terça-feira, 30 de setembro de 2014

Crítica: "OS MISERÁVEIS" (2012) - ★★★★



O vencedor do Óscar Tom Hooper (O Discurso do Rei) reproduz uma das histórias mais autênticas da história da literatura em um clássico moderno cinematográfico renovado, ainda que cheio de falhas. Les Misérables adapta o musical da Broadway do mesmo nome, desta vez baseado no romance de Victor Hugo. Com um elenco brilhante, uma trilha sonora arrebatadora e uma equipe técnica sensacional, Les Misérables nos encanta assustadoramente com um senso imaginário cheio de criatividade visionária que seu elenco transmite a cada cena que dança e canta entre seus 160 minutos cheio de imperatividade, música, paixão, fúria, guerra e amor. 
             
O figurino, a música, o som, a direção de arte, a maquiagem, a fotografia, a direção, o roteiro, o elenco... Tudo está perfeccionado em mínimos detalhes, criando um "efeito" realista para esta grandiosa fábula cinematográfica e musical;
             
Tudo é muito bem feito em Les Misérables, e talvez isso o torne um tanto repetitivo ou sem ação. As cenas musicais tem pouca movimentação e os personagens estão mal conectados no roteiro, o que não influencia muito para a transformação de Les Misérables numa autêntica obra de arte de Hollywood. 
              
Em suas cenas musicais dramáticas (o filme é pouco composto por falas normais) o grande filme de Tom Hooper cria a sensibilidade no pano de cada personagem, dando vida ás performances criativas e emotivas no filme, destacando a vencedora do Óscar Anne Hathaway e Hugh Jackman (indicado por sua performance desoladora como Jean Valjean).
               
Encantador, tocante, profundo, charmoso, esperançoso e rico de cenas cheia de vida e emoção, Les Misérables é maravilhosamente inspirador, repetindo aqui que não deixa de ser um filme repetitivo e por vezes distante.

Os Miseráveis (Les Miserábles)
dir. Tom Hooper - 

domingo, 28 de setembro de 2014

Crítica: "O ILUMINADO" (1980) - ★★★★★


Uma obra-prima do terror moderno é a frase que subitamente e primordialmente nos cumprimenta no pôster um tanto obscuro e modernizado de O Iluminado. Com certa sutileza e uma incrível genialidade, Stanley Kubrick consegue nos aterrorizar nos 118 atormentadores minutos do filme.  
            
A terrível e louca transformação de Jack Torrance em um incontrolável maníaco durante o filme é um destaque furioso para Jack Nicholson, em uma de suas melhores atuações. O mais impressionante em todo o filme é que ele consegue prender a sua atenção, te aterrorizar e causar os sentimentos mais obscuros através de efervescentes efeitos: trilha sonora, caras assustadas e gritos de pânico.
              
As mágicas performances de Shelly Duvall em seu papel desolador e desesperador e o talento precoce de Danny Lloyd, filho de Kubrick, no papel do "iluminado" Danny Torrance. Os elementos visuais utilizados no filme são escandalosos para um filme de 1980 (incluindo a trilha sonora desoladora, mais uma vez). 
                
O roteiro do filme é essencial para a criação de um clima conturbado e bem distópico de O Iluminado, que narra a desesperada jornada de uma família cujo pai, Danny Torrance, é contratado para ser zelador de um vazio hotel. Ao passar do tempo, as coisas saem do controle e Danny Torrance tem uma crise nervosa claustrofóbica, e ao mesmo tempo, sem ter inspiração para escrever, tem um surto, e então, tenta assassinar de uma maneira brutal e louca, sua família. O desfecho do filme é completamente sensacional. Nenhum filme jamais conseguiu criar o clima que O Iluminado produziu, e isso faz desta uma das produções mais fantásticas já feitas pelo Stanley. 
              
Assustador, provocador, insistente, tresloucado, criativo, brilhante, obscuro, tentador, surreal e completamente incontrolável, o terror de Kubrick é uma fabulosa história cativante e cheia de elementos que surgem instantaneamente dentro de seu roteiro impaciente. O Iluminado é um terror magnífico e autoritário que reproduz o talento e a grande versatilidade dentro do estilo genial e inspirador de Kubrick.

O Iluminado (The Shining)
dir. Stanley Kubrick - 

sábado, 27 de setembro de 2014

Crítica: "O GRANDE HOTEL BUDAPESTE" (2014) - ★★★★★


O cineasta americano Wes Anderson nos diverte mais uma vez em O Grande Hotel Budapeste, uma obra-prima fantasticamente reproduzida através do trabalho do escritor Hugo Guiness. Com um elenco primoroso e um roteiro fantástico, Wes Anderson dirige uma de suas melhores películas, se não é, com certeza, a melhor: ação, comédia, romance, crime, aventura, suspense, todos os elementos estão presentes e surgem astronomicamente em O Grande Hotel Budapeste.
      
