terça-feira, 31 de março de 2015

Crítica: "007 - OPERAÇÃO SKYFALL" (2012) - ★★★★★


007 - Operação Skyfall acertou em cheio! A celebração dos cinquenta anos de um dos maiores ícones cinematográficos de todos os tempos não poderia vir de melhor forma. Requintado, elegante, bem-montado e excelentemente caracterizado, Skyfall merece e ganha o apetitoso e consagrador título de obra-prima não só apenas por maravilhar o público em incandescentes segmentações de ação, mas também por eleger e interpretar tão brilhantemente a história que então se torna uma das mais belas e ricas aventuras do agente secreto.

Nem tão artificial mas nem tão supérfluo. Skyfall é ótimo à sua maneira, quero dizer, à maneira de Sam Mendes. Cala-se a polêmica da seleção do cineasta para dirigir o filme lá em 2012, pois muitos suspeitavam que a obra em questão seria desvalorizada por ele. Contrariamente a isto, Mendes no final foi a melhor escolha possível para a película, e agora mesmo não tenho dúvida que ele fará um tremendo trabalho em Spectre, próximo longa da cinesérie de lançamento neste ano, cujo Mendes e Craig estarão novamente membrados. Quanto à Daniel Craig, não tenho mais nem o que dizer, no sentido de estar tão bem certo a partir do talento e da competência dele na pele de Bond, inicialmente visíveis lá em 2006, com 007 - Cassino Royale.

Com respeito ao autêntico estilo, Skyfall ainda sim consegue inovar, é claro, sem perder o senso e o clima originais. Por exemplo, há uma parte, mesmo estando disposto dos mais ricos instrumentos de tecnologia e da mais alta qualidade, James Bond (spoiler à frente) ainda sim acaba com a vida de seu inimigo usando uma enferrujada e velha faca, ou então na cena que reclama dos automóveis modernos, rastreados e monitorados, dificultosos a uma fuga ou despiste (o momento mais nostálgico da trama, no qual o agente resgata do fundo do baú o famoso automóvel de 007 - Goldfinger para esconder a M). 

E tal bem igual como Goldfinger, O Espião que me Amou, 007 Contra Octopussy, 007 Contra a Chantagem Atômica entre outros, Skyfall torna-se um notável clássico da franquia. Uma peça de valor incalculável dentre as mais outras. A M (Judi Dench), personagem que geralmente aparece como coadjuvante nos filmes da franquia, ganha um maior destaque em Skyfall. Um destaque protagonista, pela análise, mas que não deixa de ser um grande e formidável destaque. Gostei disto em Skyfall. Tão quanto senti a ausência das bond girls, apesar de ter me divertido com a secretária Eve Moneypenny deste filme, sensualmente encarnada por Naomie Harris, que também não deixa suspeitas quanto à sua participação no próximo Spectre.

Enquanto Christoph Waltz, vilão veterano conhecido principalmente pelo sádico entretanto cômico Hans "Bingo" [risos] Landa de Bastardos Inglórios se prepara para estrelar o grande mal-feitor de Spectre, outro grande talento igualmente famoso por um vilão marcante das telonas encarna aqui um dos mais repugnantes inimigos de James: Silva, ou Tiago Rodriguez. Estou falando de Javier Bardem, lembrando da sua impecável atuação em Onde Os Fracos Não Tem Vez, aqui fazendo outro inesquecível vilão, tanto em aspectos internos, da franquia; quanto em aspectos externos, do cinema.

E assim aguardo por novembro (previsão), ainda que longe, nas esperanças de novamente encontrar outra lendária obra da série como esta. Celebro Sam Mendes, celebro Daniel Craig, celebro o glorioso elenco, celebro o simbólico roteiro, celebro 007! Celebro Skyfall! Celebro Adele, pela incrível música-tema homônima, e até agora a melhor, empatada com "Goldfinger"! Celebro tudo o que mais há de bom nesta obra, dentre os mais detalhistas e formais elementos a mais eletrizante passagem presente. Muito bom.

007 - Operação Skyfall (Skyfall)
dir. Sam Mendes - 

sábado, 28 de março de 2015

AS 22 MELHORES PERFORMANCES ESNOBADAS NO OSCAR (2000 - 2014)

Ainda que o Oscar tenha perdido minha confiança depois de algumas profundas injustiças (Argo, Birdman, Jennifer Lawrence...), isso não significa que não o respeito, e ainda ouso dizer que é uma das principais premiações cinematográficas, por mais cético e temperamental que seja. É claro, sempre existe aquele filme (Boyhood, Amor, Bastardos Inglórios) cuja esnobação deixa marcas, por vezes passageiras ou não, em nosso espírito cinéfilo. Mas também existem performances cuja esnobação, por vezes, costuma atentar o espírito cinéfilo. Mas não adianta não vencer. A Academia acaba deixando de fora aquele(a) que mais merecia, até mesmo a estatueta, no dia do anúncio dos indicados. Decidi listar e honrar aqueles cujas performances, nos últimos anos (de 2000 a 2014) mais mereciam ter sido indicadas, e até mesmo vencido, a tão cobiçada estatueta.


