domingo, 30 de novembro de 2014

Crítica: "OS CROODS" (2013) - ★★★



Os Croods é uma jornada tremendamente triunfante e espetacular através de um cenário surrealista da pré-história e das condições naturais da época, dentro da história de uma família que vive um nada habitual processo de sobrevivência e de adaptação, enquanto resiste ao embate dos animais pela busca de comida e lugar. É claro, a jornada favorece uma parte da história que requer uma observação mais ímpar e aproximada das condições que o tempo ofereceu, porém, aqui no filme o que realmente surpreende é a magia da pré-história, não em termos reais, mas em termos de vivência. A animação acompanha o desenvolvimento de uma família durante a formação dos continentes, e o filme procura retratar da maneira mais impecável e original possível essa passagem que mudou para sempre a história da vida no universo. Com direito á uma trilha sonora sensacional e uma fotografia deslumbrante, Os Croods é tão interessante quanto divertido.

O filme nos proporciona a questão de avaliar lentamente todo esse processo, e nos permite vivenciá-lo, poder tocar toda a grande jornada que passou nos olhos dos antepassados que viveram o tempo dessa transformação. E a experiência torna-se cada vez mais real aos olhos de seu público. Uma criança poderá se encantar com a magia sublime visual de Os Croods e as relações que uns animais tinham com os outros, assim como os humanos, pois para eles, esse "mundo" desconhecido não existia e agora, eles podem presenciar essa história através do encantador poder do cinema de causar as mais diversas impressões e contar as mais incontáveis histórias. E uma animação com o grande impacto de Os Croods proporcionará a oportunidade de sentir através das cores refletidas em um espectro a emoção de ter vivido num passado tão distante, que reflita as possíveis origens da vida, de uma maneira moderna e simplesmente maravilhosa.  

Os Croods (The Croods)
dir. Chris Sanders e Dean DeBlois - 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Adeus, ROBERTO GOMÉZ BOLAÑOS (1929-2014)


Faleceu em Cancún, hoje nessa sexta feira (28) aos 85 anos o ator, comediante e escritor mexicano Roberto Goméz Bolaños, mais famoso pela criação de seriados internacionalmente aclamados, como Chaves e Chapolin Colorado, que fizeram um enorme sucesso na televisão brasileira. A informação de sua morte foi divulgada pela rede de TV Televisa. Nos últimos anos, o comediante teve algumas complicações em relação á sua saúde frágil, e ultimamente, passava a maior parte do tempo deitado com acompanhamento por 24 horas. "O México perdeu um ícone, cujo trabalho transcendeu gerações e fronteiras", afirmou o presidente mexicano Enrique Peña Nieto;

Chespirito e seu universo marcaram a história da televisão mundial, sua genialidade precoce e seu senso de humor que nos permitiu dar boas risadas diante de suas criações. 

Adeus, Chespirito. Obrigado por nos ensinar e inspirar diversas gerações com sua exemplar visão do mundo, que tão gratificantemente soube conduzir sua identidade avassaladora a um enorme público, hoje tão esmeradamente agradecido por seus feitos. Aqui fica nossa simples homenagem á Bolaños. (aplausos)

"É melhor morrer do que perder a vida."
- Chaves

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Crítica: "O LABIRINTO DO FAUNO" (2006) - ★★★★★


A voz própria de O Labirinto do Fauno traz elementos únicos, como o épico e a fantasia, que ao decorrer dessa história brilhante, se aperfeiçoam e ganham uma camada de vida quase sub-realista. O filme narra uma série de eventos na vida da ingênua Ophelia, cuja mãe está grávida de um rígido capitão da Guerra Civil Espanhola, que está no controle de uma operação para identificar um grupo fascista. Ophelia descobre a amizade de Mercedes, a empregada da casa onde ela está hospedada junto com a mãe, e através do labirinto do fauno, inicia-se uma jornada fantástica e espetacular, quão misteriosa e surrealista. Ophelia descobre ser a reencarnação de uma princesa, e para poder atingir a imortalidade e a outra vida, terá que cumprir algumas das provas impostas pelo fauno, seu guiador. Entre cenas sangrentas e prosperamente violentas protagonizadas pelo capitão Vidal encenando o frio fascismo à beira de uma catástrofe, e outras surpreendentes e encantadoras passagens de Ophelia no mundo subterrâneo, o filme te transporta para outra dimensão, dentro da mente genial de Del Toro. 

Indicado a seis categorias no Oscar 2007, e vencedor de três (Melhor Fotografia, Melhor Maquiagem e Melhor Direção de Arte), nenhum filme dirigido por Del Toro até hoje conseguiu superar o profundo impacto deste, não só pela história, mas pela maestria neo-realista utilizada na película mexicana/espanhola. A performance seguramente inesquecível de Ivana Baquero no papel da garota Ophelia, acompanhada de um elenco desbravador, com Sergi López, Maribel Verdú, Ariadna Gil, são categorizados impecavelmente em cada performance. O destaque de O Labirinto do Fauno o transforma num autêntico clássico moderno do cinema infanto-juvenil, e provavelmente uma das mais bem feitas produções estrangeiras de todos os tempos. O Labirinto do Fauno nos apresenta a oportunidade de analisar uma obra-prima incluindo cada artifício minimalista utilizado perfeitamente nela, com toques que a tornam mais real, e definitivamente, um trabalho de arte magnífico e sublimemente mágico como uma fábula.

