sábado, 28 de fevereiro de 2015

Crítica: "UM SANTO VIZINHO" (2014) - ★★★★


Feitiço do Tempo, Encontros e Desencontros, Um Santo Vizinho: Bill Murray continuará sendo um dos meus grandes heróis não importa qual personagem faça. Afinal, entre nós, só um mesmo já faz fama por si: o velho tranquilão convencido. Murray é um dos meus atores prediletos, até por que é um dos melhores. Vê-lo nos filmes é uma coisa que está se tornando raridade, salvo por sua participação nos longas de Wes Anderson, sendo o último O Grande Hotel Budapeste. Fora sua parceria com o cineasta, o vi mesmo em Caçadores de Obras-Primas e Broken Flowers, e agora em Um Santo Vizinho.

Foi bom, confesso. Gostei desse filme. Pode ser tal moralista, tal pedante, mas é um filme que tem uma certa elegância. É divertido, bem além do engraçado. Bill Murray se saiu fantasticamente ótimo em Um Santo Vizinho. Um personagem novo dele, também. Um lado que eu, assim  como muita gente, não havia visto dele. O veterano ranzinza e bêbado é incomparável aos personagens que estamos acostumados a vê-lo interpretar. 

Gostei do elenco, bem escalado, sem muito exagero. Naomi e Melissa merecem destaque. O jovem Jaeden, que interpreta o, segundo Vincent, "nanico" Oliver, também consegue agradar o espectador. Talvez estar ao lado de Bill Murray seja tão significante quanto uma influência na atuação. Talvez deva ser muito nervoso estar ao lado dele. Ele é uma lenda, no final. Até mesmo o diretor, Theodore Melfi, tenha tido um pouco de receio em escrever o personagem. Na estreia, ainda por cima. 

O roteiro tem pontos estratégicos, utilizando alguns truques básicos, mas não é nada para levar em caso. Piadas de conteúdo, humor de qualidade, não dá pra reclamar do filme nessa parte. Seria praticamente desnecessário. A direção tem algumas falhas, nada para levar em conta igualmente, já que este é a primeira vez de Melfi. O elenco, como já foi dito, de parabéns. Nada mais a notar sobre. 

Compartilhei Um Santo Vizinho. Competente, sem divergir da trama. Engraçado, o que é a base primordial do sucesso desta película. Enfim, eu achei Um Santo Vizinho bem precioso. Um filme com cara de família, se não fosse por alguns elementos e cenas. Concordo que a moralidade pode irritar um pouco o espectador. Não é algo tão grande assim, vai. Um Santo Vizinho é alem de tudo, nostálgico. Ver um Bill Murray velho, mas ainda potente e talentoso, já pode agradar bastante.

Um Santo Vizinho (St. Vincent)
dir. Theodore Melfi - ★★★★

Crítica: "RELATOS SELVAGENS" (2014) - ★★★★


Esplêndido! Não me estranha Pedro Almodóvar ter colocado dinheiro numa obra tão excelente como esta. Crítica social, crítica econômica, sátira, comédia dramática, antes de tudo isso, Relatos Selvagens primeiramente é um filme moderno. Apesar de não ser tão complexo, o que pode ter desapontado quem esperava isso no final, Relatos Selvagens é delicioso. Engraçado e dramático em alguns pontos, mas sempre com o foco em seu padrão. 

Assustador, brevemente. A cada segmento, há suspense. Há humor, há desastre, há sátira. É bizarro, por isso, é tão louco. Logo no primeiro episódio, pessoas dentro de um avião descobrem algo em comum: todas conhecem Gabriel Pasternak. O mistério se precede até quando descobre-se que Pasternak é um doente psiquiátrico e sua vingança é esta: matar a todos que atrapalharam sua vida, inclusive ele mesmo, num acidente de avião. O mais curto (precede os créditos, como uma "introdução"), mas o mais simbólico.

O filme foca-se em vingança. Tudo se resolve com a vingança. E aí segue. Desse sentimento nasceu todo o furioso talento em impactar de Relatos Selvagens. Seus personagens querem sangue. São movidos a sangue. Vidas cinzas em busca de um vermelho entonado. Traição, ódio, repulsa, vivacidade, personalidade.

É bem lógico. O espectador pode ter desconsiderado a falta de procedimento das histórias. É como se não houvesse final. Pode ser feita uma pequena observação: a cada episódio, com a exceção do terceiro, o diretor "corta" o final, deixando um clima de ambiguidade no ar. Peculiar, mas legal. Funcionou, é o que nos importa. Quem não imaginou Pedro Almodóvar dirigindo Relatos Selvagens? O filme é a cara dele. Pode não ser aquele clássico Almodovariano, cheio de brega e cores quentes, mas o estilo é familiar, por que é todo dele. Inspira.

Meu episódio favorito foi o final, mesmo que eu ainda tenha gostado muito do terceiro, por ter mais humor ou, sei lá, o desafio de ausentar a sensibilidade. O último me agradou muito. Tem tudo, ou melhor, ele resume toda a ambição do filme de Szifrón. É o mais irônico e ousado. Empolgante e revoltado. Alegre e triste. Cinza e vermelho. Almodóvar. Merecedor de aplausos também é o nervoso segundo, que pode ter deixado muitos à flor da pele. Ricardo Darín e Erica Rivas dão as melhores performances do filme.

O filme mostra o ridículo mundo em que vivemos, cheio de interesse, desordem, incapacidade, crime e pecado. Aborda a impaciência do ser humano em tudo, nos grandes e pequenos fatos: uma briga de trânsito, uma cadente traição, um insurgente reencontro. Mudar já não é mais possível. O jeito é perder o controle. Temos que aprender a perder o controle para sobreviver neste mundo. Senão, não teremos transformação. Não teremos clímax. Não teremos a liberdade.

