domingo, 31 de julho de 2016

Trailer + Poster: "SULLY"



Sully
dir. Clint Eastwood

OSCAR 2017: NOVAS APOSTAS



MELHOR FILME

Silence
The Birth of a Nation
Loving
Billy Lynn's Long Halftime Walk
Sully
Manchester by the Sea
Allied
Snowden
Jackie
Arrival

outros concorrentes fortes

Rules Don't Apply
Café Society
La La Land
Fences
Hicksaw Ridge
The Light Between Oceans
The Secret Scripture
Passengers
Snowden
American Pastoral
The Lost City of Z
Lion
Elle
The Founder

MELHOR DIRETOR

Martin Scorsese (Silence)
Jeff Nichols (Loving)
Ang Lee (Billy Lynn's Long Halftime Walk)
Clint Eastwood (Sully)
Nate Parker (The Birth of a Nation)

outros concorrentes fortes

Denis Villeneuve (Arrival)
Pablo Larraín (Jackie)
Mel Gibson (Hicksaw Ridge)
Paul Verhoeven (Elle)
Oliver Stone (Snowden)
Kenneth Branagh (Manchester by the Sea)
Damien Chazelle (La La Land)
Woody Allen (Café Society)
Morten Tyldum (Passengers)

MELHOR ATRIZ

Isabelle Huppert (Elle)
Ruth Negga (Loving)
Amy Adams (Arrival)
Natalie Portman (Jackie)
Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

outras concorrentes fortes

Marion Cotillard (Allied)
Jessica Chastain (Miss Sloane / The Zookeeper's Wife)
Viola Davis (Fences)
Tilda Swinton (A Bigger Splash)
Alicia Vikander (The Light Between Oceans)
Jennifer Lawrence (Passengers)
Rebecca Hall (Christine)
Emily Blunt (The Girl on the Train)

MELHOR ATOR

Nate Parker (The Birth of a Nation)
Joel Edgerton (Loving)
Tom Hanks (Sully)
Casey Affleck (Manchester by the Sea)
Ethan Hawke (Born to be Blue)

outros concorrentes fortes

Michael Fassbender (The Light Between Oceans)
Matthew McConaughey (Free State of Jones)
Michael Keaton (The Founder)
Brad Pitt (Allied)
Denzel Washington (Fences)
Andrew Garfield (Silence)
Jake Gyllenhaal (Nocturnal Animals)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Melissa Leo (Snowden)
Kristen Stewart (Billy Lynn's Long Halftime Walk)
Greta Gerwig (Jackie)
Michelle Williams (Manchester by the Sea)
Aja Naomi King (The Birth of a Nation)

outras concorrentes fortes

Rachel Weisz (The Light Between Oceans)
Laura Linney (Sully)
Parker Posey (Café Society)
Julianne Moore (Maggie's Plan)
Rooney Mara (Lion)
Carmen Ejogo (Born to be Blue)
Laura Dern (The Founder)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Liam Neeson (Silence)
Armie Hammer (The Birth of a Nation)
Steve Martin (Billy Lynn's Long Halftime Walk)
Aaron Eckhart (Sully)
Lucas Hedges (Manchester by the Sea)

outros concorrentes fortes

Adam Driver (Silence)
Hugh Grant (Florence Foster Jenkins)
Ralph Fiennes (A Bigger Splash)
Daniel Bruhl (The Zookeeper's Wife)
Steve Carell (Café Society)
Warren Beatty (Rules Don't Apply)
John Goodman (Rua Cloverfield, 10)

Crítica: "MEU REI" (2015) - ★★★★


Hoje é meu último dia de férias. Agora é definitivo. Amanhã é dia de voltar à mesma rotina de sempre, os mesmos horários, as mesmas tarefas... Mas não posso reclamar de nada. Até porque, como sempre foi, tenho uma porrada de filmes pra ver. E quando a gente termina de ver essa porrada de filmes, chega mais outra porrada de filmes, lançamentos, clássicos, recomendações, inéditos que a gente vai descobrindo na internet, e por aí vai. O número cresce a cada dia. Bem, vamos lá. Estou aqui para falar de Meu Rei, o mais novo filme da cineasta francesa Maïwenn (diretora de Políssia), que estreou ano passado em Cannes e lá levou o prêmio de Melhor Atriz, entregue a Emmanuelle Bercot, a protagonista do longa, que por sinal está impecável. 