22. Kristin Scott Thomas - Há Tanto Tempo Que Te Amo (2008)


21. Amy Adams - Grandes Olhos (2014)


20. Robert Downey Jr. - Sherlock Holmes (2009)


19. Albert Brooks - Drive (2011)


18. Ralph Fiennes - O Grande Hotel Budapeste (2014)


17. Scarlett Johansson - Match Point (2005)


16. Nia Vardalos - Casamento Grego (2002)


15. Thandie Newton - Crash (2005)


14. Leonardo DiCaprio - Os Infiltrados (2006)


13. Javier Cámara - Fale com Ela (2002)


12. Diane Kruger - Bastardos Inglórios (2009)


11. Keira Knightley - Desejo e Reparação (2007)


10. Joaquin Pheonix - Ela (2013)


9. Javier Bardem - Skyfall (2012)


8. Leonardo DiCaprio - Django Livre (2012)


7. Julie Delpy - Antes da Meia-Noite (2013)


6. Scarlett Johansson - Encontros e Desencontros (2003)


5. Jim Carrey - Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004)


4. Sally Hawkins - Simplesmente Feliz (2008)


3. John Travolta - Hairspray (2008)


2. Adam Sandler - Embriagado de Amor (2002)


1. Julie Delpy - Antes do Pôr-do-Sol (2004)

Crítica: "O AMOR É ESTRANHO" (2014) - ★★★


Engraçado, interessante, maduro, intenso, triste. O Amor é Estranho é uma das mais inusuais comédias românticas filmadas de uns tempos pra cá. Fazia um tempão que não via um filme tão questionador e ao mesmo tempo tão limitado, restrito, optativo. George e Ben são um casal de idosos gays vivendo na atual Nova York, se casando depois de longos trinta anos de relacionamento, no entanto, o tão polêmico casamento gera intrigas em suas vidas e faz com que George, professor de música numa escola religiosa, seja demitido por infringir regras, e em consequência, seja despejado de seu atual apartamento, fazendo com que os dois passem a viver com amigos e familiares próximos, até arranjarem um novo lugar. 

Não sei. Não me decepcionei, mas também não saí do cinema cem por cento completo... Achava que, por se tratar de uma trama ligada a um assunto tão exclusivo nos dias de hoje: a homossexualidade, ou talvez, por se tratar de uma história pesada - pela sinopse -, O Amor é Estranho seria algo mais heavy, algo bem mais do que no filme é mostrado: um drama de cotidiano, como dito, restrito, calmo, afável, limiar. Eu esperava um pouquinho mais de "peso", algo a ilustrar mais a situação vivida pelos dois personagens, que parece ser aceita à quase todos no seu círculo social, o que de fato, não é verdade. Homossexualismo infelizmente ainda hoje, por mais pessoas que simpatizem ou não tenham nenhum preconceito, é um limítrofe tabu. Tanto quanto pessoas que respeitam, existem outras tantas homofóbicas. Por sua vez, imaginei algo do tipo Brockeback Mountain, ou, por que não, o atual O Jogo da Imitação, que lá no fundo, discute bem seriamente sobre esse preconceito, já existente lá na década de 40, durante a Segunda Guerra Mundial, onde o homossexualismo atravessava o que hoje chamamos de polêmica; era uma espécie de proibição, crime. Enfim, resumindo: eu esperava sangue, por exemplo; esperava sair tremendo de choque e pânico da sessão. Não foi o que aconteceu. No entanto, eu saí da sessão gratificado, sem palavras, impactado. O Amor é Estranho tem um instinto natural para o drama, mesmo ao exceder tantas características que ainda sim o aprimorariam. É um drama sensato, de um clima excêntrico e belo, apaixonante, "de chorar". 

Não é clichê, por sinal. Senti a ausência de clichê, numa obra tão vulnerável a repetições [risos]. Ira Sachs revelou-se dono de um estilo de boa aparência, sem muitos luxos, um talento bem requerível dependendo da história. Alfred Molina, a quem vi bem raramente nos últimos tempos atuando, e John Lithgow tão excelentes, supremos, talentosos. Duas performances que realmente merecem um sério destaque. Estressa ao pensar o quão difícil atuar em personagens tão singulares como os quais eles atuaram. Marisa Tomei não brilha muito aqui; acho que ela tentou soltar, mas ficou preso, não conseguiu. Não posso dizer que ela não teve a chance de roubar a cena. Uma trilha sonora bem articulada, refinada, pura, que acompanha o clímax das cenas, é algo de se elogiar; A fotografia, uma beleza só (ainda mais quando o sujeito assistiu aos noventa e quatro minutos do filme em uma projeção HD divina). Este filme, sinceramente, uma beleza só. Astuto e legível, competente e livre. Um filme agradável, longe da atual realidade, mas mesmo assim agradável e responsável.

O Amor é Estranho (Love is Strange)
dir. Ira Sachs - ★★★

Crítica: "PASOLINI" (2014) - ★★★


Pasolini é uma contundente e desafiadora obra baseada nos relatos a partir dos últimos momentos de vida do grande ícone do cinema italiano, o tão famoso e polêmico Pier Paolo Pasolini, equilibrando uma criativa ficção com os mais breves detalhes de seu caminho à tão misteriosa morte, sem autoria. A proposta, talvez, mais chamativa e perigosa de Pasolini é seu final, justo por conta disto. A dúvida se sobrepõe ao assassinato de Pasolini, que até os dias de hoje, permanece em branco, sem julgamento, já que basicamente o incriminado na década de 70 revelou mais tarde sua inocência diante deste incoerente crime, injusto crime. Este ano, completam-se quarenta anos que este grande ser despediu-se do público, num adeus violento e leviano, que ainda punido fora pela inconsequência e pretensiosidade de seu ato;

Assistir Pasolini sem expectativas é uma baita falta de consideração, já que apenas pelo objetivo de filmar os últimos passos dele, um turbilhão de pensamentos se vem à mente. E para mim, foi uma espécie de surpresa, confesso. Torna-se difícil, então, calcular as expectativas quando se tem Abel, Willem, uma grande história e uma pitada de ficção no meio. Mas essa surpresa puxou para um lado positivo. No final de tudo, Pasolini não é exagerado, não é amargo, não é infiel, é apenas uma reflexão; uma bela e sensata reflexão sobre a sua vida, sua carreira, sua filosofia, seu modo de pensar. Nas primeiras cenas, já é possível vê-lo em uma entrevista, questionado então sobre o estilo de sua cinematografia, e sua opinião política (imaginem o discursão!). Tocando em Dafoe, é quase um pecado não mencioná-lo ao então mencionar Pasolini. Em sua quarta colaboração com Ferrara, Willem Dafoe, com certeza, faz a sua melhor atuação (até agora, presumo) em um filme dele. E a mais concreta, digamos. Quando encarnar a personalidade controversa e complicada de Pier Paolo Pasolini já é algo tremendamente assustador, imagina-se interpretar Paolo usufruindo de longos diálogos em italiano? É muito talento mesmo, sinceramente.