Também trata-se de uma obra regida por sua magistral e impecável beleza, indiscutivelmente esplêndida. O Labirinto do Fauno, situado em algum lugar entre um eletrizante terror gótico e um conto infantil imprescindível e repleto de fantasia, explora a ingenuidade de uma criança comovida com a mudança contrastando com o totalitário universo de uma guerra, e a rebeldia de seus opositores. O bom é que esse misto funciona, e O Labirinto do Fauno se auto-consagra, pois remonta um gênero inteirinho no fim de entregar nas mãos do espectador um trabalho lindíssimo, e único. É muito bom mesmo!

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno)
dir. Guillermo del Toro - 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2015 - OS INDICADOS


Foram anunciados os indicados ao Independent Spirit Awards 2015, uma das premiações mais importantes do cinema contemporâneo. E adivinha quem foi o grande felizardo que arrecadou seis indicações? Sim, Birdman superou Boyhood e levou seis gloriosas indicações. A premiação é uma ótima indicadora para o Oscar, e isso pode ser benéfico para Birdman. Uma pequena nota: o vencedor da premiação de 2014 foi 12 Anos de Escravidão, o mesmo vencedor do Oscar de Melhor Filme! 

A premiação acontecerá dia 21 de fevereiro de 2015 (tradicionalmente, um dia antes do Oscar, o que aumenta as expectativas!). O blog Lumière & Companhia fará a cobertura completa do prêmio.

Confira a lista completa dos indicados ao Independent Spirit Awards 2015:

MELHOR FILME

Birdman
Boyhood
O Amor é Estranho
Selma
Whiplash

MELHOR ATRIZ

Marion Cottilard - Era Uma Vez em Nova York
Rinko Kikuchi - Kumiko, a Caçadora de Tesouros
Julianne Moore - Still Alice
Jenny Slate - Obvious Child
Tilda Swinton - Amantes Eternos

MELHOR ATOR

André Benjamin - Jimi: All is by My Side
Jake Gyllenhaal - O Abutre
Michael Keaton - Birdman
John Lithgow - O Amor é Estranho
David Oyelowo - Selma

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette - Boyhood
Jessica Chaisten - A Most Violent Year
Carmen Ejogo - Selma
Andrea Suarez Paz - Stand Clear of the Closing Doors
Emma Stone - Birdman

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Riz Ahmed - O Abutre
Ethan Hawke - Boyhood
Alfred Molina - O Amor é Estranho
Edward Norton - Birdman
J.K. Simmons - Whiplash

MELHOR DIRETOR

Damien Chazelle - Whiplash
Ava DuVernay - Selma
Alejandro González Iñárritu - Birdman
Richard Linklater - Boyhood
David Zellner - Kumiko, a Caçadora de Tesouros

MELHOR PRIMEIRO FILME

A Girl Walks Home Alone at Night
O Abutre
Dear White People
Obvious Child
Ela Perdeu o Controle

MELHOR ROTEIRO 

Big Eyes
A Most Violent Year
O Abutre
Amantes Eternos
O Amor é Estranho

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO

Uma Boa Menina
Amor por Acidente
The One I Love
Dear White People
Ela Perdeu o Controle

MELHOR FOTOGRAFIA

Era Uma Vez em Nova York
Birdman
Selma
It Felt Like Love
A Girl Walks Home Alone at Night

MELHOR EDIÇÃO

Boyhood
Whiplash
O Abutre
A Most Violent Year
The Guest

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Força Maior - Suécia
Ida - Polônia
Leviathan - Rússia
Mommy - Canadá
Sob a Pele - Reino Unido
North, The End of the Story - Filipinas

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Nick Cave - 20.000 Dias na Terra
Citizenfour 
Stray Dog
O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Virunga 

Crítica: "A ÁRVORE DA VIDA" (2011) - ★★★★★



A Árvore da Vida não é apenas uma reflexão sobre todas as coisas e a criação do universo, mas é a observação dos elementos que contribuíram para a formação da vida na Terra e a formação de todos os seres que nela habitam. O filme tenta aproximar a fé da ciência de uma maneira da qual ambas consigam atingir a razão, ao invés do embate que as divergem. Alguns se sentiram desconfortados ao assistirem A Árvore da Vida, mas é inegável dizer que se trata de uma obra carregada de um sentimentalismo próprio e a maestria divina e filosófica do cineasta americano Terrence Malick, quão incompreensível e intocável.

O roteiro incrementa todos os aspectos da vida, através da conexão dos seres vivos. De um lado, somos apresentados á uma família texana do interior, parcialmente comum. A mãe é sensata e insegura, ingênua e dócil, que preza o valor da religião e da família, apesar de ser controlada pelo marido. O pai controlador e severo, impaciente e flexível, não tolera comportamentos irregulares da parte de seus filhos , e por isso os trata rigidamente e os ensina o caminho da educação e de uma vida exemplar, mas nota-se que o próprio também se encontra divido entre a família e o trabalho. Os filhos são infelizes e oprimidos em razão á triste e decadente relação com o pai. Com o tempo, os filhos amadurecem e se voltam contra ele, buscando a liberdade e a fuga da rotina privada. Já no tempo atual, a morte de um dos filhos causa um desequilíbrio intenso: a mãe está confusa em relação á tudo que já foi construído na família e o pai é domado por uma sensação melancólica de culpa. Diante das relações que o filme realça, tudo se encaixa perfeitamente, mostrando a cadeia que aprisiona a vida dos humanos, seus medos e suas esperanças, suas ambições e suas regras.