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)
dir. Damián Szifrón - ★★★★

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Crítica: "VIOLÊNCIA GRATUITA" (2007) - ★★★★


Louco. Obsessivo. Gratuito. Violência Gratuita é assim. Pode ser traduzido para a sensação mais eufórica em pouquíssimas palavras, isto por que trata-se da análise da refilmagem do mesmo filme de 1997. Tudo bem que é um remake, mas desde que seja escrito e dirigido pelo mesmo autor da versão original, aqui Michael Haneke, que depois de dez anos do lançamento de uma de suas obras mais cordiais, decidiu revendê-la ao público com um elenco americano, é totalmente aceitável.

Confesso que Violência Gratuita me superou. Só pelo elenco, Naomi Watts, Tim Roth e Michael Pitt, já tinha uma noção do que seria, mas não pensei que Michael levaria tão á sério a questão da "fidelidade", entende? De qualquer forma, Violência Gratuita é uma das melhores refilmagens que eu já vi, sem medo e sombra de dúvida. Todo o impacto que envolve a trama de 1997 é presente, reprodução magnífica! Não irão se surpreender muito com relação ao que é contado, por que a história, pra quem assistiu ao original, é a mesma, em tudo, até nas cenas, nos detalhes das cenas, com pouquíssimas (mesmo) mudanças. Na verdade, pra ser bem sincero, os dois filmes são idênticos. É quase surreal. É claro, trabalhos vindos de um mestre incomparável como Haneke, não há como duvidar da excelência. 

Achei que nessa refilmagem do suspense austríaco para o cinema americano, Michael poderia aproveitar a oportunidade e colocar Isabelle Huppert, sua musa, no papel principal, o que eu acharia esplêndido. Naomi, no entanto, conseguiu encantar aqui como protagonista solenemente. Ela e Tim Roth. Ela, Tim Roth e Michael Pitt. Estão todos bravíssimos. 

E pensar que esta história poderia acontecer a qualquer um em qualquer lugar... É uma coisa esquisita, e ao mesmo tempo, carente de perspectiva: os dois jovens, aparentemente do nada, instalam um pânico viral contagioso. E no final de tudo, Violência Gratuita espelha mais uma vez a grandiosidade da obra de Haneke e sua genialidade cinematográfica. De tudo, acharia que este, de 2007, não funcionaria se não fosse por ele. Mas isso questiona, afinal, se tivéssemos nas mãos uma obra-prima valiosa e inteligente que no lançamento não teve reconhecimento suficiente, não poderíamos muito bem refilmar cena por cena, diálogo por diálogo, mudando apenas os atores? Esperto foi Haneke. Sete milhões a mais rende bastante. Resumindo: é a tradução de uma bem-feita, mas subestimada, obra-prima. E o mais audacioso desta versão se encontra justamente na proposta de refilmar quadro a quadro o anterior, com um sucesso tão extenso quanto.

Violência Gratuita (Funny Games)
dir. Michael Haneke - ★★★★½

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Crítica: "TRAPAÇA" (2013) - ★★★★


Intento que o título de Trapaça, traduzido literalmente do inglês, me atraiu bastante. Farsa Americana ou Fraude Americana talvez pode até não mudar tanto, mas soa bem. Por isso, quero tratar de Trapaça como American Hustle, já que "discordei" do título oficializado pelas produtoras brasileiras aqui no Brasil. Assisti o último filme de David O. Russell exatas seis vezes. A primeira foi em dezembro de 2013, e a última, neste ano. E no final, gostei da comédia, mesmo que muitos já tinham me advertido que a mesma resumia-se em "sem-graça", "baixo" e "irrelevante". Gostei do elenco, gostei da direção, gostei da caracterização (o que na minha opinião é o melhor). Gostei de tudo. Tive que contrariar as opiniões de fracasso e abraçar os elogios. Esse disco misturado com jazz, e as cores vivas me deixaram enfeitiçado. Resumindo: American Hustle é um filme embriagador.

Amy Adams e Christian Bale formam um casal como nenhum outro. A bela e sexy dama e o gordo e romântico vagabundo. É lógico, dando uma ênfase à poderosa transformação de Bale, velho coadjuvante de O Vencedor, em Irving Rosenfeld, cuja merecia, se não fosse por Matthew McConaughey em sua desoladora atuação dramática em Clube de Compras Dallas, uma vitória no Oscar. Adams também se deu bem, com suas Sydney e Edith, que tanto me apaixonaram. Jennifer Lawrence estava fantástica, como de costume. Claro, a segunda parceria da atriz com David O. Russell implicou em algo bem mais maturo do que O Lado Bom da Vida ao colocá-la na personagem de Rosalyn, uma vulgar desvairada atrevida que apela para uma vilã insolente. Eu até poderia pensar, se fosse aprofundar mais uma expectativa prévia do filme, que Lawrence não se sairia bem, e eu com certeza me enganaria. Bradley também ganhou minha aprovação. Há momentos de conflito em que seu personagem "viaja" na proporção da estabilidade e da razão, cenas das quais surgiram os instantes mais espetaculares do épico. Ou seja: o elenco está de parabéns.

David O. Russell e Eric Warren Singer são autores de um roteiro complexo e cativante, a base do filme. Qualquer caso, quem tiver a oportunidade de ler, é só pesquisar a cópia legal em pdf disponível do filme online. De forma certa, será bem experiencial lê-lo, intencionalmente os diálogos, onde instala-se um clima onipresente de tensão e ao mesmo tempo humor, o que simbolicamente é reproduzido no filme. Quem prestar a atenção, vai conseguir codificar. 