Maria de Medeiros e Ninetto Davoli (velho recorrente de Pasolini, que além de interpretar, é interpretado no filme - ambas performances gloriosas) surgem na trama bravamente - de surpresa, resumindo -. O elenco, em si acredito, também merece ser reconhecido. A cena final, sendo a mais chocante de todo o filme, também é a que mais exige do espectador. Desconhecer a morte do cineasta ou conhecer o paradeiro por trás dela, ambas as situações, geram a mesma sensação diante dda deslumbrante  e dramática passagem.

Entre outras: Pasolini é simplesmente fantástico. É igualmente bom como outras grandes obras de Abel, incluindo tanto o recente Bem-Vindo a Nova York quanto o clássico da década de 90 O Rei de Nova York. Notoriamente influenciado pelo cineasta, Ferrara fez um autêntico trabalho retratando o fim deste lendário diretor italiano, cuja carreira, bem mais do que seu tão complexo e comentado assassinato, merece um evidente destaque em nota à enorme e incalculável contribuição ao cinema.

Pasolini 
dir. Abel Ferrara - ★★★

sexta-feira, 27 de março de 2015

Crítica: "ANTES DE DORMIR" (2014) - ★★


Que decepção! Poxa, tantas expectativas ao ver que Colin e Nicole estavam juntos num novo filme, depois do fracasso de Uma Longa Viagem, mas no final desta sessão, o que encontro é uma película definitivamente pior do que a citada, o que é desconcertante. É quase histeria ver o número de filmes ruins que Nicole Kidman protagonizou de uns tempos pra cá. Tão talentosa... Uma pena. Sinceramente.

Com um início esperançoso, mas com um final idiota, Antes de Dormir também é sem-graça, parado, indiferente, resumindo: um belo dramalhão. Um dos piores já vistos ultimamente, confesso. Não estou com raiva. Estou decepcionado, até por que a trilha sonora e a fotografia "salvaram", voltando a repetir, entre aspas, o terror que esse não-sei-qual-é-a-droga-do-gênero seria. Afinal, sei lá se é terror, romance, drama, suspense, thriller, ação, aventura, tragicomédia, enfim, só sei mesmo que a confusão é imensa, e que quase nada é possível compreender da triste adaptação do best-seller Before I Go To Sleep. Não sei se o romance é como o filme: fresco, mas é certo de que alguma coisa dele saiu, afinal, além de fracassado, nem na bilheteria foi bem, tanto que sua passagem aqui nos cinemas nacionais foi bem curta. 

Responsáveis pelo fracasso, não culpo Kidman nem Firth, ambos confortavelmente excepcionais em seus papéis, ridicularizados pela pobre trama abordada; nem ao menos vou culpar a adaptação, já que afinal, nem li o tal best-seller. O sujeito a quem devo pedir satisfações é Rowan Joffé, completamente contrário à pessoa que o gerou, a que parece esfregar o nome do pai na lama ao incompetentemente assinar direção e roteiro deste flácido filme. Rowan perde a chance, talvez, de ser um Roland. Elementos avulsos e incógnitas, quase transparentes ou algo do tipo, foram indignadamente utilizados para montar uma teia embaralhada que estraga o bom clima que a história cria. 

Além disto, Kidman e Firth, um motivo que já mencionei anteriormente, realizam aqui sua segunda (vergonhosa) parceria, que desta vez errou o ponto. Mais uma vez diferentemente de Uma Longa Viagem, eles se perderam na convulsiva vulnerabilidade de seus personagens e conduziram-os de forma um tanto quanto repulsiva, para não dizer outra palavra, tanto como demasiadamente lírica. Só sei que foi bem desagradável vê-los em tais interpretações, por mais boas que fossem, excedidas da tão essencial química.

Olha... É melhor parar por aqui. Fazia um bom tempo que a insatisfação não me subia à cabeça como desta vez. Um longo tempo. Bem, acredito que é só. Antes de Dormir ridiculariza e humilha o thriller com uma invenção banal e desapontadora de seu barato roteiro que apenas tem como função retardar a evolução do tão querido gênero. Decepção total.

Antes de Dormir (Before I Go To Sleep)
dir. Rowan Joffé - ★★

quinta-feira, 26 de março de 2015

Crítica: "VÍCIO INERENTE" (2014) - ★★★★


Vício Inerente é um filme de elementos. Um filme cuja atenciosa e surreal trama é quem ganha notoriedade e reconhecimento por toda uma série de técnicas que são utilizadas a seu favor. Já é bem raro ver Paul Thomas Anderson. Ver Vício Inerente é uma oportunidade única que ainda limita-se surgir de dois em dois anos, senão três (Magnólia/Embriagado de Amor) ou cinco (Sangue Negro/O Mestre). São muitos sentimentos interligados num só momento. Anderson, no entanto, faz bem ao ocasionar estes longos intervalos no lançamento de seus filmes: ele nunca erra a receita. Paul Thomas Anderson é um daqueles cineastas que não decepcionam em nada, simplesmente nada. Seu conteúdo dispensa falhas e a cada filme acumula aplausos.

Hoje foi um dia de muitas estreias. Cinderela, O Sal da Terra, Eduardo Coutinho - 7 de Outubro e Vício Inerente. Mesmo se tivesse tempo, acredito que não teria pique para assistir esses quatro filmes juntos num só único dia. Por isso, escolhi Vício Inerente, obviamente por alguns motivos já relatados neste post. Infelizmente, como nosso mercado cinematográfico ainda é um pouco atrasado quando o assunto é distribuição internacional, a opção, a única, foi vê-lo agora, a quase quatro meses depois de sua estreia nos E.U.A., passado os Oscars e tudo mais, numa sessão que apesar dos anteriores desapontamentos, foi divertida e bastante agradável.