A maturidade de Wes Anderson, diretor de O Fantástico Sr. Raposo e Moonrise Kingdom, dirige seu melhor filme até o momento. O filme é uma narrativa inteligente e voraz das histórias que emergem dentro do Grande Hotel Budapeste, narrando consequentemente a amizade do famoso concierge do hotel e um jovem empregado, o roubo de uma pintura renascentista, a batalha pela fortuna que atinge uma família, entre outras situações que surgem entre duas guerras mundiais. 
     
Ralph Fiennes, é certamente brilhante e loquaz em O Grande Hotel Budapeste, apesar de sua performance não ser tão marcante e profunda quanto a que  o mesmo deu em filmes como O Paciente Inglês ou A Lista de Schindler, mas boatos de sua presença no Oscar 2015 ainda o incluem uma esperança. O elenco todo, absolutamente, é divino. Tilda Swinton, Adrien Brody, Jude Law, F. Murray Abraham, Saoirse Ronan, Willem Dafoe, Léa Seydoux, Mathieu Amalric, Tom Wilkinson... Todos estão excelentemente imperdíveis aqui. A revelação de Toni Revolori é outro importante marco deste elenco estrelado. 
       
A presença de O Grande Hotel Budapeste nas categorias técnicas do Oscar 2015 é quase certeza absoluta. As categorias mais prováveis até o momento são Figurino, Direção de Arte, Efeitos Visuais, Maquiagem e Penteados e Trilha Sonora. Há boatos de vitória em Figurino e Maquiagem e Penteados. Mas, enfim, deixando de lado um pouco essa predição do Oscar, quero dizer o quão estonteado, até o momento, estou com a projeção de O Grande Hotel Budapeste. Em meu mais perfeito estado cinéfilo, confirmo que é uma das melhores películas que vi em 2014, apesar de termos alguns meses à frente antes do fim dele e uma porrada de esperados filmes para ver. 

Certamente, a surpresa poderá surgir, mas não acredito que algum deles terá a potência e a genialidade de O Grande Hotel Budapeste. Dotado de uma extraordinária beleza visual, um elenco dedicado e um roteiro poético, a obra simplesmente me deixou abismado. E, além de tudo, é um filme persistentemente belo, delicado, sensível, engraçado, cujos ares não enjoam mas apenas alimentam o desejo do espectador por ver algo de fato satisfatório. E, puramente como nenhum outro filme, O Grande Hotel Budapeste satisfaz, não só como filme, mas também como história. Embora haja humanidade nos diálogos ferrenhos de cultos e absurdamente cômicos, também é retratado aqui o devaneio de toda uma geração diante dos mais intensos conflitos. 

E mesmo assim, toda essa gente, apavorada com o surgimento de tais agressivos episódios de carnificina, não perderam a pose não. O luxo e a cor imperaram por muito tempo nas terras européias onde a guerra passou, afetou e deformou. Zubrowka simboliza o equivalente a Alemanha, Itália, França, Rússia, Áustria, dentre outras. Ainda sim que a narrativa acompanhe relatos internos da relação amistosa de M. Gustave e o imigrante Zero, há a presença desses detalhes que são imprescindíveis ao público. Os detalhes subliminares de uma história que mostra a cara, mas cujo coração apenas é visto através de segredos espalhados por ela. E a prova mais contundente e eficaz de que isso existe aqui é, possivelmente, M. Gustave e sua trupe. 

E não digo isso por que a história é inteligentemente atroz ou ela faz referência. Digo isso por que a história é poderosa. A trama é invencivelmente deliciosa e o desfecho, simplesmente indescritível. Tudo nessa trama é interligado. Ou seja, ao mesmo tempo em que se fala de guerra (um assunto tão antigo embora recente - pensem nisso), o filme fala de divergências pessoais e de conflitos dentro de uma sociedade levada pela ambição e pela impertinência (lembrados do discurso "oh, fuck it!" do M. Gustave após os eventos dentro do trem?) Digam o que puderem, mas O Grande Hotel Budapeste é isso: uma análise linda e tocante de um universo de paisagens e luxo sendo deterioradamente corrompido pelo tempo e as transformações contidas nele. 
        
O Grande Hotel Budapeste também merece reconhecimento por tamanha eficiência técnica. Alexandre Desplat costura a belíssima trilha sonora em tons de dó a si de maneira impacientemente triunfal. A fotografia de Robert Yeoman é, sem dúvidas, abismadora. É muito bela. Bela demais. Belíssima por se dizer belíssima. É como se estivéssemos provando com os olhos um bolo atipicamente delicioso de chocolate, enfeitado com uma cobertura estremecedora e um creme gelado emocionante. Só não gosta quem não prova ou quem não tem paladar. 