Em American Hustle, nem a fotografia (belíssima) e nem a trilha sonora (sublime) receberam o prêmio de destaque, mas sim, dois outros elementos técnicos essenciais para a montagem do clímax romântico: a direção de arte e os figurinos. Detalhes profundos e sensíveis que o transforma num clássico instantâneo, e afinal, por que não? Não vi motivos para discordar da oração. American Hustle é um trabalho de arte excelente, exercido com uma maestria singular da parte de Russell em seu melhor filme até agora, uma surpresa para alguém como eu que só o tinha visto até O Lado Bom da Vida: uma fase criativa, porém extremamente limitativa. Muito bom. Tremendamente bom. Recomendo. Reassistível.

Trapaça (American Hustle)
dir. David O. Russell - ★★★★

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Crítica: "ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ" (2007) - ★★★★★


Há duas coisas que eu admirei bastante ao assistir Onde os Fracos Não Tem Vez: a utilização de metáforas no roteiro e as cenas de violência extrema. Algo bem familiar das obras de Joel e Ethan Coen, mas que aqui sofrem um destaque notório. Um dos filmes mais aclamados dos últimos tempos, Onde os Fracos Não Tem Vez me chamou a atenção bastante de um curto tempo pra cá depois de ler em algum lugar um elogio a partir da performance de Javier Bardem. Um elogio bem chamativo, que utilizou adjetivos como "estrondosa", "memorável", "astuta" e "talentosa". que confesso, me deixaram curioso para então assistir. Não resisti e procurei-o, encontrando em DVD. E ao fim da exibição, tais adjetivos foram cabíveis tanto á atuação de Bardem, cuja comentarei a pouco, quanto ao filme em si.

Mas esta é uma obra tão boa que mal consigo descrever como foi a experiência de vê-la, o que não me impossibilita de fazer uma boa revisão dela a partir do que achei. O que mais posso fazer senão elogiar, como o próprio texto que me sugeriu a procurá-la? Com certeza, é um dos melhores filme dos Irmãos Coen. Não sendo o melhor, em minha opinião, talvez um segundo melhor, perdendo para Fargo. Tem uma audácia cativante, exuberadamente passível, quase atormentadora. Inicia-se as razões de ter adorado-a, mais precisamente são cinco, equivalentes a cada estrela que o filme fez por merecer:

Onde os Fracos Não Tem Vez conta com um elenco pequeno, a maioria personagens masculinas, porém fortes, novamente citando Javier Bardem. Eletrizante. Monumental. Agressivo. Íntegro. Nunca vi algo tão bom na carreira dele quanto ao que ele fez neste filme. Aliás, este foi o filme que o introduziu no cinema americano, pois atualmente, o vi bastante nos filmes da indústria. De passagem na fase espanhola, dos melhores dele vi o clássico de Almodóvar Carne Trêmula e o vencedor do Oscar Mar Adentro

A direção magnânima e equilibrada dos irmãos Coen. A ambição em dirigir um drama tão necessitado de competência e audácia. Uma adaptação tão corajosa, e tão difícil, no fim, conseguiu ser realizada graciosamente por eles. Tudo conclui-se em formalidade.

Com uma certa ligação ao filme, é digno e preciso reconhecer o trabalho magnífico de Cormac McCarthy em escrever a base, afinal este filme não seria nada, literalmente, sem ele: o livro No Country for Old Man. Ainda vou procura-lo. 

O estilo. Outra vez é preciso autenticar os Coen. Num nível de violência categoricamente falando alto, Onde os Fracos Não Tem Vez possivelmente não seria tão emocionante se o estilo do qual ele foi filmado, um obscuro faroeste da atualidade, se ausentasse. Desculpem se descordarem disto, mas a partir do meu ver, a graça desta película se centralizou clima que ela reproduziu. É inevitável para quem assiste. Não confundir isto com ação. Estou falando de sangue, e é bem diferente, apesar dos dois, aqui combinados, serem belíssimos.

E por fim, a excelência técnica. Em tudo, principalmente o elenco, destacando desta vez um Josh Brolin plausível e meticuloso (good job!) e um Tommy Lee Jones versátil e humano (good job!). A fotografia de Roger Deakins: good job! A edição de Roderick (irmãos Coen): good job! O roteiro dos irmãos Coen: fucking great wonderful job! Mesmo sem ter lido o romance de McCarthy, já confesso aqui minha preferência de elogiar desde já o script do filme. Vencedor de 4 Oscars em 2008, Onde os Fracos Não Tem Vez é sim um dos melhores finalistas a Melhor Filme, premiado com justiça, num título muito viável para este recheado western moderno.

Resumindo tudo: nota 10!

Onde os Fracos Não Tem Vez (No Country for Old Man)
dir. Joel Coen & Ethan Coen - 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

POR QUE "BIRDMAN" MERECEU E LEVOU O OSCAR


Birdman mostrou um desempenho impecável de Michael Keaton, glorificado nessa temporada de premiações pelo retorno admirável aqui.
- Uma raridade, Birdman é uma comédia vencendo Melhor Filme contra um drama dono de um favoritismo implacável, o que mostra que os membros tiveram muita confiança nele (apesar de toda a promoção gerada pelos sindicatos e pela produção).
- Birdman tem um elenco de primeira.
- É o melhor filme de Iñárritu desde seu primeiro, Amores Perros.
- Já estava na hora do mexicano faturar seu(s) primeiro(s) Oscar(es)
- A crítica adorou.
- Romance, drama, comédia, suspense, ação, filosofia e fotografia excepcional reunidos num só único lugar, sem citar, novamente, o elenco.
- É um filme oscarizado.
- Lançado num ano importante para produções independentes.
- História original. 
- A primeira comédia de Iñárritu.
- A primeira (matura) comédia de Keaton.
- É polêmico e inusual.
- Recebeu um enorme apoio promocional nas premiações, incluindo a última edição do Oscar.