Essa parceria com Paul faz muito bem a Joaquin Pheonix, impressionante pela segunda vez consecutiva como estrela de um filme do diretor. Diferentemente do dramático e melancólico O Mestre, Vício Inerente trata-se de uma colorida e bem montada comédia, sem exceder, lógico, algumas características particulares de P.T.A. (espírito non-sense, ação calculada e monotonia), mas que se destaca por ser uma das películas mais descontraídas dele. A mais descontraída desde, confesso, Boogie Nights Embriagado de Amor, quando Adam Sandler enfim mostrou um talento impecável na, sem dúvida, melhor interpretação de toda a sua carreira. Voltando ao assunto, Pheonix carrega consigo um ar natural de P.T.A. Um inexplicável ar de P.T.A. que nos faz tão satisfeitos à frente de uma obra estrelada por ele da autoria de Paul, neste caso, apenas a segunda das acredito mais que existiram. 

Afinal, como não gostar do filme que combina esta maravilhosa parceria, o elenco perfeito, técnicas extraordinariamente formidáveis, o estilo não-linear da história e, como citado, os memoráveis elementos utilizados pelo filme? A reprodução da década de 70 também trata-se de uma inspiradora razão para vê-lo. Policial e comédia, Vício Inerente nada mais além de uma soberba obra-prima do cinema atual. É um filme de, sem dúvida, qualidade e excelência, que brinda o público com uma maravilhosa e autêntica história de amor, crime, investigação e vida alinhada consequentemente com perfeição e glória à dedicação de sua esmerada equipe e é claro, de seu estupendo mestre, Paul Thomas Anderson, ainda sim intacto pela construção desta valiosa obra de sua querida filmografia.

Vício Inerente (Inherent Vice)
dir. Paul Thomas Anderson - ★★★★

quarta-feira, 25 de março de 2015

sábado, 21 de março de 2015

Crítica: "LIFE ITSELF - A VIDA DE ROGER EBERT" (2014) - ★★★★


Em abril de 2013, lembro-me que fiquei chocado com a morte súbita de Roger Ebert, uma das lendas mais respeitáveis da crítica. Um choque que, apenas por lembrar, me causa desconcerto. Por esta razão e outras, Life Itself trata-se de um filme essencialmente nostálgico e memorável. Quão bela é a obra que retrata a jornada e filosofia de vida de um dos maiores ícones da crítica de todos os tempos? Ebert é uma personalidade única no universo cinematográfico, de carreira inspiradora para qualquer amante da sétima arte.

A sensibilidade e a genialidade deste homem transformou toda uma geração, ainda por sim, até hoje, ter influenciado toda uma legião. Admirável ícone. Pena que tenha tido um fim tão triste e injusto. O documentário pode ser demasiadamente útil àqueles que querem aprofundar os conhecimentos com relação à história de Ebert, dentro e fora do seu trabalho. Até mesmo eu, considerando-me um admirador seu, não conhecia até então alguns dos fatos sobre seu casamento e sua rivalidade com Gene Siskel, crítico de cinema com quem dividiu um programa televisivo de resenha por bem mais de dez anos. 

O seu início, seu reconhecimento, seu legado, seu estilo, sua vida pessoal, sua opinião e dentre outros capítulos que simbolicamente exibem o desconhecido a muita gente sobre ele. Depoimentos sensacionais de colegas e próximos, tais como os belíssimos comentários de sua esposa Chaz, e alguns breves discursos por Scorsese rendem, e confirmam que a glória permaneceu intacta dentre os mais "chegados", e algumas excentricidades, como seu vício alcoólico. 

Steve James é cuidadosamente excelente dirigindo o documentário, filmando passo por passo os últimos momentos de Roger Ebert, e suas funções depois de um pesado diagnóstico de câncer na coluna. É totalmente doloroso ver o pânico de Ebert em algumas cenas mais fortes. A narração perspicaz e notória dos convidados contribui bastante ao entendimento de todo o processo e a doença que acometeu Roger nestes tristes tempos finais. Vale lembrar que o crítico passou por inúmeras cirurgias e enfrentou os mais diversos cânceres até chegar ao estado do qual completamente teve que se entregar à desolação. Mas ver que ele soube enfrentar lealmente a inevitável morte sem medo, igualmente como todos fizeram ao seu redor, é totalmente reconfortante. Em sua memória, aplaudo toda sua imensa obra e inestimável paixão ao cinema que tanto tiveram impacto neste universo e tanto serviram de base e influência à sociedade crítica, que imensamente hoje o agradece pela contribuição ao mundo dos filmes.

Life Itself - A Vida de Roger Ebert (Life Itself)
dir. Steve James - ★★★★

Crítica: "MAPAS PARA AS ESTRELAS" (2014) - ★★★★


Algo me despertou uma estranha e ao mesmo tempo saciável sensação em Mapas para as Estrelas. Não sei por que, mesmo o filme sendo demasiadamente pretensioso, seu conteúdo transpareceu fielmente cordial à história. Desde Cannes ano passado, Mapas para as Estrelas já tinha chamado a minha atenção, principalmente por Moore, vencedora do prêmio de Melhor Atriz no festival e mais tarde indicada ao Globo de Ouro por este papel em comédia, e ainda sim uma possível concorrente ao Oscar 2016 se o longa de Cronenberg for selecionado (a estreia mundial de Mapas para as Estrelas ocorreu este ano) para competir, o que eu acho que será tremendamente ótimo; e por outro lado, ver que além dela, outras estrelas também faziam parte do conjunto do elenco, entre eles Robert Pattinson (novo favorito de David, desde Cosmopolis) e Mia Wasikowska, talentosa estrela de Alice no País das Maravilhas.