Do outro lado da história, a fotografia surreal comandada pelo Emannuel Lubenzki é refletida nas cenas que interpretam a origem da vida e de tudo ao redor de nós. As flores, os répteis, as bactérias, os dinossauros, os tempos inicias são retratados de uma maneira realista e abstrata por Malick. A chama incandescente que ilumina o espaço frio. A dança do vento que paira no deserto vazio. A chuva que molha suavemente o solo seco. A água que corre sensualmente no leito de uma cachoeira barulhenta. O sol que toca a folha das árvores. Tudo tem um significado, e Terrence Malick não desiste e tenta convencer o público de sua ansiedade por codificar todo o sentido da vida nos aproximados 130 minutos de pura reflexão e uma profunda sensibilidade formal. 

A Árvore da Vida demonstra o melhor de Terrence Malick, sua visão autêntica, alternativa e única, vista em Cinzas do Paraíso e Além da Linha Vermelha. Porém, até hoje, a arte expressiva e filosófica de Malick atingiu seu auge em A Árvore da Vida. Sublime e subrealista, afetivo e triunfante. Uma obra-prima que filma o instinto humano através de uma maestria poética que não precisa de Hollywood, ou de Steven Spielberg para atingir um nível de impacto consideravelmente maior do que muitas produções contemporâneas. O espírito do filme eleva a existência e a estrutura, que possibilita da análise do desenvolvimento familiar á expansão do conflito entre a razão e a liberdade, e um registro inesquecível dos tempos primordiais em uma passagem visual astronômica. A Árvore da Vida, não é só um filme, mas uma jornada preciosa e transcendente.

A Árvore da Vida (The Tree of Life)
dir. Terrence Malick - 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OSCAR 2015: "SELMA", "VÍCIO INERENTE", "INTERSTELLAR" e "WINTER SLEEP"


A Academia (que premia anualmente o Oscar) tem uma queda por cinebiografias. Alguns exemplos notáveis são Milk (que deu o segundo Oscar a Sean Penn em 2009), O Pianista (que deu o primeiro e único Oscar a Adrien Brody, em 2003), La Vie en Rose, Frida e o mais atual, Lincoln. Esse ano, houve a presença incalculável de várias cinebiografias. A que mais se destaca neste ano é a cinebiografia de Martin Luther King Jr.: Selma. Da diretora novata Ava DuVernay, o longa recebeu uma longa promoção cinematográfica e continua sendo uma das principais apostas para o Oscar 2015. As performances de David Oyelowo (no papel de Luther King Jr.) e Carmen Ejogo (a esposa de Luther King Jr., Selma). Ainda há a participação de Oprah Winfrey, Tom Wilkinson e Eli Roth no elenco. Um dos principais motivos para a publicidade do filme e a alta aposta na temporada de premiações de 2015 é em virtude de 12 Anos de Escravidão, vencedor anterior do Oscar de Melhor Filme. Porém, também há quem diga que esteja com medo de que Selma sofra os mesmos efeitos que recaíram sobre O Mordomo da Casa Branca (esnobado no Oscar).


A Academia é um público ávido quando o assunto é Christopher Nolan. Pode-se considerar que a Academia é fã (de carteirinha) do diretor. Tudo começou em 2001, com Memento, que rendeu a primeira indicação ao Oscar em Melhor Roteiro Original (ao lado do irmão Jonathan Nolan, que também assinou o roteiro de Interstellar). Em 2008, após Batman e o Cavaleiro das Trevas, a Academia se entregou aos "charmes" dos filmes de Nolan: demasiadamente longos, abusivos em efeitos especiais e tramas bem-montadas. Daí, em A Origem, a Academia não tinha mais dúvida, apesar de que a crítica não anda nem pra lá e nem pra cá a respeito de Christopher Nolan. Tanto que seu filme recente (um forte e possível concorrente ao Oscar 2015) Interstellar deixou a desejar, com um elenco tão bravo, se apoderou tanto de técnicas visuais perfeccionistas que o filme "perdeu-se na tradução", e continua a receber críticas mornas. Será que a Academia se entregará novamente a Nolan e o indicará em Melhor Diretor, ou Melhor Filme? Indicar, ou não indicar? Eis a fatídica questão...


Quem não gosta de Paul Thomas Anderson? Um dos cineastas mais aclamados da atualidade, e talvez, de todos os tempos. A Academia indicou o diretor cinco vezes, em ordem cronológica: Em 1998, Melhor Roteiro Original por Boogie Nights; Em 2000, Melhor Roteiro Original por Magnólia; Em 2008, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado por Sangue  Negro; Apesar do que tudo indique, a Academia não é lá tão "fã" dos trabalhos do diretor. Quem perdoaria a rejeição imperdoável na premiação de 2000, quando Magnólia, das dez categorias que merecia ser indicado (incluindo Melhor Filme), foi enquadrado em três categorias: Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original e Melhor Canção Original. Quem não se lembra do episódio de Embriagado de Amor, onde Adam Sandler, em sua única chance de ser indicado ao Oscar foi rejeitado. A mais recente "esnobação" foi na premiação de 2013, quando o aclamado O Mestre foi abandonado pelos membros da Academia, que mostraram desinteresse na obra do diretor, indicando o filme em três categorias,  todas de atuação. Dessa vez, o cineasta retorna com Joaquin Pheonix (esperando uma desculpa da Academia), interpretando um detetive na comédia dramática Vício Inerente. Parece que teremos a mesma situação que ocorreu na antepenúltima premiação com o já citado O Mestre: o filme será "enforcado" pelo comitê de membros que julga os indicados, e dessa vez, nem para os prêmios de atuação Vício Inerente ficará. Quem sabe, Joaquin Pheonix dê a volta por cima e seja indicado, e quem não admite: sua nada impossível vitória?