OSCAR 2015 (87th Academy Awards)


★ A Noite do Homem-Pássaro 

Chegamos aos créditos da 87ª edição do Oscar. E, que edição, caros amigos. Na certeza, os resultados da premiação não agradaram nem um pouco as expectativas anteriores sobre ela. Birdman, do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu faturou quatro estatuetas e derrotou o favorito Boyhood, que levou apenas uma pra casa, entristecendo quem apostou tudo nele (eu).

A noite começou com a apresentação musical infantil, mas deliciosa de Neil Patrick Harris acompanhado da atriz Anna Kendrick e Jack Black. Com cores, luzes e vozes extraordinárias, o espetáculo de abertura do prêmio foi de uma excelência cativante. O comediante soube equilibrar as piadas internas sem cometer as gafes de Seth MacFarlane, e ainda comandou a platéia estonteantemente, como no Emmy. Fiquei satisfeito. Tudo bem que foi bem fingidinho por causa do luxo extravagante, mas foi divertido e excitante. Ok, também vou considerar a paródia de Birdman, por mais envergonhante que foi, tornou-se cômico.

O primeiro prêmio da noite, como de costume, foi Melhor Ator Coadjuvante, encarado com a vitória já prevista de J.K. Simmons pela estrondosa performance em Whiplash - Em Busca da Perfeição. Apesar de tê-lo como principal aposta, ainda tinha uma esperança em Edward Norton, uma surpresa. O Grande Hotel Budapeste faturou quatro prêmios importantíssimos, todos técnicos, incluindo Trilha Sonora (perfeita) e figurino para Milena Canonero, estilista italiana que conquistou sua quarta estatueta esta noite pelo trabalho glorioso no filme. As outras categorias foram Melhor Direção de Arte e Melhor Maquiagem e Penteados.

Whiplash também surpreendeu levando Melhor Edição (vencendo Boyhood) e Melhor Mixagem de Som pra casa, totalizando três prêmios para o longa independente do novato Damien Chazelle. Sniper Americano também teve seu momento, ganhando uma estatueta em Edição de Som, merecida.

Ida, meu favorito em Melhor Filme Estrangeiro, levou o prêmio na categoria. O diretor Pawel Pawlikowski, dando um discurso bem esforçado foi ligeiramente interrompido pela "musiquinha apressadora de fundo", mas não cedeu á cronometragem da produção e continuou discursando rapidamente num inglês bem puxadinho, mas compreensível, sendo venerado por toda a plateia que caiu de admiração pelo discurso do cineasta polônes, um orgulho. A mesma situação repetiu-se em outras categorias. Operação Big Hero venceu o favorito do prêmio de Melhor Animação, Como Treinar o Seu Dragão 2, merecidamente. Pulei da alegria quando a vitória do filme foi anunciada. CitizenFour venceu o documentário O Sal da Terra, que indicou o brasileiro Juliano Salgado Ribeiro ao lado do cineasta alemão Wim Wenders.

Mas, sinto muito, se teve uma coisa que eu não aprovei nesta edição do Oscar foram as interpretações musicais de "Everything is Awesome" e "Grateful". "Lost Stars" e "Glory" até foi bem legalzinho, mas olha, não sustentei os brilhos luxuosos das performances dos cantores. Não sei se foi o exagero ou a inconsequência dos números, só sei que foi tedioso.


Adorei a belíssima homenagem de Lady Gaga à Julie Andrews, bem pertinho do final. Uma das partes mais memoráveis do show, e uma surpresa constante. O melhor foi assistir a premiação, pela primeira vez, em HD, e presenciar essa belíssima apresentação. "Glory", que levou a plateia ás lágrimas, foi outro momento de destaque do prêmio, favorecendo um dos melhores discursos da noite feito pelos compositores John Legend e Common vencedores do único prêmio de Selma, em protesto á liberdade, um assunto que era esperado, e nem mesmo foi citado aqui. E a vingança de Idina Menzel... A gargalhada da noite!

Meryl apresentou o In Memorian desse ano, que fez bem ao lembrar de Alain Resnais, Robin Williams, Lauren Bacall, Anita Ekberg e até mesmo Gabriel García Marquez, só que desapontou ao esquecer Roberto Goméz Bolaños, José Wilker e a querida Odete Lara.


Na única vitória de Boyhood, Patricia Arquette, vencedora de Melhor Atriz Coadjuvante, defendeu os direitos femininos num discurso plausível apoiado fielmente por Meryl Streep. Imperdoável única vitória, outro erro injusto do Oscar deixar Boyhood com apenas um prêmio. Birdman, surpreendeu levando quatro estatuetas pra casa, três do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, ganhador em Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor e Melhor Filme. Mesmo que merecido pelo fantástico trabalho feito no filme, quem realmente deveria estar com o prêmio era Boyhood. E mais ainda meu favorito O Grande Hotel Budapeste, cujos prêmios técnicos soam mais como consolação para a falta de prêmios de Wes Anderson, que nem Roteiro Original levou. Desolador, mesmo que convincente e apropriado. No entanto, bem no final da corrida, Birdman ganhou um fortíssimo apoio dos sindicatos e tudo favoreceu a promoção cinematográfica, que influenciou tanto o desempenho da comédia dramática no Oscar. Wes e Richard saíram de mãos abanando. Michael Keaton, no entanto, foi vencido por Eddie Redmayne. Julianne Moore finalmente conseguiu seu primeiro Oscar por Para Sempre Alice, mesmo que tenha derrotado minha musa, Marion Cottilard.