Em Meu Rei, Bercot interpreta uma advogada chamada Tony, que se apaixona por Georgio, um charmoso e engraçado que logo se revela um completo cafajeste. O filme se divide em dois planos: o acidente de esqui sofrido por Tony e sua estadia num spa fisioterapêutico, e as lembranças de sua relação tempestuosa cheia de altos e baixos com Georgio. A forma com a qual o filme trata desse relacionamento, explorando-o minuciosamente e expondo as fraquezas e os desafios do casal, focando no ponto de vista da personagem Tony, abalada e sufocada pelos problemas conjugais e pela instabilidade da relação, é potente e interessantíssima.

As performances de Emmanuelle Bercot e Vincent Cassel (ambos estão excelentes, em especial a Bercot) intensificam a consistência do retrato que o filme se dispõe a mostrar do desgaste da relação de seus personagens com o passar do tempo, isso levando em conta que os dois estão primorosos. Não é exagero dizer que são dois dos atores mais competentes e talentosos do cinema francês na atualidade. Aliás, o Vincent Cassel, reconhecido internacionalmente, muita gente já sabe que é um ator fenomenal. A surpresa foi com a Emmanuelle Bercot, atriz pouco conhecida e que também é uma diretora excepcional (ela é quem dirigiu o magistral De Cabeça Erguida, que abriu o Festival de Cannes ano passado). A interpretação dela é, sem sombra de dúvidas, a melhor coisa de Meu Rei. Ela está absolutamente fantástica, uma das melhores atuações dos últimos anos. 

Emmanuelle transmite com perfeição ao espectador os anseios e as angústias de Tony, que passa por maus bocados nas mãos de Georgio, seu amor incondicional. Enquanto ela está sendo sufocada, pressionada, destruída emocionalmente e dolorosamente estraçalhada psicologicamente pelo seu relacionamento com o homem, ela também se sente confusa, perdida, descontrolada, porque ainda sente amor por aquele cara imprestável e que só a maltrata amorosamente. São sentimentos profundos, que ela não consegue esconder e que vai aos poucos a consumindo e desolando. 

O amor é uma coisa extremamente frágil, difícil de ser compreendida, capaz de nos botar nas situações mais inesperadas, de dor, de loucura, de prazer, de satisfação, de perdição. É algo incontrolável, insuperável. No mesmo nível que nos torna mais alegres e contentes, é capaz de nos derrubar e aniquilar. E o filme de Maïwenn exibe isso com uma perspicácia notável e habilidade. O amor é cego, bipolar, cruel, irresistível, um cafajeste. E fazer o quê quando a gente é surpreendido por esse sentimento tão indescritível e fatal? O amor prega peças, é capaz de fazer muitas coisas com o coração e a cabeça da gente.

Os momentos mais engraçados do filme são protagonizados pelo Vincent Cassel, que é ótimo com humor. Na companhia dele, a personagem da Bercot não para de rir por um minuto. E isso ajuda a gente a compreender o lado da Tony, o amor dela pelo cara, já que a gente se simpatiza com o homem e suas atitudes bobas e carinhosas de amor que tanto atraem a Tony. Ela carrega a relação nas costas, passa por poucas e boas, até que a certo ponto não consegue suportar mais os abusos do marido e decide largar tudo, mas depois se redime e retorna aos braços dele. Ele é o único que a faz feliz. E que também a magoa e entristece.

Em seu quarto longa-metragem como diretora, Maïwenn, também atriz, é caprichosa e talentosa, deixa a sua marca e exibe seu talento. Dirigido por ela, é o primeiro filme que vejo, se bem que ela também é bastante conhecida por Políssia, que também conta com a Bercot, e que ganhou o prestigiado Prêmio do Júri em Cannes em 2011. Eu lembro que vi o DVD desse filme faz uns dois anos no mercado e quase levei, mas bobeei e decidi não comprar. Enfim, Meu Rei é um dos melhores filmes do ano. É bem-feito, esmerado, profundo e maravilhosamente brilhante, um filme certamente bastante difícil de se esquecer. Destaque para o desempenho versátil de Emmanuelle Bercot e a direção firme e original de Maïwenn.

Meu Rei (Mon roi)
dir. Maïwenn - 

TOP 10, CANÇÕES EM FILMES


Bem, essas são algumas das minhas músicas favoritas em filmes.