Afinal, o drama turco Winter Sleep aparecerá ou não no Oscar? Bem, pra ser técnico, isso só será descoberto na data das indicações, em 16 de janeiro... Mas chances é o que não falta para o filme, assim como em Azul é a Cor Mais Quente, que estava a um passo da indicação, a não ser pelo fato do qual seu país de origem (França) ter selecionado outro filme para representar o país: Renoir. Porém, Winter Sleep foi selecionado pelo governo turco para competir por um dos cinco lugares não-reservados na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Muitos filmes estrangeiros lançados em Cannes vencem/competem ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Na premiação anterior, foram quatro os indicados que também marcaram presença em Cannes, incluindo o vencedor A Grande Beleza. Agora, um fato que poderá acalmar: a Academia ama filmes cult, do estilo lento e observador que analisa cada aspecto presente ao longo da história, e felizmente, Winter Sleep é um desses filmes. Vale recordar a vitória do longa de Michel Haneke, Amor (vencedor da Palma de Ouro em Cannes). Quem sabe, Nuri Bilge Ceylan (assim como Michel Haneke) também não seja indicado em Direção e Roteiro? Outro ponto importante: a Academia é bipolar... 




domingo, 23 de novembro de 2014

OSCAR 2015: QUEM FICOU DE FORA DA CORRIDA?

Inevitavelmente, o ano de 2014 foi um ano cheio no cinema. Houve estreias importantíssimas e consagradas, como Boyhood, de Richard Linklater; ou Birdman, de Alejandro González Iñarrítu. Assim como tiveram filmes bons e aclamados, outros não foram tão bem quanto pareciam. Alguns são realmente  bons, mas não tem chance de chegar a concorrer ao Oscar. Confira quem ficou de fora, e porque:


MAGIA AO LUAR, de Woody Allen


A imprevisível comédia romântica de Woody Allen não foi tão bem sucedida, apesar de ter um grande elenco, contando com Colin Firth e Emma Stone. O filme logo saiu da corrida para concorrer a uma estatueta, em decorrer de sua recepção. Porém, o filme ainda tem chances de aparecer em categorias secundárias. Há uma forte indicação para que "Magia ao Luar" seja candidato em Melhor Figurino. Emma Stone, que antes da estreia era a favorita para Melhor Atriz, perdeu o título. E Colin Firth, nem apareceu...

GRACE DE MÔNACO, de Oliver Dahan


O cineasta francês Oliver Dahan deu o Óscar de Melhor Atriz a Marion Cottilard em 2008 por "La Vie en Rose", biografia da cantora francesa Edith Piaf. Esse ano, o diretor lançou "Grace de Mônaco" com Nicole Kidman e Eli Roth, que abriu o Festival de Cannes. A recepção do filme foi exaustiva, e dessa vez, o novo filme de Dahan não teve tanto sucesso crítico, e Kidman não conseguiu salvar o filme de um desastre cinematográfico. 

O CONGRESSO FUTURISTA, de Ari Folman


Em 2008, o cineasta israelense Ari Folman lançou o documentário animado "Valsa com Bashir". O filme ganhou um forte abraço por parte da crítica internacional, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e foi indicado ao Oscar. Porém, a crítica não mostrou um pingo de interesse no novo filme do diretor: O Congresso Futurista. Parece que a Academia também não deu a mínima para a animação/live-action. 

NINFOMANÍACA, de Lars Von Trier


A Academia sempre ignorou os trabalhos do dinamarquês Lars Von Trier. Em toda a carreira do cineasta, a Academia só indicou "Ondas do Destino" em 1997, e "Dançando no Escuro" em 2001. Muitos trabalhos agraciados de Von Trier, em destaque "Melancolia", "Dogville" e "Anticristo", foram ignorados de todas as formas. Parece que essa situação se repetirá mais uma vez em "Ninfomaníaca", e as chances de Charlotte Gainsbourg (esnobada em 2011 com "Melancolia") ser indicada a Melhor Atriz estão progressivamente menores. 

CAÇADORES DE OBRAS-PRIMAS, de George Clooney


George Clooney se lançou na direção em 2011 com "The Ides of March", que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2012. Parece que essa façanha não se repetirá em "Caçadores de Obras-Primas", o novo filme de Clooney, que não teve tanta badalação em Hollywood e muito menos entre os críticos. As chances do longa receber uma indicação diminuíram após sua recepção tórrida. 

THE SEARCH, de Michel Hazanavicius


Quem diria, Monsieur Hazanavicius? Depois da onda de premiações que embalaram o aclamadíssimo longa francês "O Artista", um fracasso abomina a carreira de Michel Hazanavicius. Será que o sucesso de "O Artista" é uma farsa? Quem sabe? Porém, de uma coisa sabemos: ninguém gostou de "The Search", novo filme do diretor que conta no elenco com sua esposa indicada ao Óscar Berenice Béjo, e a americana Annette Bening. Atualmente, a Academia deu um grande crédito a produções adaptadas de outros filmes ("True Grit"; "Nine"), porém "The Search" quase não tem chance de aparecer sequer no Globo de Ouro, ou no César (premiação francesa).