Até que Mapas para as Estrelas não é tão decepcionante assim. Certo que trama não é o forte do filme, mas até que eu gostei de todo o paradoxo familiar e os conflitos internos das celebridades, o que de fato, é extremamente cômico, o que contrariou minha pré-visão dramática e sensacionalista da película. Há segmentos eletrizantes, a maioria protagonizados por Moore, sinceramente fabulosos. No entanto, há uma percepção errônea a partir de sua atuação. Pelo contrário, Moore é uma coadjuvante, e não principal. Protagonista mesmo é a Mia. Se não fosse pelo (imbatível) final cheio de reviravoltas quentes e até um pouco satíricas, até perdoaria o título de "protagonista" oferecido à ela. Aqui, pra mim, ela é uma coadjuvante.

O bom de Mapas para as Estrelas é que ele é um filme propositalmente confuso. Ou seja, ele não precisa de nenhum pingo de sentido para fazer sentido. Como Hollywood é um mundo totalmente sem sentido, faz sentido presentear este sujo e infeliz universo com uma obra rica em incoerência. Chega a ser deprimente ver uma Julianne Moore de cinquenta anos encarnando uma atriz mimada e petulante aspirante à adolescente emburrada por ter perdido o papel numa biografia da própria mãe. É engraçado, ou então constrangedor, a ser mais específico. Também tem um garoto de treze anos com problemas psicológicos estrela de uma sucessiva franquia. Nada tão desconhecido assim do público mais amplificado. Leva apenas uma dose a mais de "escândalo". David, de fato, sempre foi uma pessoa escandalosa, estranha. Não seria neste filme que ele perderia a oportunidade de botar a boca no trombone para logo mesmo assumir sua tão imperialista opinião sobre a depreciativa sociedade hollywoodiana. Mesmo tratando-se de algo bem familiar, Mapas para as Estrelas não deixa de ser uma visão original e interessantemente perturbadora sobre o demoníaco e psicótico submundo da fama.

Afinal, essa é a grande sacada do novo filme de David Cronenberg. Um astuto e inversivo chamado ao terror através de toda uma população de celebridades enfadonhas e medíocres, fanáticas e obsessivas, destruídas e peculiares em seus lares decorados com a fúria e o pânico, o sangue e a luz, e a atrocidade e o desumano, na terra onde a inquieta bizarrice povoa. De fato, Hollywood is burning! 

Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars)
dir. David Cronenberg -  

quinta-feira, 19 de março de 2015

Crítica: "MOMMY" (2014) - ★★★★


Mommy, primeiramente, fascina por trazer ao espectador um novo olhar de um tema do qual já estamos demasiadamente cheios de ver em filmes ruins ou clichês. Por que eu fiquei tão impressionado ao assistir Mommy? É um drama competente, fiel, direto, imprevisível. Encara a realidade de frente e não cria subjeções ao que não é concreto. Mommy é um filme pé no chão. Quer ter esperança num lugar onde a presença dela nunca foi suspeita de existência. Oh, Mommy. Devem existir mais filmes como este, sinceramente. Filmes que trazem brilho por histórias que em nenhum quesito desapontam. Nem mesmo na trilha sonora, que combinou perfeitamente com o desfoque dos personagens principais e suas tristes vidas. E olha que costumo ser bem rígido quanto à isso. 

Xavier Dolan brinca com a câmera em algumas cenas, o que é de notoriedade singular. O garoto (de vinte e cinco anos) tem talento para o cinema. Ainda o verei fazendo outras obras bem maiores (talvez) do que esta, por que garanto-lhes que capacidade ele tem. Dolan não tem medo de encarar a face da verdade contra a face da ilusão. Mommy marca uma nova fase na vida deste jovem cineasta. Uma fase de merecido reconhecimento. Uma fase, finalmente, matura. Dele só tinha visto Amores Imaginários, bem mais inferior à este. Afinal, já desconfiava desse fato. Quem é tão poderoso a ponto de dividir o prêmio do júri do Festival de Cannes com o lendário mestre Jean-Luc Godard? Pena que o Oscar é tão míope... 

Ida, Mommy, Leviatã, Relatos Selvagens e Dois Dias, Uma Noite, dariam uma boa disputa. Realmente. À exceção de Ida, mostrado em Berlim, os outros quatro filmes foram exibidos em Cannes, o que mostra que o festival de cinema, fora de destaque nos últimos tempos, continua na ativa produzindo e elegendo grandes obras. 

Mommy narra a conturbada jornada de Steve, um adolescente de quinze anos que sofre de graves distúrbios psicológicos, incluindo déficit de atenção, hiperatividade e transtorno compulsivo. Após passar por poucas e boas dentro de uma reabilitação, ele volta a morar com a mãe, Diane, uma mulher de bom coração e personalidade simpática, tentando fazer de tudo o melhor para re-acolher o filho, o que não é nada fácil. Mommy é um filme pesado, sim. Mommy quebra tabus. Tabus escondidos debaixo do tapete pela abusiva sociedade controladora universal. É bem triste, no fundo. Mas é o que mantém a tensão. E é a tensão que move conflitos em Mommy. Conflitos fortíssimos: pessoas problemáticas em situações problemáticas num lugar problemático governado por leis problemáticas... O mundo nunca foi normal. O filme quer assumir sua opinião de que o mundo é um lugar vazio, ruidoso, sádico e moralista, e que mesmo em um futuro (o filme, de 2014, se passa em 2015) tão próximo, ainda sim submete-se a um sistema horripilante. Tudo move-se num ciclo, que vai e vem, atravessa gerações mas pára no mesmo lugar. Nós não evoluímos. Apenas avançamos o período que supostamente serviria de base ao assunto discutido. Mommy é tudo isso. Mommy quer filmar a degradação do ser alinhado posicionalmente com a degradação do espaço. E, lógico, o que há melhor para suportar esse declínio do que um incomparável amor de mãe? Afinal, esta obra é toda delas. Mulheres dispostas a doarem suas vidas aos filhos. Mulheres que vivem caladas com o medo e o sofrimento por aquele que gerou. É um amor certamente indiscutível até aos mais meticulosos. 