10. Singin' in the Rain (Cantando na Chuva, 1952)
Música: Nacio Herb Brown
Letras: Arthur Freed


9. All That Jazz (Chicago, 2002)
Música: John Kander
Letras: Fred Ebb


8. I've Seen It All (Dançando no Escuro, 2000)
Música: Björk
Letras: Lars Von Trier, Sjón




7. I'm Through With Love (Todos Dizem Eu Te Amo, 1996 e Quanto Mais Quente Melhor, 1959)
Música e letras: Gus Kahn, Matty Malneck, Fud Livingston


6. Message Personnel (8 Mulheres, 2002)
Música e letras: Françoise Hardy, Michel Berger


5. Cucurrucucú Paloma (Fale com Ela, 2002)
Música e letras: Tomás Méndez


4. A Waltz For a Night (Antes do Pôr-do-Sol, 2004)
Música e letras: Julie Delpy


3. Goldfinger (007 Contra Goldfinger, 1964)
Música: John Barry
Letras: Leslie Bricusse, Anthony Newley


2. Llorando (Cidade dos Sonhos, 2001)
Música e letras: Roy Orbison, Joe Melson


1. Falling Slowly (Apenas uma Vez, 2006)
Música e letras: Glen Hansard, Markéta Irglová

sábado, 30 de julho de 2016

Trailer: "LA LA LAND" e "VOYAGE OF TIME"



La La Land
dir. Damien Chazelle

Ok, tá legal que ainda é só um teaser, mas, convenhamos, o teaser trailer de La La Land é fascinante. Emma Stone e Ryan Gosling vivem um casal neste novo projeto dirigido por Damien Chazelle, o cara que dirigiu o fenomenal Whiplash. Vale esperar, porque, aparentemente, La La Land é um filme que não vai decepcionar. Muito pelo contrário, Promete ser um filmão. Sem falar que é um musical!



Voyage of Time
dir. Terrence Malick

Terrence Malick retorna às telas nesse ano cheio de pretensão (no bom sentido) pra nos maravilhar e estontear com o documentário Voyage of Time, uma "superprodução" sobre o universo que leva as narrações de Brad Pitt, na versão de 40 minutos em IMAX, e de Cate Blanchett, na versão de 90 minutos em 35mm. É um filme bastante promissor, e esperado principalmente por aqueles que acompanham a admiram o trabalho de Terrence. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

FESTIVAL DE VENEZA 2016: SELEÇÃO OFICIAL


Malick, Villeneuve, Wenders, Ozon, Chazelle, Kusturica, Diaz... Esse ano muitos nomes importantes estão no Festival de Veneza. Ontem, foram anunciados os filmes selecionados para a 73ª Mostra Internacional de Arte Cinematográfica da Bienal de Veneza, que terá início dia 31 do mês que vem e terminará dia 10 de setembro. O filme La La Land abrirá o festival. 

O JÚRI

Sam Mendes, presidente
Laurie Anderson
Gemma Arterton
Giancarlo De Cataldo
Nina Hoss
Chiara Mastroianni
Joshua Oppenheimer
Lorenzo Vigas
Zhao Wei

EM COMPETIÇÃO

1. Arrival (dir. Denis Villeneuve)
2. The Bad Batch (dir. Ana Lily Amirpour)
3. The Beautiful Days of Aranjuez (dir. Wim Wenders)
4. Brimstone (dir. Martin Koolhoven)
5. The Distinguished Citizen (dir. Mariano Cohn & Gastón Duprat)
6. El Cristo Ciego (dir. Christopher Murray)
7. Frantz (dir. François Ozon)
8. Jackie (dir. Pablo Larraín)
9. La La Land (dir. Damien Chazelle)
10. The Light Between Oceans (dir. Derek Cianfrance)
11. Nocturnal Animals (dir. Tom Ford)
12. On the Milky Road (dir. Emir Kusturica)
13. Paradise (dir. Andrei Konchalovsky)
14. Piuma (dir. Roan Johnson)
15. Questi Giorni (dir. Giuseppe Piccioni)
16. Spira Mirabilis (dir. Massimo D'Anolfi & Martina Parenti)
17. The Untamed (dir. Amat Escalante)
18. Voyage of Time (dir. Terrence Malick)
19. The Woman Who Left (dir. Lav Diaz)
20. A Woman's Life (dir. Stéphane Brizé)

FORA DE COMPETIÇÃO

1. The Age of Shadows (dir. Kim Jee-woon)
2. American Anarchist (dir. Charlie Siskel)
3. Assault to the Sky (dir. Francesco Munzi)
4. Austerlitz (dir. Sergei Loznitsa)
5. The Bleeder (dir. Phillipe Falardeau)
6. Gantz: O (dir. Yasushi Kawamura)
7. Hacksaw Ridge (dir. Mel Gibson)
8. I Called Him Morgan (dir. Kasper Collin)
9. The Journey (dir. Nick Hamm)
10. À jamais (dir. Benoît Jacquot)
11. The Magnificent Seven (dir. Antoine Fuqua)
12. Monte (dir. Amir Naderi)
13. One More Time With Feeling (dir. Andrew Dominik)
14. Our War (dir. Bruno Chiaravalloti, Claudio Jampaglia, Benedetta Argentieri)
15. Planetarium (dir. Rebecca Zlotowski)
16. Safari (dir. Ulrich Seidl)
17. Tommaso (dir. Kim Rossi Stuart)
18. The Young Pope (dir. Paolo Sorrentino)