MAPA PARA AS ESTRELAS, de David Cronenberg


O filme é bom? É; Tem chances de concorrer ao Oscar? Não; Uma das primeiras razões para que isso provavelmente não aconteça é que "Mapa para as Estrelas", de Cronenberg, não teve tanta publicidade em Hollywood (para ser indicado ao Oscar, promoções são efeitos especiais). Também, o filme não foi selecionado (até agora) para concorrer em nenhuma categoria. Julianne Moore, vencedora do prêmio de Melhor Atriz em Cannes, tinha uma ótima qualificação para entrar em Melhor Atriz Coadjuvante, mas sua indicação foi renegada. Assim fica difícil, né? Será que a bela Moore levará seu primeiro Oscar por Still Alice?

MISS JULIE, de Livv Ullman


Livv Ullman é uma das maiores atrizes do cinema de todos os tempos, tudo graças ao cineasta sueco Ingmar Bergman. Em 2000, a atriz se lançou no universo cinematográfico dirigindo "Trollosa". Esse ano, Ullman retorna com a adaptação "Miss Julie", que conta com Jessica Chaisten no elenco. Apesar de toda a badalação que envolve o filme, ele não chamou a atenção e ficou, no que chamamos de, segundo plano para a Academia. Mas nunca se sabe... 

IS THE MAN WHO IS TALL HAPPY? de Michel Gondry
(Documentário)


O documentário aclamado de Michel Gondry recebeu ótimas críticas, mas assim como "Miss Julie", ficou para segundo plano. Michel Gondry já dirigiu "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" (pelo qual recebeu o Oscar) e "Rebobine, Por Favor" com Jack Black. 

Á PROCURA, de Atom Egoyan


O canadense Atom Egoyan é um dos mais respeitados diretores da atualidade. Mesmo assim, "Á Procura" não teve uma recepção muito boa, e a Academia nem demonstrou algum sinal de interessa pela obra do diretor. Nem a interpretação de Ryan Reynolds salvou o filme. Alguns críticos ainda procurar investigar sua possível aparição no Oscar, quando esta (talvez) nem exista!











OSCAR 2015: A CORRIDA NAS CATEGORIAS SECUNDÁRIAS!


MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Os Boxtrolls
Uma Aventura LEGO
Como Treinar o Seu Dragão 2
O Conto da Princesa Kaguya
Operação Big Hero

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Life Itself
Citizen Four
Exército Vermelho
Keep on Keepin' On
O Sal da Terra (The Salt of the Earth)

MELHOR TRILHA SONORA

O Jogo da Imitação
Garota Exemplar
Invencível
Big Eyes
Interstellar

repescagem:

Birdman
Foxcatcher
A Most Violent Year
O Grande Hotel Budapeste

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Lost Stars" - Mesmo se Nada Der Certo
"Glory" - Selma
"Land Ho!" - Land Ho!  
"I'll Get You What You Want" - Muppets 2
"Mercy Is" - Noé

repescagem:

"Wish I Was Here" - Wish I Was Here
"What is Love" - Rio 2
"The Boxtrolls Song" - The Boxtrolls

MELHOR EDIÇÃO

Garota Exemplar
Invencível
Birdman
Boyhood
Big Eyes

repescagem:

A Most Violent Year
Vício Inerente
Interstellar

MELHOR FOTOGRAFIA

Mr. Turner
Big Eyes
Interstellar
Birdman
Invencível

repescagem:

A Most Violent Year
Selma
Vício Inerente

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO 
(Melhor Direção de Arte)

Mr. Turner
O Jogo da Imitação
O Grande Hotel Budapeste
Interstellar
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

repescagem:

Malévola
Selma
Grace de Mônaco
Magia ao Luar
A Most Violent Year

MELHOR FIGURINO

Big Eyes
Caminhos da Floresta
Mr. Turner
Selma
O Grande Hotel Budapeste

repescagem:

Malévola
O Jogo da Imitação
Grace de Mônaco
A Most Violent Year
Magia ao Luar 

MELHOR MAQUIAGEM/PENTEADOS

Caminhos da Floresta
Foxcatcher
Big Eyes

repescagem:

Malévola
Mr. Turner
Grace de Mônaco

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Interstellar
Godzilla
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Planeta dos Macacos: O Confronto
Guardiões da Galáxia

repescagem:

Malévola
O Congresso Futurista
Noé

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Interstellar
Godzilla
Invencível
Caminhos da Floresta
Corações de Ferro

repescagem:

Garota Exemplar
Sniper Americano
O Congresso Futurista

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Whiplash
Corações de Ferro
Caminhos da Floresta
Invencível
Foxcatcher

repescagem:

Godzilla
Interstellar
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos














Crítica: "FRANKENWEENIE" (2012) - ★★★★


Falando de Tim Burton, Frankenweenie é tão magico quanto Edward Mãos-de-Tesoura, Alice no País das Maravilhas, A Noiva Cadáver, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas; entre outras grandes obras do diretor, que assinaram seu estilo peculiar e um tanto obscuro. Astuto e ambicioso, Frankenweenie (primeira animação stop-motion de Burton) desperta os mais intensos sentimentos, cria um efeito nostálgico encantador (ainda mais fotografado sob preto e branco) que facilmente chama a atenção de seu público e o prende a esta comovente fábula. E mais uma vez, Burton fabrica uma autêntica obra de arte, assim como muitos de seus filmes. 

Adaptado do curta-metragem de 1984 do diretor (o mesmo que o demitiu da Disney, que considerou o curta explícito e muito "assustador" para crianças), a história narra a vida de um garoto comum, Victor Frankstein, cujo cachorro morre violentamente atropelado por um carro. Dias depois, o garoto tem a ideia de trazê-lo á vida através da bioeletricidade (vida através da eletricidade), técnica ensinada por seu professor de ciências, Sr. Rzykruski (com a voz de Martin Landau). Após o cãozinho voltar á vida, seus colegas começam a se interessar pela técnica e tentam "roubar" a ideia de Victor. 