Mommy é uma grande obra. Existem certamente erros de marcação e alguns outros lugares deixados em branco. Nada significante ao impacto que Mommy provoca em seu público. Um impacto (glória!) real, um impacto vivo. Quase me esqueço de aplaudir o sensacional elenco. Anne, Antoine e Suzanne... Atores talentosíssimos! 

Mommy
dir. Xavier Dolan - 

terça-feira, 17 de março de 2015

Crítica: "AS AVENTURAS DE PADDINGTON" (2014) - ★★★


Ver Nicole Kidman como vilã realmente não tem preço (engraçadíssima, especialmente na cena do táxi que ela contracenou com Matt Lucas). Ou melhor, revê-la, já que lá na década de 90, impressionou meio-mundo com Suzanne em Um Sonho sem Limites (puxa, preciso ver de novo...) e o nem-tão-velho A Bússola de Ouro, que vira e mexe é estrela das sessões noturnas de terça, sexta ou sábado no SBT. Foi uma das melhores coisas desta comédia britânica, que apesar de infantil, é prazerosa e divertida, tem um elenco excepcional e uma história deliciosa.

Paddington é um dos personagens mais famosos de todo o Reino Unido. Um ícone, possivelmente equivalente ao Zé Colmeia ou ao Mr. Bean, em quesitos culturais. Essa personalidade trata-se de uma rara espécime de urso, originário do Peru, cujos tios tornaram-se grandes amigos de um explorador inglês. Paddington tem como sonho visitar Londres: faz inúmeros treinos, aprende a língua, etc... E ao chegar no seu destino, o ursinho acaba vendo um mundo discordador de suas expectativas, o que lhe aborrece. Entretanto, ele é adotado por uma simpática e, nas palavras dele, "estranha" família após, numa noite, ser encontrado vagando pela Paddington Station, em Londres.

Olha, já faz um tempinho que não vejo um filme do estilo live-action mesclado com animação: fofo, todo amalgamado, pronto para abraçar fortemente os olhos de seu espectador, oferecendo-o uma linda oportunidade de presenciar a beleza do gênero. Mas é preciso disposição. Há todo uma combinação entre espectros na fotografia, algo particularmente fantástico, além do ritmo das cores, e tudo mais. 

Pelo contrário do que eu imaginava, a fofura e os belos traços de As Aventuras de Paddington me encantaram. O que era bobo acabou me enfeitiçando, como se em mim tivesse encarnado novamente aquele espírito de criança que facilmente se maravilha ao ver a Branca de Neve cantando gentilmente no grande clássico da Disney numa das passagens mais lindas, e que ao longo de um período, esquece o quão viva era aquela cena quando a inocência já dominava o sentimento de amor e ilusão. Puxa, é até triste pensar que os bons tempos da inicial infância foram tão rarefeitos, quase esquecíveis. É por isso que rende reconhecer de vez em quando o trabalho magnífico por trás de uma película, pelo primeiro olhar, infantil, mas que aos créditos, suprema. 

Julie Waters, Jim Broadbent, Sally Hawkins, Imelda Staunton, e todo o elenco britânico do bom e do melhor está reunido neste filme, que por si, também é bem inglês. Não é mel, é marmelada. As Aventuras de Paddington é uma animação que deve ser vista, pois o que ela tem de memorável, tem de carismática e bela. 

As Aventuras de Paddington (Paddington)
dir. Paul King -

segunda-feira, 16 de março de 2015

LOUIE / 3ª e 4ª Temporada


Dono de um humor ácido, inquieto, negativo, até por vezes receptivo, afável e simbolicamente lúdico, Louis C.K. - não faz tanto tempo assim - conseguiu ganhar meu reconhecimento através de um trabalho que o consagrou no seu meio funcional (TV) há mais ou dois anos atrás: o seriado Louie, unicamente disponível em cópias legendadas pela internet, que apesar do grande esforço pelo impiedoso download dos episódios, rendem algo de valor ímpar. Afinal, Louie é uma obra facílima de compreender-se. Minha simples teoria para esse fato é a qual a cada episódio, cada situação abordada e encarnada pelo nosso protagonista, tornam-as mais similares à realidade de pessoas comuns.

Louie é um comediante divorciado, mal-humorado, enrijecido, fracassado, pouco popular, e vulgarmente dizendo, azarão, que a cada oportunidade que à porta lhe bate, o mesmo a rejeita infielmente, quase invisivelmente, sem mesmo perceber o que aquilo lhe poderia proporcionar. Louie, de fato, é uma comédia (de um humor equilibradamente genial, por sinal), mas ainda se destaca ao meu ver por leves tons dramáticos, consequentes ao personagem em questão: um homem comum sem muitas pretensões apenas tentando levar a vida como qualquer um. Mas a vida, com este homem, não tende a ser nem um pouco fácil. É claro, isso também deve-se ao excelente talento de Louis C.K., criador, ator, escritor e editor da série, em encobrir misticamente o drama vivido por esta figura, impondo-lhe alguns dos mais medíocres, cômicos e singulares momentos. 

Quando soube da existência desta série, nada então sabia. Não conhecia, até o momento em que este trabalho foi-me citado, o comediante americano Louis C.K., tendo até então trabalhado no cinema em pequenas produções como roteirista, chegando num certo momento a colaborar com Chris Rock, um velho colega do stand-up, tanto na TV quanto nas telonas. Antes mesmo de procurar a série, tentei saber e aprofundar meus inexistentes conhecimentos sobre essa personalidade. No final do ano retrasado, achei no Netflix um episódio de stand-up excentricamente engraçado de cinquenta minutos gravado em 2012 ao vivo estrelado por Louis, e a partir dali, tive uma breve, mas não completa, noção da capacidade daquele cara. Só por introduzir-me a um pequeno conteúdo de sua vasta carreira, pude notar a presença de algo bem mais além do que minhas expectativas desenharam. Inacreditavelmente iniciei em um dia e terminei no outro a terceira temporada de Louie, sua magnum opus. Fiquei estonteado com a preciosidade daquele material pelos já amplificados treze episódios ali presentes. 