Faltando mais ou menos um mês para o Festival de Veneza, a tão prestigiada Seleção Oficial é anunciada. Houve muitas surpresas, alguns filmes nem sequer eram esperados ou estavam cotados para o festival. O que temos em mãos é uma lista extraordinariamente apetitosa que traz filmes esperadíssimos e projetos inesperados que aumentam a nossa ansiedade e criam expectativas em torno do já tão badalado Festival de Veneza de 2016 e seus filmes.

É claro, as coisas estão tão imprevisíveis a ponto de ser totalmente incerto dar um palpite a qual filme dentre os selecionados na mostra Em Competição poderá levar o Leão de Ouro. O júri diversificado (uma escolha mista de profissionais, tanto do cinema quanto de outras artes, poderão levar a um resultado surpreendente), a variedade na seleção de filmes e a vasta gama de diretores celebrados que apresentaram seus filmes esse ano no festival. É bem improvável que, de tão longe, alguma aposta será certa em relação aos trabalhos selecionados.

Entre os destaques, estão o musical La La Land, de Damien Chazelle (diretor do sucesso indie Whiplash, vencedor de 3 Oscars ano passado), cujo trailer, de elegância e beleza refinadas, foi muito bem recebido. Voyage of Time, do mestre Terrence Malick, promete ser bombástico (talvez seja o mais esperado filme do festival). Arrival, de Denis Villeneuve, cheira a sucesso.

Jackie, o primeiro filme falado em inglês do cineasta chileno Pablo Larraín (que dirigiu No, com Gael García Bernal, o 1º filme chileno a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013), estrelando Natalie Portman, estava cotado para estrear ano que vem, foi adiantado para esse ano e já reservou seu lugar em Veneza. The Light Between Oceans, de Derek Cianfrance, é outro filme bastante chamativo, principalmente pelo elenco, que traz Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, entre outros.

The Woman Who Left, dirigido pelo filipino Lav Diaz, o mesmo de Norte, o fim da História (que, aliás, já passou pelo Festival de Berlim no início do ano com A Lullaby to the Sorrowful Mystery, de oito horas de duração -- a marca registrada dos filmes de Lav é a longa duração, e só para se ter uma noção, o longa mais curto que Lav já dirigiu tinha 4 horas e poucos minutos), não estava sendo aguardado, mas merece destaque, até porque o nome de Lav Diaz tornou-se um dos mais queridos e prestigiados do cinema contemporâneo de alguns anos pra cá.

Wim Wenders apresentará seu The Beautiful Days of Aranjuez, que outrora estava sendo cotado para estrear em Cannes. Tom Ford retorna ao festival com Nocturnal Animals. Em 2009, Direito de Amar estreou no festival. Ana Lily Amirpour, diretora de um dos maiores sucessos atuais do cinema iraniano Garota Sombria Caminha pela Noite, traz The Bad Batch, seu novo filme com Jim Carrey e Keanu Reeves no elenco.

Entre os filmes fora de competição, destacam-se Hicksaw Ridge, quinto filme de Mel Gibson na direção, com Andrew Garfield, uma das estreias mais aguardadas do ano; The Bleeder, de Phillipe Falardeau, diretor de O Que Traz Boas Novas?, filme canadense indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro; The Magnificent Seven, dirigido por Antoine Fuqua, refilmagem do clássico Os Sete Samurais, de Kurasawa, Planetarium, da cineasta francesa Rebecca Zlotowski, e com Natalie Portman no papel principal; One More Time With Feeling, do aclamado diretor Andrew Dominik; e The Young Pope, dirigido pelo renomado Paolo Sorrentino, um dos maiores nomes do cinema italiano recente, com Jude Law, Diane Keaton, James Cromwell, Ludivine Sagnier, Cécile de France, Javier Cámara, entre outros (no caso, eu acho que será uma versão reduzida, já que originalmente The Young Pope foi planejado como minissérie, com 8 episódios de 50 minutos cada, produzida pela HBO). 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Crítica: "FOGO NO MAR" (2016) - ★★★★


Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano, o documentário italiano Fogo no Mar, o quinto do documentarista italiano Gianfranco Rosi, que também já ganhou o Leão de Ouro em Veneza há três anos por Sacro GRA, chegou nos cinemas nacionais bem antecipado. Pegou muita gente de surpresa, já que não é muito comum vermos tamanha consideração por parte de distribuidoras nacionais com produções independentes ou estrangeiras, o que já é um avanço. Há quem diga que a vitória de Fogo no Mar em Berlim esse ano tenha sido inesperada, mas compreensível. 