O resultado é simplesmente impressionante. Frankenweenie é cativante e ao mesmo tempo, serve de base para um conto tremendamente adorável. Desta vez, Tim Burton elimina a companhia de seus atores inseparáveis, Johnny Depp e Helena Bonham Carter (que protagonizam quase todos os filmes dirigidos por Burton). Porém, existe a participação de outros atores que já estiveram presentes em outros de seus filmes: o já citado Martin Landau (vencedor do Óscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1995 por Ed Wood), Catherine O'Hara (O Estranho Mundo de Jack, Os Fantasmas se Divertem), Martin Short (Marte Ataca!), Winona Ryder (Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos-de-Tesoura) e Conchata Ferrell (Edward Mãos-de-Tesoura)

Indicado ao Óscar e ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação em 2013 (tendo perdido em ambas as premiações para a produção conto-de-fadas da Pixar Valente), Frankenweenie é uma das raras vezes aonde Tim Burton consegue transmitir todo o seu talento cinematográfico num único filme em apenas oitenta minutos, e uma das produções mais fabulosas de toda a sua carreira. 

NOTA: A trilha sonora arrebatadora de Danny Elfman (em sua décima-segunda colaboração com Burton, que começou em Os Fantasmas se Divertem) merece destaque em sua poderosa função de dar vida à estrutura sub-realista do filme. 

Frankenweenie 
dir. Tim Burton - 

sábado, 22 de novembro de 2014

Crítica: "BLUE JASMINE" (2013) - ★★★★★


Woody Allen, desde os anos 80, vem fazendo um filme a cada ano, e raramente o diretor interrompe esse "ciclo". E podemos dizer que três quartos de toda a sua carreira filmográfica seja feita de comédias, tais como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa; Manhattan; A Rosa Púrpura do Cairo; Hannah & Suas Irmãs; Meia-Noite em Paris entre outras grandes obras-primas do diretor, que deram fama a Woody em Hollywood e em todo o mundo. Os dramas são poucos presentes no currículo de Woody Allen. Mas, com um especial destaque, Blue Jasmine é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes já realizados por ele, e desde Crimes e Pecados, é o melhor drama já escrito por ele. A desconstrução de uma personagem monstra que retorna para os braços de quem um dia já havia rejeitado, sob o pretexto de reencontrar um trouxa para lhe sustentar, resulta num longa espetacular e absolutamente excêntrico.

Protagonizado por Cate Blanchett (numa performance-avalanche vencedora do Oscar, Globo de Ouro e BAFTA), o drama conta a história de Jasmine, uma mulher rica que após perder toda a fortuna, se muda pra São Francisco na casa da irmã. Os problemas da protagonista se intensificam numa narrativa um tanto organizada e complexa, que acompanha as crises nervosas e surtos desesperados da personagem diante da pavorosa e intrigante jornada na cidade e na casa da irmã, provocando alguns pequenos colapsos na vida de sua irmã Ginger, interpretada pela britânica Sally Hawkins (protagonista íntegra e otimista de Simplesmente Feliz, de Mike Leigh).

Ginger, por mais inconsciente que esteja a par da loucura de abrigar a irmã, tende a protegê-la na maioria dos momentos. Só que as duas estão profundamente interligadas na trama. Pois, história vai e história vem - desculpem o spoiler -, Ginger e Jasmine continuam na mesma. Enquanto uma continua com seu mesmo par, apesar das diversas confusões, a outra continua iludida, lunática, no meio do nada, perdida entre a realidade e a fantasia de sua inesperada jornada.

O roteiro de Allen brinca, equilibradamente, com o ritmo desacelerado, porém saudável, do filme, por hora alternando a realidade da Jasmine em bem-montados flashbacks. E não tem erro, já que o espectador vai redescobrindo toda a história a partir dessas curtas intervenções que, apesar do pouco tempo de diferença da atualidade, apresentam um flexível cabimento. Por exemplo, há uma cena na qual Jasmine, ao lado de Ginger, Eddie e Chili, tira uma selfie. Durante um dos flashbacks, onde a Ginger e o marido (naquela época) Augie estavam visitando Jasmine em N.Y., eles vão fazer um tour pela cidade, e pedem para um homem tirar uma foto com uma câmera, hoje em dia um acessório pouco utilizado em meio à moderna safra de telefones celulares, tablets e outros equipamentos que vem com uma câmera acoplada. Woody, de um modo íntegro, afasta um velho estereótipo de que entre a virada e a recaída há uma extensa quantidade de tempo, de forma com que Jasmine tenha ido direto pro saco com a perca da sanidade mental. E não é? Apesar de todo esforço, o tempo nunca reverte uma profunda cicatriz. Quando se está desorientado, sem ninguém e nada, esperar não é o melhor remédio. Um "basta!" à teorização da "cura" pelo avanço do tempo. É provável que esse período reduzido testificado por ele também tenha ligação a seu iminente medo da evolução do tempo, já que o diretor mantém-se o mais afastado possível da degeneração dos anos, que o fazem lembrar de que está um passo à frente em direção ao túmulo, a maior das fobias de Woody. 