E é isso aí, encerrou-se nesta noite mais uma turbulenta e grandiosa edição do Academy Awards. Nos resta esperar por 2015 e o que ele nos trará afinal, no final de tudo, até que valeu a pena ter um grande cuidado em participar de todo esse circuito. Aplausos para todos os vencedores e indicados da premiação, e especialmente à Birdman, nosso grande vencedor. Esperemos um melhor Oscar 2016.

Mr. Turner, Vício Inerente, Garota Exemplar, Livre, Foxcatcher, O Abutre e Invencível não venceram nenhum prêmio.

PONTUAÇÃO DAS APOSTAS: 14/24

vencedores:

MELHOR FILME
Birdman

MELHOR ATRIZ
Julianne Moore - Para Sempre Alice

MELHOR ATOR
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo

MELHOR DIRETOR
Alejandro González Iñárritu - Birdman

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette - Boyhood

MELHOR ATOR COADJUVANTE 
J.K. Simmons - Whiplash - Em Busca da Perfeição

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Birdman

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
O Jogo da Imitação

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Ida - Polônia

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
Operação Big Hero

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Glory" - Selma

MELHOR TRILHA SONORA
O Grande Hotel Budapeste

MELHOR DOCUMENTÁRIO
CitizenFour

MELHOR FOTOGRAFIA
Birdman

MELHOR EDIÇÃO
Whiplash - Em Busca da Perfeição

MELHOR FIGURINO
O Grande Hotel Budapeste

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
O Grande Hotel Budapeste

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
O Grande Hotel Budapeste

MELHOR CURTA-METRAGEM
The Phone Call 

MELHOR CURTA-METRAGEM - DOCUMENTÁRIO
Crisis Hotline: Veterans Press 1

MELHOR CURTA-METRAGEM - ANIMAÇÃO
O Banquete

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Whiplash - Em Busca da Perfeição

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Sniper Americano

MELHOR EFEITOS VISUAIS
Interstellar

domingo, 22 de fevereiro de 2015

OSCAR 2015: DEZ FILMES ESNOBADOS


A cada edição do Oscar, bem como os merecedores, há esnobados. E 2014, para o que os anos anteriores foram, não teve tanta repercussão quando o assunto foi "esnobação". Houve, mas foi bem discreto. Para escancarar e protestar os erros cometidos pela Academia na hora da seleção dos indicados (e o que possivelmente poderá acontecer hoje com os vencedores), aqui segue: dez filmes esnobados no Oscar 2015.



indicações: 2
nível de esnobação: 80%

Estranho mesmo foi um dos filmes mais "oscarizados" da temporada aparecer em justamente duas das várias categorias em que merecia estar. E como desculpa, Selma - Uma Luta pela Igualdade, pode ganhar na categoria de Melhor Canção Original por "Glory", onde o mesmo é um dos favoritos. 

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Penteados



indicações: 1
nível de esnobação: 60%

Ter a atriz indicada, quão merecida essa indicação seja, não é lá um perdão digno de reconhecimento. A Academia errou feio quando desqualificou Dois Dias, Uma Noite na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. 

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Filme Estrangeiro - Bélgica



indicações: 1
nível de esnobação: 90%

Repete-se a mesma situação de Dois Dias, Uma Noite: se desculpar com a falta de indicações colocando o nome da protagonista entre as indicadas de Melhor Atriz não disfarçou o descontentamento da Academia com o último filme do favorito David Fincher.

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição, Melhor Fotografia



indicações: 1
nível de esnobação: 90%

Esse filme independente com cheiro de Oscar chegou todo arrumado na corrida pra receber uma (merecida, mas insatisfatória) única indicação em Roteiro Original. Pra quem (eu) estava esperando um pouco mais de consideração da Academia pelo filme ficou p**o da vida com esse caso. 

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som



indicações: 0
nível de esnobação: 100(0) %

Pô!? Justo a Amy? A atriz mais badalada do momento, e ainda protagonista do filme de um cineasta talentoso fora da semifinal? Discordei na hora. Roteiro e trilha também ficaram vazios sem Grandes Olhos.

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Canção Original (Big Eyes)



indicações: 0
nível de esnobação: 100%

Re-assisti três vezes Força Maior para concluir que ele não é o que seu pouca recognição espelha. Ainda mais quando o longa foi selecionado na semi-final de Melhor Filme Estrangeiro, o que não explica a sua ausência no final. 

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Filme Estrangeiro - Suécia



indicações: 0 
nível de esnobação: 100%

Scarlett já foi esnobada muito. Ela nunca perdoará a Academia por ter deixado ela de fora nas vezes em que ela mais mereceu. Este ano, mais uma vez, Johansson sentiu o gosto de esnobação quando foi deixada fora da corrida por sua performance em Sob a Pele. Aliás, não só Johansson, mas acredito que por aqueles que tiveram a oportunidade de vê-la triunfal neste filme.

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia


Cake - Uma Razão para Viver

indicações: 0
nível de esnobação: 100%

Ainda não tive a oportunidade de assistir ao filme, mas ver Aniston atuando num drama é de tamanha glorifação. Pena que a Academia não deu á atriz o que ela realmente merecia: uma indicação. Mais uma vez, o Oscar saiu em baixa.