Ao explorar questões políticas e sociais de repercussão internacional através de uma brilhante abordagem objetiva, bem como (centralmente) a migração dos africanos para o continente europeu, Fogo no Mar acumula pontos. Aliás, curiosamente, trata-se de um trabalho bastante imprevisível, de caráter anti-convencional, fugindo de padrões e de clichês "esperáveis" de um documentário sobre a crise dos migrantes na Europa (se bem que eu não vi nenhum outro filme do Gianfranco antes), o que é bastante arriscado até para um documentário, que corria riscos de cair na incoerência ou se perder na temática. 

É um filme de sequências imponderáveis, de proporções inesperadas, o que intensifica e amplifica o impacto, a reação do espectador e, consequentemente, o interesse e a comoção pelo material mostrado. Gianfranco Rosi prova com Fogo no Mar o poder e a simplicidade de seu cinema documental. 

Ele investiga cuidadosamente a migração na Ilha de Lampedusa, o "portal" de entrada dos migrantes para a Europa. Lá, os índices migratórios batem recordes. Não me lembro ao certo, mas há um número gigantesco de pessoas que migram rumo ao continente europeu por Lampedusa, e um número igualmente chocante de pessoas que morrem tentando migrar (no começo do filme, há uma pequena introdução-resumo sobre a migração em Lampedusa).

O documentário vai alternando entre cenas caóticas e angustiantes dos bastidores da migração e o cotidiano de um pré-adolescente italiano na ilha e seus moradores, com suas vidas pacatas e desaceleradas. A edição aleatória reforça a proposta de reinvenção documental. Carregado de uma importância tanto cinematográfica quanto política avassaladora, Fogo no Mar merece ser conferido por um bocado de motivos. Sua relevância e qualidade ímpares tornam-o um filme necessário, ainda mais em tempos turbulentos como esses.

É uma experiência eletrizante e ao mesmo tempo dolorosa para o espectador. A guerra, a falta de oportunidades, a miséria e a fome fazem com que vários arrisquem suas vidas buscando algo melhor. E poucos conseguem o que tanto sonham. É uma realidade dura e escassa, onde impera a injustiça. Algo tem que ser feito. Medidas devem ser tomadas. Será que ninguém vê o sofrimento dessas pessoas? Elas só estão tentando sobreviver. Elas não podem continuar se arriscando dessa forma. É simplesmente um absurdo.

Fogo no Mar (Fuocoammare)
dir. Gianfranco Rosi - 

terça-feira, 26 de julho de 2016

FESTIVAL DE TORONTO 2016: SELEÇÃO OFICIAL


GALA PRESENTATIONS

1. A Monster Calls (dir. Juan Antonio Bayona)
2. Arrival (dir. Denis Villeneuve)
3. Deepwater Horizon (dir. Peter Berg)
4. The Edge of Seventeen (dir. Kelly Fremon Craig), filme de encerramento
5. The Headhunter's Calling (dir. Mark Williams)
6. The Journey is the Destination (dir. Bronwen Hughes)
7. JT + The Tennessee Kids (dir. Jonathan Demme)
8. LBJ  (dir. Rob Reiner)
9. Lion (dir. Garth Davis)
10. Loving (dir. Jeff Nichols)
11. The Magnificent Seven (dir. Antoine Fuqua), filme de abertura
12. Planetarium (dir. Rebecca Zlotowski)
13. Queen of Katwe (dir. Mira Nair)
14. The Rolling Stones Olé Olé Olé!: A Trip Across Latin America (dir. Paul Dugdale)
15. The Secret Scripture (dir. Jim Sheridan)
16. Snowden (dir. Oliver Stone)
17. Strange Weather (dir. Katherine Dieckmann)
18. Their Finest (dir. Lone Scherfig)
19. A United Kingdom (dir. Amma Asante)