Basicamente, dedico minha empolgação ao competente elenco, incluindo, como já mencionei, Louis C.K., Melissa Leo (numa participação surpresa, avassaladora e bem inusual no episódio Telling Jokes/Set Up da 3ª temporada), Susan Kelechi Watson, Edward Gelbinovich, Sarah Silverman e Nick DiPaolo. No entanto, também merecem aparecer aqui por suas curtas performances: David Lynch, F. Murray Abraham, Amy Poehler, Chris Rock, Robin Williams (para evitar spoiler, há um diálogo realmente impressionante e irônico entre Robin e Louie que me emocionou bastante), Jay Leno e Jerry Seinfeld. 

A quarta temporada requer mais ênfase devido a um capítulo (o mais longo) dividido em seis episódios, que garantem boas risadas igualmente, apesar de boa parte de seu tempo ter me deixado bem vulnerável ao sentimentalismo. Se assistidos sem pausa, dão uma sensação extraordinária de longa-metragem (agradecimentos à direção e ao roteiro de C.K. nesses seis episódios e à edição conduzida pelo mesmo). Nesta quarta temporada, a série parece bem mais fora do controle daquilo que a série já identificava-se: um sentido irreal guiado pelo humor negro. Menção honrosa aos episódios: "Model", "So Did the Fat Lady" e "Back", à parte do já comentado longo segmento "Elevator".

Enfim, aqui encerro essa resenha a partir do seriado Louie: digno de aplausos por ser uma comédia de tal modo singular esplêndida, coisa rara hoje em dia a se ver logo na televisão. Enquanto isso, aguardo a chegada da tão esperada (e demorada) quinta temporada, re-assistindo as poucas e boas que esse incomparável "herói" passa por.

3ª TEMPORADA - 
4ª TEMPORADA - 


MELHOR EPISÓDIO (3ª Temporada): Telling Jokes/Set Up
MELHOR EPISÓDIO (4ª Temporada): Elevator (todas as partes) 

domingo, 15 de março de 2015

Crítica: "O ANO MAIS VIOLENTO" (2014) - ★★★★


J.C. Chandor quer se tornar um diretor universal. Quer ser aquele que consegue conduzir qualquer estilo de história, sob qualquer ângulo, usufruir dos mais diferentes métodos. E, posso até arriscar, se ele continuar assim, terá sucesso. Chandor, logo no primeiro longa, já tinha ganhado um enorme conceito cinematográfico, como diretor quanto roteirista, já que faturou uma merecida indicação ao Oscar na categoria de Roteiro Original por Margin Call; Neste longa, um fortíssimo drama de pontos altos, Chandor explora de maneira contundente essa memorável jornada de intrigas e desencontros, adquirindo uma vantajosa maturidade que daqui pra frente só tenderá a consagrá-lo.

O Ano Mais Violento soa familiar por lembrar em partes Margin Call, mas pode-se denotar que o ritmo da trama é super diferente do já citado filme de 2011. O novo trabalho de Chandor encarna com elegância e fragilidade um ano nem tão longe assim da atualidade: 1981, um ano extremamente conhecido por ter sido o pior de toda a história da cidade de Nova York. Assaltos, estupros, sequestros, assassinatos, tráfico de drogas, etc... 

Nesse mesmo tempo, um casal, Anna e Abel Morales, tentando crescer economicamente no ramo do petróleo, encontra-se numa situação conflituosa, quando os caminhões da empresa que transportam combustível são frequentemente roubados, o que leva a eles crer que estão sendo traídos por empresas parceiras. E a partir desses pequenos conflitos criminais e éticos, novas questões invadem o jogo e o filme começa a criar uma perversa e singular trama costurada no ritmo em que seus personagens evoluem e retrocedem nas suas planificações que regem vingança e poder. Entre outras: O Ano Mais Violento é um filme pra lá de "foda". Mesmo que seus segmentos de ação (cujos eu achei um pouco fracos) sejam bem contrários ao espirituoso clima que a trama traz, O Ano Mais Violento cria momentos que deixam o espectador arrepiado e extasiado.

O elenco, é claro, é responsável pela maioria dos elogios. Oscar Isaac atua impecável, sério, monumental, rígido e impávido, o que cada vez mais chama nossa atenção, deixando em segundo plano aquela que deveria escancarar, lógico, Jessica Chaisten, que vem me encantando desde seu lindíssimo desempenho em A Árvore da Vida. Mas, confesso, só foi mesmo depois de A Hora Mais Escura que a bela ruiva, aqui sensualmente loira, me deixou à beirinha da poltrona. De uma caracterização mais leve, suave, mas impressiva, como Anna Morales, atroz e ousada esposa de Abel, Chaisten poderia ter se destacado ainda mais, na minha opinião, para a força de seu talento. E vale lembrar que ainda não perdoei o fato dela ter sido deixada de fora da corrida do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante sendo substituída por Laura Dern em um papel bem menos retrativo do que este.

Falando em retrato, a direção de arte e o figurino são extremamente belos. Incrível também terem sido excluídos das categorias técnicas da premiação que tanto valoriza filmes ruins por suas poucas qualidades técnicas, citando o penúltimo vencedor das categorias discutidas O Grande Gatsby, logo aqui deixando de fora um filme por sua vez bom com todas e mais qualidades técnicas à altura das indicações. Enfim, desapontamentos à parte, O Ano Mais Violento tem um extremo cuidado com estes elementos técnicos, tanto que o próprio cenário bem valoriza a visão nova-iorquina do passado. Em uma cena, as torres gêmeas ainda podem ser vistas, o que achei espetacular. A edição também é de matar. Você, adorador(a) de épicos, adorador(a) de Jessica Chaisten, adorador(a) de Oscar Isaac, recomendo-vos o brilhante O Ano Mais Violento. 