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Atriz 


Um Santo Vizinho

indicações: 0
nível de esnobação: 100%

Ah, eu sei que é muito difícil o Oscar nomear comédias. Mas não poderiam, desta vez, abrir uma exceção para o velho Bill Murray? Ainda mais quando Um Santo Vizinho recebeu um enorme destaque crítico, recebendo indicações a diversos prêmios?  Este "perdão" aceitaríamos sem reclamar.

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante (talvez?), Melhor Roteiro Original


Life Itself - A Vida de Roger Ebert

indicações: 0 
nível de esnobação: 100%

O melhor documentário do ano. Sei que ainda não fiz uma resenha dele, mas brevemente ela estará aqui no blog. Aliás, filmar um documentário da vida do maior crítico da história do cinema não é para qualquer um. O Sal da Terra é outro que está na lista de "pedidos".

CATEGORIA(s) ESNOBADA(s): Melhor Documentário

sábado, 21 de fevereiro de 2015

FILMES DO OSCAR 2015


Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
dir. Alejandro González Iñárritu - 

Uma versão bem A.G.I. de Oito e Meio, apesar da comparação em si não faz nem sentido. No entanto, Birdman lembra traços da maior obra Felliniana. O retrato em si é indiscutivelmente bom e genial. Michael Keaton em uma performance sensacional, nunca vista em toda sua carreira. Longe de se tornar um auto-retrato, vale lembrar que a competência da atuação dele neste filme vale tudo.

Boyhood - Da Infância à Juventude 
dir. Richard Linklater - 

Candidato mais provável às categorias de Filme, Direção e Atriz Coadjuvante, Boyhood - Da Infância à Juventude marca a grande virada do diretor independente Richard Linklater, autor dos filmes da trilogia Antes, aqui fazendo uma belíssima e original documentação fictícia da vida de um garoto desde os seis anos até os dezoito num período que atravessa descobertas, problemas familiares e relações sociais.

Whiplash - Em Busca da Perfeição
dir. Damien Chazelle - 

Uma obra terrivelmente incrível de um diretor extremamente maturo para a sua idade, Damien Chazelle, Whiplash é uma aventura indescritível. Cheio de performances estonteantes e efeitos técnicos vislumbrantes, a obra merece destaque principalmente pela presença de um comprovado competente artista, J.K. Simmons, na pele do rígido Terrence Fletcher, indicado a Melhor Ator Coadjuvante (e possivelmente o que mais tem chances de vitória dentre os indicados)

O Grande Hotel Budapeste
dir. Wes Anderson - 

O melhor filme visto em 2014, O Grande Hotel Budapeste é o meu favorito dentre todos indicados ao Oscar. Duvido que, além dele, tenha na premiação concorrente mais belo e fascinante, em quesito de excelência visual. Estrelado por um elenco cheio de bons talentos, o longa de Wes foi derrotado em Melhor Filme pela concorrência, mas permaneceu firme e forte nas categorias técnicas, tendo ele uma boa chance de levar muitos prêmios amanhã nessas categorias.

Para Sempre Alice
dir. Richard Glatzer, Wash Westmoreland - 

Há quem diga que a performance de Julianne Moore em Para Sempre Alice seja intensivamente exagerada, mas, levando em conta que ela está recebendo todos os prêmios aos quais é indicada e que essa parece ser a grande chance de uma esnobada de mão cheia, é preciso perdoar. No meu caso, eu adorei Para Sempre Alice, é um filme completamente realista (certo que existem alguns abusos, mas a Julianne com Mal de Alzheimer é impagável) além de ter um elenco pra lá de talentoso.

Ida 
dir. Pawel Pawlikowski - 

Depois de tantos anos com a prateleira vazia, parece que a Polônia levará para casa seu primeiro Oscar. Ida é um filme belíssimo. Difícil descrevê-lo em palavras. É um filme muito simplista, mas que traduz para a tela com conforto e insistência uma história sentimentalista e cheia de pontos altos. 

A Teoria de Tudo
dir. James Marsh - 

Feito com uma delicadeza ímpar, A Teoria de Tudo fez muitas indicações nesta edição do Oscar. Compreensível depois de vê-lo. O filme é muito bem feito. Cinebiografia do gênio Stephen Hawking, o longa se destaca primordialmente pelo forte retrato de Hawking portanto a E.L.A., desde o início do desenvolvimento da doença até os dias atuais. Também vale lembrar das emocionantes atuações de Eddie Redmayne e Felicity Jones.

Dois Dias, Uma Noite
dir. Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne - ★ 

Depois de Dois Dias, Uma Noite, reconfirmo a minha certeza de que fiz a melhor escolha possível ao selecionar Marion Cottilard como dama. A mulher é furiosamente talentosa. Disposta a portar uma mulher depressiva que faz de tudo para reconquistar seu emprego, que, durante a época em que ela foi tratada, acabou sendo substituído por um bônus a favor de todos os funcionários da fábrica, Marion mudou o sotaque francês e o traduziu para um belga bem puxado, além de ter interpretado Sandra com tanta melancolia que a mesma acaba afetando ao próprio espectador. Se não fosse por Julianne este ano, certeza de que minha querida Piaf levaria seu segundo Oscar pra casa.

Selma - Uma Luta Pela Igualdade
dir. Ava DuVernay - 

Selma - Uma Luta Pela Igualdade, o filme mais esnobado desta edição do Oscar, é uma obra inteiramente fascinante e impressionante. Épica cinebiografia de Martin Luther King, o longa teve grande apoio nesta temporada de premiações, recebendo um grande número de nomeações ao Globo de Ouro dentre outras, mas acabou falhando na tentativa de se "oscarizar" nesta edição. Ava DuVernay foi impetuosamente ignorada em Direção, categoria que tantos já a clamavam como indicada, e, quem saberia, vencedora?