SPECIAL PRESENTATIONS

1. The Age of Shadows (dir. Kim Jee woon)
2. All I See Is You (dir. Marc Forster)
3. American Honey (dir. Andrea Arnold)
4. American Pastoral (dir. Ewan McGregor)
5. Asura: The City of Madness (dir. Kim Sung-soo)
6. Barakah Meets Barakah (dir. Mahmoud Sabbagh)
7. Barry (dir. Vikram Gandhi)
8. Birth of the Dragon (dir. George Nolfi)
9. The Birth of a Nation (dir. Nate Parker)
10. Bleed for This (dir. Ben Younger)
11. Blue Jay (dir. Alex Lehmann)
12. Brimstone (dir. Martin Koolhoven)
13. Brotherhood (dir. Noel Clarke)
14. Carrie Pilby (dir. Susan Johnson)
15. Catfight (dir. Onur Tukel)
16. City of Tiny Lights (dir. Pete Travis)
17. The Commune (dir. Thomas Vinterberg)
18. Daguerrotype (dir. Kiyoshi Kurosawa)
19. A Death in the Gunj (dir. Konkona Sensharma)
20. Denial (dir. Mick Jackson)
21. Elle (dir. Paul Verhoeven)
22. Frantz (dir. François Ozon)
23. The Handmaiden (dir. Park Chan-wook)
24. Harmonium (dir. Kôji Fukada)
25. I Am Not Madame Bovary (dir. Feng Xiaogang)
26. The Journey (dir. Nick Hamm)
27. King of the Dancehall (dir. Nick Cannon)
28. La La Land (dir. Damien Chazelle)
29. The Limehouse Golem (dir. Juan Carlos Medina)
30. Manchester by the Sea (dir. Kenneth Lonnergan)
31. Mascots (dir. Christopher Guest)
32. Maudie (dir. Aisling Walsh)
33. Neruda (dir. Pablo Larraín)
34. Nocturnal Animals (dir. Tom Ford)
35. The Oath (dir. Baltasar Kormákur)
36. Orphan (dir. Arnaud des Pallières)
37. Paris Can Wait (dir. Eleanor Coppola)
38. Paterson (dir. Jim Jarmusch)
39. The Salesman (dir. Asghar Farhadi)
40. Salt and Fire (dir. Werner Herzog)
41. Sing (dir. Garth Jennings)
42. Souvenir (dir. Bavo Defurne)
43. Things to Come (dir. Mia Hansen-Love)
44. Toni Erdmann (dir. Maren Ade)
45. Trespass Against Us (dir. Adam Smith)
46. Una (dir. Benedict Andrews)
47. Unless (dir. Alan Gilsenan)
48. The Wasted Times (dir. Cheng Er)

Crítica: "DREAMGIRLS: EM BUSCA DE UM SONHO" (2006) - ★★


Dreamgirls esbanja glamour e brilho, não economiza no luxo e nem na ambição. É um filme de proporções gigantescas e tecnicamente irretocável, mais ambicioso ainda. O 5º filme de Bill Condon como diretor, Dreamgirls, é um show de luzes, cores, vozes, gritos, danças, jazz e, é claro, ambição. Muita ambição. É tanta ambição que isso acaba virando seu pior problema. Dreamgirls está bem longe de ser um grande filme. Não se pode negar que é tecnicamente excepcional, mas nem se formos considerar todo o glamour e a perfeição técnica do filme ele consegue ficar minimamente bom. 

A primeira parte de Dreamgirls até consegue enganar e encantar, mas o sucesso dura pouco. Passam-se os minutos e o filme azeda, fica chato, insuportável. Assistir vira uma tortura. Chega a ser estranho o filme ter recebido tantos prêmios e tanta aclamação, sendo tão escabroso e de difícil digestão. Os pontos altos de Dreamgirls limitam-se a certas preciosidades como a performance louca, exagerada e ainda sim extremamente marcante e excelente da talentosíssima Jennifer Hudson, e os mimos técnicos quase irresistíveis, ainda que percam o valor com o passar do filme, tornam a sessão minimamente interessante de se ver.

Em outros momentos, é lastimável. Dreamgirls é uma decepção. E olha que estamos falando de um musical dirigido pelo roteirista de Chicago, um autêntico exemplar do gênero pra lá de fenomenal e bom. Chances Dreamgirls tinha. Mas é muito, muito chato, desgastante, confuso, apelativo e exacerbado.

Beyoncé não sabe atuar. Nada justifica os elogios e os prêmios (inclusive 1 indicação ao Globo de Ouro, prêmio que competiu ao lado de grandes atrizes do naipe de Meryl Streep e Annette Bening) que a cantora pop recebeu pela performance meia-boca em Dreamgirls. De longe, é a mais fraquinha do elenco. A revelação Jennifer Hudson está potente. Aliás, eu nunca mais vi ela nos filmes. Sumiu. Eddie Murphy, que chegou bem perto de ganhar o Oscar (bem perto mesmo -- o ator até conquistou Globo de Ouro, SAG e Critics Choice, os "passaportes" para o Oscar), que perdeu para Alan Arkin. O Eddie está numa atuação boa, mas já esteve em melhores. Como o filme é muito chato, a esforçada performance dele fica sem brilho, retida, eclipsada pela má qualidade da produção.