Woody Allen, dono de uma genialidade perversa e sutilmente aguçada, brilha tanto na direção como no roteiro (indicado ao Oscar) de Blue Jasmine. Desta vez, Woody usa menos artifícios convincentes no roteiro para conseguir fazer a completa interpretação da vida, do estilo, do diário e dos conflitos da personagem Jasmine, onde o filme se centraliza. Talvez, o filme não seja tão simbólico como Meia-Noite em Paris, ou tão vivaz como Vicky Cristina Barcelona, ou tão furioso e astuto como em Match Point, mas todos os elementos são formalmente apresentados ao público, que é impossível não afirmar que Blue Jasmine é dependente do estilo Woody Allen de fazer filmes. Com um toque dramático jamais visto em nenhum de seus filmes, com a presença do desempenho arrebatador de Cate Blanchett, e com um elenco fulminante, Blue Jasmine é o melhor da arte de Woody Allen, e um dos melhores filmes do diretor vistos ultimamente (junto a Meia-Noite em Paris).

Blue Jasmine
dir. Woody Allen - ★★

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Crítica: "12 ANOS DE ESCRAVIDÃO" (2013) - ★★★★★



O melhor filme do ano? Com toda certeza. 12 Anos de Escravidão, talvez, seja o filme que mais se aproximou á realidade da impiedosa escravidão nos Estados Unidos. Ambientado no século 19, o filme narra a história de Solomon Northup, um negro livre que é sequestrado e enviado para um sistema de escravidão que ainda rege na fazenda de um rico proprietário de terras, e então, permanece nesse sistema por quase doze anos, quando é libertado por um advogado criminalista do Canadá. O espírito dessa sensacional obra de arte é o realismo abordado nas características mais sensíveis e estéticas da escravidão, mostrando o drama das pessoas que a atravessaram, e uma delas foi Northup, que pôde nos contar suas obscuras lembranças após sua sobrevivência. 

Porém, os objetivos de 12 Anos de Escravidão são maiores e bem mais ambiciosos do que retratar a desumanidade presente dentro desse regime, mas sim, investigar e analisar todo o percurso de Northup e a busca pela sobrevivência dentro de padrões poéticos, o que seria minimamente perfeccionista para o diretor, Steve McQueen (e foi!). Em partes, o filme questiona os limites de um poder tão cruel e ao mesmo tempo, essa imparcialidade preconceituosa durante o século 19 mesmo após o fim da escravidão. Cada cena possui seu significado, algo do qual o público tem a chance de restaurar através de uma imaginação próspera comandada por seu diretor, McQueen (que se destaca formalmente em 12 Anos de Escravidão), que nos oferece a liberdade de consagrar seu trabalho minimalista, e que exige a nossa atenção. 

Os 134 minutos do filme são cordialmente regidos no ritmo de uma orquestra, que ganha vida suntuosamente entre cada pausa efetuada. E no final, os olhos se enchem de lágrimas após presenciarem tamanho espetáculo, que mistura elementos da realidade com um toque dramático surrealista. É essa a sensação de assistir a 12 Anos de Escravidão, que vem a ser comparado com outros muitos filmes. Talvez, muitos que o assistam possam ter uma breve e repentina lembrança de O Pianista, de Roman Polanski, que narra igualmente a história verídica de Wladyslaw Szpilman, interpretado cautelosamente por Adrien Brody. Aqui, em 12 Anos de Escravidão não temos Brody interpretando Northup, mas temos o talento surpreendente de Chiwetel Ejiofor, no (sem sombra de dúvidas) melhor papel no cinema desde os últimos tempos. Igual destaque á Lupita Nyong'o, atriz queniana que doou sua vida ao papel da escrava Patsey, que lhe rendeu o Oscar na categoria de Atriz Coadjuvante.

Mais que um monumento épico da escravidão, 12 Anos de Escravidão é um clássico instantâneo do cinema atual, e uma representação artística dessa brava jornada histórica, um majestoso estrondo, um retrato incondicional que faz jus ao grande título de Melhor Filme do Ano!

(filme visto em 10/03/2014)

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)
dir. Steve McQueen - 

Crítica: "INSIDE LLEWYN DAVIS - BALADA DE UM HOMEM COMUM" (2013) - ★★★★



Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum é mais uma brilhante obra-prima dos Irmãos Coen, e uma gloriosa interpretação do cotidiano um tanto melancólico de nosso protagonista, um músico deprimido e fracassado chamado Llewyn Davis, interpretado fantasticamente por Oscar Isaac. No filme, não há uma forma certa de contar como tudo aconteceu ou como os fatos foram se sucedendo automaticamente, já que nossa narrativa é sucedida por cenas comuns da vida do personagem principal e desencontros usuais, assim como o seu título sugere. Mas o filme, ao contrário de seu aspecto pacato e sútil, é intensamente rítmico e astuto ao olhar de seu espectador. 

A visão de reflexão que o filme transmite é algo simplesmente contemplador, que insiste em buscar o mais profundo da série de acontecimentos que culminam a jornada de Llewyn Davis. O resultado dessa experiência é outrora impactante e triunfal. Os elementos, ao decorrer do filme, já não mais passam despercebidos pelo público. Essa característica é visível em outros filmes dos Irmãos Coen. 

Em Fargo, os irmãos usam uma tática convincente e ortodoxa para deixar o público curioso com a misteriosa jornada que acompanha o filme e leva-nos ao interior de sua jornada tresloucada e interessante. 

Em Onde Os Fracos Não Tem Vez, os irmãos criam um novo método intencional e provocante, que consiste em aproximar o foco do roteiro através do limite de seus personagens e seus principais objetivos. O resultado é sucessivo. Agora, em Llewyn Davis, os irmãos reinventam um gênero dramático dentro de uma formalidade épica para encontrar o público, de maneira com que os elementos tornem-se vivos, apesar do filme claramente se tratar de uma comédia. 