A direção de arte é evidentemente uma das mais detalhadas que vi recentemente. Cada cenário apresentado no roteiro é enfeitado com luz e perfeição pelos designers. Os figurinos da lendária italiana Milena Canonero (que trabalhou com Kubrick em Barry Lyndon, além de também ter vencido estatuetas por seus trabalhos em Carruagens de Fogo e Maria Antonieta, são inspiradores. Tudo conspira a favor do sucesso verídico desta formidável obra. Enfim, o magnífico trabalho conduzido por Wes Anderson, diretor que eu nunca cheguei a apreciar tanto, em O Grande Hotel Budapeste resulta numa encantadora, misteriosa, marcante, visualmente e tecnicamente rica, gloriosa, épica, majestosa, gostosa, fabulosa, intensa, dramática e doce obra-prima visionária! 

O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)
dir. Wes Anderson - 

Crítica: "A TROCA" (2008) - ★★★★


A Troca é  uma obra de arte sublime e voraz, belíssima e profunda, inteligente e marcante. Clint Eastwood dirige e produz um de seus filmes mais intensos, dramáticos e encantadores. Surpreendente, A Troca é um drama que aborda a vida de uma mulher vivendo na década de 20 em torno de um escândalo bizarro que passa a atormentá-la emocionalmente. A vida de Christine - uma mãe consoladora e protetora, muda completamente com o desaparecimento do filho, e cinco meses após, a polícia a entrega uma criança alegando que a mesma supostamente seria seu filho, o que a desperta um sentimento furioso de justiça contra o erro cometido. Ao desenrolar da história, vemos a transformação da personagem de Jolie de uma mulher calma, frágil, desamparada e consolada numa íntegra, forte, empenhada, espirituosa e teimosa heroína. A história verídica de A Troca expõe a corrupção e a mentira ocasionadas pela polícia de Los Angeles diante do assombroso e tentador caso de Christine Collins e a quase impossível troca de crianças que foi efetuada.
           
Exibido no Festival de Cannes em 2008, indicado a três categorias no Oscar 2009, entre elas a merecidíssma de Melhor Atriz para Jolie - sua segunda, apenas -, A Troca é uma visão chocante e meticulosa a partir de uma história quase impossível de ser narrada, cuja Clint Eastwood soube tão lendariamente narrar. A Troca é uma história de esperança e crime chocante, assustadora, profunda, genial, crítica, bela, ímpar, sutil, dramática, elevadora, persuasiva e loquaz, que merece um certo destaque por tão evidentemente impactar seu espectador. Além de ser um dos melhores do cineasta, trata-se de um ímpar retrato de época cheio de momentos ferozes de bons e maravilhosos de comoventes. Filme show!

A Troca (Changeling)
dir. Clint Eastwood - 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Crítica: "BASTARDOS INGLÓRIOS" (2009) - ★★★★★

 

Tarantino está mais genial do que nunca! Bastardos Inglórios consegue ter o equilíbrio entre a sua violência e o humor ácido e irônico, sempre presentes nos filmes de Quentin Tarantino, que nos brinda com o sucesso e a originalidade de sua mais nova obra-prima. Após não ter nos surpreendido tanto em Death Proof, Tarantino retorna com todo o fôlego neste filme, que logo pelos momentos iniciais exala uma significância bem mais clara recuso aos outros filmes do diretor, e isto é propriamente lógico: a implosiva violência. E é claro, não deixaríamos de falar de Quentin Tarantino sem mencionar o roteiro brilhante por trás de cada uma de suas grandes obras. Em Bastardos Inglórios não é diferente. A violência e o humor irônico são os dois elementos mais vibrantes e emocionantes do filme, que a cada cena, a cada situação, nos causam um choque, um sentimento breve, mas marcante, gravados peculiarmente na complexa trama que se instala entre os personagens deste drama neo-guerra. É essa a sensação de assistir a um filme de Quentin Tarantino: um "choque" visual, porém poético e livre, como todo filme dirigido por ele.
      