Ficção (dizem que é vagamente baseado na carreira da Diana Ross), Dreamgirls relata a trajetória de um grupo de cantoras (as Dreamettes) a chegada da fama e os conflitos que surgem entre as cantoras. Francamente, o roteiro é uma bela duma porcaria, a direção é mediana, as canções são melosas e desagradáveis. E essa duração? Olha, não deu pra engolir. Obrigado pela fotografia charmosa, pelas coreografias chamativas e pela Jennifer Hudson. Fora isso, é difícil encontrar algum atrativo em Dreamgirls. É um fiasco!

Dreamgirls: Em Busca de um Sonho (Dreamgirls)
dir. Bill Condon - 

sábado, 23 de julho de 2016

Crítica: "É O AMOR" (2015) - ★★★★


Minhas férias esse ano passaram voando. Só tenho a semana que vem para aproveitar e descansar e depois voltarei à ativa. Não sei se conseguirei assistir tudo o que eu estava planejando ver em uma semana, mas, enfim, o bom é que ainda tenho um tempinho para relaxar antes de retornar à rotina. Sinto que não fiz absolutamente nada de novo nessas férias. Tive um tempo pra descansar e ver alguns filmes que queria, mas eu sinto que passou muito rápido. Não queria que fosse desse jeito, tão passageiro e fugaz. Mas, como sempre, a vida continua, e lamentar o tempo perdido não adianta em nada. Bem, foi ontem à noite que me deparei com esse trabalho peculiar, embora fascinante, do pouco conhecido cineasta francês Paul Vecchiali. Aliás, É O Amor é o 1º filme de Paul que vejo. Confesso que achei um filme interessantíssimo e com uma trama fértil e deliciosamente sensacional. 

O filme trata de sentimentos, de personagens com problemas amorosos bem como o medo, a insatisfação, o desejo e a peculiaridade que habita em cada um deles. É um filme intrigante, de percepção aguçada, olhar próprio e distinto. O cinema de Paul Vecchiali é sui generis, inédito, e ao mesmo tempo estratégico e complexo. Uma coisa é certa: Vecchiali merece atenção e respeito. É O Amor é repleto de cenas absurdamente marcantes e originais. O elenco é talentosíssimo, cada performance digna de nota. É O Amor é um filme basicamente essencial à sua maneira. Esquecê-lo ou simplesmente ignorá-lo seria quase um crime. 

O filme começa com uma sequência aparentemente trivial, um diálogo entre um homem e sua esposa que estão em crise. A discussão que os dois mantém logo vai se intensificando mas não de maneira agressiva ou espalhafatosa, e sim num diálogo de ritmo constante, invariável. Quase não se nota alteração na voz dos atores, mesmo quando a mulher diz ao marido que desconfia que ele a esteja traindo, como se ambos já tivessem passado por aquele momento, repetidamente e várias vezes. Ela diz que começará a trai-lo com outro homem, e sua reação é imutável. Um diálogo bastante esquisito e inerente, pra ser franco.

Comédia romântica? Comédia dramática? É difícil encaixar É O Amor em um gênero. O que por si só já explica o motivo deste ser um filme tão exótico, inusual, único. Por mais incrível que pareça, é um filme bastante cativante e por vezes engraçado. Tem até um segmento musical, vejam só, que acaba sendo uma das melhores cenas do filme (a mãe boêmia de Odile relembrando os velhos tempos como cantora de cabaré e suas aventuras amorosas). 

O título do filme já diz tudo. O amor nos consome, nos alegra e nos entristece, nos machuca e nos salva, brinca com o nosso coração, mexe com a nossa cabeça, bagunça os sentimentos e a nossa vida. É o amor. O amor faz tudo isso com a gente e muito mais. É O Amor explora esse lado selvagem e incontrolável do amor, de bagunçar com a nossa vida e abalar as nossas certezas. Não chega a ser romântico. É sobre amor, afeto, sentimento, o quem nem sempre chega a ser romântico. 

Uma experiência única é assistir a É O Amor. Um filme diferente, notório, peculiar, e que transmite um estranho misto de curiosidade e surpresa em quem vê. Inesperado, digamos, mas agradável e fantástico. Um exemplar autêntico de cinema de qualidade. Paul Vecchiali também dirigiu Noites Brancas no Píer, que chegou aos cinemas ano passado no Brasil. Ainda não vi, mas pelo que disseram na época do lançamento parece ser um filmaço.