Sniper Americano
dir. Clint Eastwood - 

Clint Eastwood já é um velho ícone da A.M.P.A.S., devotada por seus filmes e admiradora do grande talento de diretor/ator de Clint. O filme mais polêmico realizado este ano, Sniper Americano, sequer foi apoiado por outras premiações, exceto o Oscar, nesta temporada de premiações. No dia dos anunciados, até o nome de Bradley Cooper, distante candidato ao prêmio, foi clamado. A mais decente e fiel prova de que os membros da Academia continuam leais ao estilo de Clint e à sua filmografia.

Garota Exemplar
dir. David Fincher - 

Um dos alunos mais competentes e dedicados de Hitchcock, David Fincher encantou meio-mundo cinematográfico ultimamente com suas obras, dentre elas Seven - Os Sete Pecados Capitais, O Curioso Caso de Benjamin Button, Zodíaco, A Rede Social, Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, Clube de Luta, e por aí vai. E, em toda boa edição de Oscar, ele não falta. Desta vez, uma talentosa discípula de Fincher, a belíssima Rosamund Pike, foi indicada a Melhor Atriz, numa sublime, sanguinária e impaciente performance. Fora ela, algumas categorias sentiram a falta de Garota Exemplar (e nós, também, acredito).

O Jogo da Imitação
dir. Morten Tyldum - 

Esmerada cinebiografia do criptoanalista inglês Alan Turing, O Jogo da Imitação é um dos filmes mais excepcionais premiados este ano. Possivelmente, levará um banho gelado das maiores premiações no Oscar, tendo poucas chances nas categorias técnicas, apesar de ser um forte candidato à categoria de Roteiro Adaptado, com a saída de Garota Exemplar do páreo.

Leviatã
dir. Andrey Zvyagintsev - 

Dirigido por Zvyagintsev, Leviatã é uma das cargas mais pesadas da categoria de Melhor Filme Estrangeiro deste Oscar, tendo consigo uma enorme chance de perder para Ida ou vencer o mesmo, pois ambos encontram-se empatados na corrida deste ano. Talentosas e imperdíveis obras, rendem uma sessão inacreditável de ótima. Primeira indicação de Andrey ao Oscar: 1 ponto pra (o cinema da) Rússia.

Foxcatcher - Uma História Que Chocou o Mundo
dir. Bennett Miller - 

Um dos longas mais pesados indicados pelo Oscar esse ano, Foxcatcher caracteriza-se principalmente por ser um baita filme e, tendo consigo uma baita história, torna-se um candidato bem persistente à premiação. Pena que, devido aos concorrentes, as chances de vitória são demasiadamente baixas.

Caminhos da Floresta
dir. Rob Marshall - 

Não é preciso ser expert para saber que a Academia tem uma queda por musicais. No entanto, parece que Rob Marshall não obteve muito êxito no Oscar esse ano. Diretor da mega produção Chicago, vencedora do Oscar de Melhor Filme em 2003, o diretor vem fazendo filmes fraquinhos, que não possuem força o suficiente para chegar ao nível de sua maior obra feita até o momento. Com Nine, até que tinha esperança. Só que Caminhos da Floresta é um pouco fraco. Digo, é bom como musical. Mas a Academia não o vê bom como filme - esse é o problema.

OSCAR 2015 - APOSTAS



A quase um dia da noite da maior premiação cinematográfica do ano, mal posso sustentar a ansiedade em ouvir a voz dos apresentadores declamando a cada categoria: and the oscar goes to... Essa lista, ou melhor, bolão, reúne meus favoritos e as possibilidades ao prêmio que acontecerá neste domingo:

meu favorito: quem eu queria que ganhasse
quem vai ganhar: quem eu acho que vai ganhar (aposta)
quem pode ganhar: possibilidade de vitória (plano B)
quem faltou: filme que deveria estar entre os indicados

MELHOR FILME

Birdman
Boyhood 
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
Selma - Uma Luta pela Igualdade
Sniper Americano
A Teoria de Tudo
Whiplash - Em Busca da Perfeição

MEU FAVORITOO Grande Hotel Budapeste
quem vai ganhar: Boyhood
quem pode ganharBirdman
quem faltou: Dois Dias, Uma Noite

MELHOR DIRETOR

Richard Linklater - Boyhood
Alejandro González Iñárritu - Birdman
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Bennett Miller - Foxcatcher
Morten Tyldum - O Jogo da Imitação

MEU FAVORITO: Richard Linklater - Boyhood
quem vai ganhar: Richard Linklater - Boyhood
quem pode ganhar: Alejandro González Iñárritu - Birdman
quem faltou: Clint Eastwood - Sniper Americano

MELHOR ATRIZ PRINCIPAL

Rosamund Pike - Garota Exemplar
Marion Cottilard - Dois Dias, Uma Noite
Julianne Moore - Para Sempre Alice
Felicity Jones - A Teoria de Tudo
Reese Whiterspoon - Livre

MEU FAVORITO: Marion Cottilard / Julianne Moore
quem vai ganhar: Julianne Moore
quem pode ganhar: Rosamund Pike
quem faltou: Amy Adams (Grandes Olhos)

MELHOR ATOR PRINCIPAL

Bradley Cooper - Sniper Americano
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo
Michael Keaton - Birdman
Steve Carell - Foxcatcher
Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação

MEU FAVORITO: Michael Keaton
quem vai ganhar: Eddie Redmayne
quem pode ganhar: Michael Keaton
quem faltou: Jake Gyllenhaal (O Abutre)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Patricia Arquette - Boyhood
Laura Dern - Livre
Keira Knightley - O Jogo da Imitação
Emma Stone - Birdman
Meryl Streep - Caminhos da Floresta

MEU FAVORITO: Patricia Arquette
quem vai ganhar: Patricia Arquette
quem pode ganhar: Keira Knightley
quem faltou: Jessica Chaisten (O Ano Mais Violento)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Robert Duvall - O Juiz
Ethan Hawke - Boyhood
Edward Norton - Birdman
Mark Ruffalo - Foxcatcher
J.K. Simmons - Whiplash - Em Busca da Perfeição

MEU FAVORITO: J.K. Simmons
quem vai ganhar: J.K. Simmons
quem pode ganhar: Ethan Hawke
quem faltou: Josh Brolin (Vício Inerente)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Ida - Polônia
Leviatã - Rússia
Relatos Selvagens - Argentina 
Tangerines - Estônia
Timbuktu - Mauritânia 

MEU FAVORITO: Ida
quem vai ganhar: Ida
quem pode ganhar: Leviatã
quem faltou: Dois Dias, Uma Noite

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Operação Big Hero
Os Boxtrolls
Como Treinar o Seu Dragão 2
O Conto da Princesa Kaguya
Song of the Sea

MEU FAVORITO: Operação Big Hero
quem vai ganhar: Como Treinar o Seu Dragão 2
quem pode ganhar: Operação Big Hero
quem faltou: Uma Aventura LEGO

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Citizenfour
The Salt of the Earth (O Sal da Terra)
Finding Vivian Meier
Virunga
Vietnã: Batendo em Retirada

MEU FAVORITO: The Salt of the Earth (O Sal da Terra)
quem vai ganhar: Citizenfour
quem pode ganhar: Virunga
quem faltou: Life Itself

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

O Grande Hotel Budapeste
Birdman
Boyhood
O Abutre
Foxcatcher

MEU FAVORITO: O Grande Hotel Budapeste
quem vai ganhar: O Grande Hotel Budapeste
quem pode ganhar: Birdman
quem faltou: Selma

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Sniper Americano
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo
Vício Inerente
Whiplash

MEU FAVORITO: Sniper Americano
quem vai ganhar: O Jogo da Imitação
quem pode ganhar: A Teoria de Tudo
quem faltou: Garota Exemplar

MELHOR TRILHA SONORA

A Teoria de Tudo - Johánn Johansson 
O Grande Hotel Budapeste - Alexandre Desplat
O Jogo da Imitação - Alexandre Desplat
Interstellar - Hans Zimmer
Mr. Turner - Gary Yershon

MEU FAVORITO: O Grande Hotel Budapeste
quem vai ganhar: A Teoria de Tudo
quem pode ganhar: O Grande Hotel Budapeste
quem faltou: Birdman 

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Glory" - Selma
"Lost Stars" - Mesmo se Nada Der Certo
"Everything is Awesome" - Uma Aventura LEGO
"I'm Not Gonna Miss You" - Glen Campbell: I'll Be Me
"Grateful" - Beyond the Lights

MEU FAVORITO: "Lost Stars"
quem vai ganhar: "Glory"
quem pode ganhar: "Lost Stars"
quem faltou: "Hero" - Boyhood

MELHOR FOTOGRAFIA

Birdman
O Grande Hotel Budapeste
Ida
Mr. Turner
Invencível

MEU FAVORITO: Birdman
quem vai ganhar: Birdman
quem pode ganhar: O Grande Hotel Budapeste
quem faltou: Boyhood

MELHOR EDIÇÃO

Boyhood
Sniper Americano
O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
Whiplash

MEU FAVORITO: Boyhood
quem vai ganhar: Boyhood
quem pode ganhar: Whiplash
quem faltou: Garota Exemplar

MELHOR FIGURINO

O Grande Hotel Budapeste
Vício Inerente
Caminhos da Floresta
Malévola
Mr. Turner

MEU FAVORITO: O Grande Hotel Budapeste
quem vai ganhar: O Grande Hotel Budapeste
quem pode ganhar: Caminhos da Floresta
quem faltou: O Jogo da Imitação

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

O Grande Hotel Budapeste
O Jogo da Imitação
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Caminhos da Floresta
Mr. Turner

MEU FAVORITO: O Grande Hotel Budapeste
quem vai ganhar: O Grande Hotel Budapeste
quem pode ganhar: O Jogo da Imitação
quem faltou: Selma

MELHOR EFEITOS VISUAIS

Capitão América: O Soldado Invernal
Interstellar
Planeta dos Macacos: O Confronto
Guardiões da Galáxia
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

MEU FAVORITO: Interstellar
quem vai ganhar: Interstellar
quem pode ganhar: Guardiões da Galáxia
quem faltou: Noé

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Sniper Americano
Birdman
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos
Interstellar
Invencível

MEU FAVORITO: Sniper Americano
quem vai ganhar: Sniper Americano
quem pode ganhar: Interstellar
quem faltou: Noé

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Sniper Americano 
Birdman
Interstellar
Invencível
Whiplash

MEU FAVORITO: Whiplash
quem vai ganhar: Interstellar
quem pode ganhar: Whiplash
quem faltou: Caminhos da Floresta

MELHOR MAQUIAGEM

O Grande Hotel Budapeste
Foxcatcher
Guardiões da Galáxia

MEU FAVORITO: Foxcatcher
quem vai ganhar: O Grande Hotel Budapeste
quem pode ganhar: Foxcatcher
quem faltou: Caminhos da Floresta

RESENHA DOS INDICADOS (até fevereiro de 2015):