A perfeição da qual os irmãos Coen analisam de forma perspicaz a vida de cada um dos personagens de maneira abstrata e a derivação da profundidade filosófica abordada no filme ao retratar um épico de uma forma tão particular e extremamente ambiciosa transformam Inside Llewyn Davis numa memorável, genial e impecável obra de arte do cinema americano moderno! 

OBS. Aplausos à maestria da fotografia fabricada pela visão desconcertante de Bruno Delbonnel.

Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis)
dir. Joel Coen & Ethan Coen - 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crítica: "127 HORAS" (2010) - ★★★★


Entre uma história real e uma história fictícia, pode ter diferenças significantes. Mas em 127 Horas, a história foge dessa diferença e entra num contraste sub-realista, que é magico. Entre a performance de James Franco e a direção de Danny Boyle, também existem inúmeras diferenças, que deixam de existir em 127 Horas, onde ambos os desempenhos são seletivamente brilhantes. Com a força de uma tempestade, e a beleza propícia de um monumento visual, 127 Horas narra uma jornada fantástica (porém real), de um homem que se vê preso ao seu corpo após um pequeno acidente em um cânion, no qual seu braço fica preso numa rocha, e nosso personagem passa longos cinco dias desesperadores acompanhando a lentidão do processo de sobrevivência do qual participa ativamente.

Desta vez, Danny Boyle dirige e escreve 127 Horas, que sem deixar de acompanhar a emotiva cativação de Quem Quer Ser Um Milionário?, é um drama belíssimo. A jornada de nosso personagem principal pode muito bem nos ligar a outros filmes semelhantes, como a dramática história de sobrevivência narrada por Roman Polanski em O Pianista; ou na biográfica comédia dramática do diretor americano Julian Schnabel, protagonizada pelo francês Mathieu Amalric O Escafandro e a Borboleta (mais notávelmente as passagens onde ambos protagonistas recordam o passado, e há cenas em 127 Horas que claramente fazem referência á grande obra-prima francesa de 2008); ou então, quem não tenha se lembrado, aqui vai uma pequena referência: o recente blockbuster de Alfonso Cuarón com Sandra Bullock, Gravidade (num ritmo mais perfeccionista e menos realista). 

Todos os filmes citados apresentam em sua narrativa pessoas lutando pela própria sobrevivência, com a esperança de vitória. E por mais eventual que pareça, essa história (em qualquer narrativa) nunca será clichê o bastante. Em 127 Horas, sabemos que isso nunca aconteceria nas mãos de Danny Boyle.

A performance de James Franco, que lhe rendeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator em 2011, é desoladora e perspicaz, viva e esperançosa, angustiante e ambiciosa o suficiente para causar um tremendo impacto, e então, satisfazer seu público na densidade de seus pouco-menos-que noventa minutos narrando cento e vinte e sete horas! 

127 Horas (127 Hours)
dir. Danny Boyle - 

Adeus, MIKE NICHOLS (1931-2014)



" - Por que você estava triste?

- A vida."


- Closer: Perto Demais (2004)

TOP 10 - CONSCIÊNCIA NEGRA

Para a comemoração do dia da Consciência Negra, o blog Lumière & Companhia separou dez filmes essenciais sobre o tema:


10. Manderlay, de Lars Von Trier


9. Diamante de Sangue, de Edward Zwick


8. Crash - No Limite, de Paul Haggis


7. Á Espera de um Milagre, de Frank Darabont


6. Hotel Ruanda, de Terry George


5. Adivinhe Quem Vem Para Jantar, de Stanley Kramer


4. O Sol é Para Todos, de Robert Mulligan


3. Django Livre, de Quentin Tarantino


2. 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen


1. A Cor Púrpura, de Steven Spielberg



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

TUDO SOBRE O OSCAR 2015 - A CERIMÔNIA


DATA: 22 de Fevereiro de 2015
LOCAL: Dolby Theatre, Hollywood
APRESENTADOR (Host): Neil Patrick Harris
EMISSORA DE TRANSMISSÃO OFICIAL: ABC (E.U.A.)
DATA DO ANÚNCIO DOS INDICADOS: 15 de Janeiro de 2015
LAUREADOS COM O OSCAR HONORÁRIO 2015:
- Hayao Miyazaki
- Maureen O'Hara
- Jean-Claude Carrière
- Harry Belafonte 

O blog Lumière & Companhia fará a transmissão completa da cerimônia, incluindo seus indicados e vencedores. 


OSCAR 2015: MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Este ano, chegamos a um recorde jamais visto nos 86 anos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (A.M.P.A.S.): exatos 83 países enviaram suas preferências para concorrer a uma das cinco lugares dentro da categoria Melhor Filme Estrangeiro em 2015.

Bem, aqui vai minha aposta de dez filmes que possivelmente estarão entre os cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2015:


10. Relatos Salvajes, de Damián Szifrón - Argentina


9. A Few Cubic Meters of Love, de Jamshid Mahmoudi - Afeganistão


8. Timbuktu, de Abderrahmane Sissako - Mauritânia 


7. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro - Brasil


6. Saint Laurent, de Bertrand Bonello - França


5. White Dog, de Kornél Mundruczó - Hungria


4. Mommy, de Xavier Dolan - Canadá


3. Ida, de Paweł Pawlikowski - Polônia


2. Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre & Luc Dardenne - Bélgica


1. Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan - Turquia