiarostami, 24 Frames; o retorno de David Lynch com Twin Peaks; o curta-metragem de Kristen Stewart, a "queridinha de Cannes", Come Swim; os novos filmes de Hong Sang-Soo com Isabelle Huppert, La Camera de Claire; Agnès Varda (Visages, Villages), Takashi Miike, The Blade of the Immortal e Raymond Depardon (12 Jours).

Este ano,  nenhum filme nacional (até agora) deu as caras, somente um curta que está incluso na mostra Cinefondátion, Vazio do Lado de Fora. Vamos aguardar para ver se algum título pinta nas mostras competitiva ou Um Certo Olhar.

O Festival começa em maio, do dia 17 ao dia 18. 

FESTIVAL DE CANNES 2017 – SELEÇÃO OFICIAL


filme de abertura
Ismael's Ghosts (dir. Arnaud Desplechin)

em competição

Loveless (dir. Andrey Zvyagintsev)
Good Time (dir. Benny & Josh Safdie)
You Were Never Really Here (dir. Lynne Ramsay)
L'Amant Double (dir. François Ozon)
Jupiter's Moon (dir. Kornél Mandruczó)
A Gentle Creature (dir. Sergei Loznitsa)
The Killing of a Sacred Deer (dir. Yorgos Lanthimos)
Radiance (dir. Naomi Kawase)
The Day After (dir. Hong Sang-Soo)
Le Redoutable (dir. Michel Hazanavicius)
Wonderstruck (dir. Todd Haynes)
Happy End (dir. Michael Haneke)
Rodin (dir. Jacques Doillon)
The Beguiled (dir. Sofia Coppola)
120 Battements Par Minute (dir. Robin Campillo)
Okja (dir. Bong Joon-Ho)
In the Fade (dir. Fatih Akin)
The Meyerowitz Stories (dir. Noah Baumbach)

un certain regard

Barbara (dir. Mathieu Amalric) – filme de abertura
The Desert Bride (dir. Cecilia Atan & Valeria Pivato)
Closeness (dir. Kantemir Balagov)
Beauty and the Dogs (dir. Kaouther Ben Hania)
L'Atelier (dir. Laurent Cantet)
Lucky (dir. Sergio Castellitto)
April's Daughter (dir. Michel Franco)
Western (dir. Valeska Grisebach)
Directions (dir. Stephan Komandarev)
Out (dir. Gyorgy Kristof)
Before We Vanish (dir. Kiyoshi Kurosawa)
The Nature of Time (dir. Karim Moussaoui)
Dregs (dir. Mohammad Rasoulof)
Jeune Femme (dir. Léonor Serraille)
Wind River (dir. Taylor Sheridan)
After the War (dir. Annarita Zambrano)

fora de competição

Blade of the Immortal (dir. Takashi Miike)
How to Talk to Girls at Parties (dir. John Cameron Mitchell)
Visages, Villages (dir. Agnès Varda & JR)

midnight screenings

Prayer Before Dawn (dir. Jean-Stéphane Sauvaire)
The Merciless (dir. Byun Sung-Hyun)
The Villainess (dir. Jung Byung-Gil)

special screenings

An Inconvenient Sequel (dir. Bonni Cohen & Jon Shenk)
12 Jours (dir. Raymond Depardon)
They (dir. Anahita Ghazvinizadeh)
Claire's Camera (dir. Hong Sang-Soo)
Promised Land (dir. Eugene Jarecki)
Napalm (dir. Claude Lanzmann)
Demons In Paradise (dir. Jude Ratman)
Sea Sorrow (dir. Vanessa Redgrave)

virtual reality (film/instalation/exhibition)

Carne y Arena (dir. Alejandro González Iñárritu)

aniversário de 70 anos

Top of the Lake: China Girl (dir. Jane Campion & Ariel Kleiman)
Twin Peaks (dir. David Lynch)
24 Frames (dir. Abbas Kiarostami)
Come Swim (dir. Kristen Stewart)