O Ano Mais Violento (A Most Violent Year)
dir. J.C. Chandor - 

sábado, 14 de março de 2015

AS 100 MELHORES PERFORMANCES DE TODOS OS TEMPOS


Esta lista, As 100 Melhores Performances de Todos os Tempos, poderá sofrer alterações com o passar do tempo, aviso. Pensando no acaso, essa lista me veio à cabeça, quase que por ironia, justo quando lia um artigo em inglês sobre as listas da AFI (American Film Institute), dos 100 Anos da associação. Não vou mentir: foi difícil organizar as 100 melhores performances. Mas no final, até que o esforço serviu de algo para qualificar e comparar as melhores atuações dos últimos tempos, incluindo desde recentes até as mais primitivas. Posso ter deixado algumas de fora. Caso alguém queira dar uma sugestão, é só pôr no comentário.

100. Adam Sandler - Embriagado de Amor
99. Kate Winslet - Foi Apenas um Sonho
98. Keira Knightley - Orgulho e Preconceito
97. Judi Dench - Notas sobre um Escândalo
96. Barbra Streisand - Alô, Dolly
95. Hillary Swank - Menina de Ouro
94. Sidney Poitier - Ao Mestre, Com Carinho
93. Jack Nicholson - Melhor é Impossível
92. Ralph Fiennes - O Grande Hotel Budapeste
91. Uma Thurman - Pulp Fiction - Tempos de Violência
90. Penélope Cruz - Vicky Cristina Barcelona


89. Kate Winslet - Titanic
88. Frances McDormand - Fargo
87. Michael Keaton - Birdman ou (A Insperada Virtude da Ignorância)
86. Imelda Staunton - O Segredo de Vera Drake
85. Woody Allen - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
84. Spencer Tracy - A Mulher do Dia
83. Juliette Binoche - O Paciente Inglês
82. Daniel Day-Lewis - Lincoln
81. Bill Murray - Encontros e Desencontros
80. Jack Nicholson - O Iluminado


79. Janet Leigh - Psicose
78. Jack Nicholson - Chinatown
77. Jean Dujardin - O Artista
76. Lesley Manville - Mais um Ano
75. Reene Zellweger - Cold Mountain
74. Greta Garbo - Ninotchka
73. Jeanne Moreau - Jules e Jim
72. Kate Winslet - Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
71. Jim Carrey - Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
70. Robin Williams - Sociedade dos Poetas Mortos


69. Ralph Fiennes - A Lista de Schindler 
68. Leonardo DiCaprio - O Aviador
67. Kevin Spacey - Beleza Americana
66. Jack Lemmon - Quanto Mais Quente, Melhor
65. Kevin Kline - Um Peixe Chamado Wanda
64. Dustin Hoffman - Tootsie
63. Audrey Hepburn - Bonequinha de Luxo
62. Julie Delpy - Antes do Pôr-do-Sol
61. Daniel Day-Lewis - Sangue Negro
60. Jack Nicholson - Um Estranho no Ninho


59. Choi Min-sik - Oldboy
58. Meryl Streep - As Horas
57. Javier Bardem - Onde os Fracos Não Tem Vez
56. Mia Farrow - O Bebê de Rosemary
55. Malcolm McDowell - Laranja Mecânica
54. Nicole Kidman - As Horas
53. Penélope Cruz - Volver 
52. Samuel L. Jackson - Pulp Fiction - Tempos de Violência
51. Daniel Day-Lewis - Gangues de Nova York
50. Scarlett Johansson - Match Point - Ponto Final


49. Juliette Binoche - A Liberdade é Azul
48. Gene Kelly - Cantando na Chuva
47. Uma Thurman - Kill Bill - Volume 1 & 2
46. Liv Ullmann - Face a Face
45. Katherine Hepburn - Uma Aventura na África
44. Faye Dunaway - Chinatown
43. Johnny Depp - Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
42. Nicole Kidman - Moulin Rouge - Amor em Vermelho
41. Natalie Portman - Closer: Perto Demais
40. Diane Keaton - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa


39. Denzel Washington - Malcolm X
38. Katherine Hepburn - Núpcias de Escândalo
37. Marcello Mastroianni - Divórcio à Italiana
36. Liv Ullmann - Persona
35. Charlie Chaplin - Luzes da Cidade
34. James Stewart - Um Corpo que Cai
33. Harriet Andersson - Através de um Espelho
32. Emmanuelle Riva - Amor
31. Nicole Kidman - Dogville
30. Susan Sarandon - Thelma & Louise


29. Colin Firth - O Discurso do Rei
28. Al Pacino - O Poderoso Chefão - Parte II
27. Julie Andrews - A Noviça Rebelde
26. Marlon Brando - Último Tango em Paris
25. Marcello Mastroianni - Oito e Meio
24. Charlie Chaplin - O Grande Ditador
23. Cate Blanchett - Blue Jasmine
22. Mia Farrow - Rosa Púrpura do Cairo
21. Robert DeNiro - Taxi Driver
20. John Travolta - Pulp Fiction - Tempos de Violência


19. Audrey Hepburn - Minha Bela Dama
18. Jim Carrey - O Show de Truman
17. Fernanda Montenegro - Central do Brasil
16. Johnny Depp - Edward Mãos-de-Tesoura
15. Julie Andrews - Mary Poppins
14. Charlie Chaplin - Tempos Modernos
13. Shirley MacLaine - Se Meu Apartamento Falasse
12. Nicole Kidman - Os Outros
11. Ben Kingsley - Gandhi
10. Humphrey Bogart - Casablanca


9. Orson Welles - Cidadão Kane
8. Bill Murray - Feitiço do Tempo
7. Christoph Waltz - Bastardos Inglórios
6. Peter O'Toole - Lawrence da Arábia
5. Meryl Streep - A Escolha de Sophia
4. Marlon Brando - Sindicato de Ladrões
3. Natalie Portman - Cisne Negro
2. Gloria Swanson - Crepúsculo dos Deuses
1. Marlon Brando - O Poderoso Chefão