Exibido em Cannes, indicado a oito Óscars, Bastardos Inglórios é um dos melhores de Tarantino. Pode até não fazer o estilo próprio do diretor, por relacionar algumas personalidades históricas (Hitler) em suas histórias, mas o roteiro é brilhante, a direção é magnífica e o elenco, sensacional. É claro, quando se fala no elenco, é quase obrigatório destacar e mencionar as performances de: Christoph Waltz, vencedor do Óscar, Globo de Ouro, BAFTA e SAG Award de Melhor Ator Coadjuvante por seu papel como o general Hans Landa, que nos embate e nos emociona com seu característico e rude personagem, um cruel general nazista, mais conhecido como "O Caçador de Judeus". Brad Pitt, em seu personagem irreverente, violento, bem-humorado e irônico como Aldo Raine, um tenente americano judeu líder de um grupo que caça e assassina os nazistas. Melánie Laurant, que entra numa performance emblemática, porém objetiva e talentosa, que pode desprender alguns pequenos encaixes literais do foco, já que a francesa é um tanto inexperiente.

De maneira contrária como muitos pensam, Bastardos Inglórios não subtrai a guerra, e nem adiciona o requisito ficcional, mas os divide. Para evitar a linguagem matemática, pode-se afirmar: Bastardos Inglórios inversamente reutiliza os dois padrões para recriar a Segunda Guerra Mundial conforme o roteiro planeja. Como visto, nada no filme é ao acaso. Sempre aqui ou ali, instala-se um clímax genuíno e excitante, que deixa o público com um gostinho de "quero mais". Tarantino é um velho conhecido. Faz filmes por temporadas, o que nos atrai ao seu conhecido método verborrágico e universal de fazer cinema e ainda por cima exige um pouco mais de nós a cada dois ou três anos quando lança um novo filme. Bastardos Inglórios é um presentão desse mestre. Dane-se a duração duas horas e meia, e também toda a trupe alemã no elenco! Bastardos Inglórios já impressiona por sua pureza gradativa. Alguém me mostra qual é o defeito de Bastardos Inglórios? Nenhum. 

O filme é danado de bom! Por isso, eu lhes asseguro: quando tiverem a oportunidade de assistir a este filme, assistam. Se já tiveram, assistam de novo. Seria impassível ou decepcionante rejeitar esta obra. É livremente essencial. Por mim, já pode ser qualificado como um dos melhores filmes já feitos na história, e isto por que ainda tem Kill Bill e Pulp Fiction antes dele. Apesar de não ser o melhor filme do diretor, para ser mais técnico e crítico, Bastardos Inglórios mantém o estilo original de Tarantino de fazer filmes com essa temática bem agressiva, mas não "clichê". Tudo o que se pode resumir do filme é uma obra-prima característica e essencial do diretor Quentin Tarantino: revoltante, vivaz, pungente, cheio de ação e sangrento, com um elenco majestoso (uh... That's a Bingo!)

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds)
dir. Quentin Tarantino - 

Crítica: "CISNE NEGRO" (2010) - ★★★★★



Uma experiência cinematográfica inesquecível! O novo filme do diretor norte-americano Darren Aronofsky, que nos surpreendeu em filmes como Réquiem para um Sonho (2000) e O Lutador (2009) volta a nos surpreender com sua versatilidade e originalidade que são dois elementos muito bem definidos em Cisne Negro, o melhor filme de Darren Aronofsky, sem sombra de dúvidas. A talentosa Natalie Portman dá um show incrível em sua performance no papel de Nina Sayers, uma bailarina que fica enlouquecida em sua sede por sucesso na busca do papel principal na peça O Lago dos Cisnes. 
   
Exibido no Festival de Veneza e indicado a 5 Óscars da Academia (incluindo Melhor Filme), Cisne Negro é uma obra-prima genial do cinema americano, e com certeza um dos melhores thrillers já produzidos na atualidade. Cisne Negro é capaz de produzir diversos sentimentos, e sobretudo, é uma bela reflexão da alma e do ser, além de unificar uma história autêntica, com elementos próprios do filme que buscam nos levar a identificar a sua mensagem. 
     
Porém, além de tudo, Cisne Negro procura nos levar a refletir e pensar sobre quem nós somos, através das situações que enfrentamos e nossas  maneiras de resolvê-las ou interpretá-las. Através da história de Cisne Negro, é possível sentir essas mensagens por trás de seu roteiro miraculoso e inteligente, que procura nos enganar, nos colocando em cenas e situações surrais, que nos introduz a loucura de nossa personagem principal, Nina Sayers.
   
O elenco do filme é excelente, citando e destacando a vencedora do Óscar de Melhor Atriz Principal por seu desempenho nesta maravilhosa produção, Natalie Portman, cuja interpretação é algo essencial para o filme, que o transforma numa obra de arte viva e realista. "Resumindo": Cisne Negro é um filme espetacular, que deve ser assistido, re-assitido e é claro, refletido através de sua mensagem surreal, obscura e filosófica.

Cisne Negro (Black Swan)
dir. Darren Aronofksy -