É O Amor (C'est l'amour)
dir. Paul Vecchiali - 

Cinema em Foco: 25 Doses de Roger Deakins


(para melhor apreciação e visualização, clicar nas imagens para aumentar o tamanho)

Bravura Indômita (2010)

007 - Operação Skyfall (2012)

Fargo (1996)

Ave, César! (2016)

Ave, César! (2016)

Fargo (1996)

O Homem Que Não Estava Lá (2001)

Onde os Fracos Não Tem Vez (2007)

E Aí, Meu Irmão, Cadê Você (2000)

007 - Operação Skyfall (2012)

Onde os Fracos Não Tem Vez (2007)

Um Sonho de Liberdade (1994)

Sicario (2015)

007 - Operação Skyfall (2012)

007 - Operação Skyfall (2012)

007 - Operação Skyfall (2012)

Os Suspeitos (2013)

Os Suspeitos (2013)

Bravura Indômita (2010)

Invencível (2014)

A Vila (2004)

007 - Operação Skyfall (2012)

Kundun (1997)

O Grande Lebowski (1998)

Onde os Fracos Não Tem Vez (2008)

top 10

1. 007 - Operação Skyfall (2012)
2. O Homem Que Não Estava Lá (2001)
3. Onde os Fracos Não Tem Vez (2007)
4. Sicario (2015)
5. Bravura Indômita (2010)
6. O Leitor (2008)
7. Os Suspeitos (2013)
8. E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (2000)
9. Foi Apenas um Sonho (2008)
10. O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (2007)

Adeus, GARRY MARSHALL (1934 - 2016)


Faleceu na última terça-feira (19) aos 81 anos o cineasta Garry Marshall, diretor de filmes como Uma Linda Melhor, O Diário da Princesa, Um Salto para a Felicidade e outros, além de ter sido bastante aclamado e celebrado na TV, área em que começou a sua carreira como roteirista há mais de meio século. Garry tinha sido internado por conta de uma pneumonia e seu estado agravou-se. 

Antes de se estabelecer como diretor de cinema na década de 90, Garry tinha trabalhado como roteirista, ator e diretor de diversos programas na televisão americana. Estão entre seus créditos de roteirista os títulos Fuzileiro das Arábias, The Lucy Show, The Dick Van Dyke Show, O Jogo Perigoso do Amor, The Odd Couple, Angie, Mork & Mindy (estrelando Robin Williams, quando o ator ainda não trabalhava com cinema), Happy Days entre outros seriados de sucesso. Não é por acaso que foi indicado por cinco vezes ao prestigiado Emmy, considerada a honraria maior da TV norte-americana. 

Sua estreia no cinema deu-se em 1982, com o filme Médicos Loucos e Apaixonados (com Sean Young e Michael McKean). Veio a dirigir, anos depois, Amigas para Sempre, considerada uma das produções mais populares e queridas pelo público americano dos anos 80, e que inclusive recebeu 1 indicação ao Oscar na categoria Direção de Arte. Em 1990, veio o sucesso com Uma Linda Mulher, considerada sua obra-prima por muitos. O filme rendeu a Julia Roberts reconhecimento internacional e a primeira indicação da atriz ao Oscar, e uma vitória no Globo de Ouro. 

E não foi só Julia Roberts que teve o privilégio de ser revelada por ele. Em 2000, Garry deu fama à Anne Hathaway em O Diário da Princesa, o 1º longa-metragem da cultuada intérprete, e sucesso de bilheteria. O último filme de Garry foi O Maior Amor do Mundo, lançado em maio desse ano. Descanse em paz, Garry Marshall!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

3 COMÉDIAS + 1 DOCUMENTÁRIO + 1 FILME SOBRE CULINÁRIA


Roman Polanski: A Vida em Filmes (Roman Polanski: A Film Memoir)
dir. Laurent Bouzereau - 

Já havia sido feito, e recentemente, um documentário sobre o querido cineasta polonês Roman Polanski (Roman Polanski: Procurado e Desejado, de Marina Zenovich, ano: 2008). Este Roman Polanski: A Vida em Filmes, lançado um tempinho mais tarde, em 2011, se baseia numa premissa um pouco diferente da versão de 2008. Andrew Braunsberg, produtor (Muito Além do Jardim, O Inquilino) e grande amigo de Polanski, é recebido na casa do cineasta na Suíça, onde ele cumpriu pena depois de ter sido preso em 2009, e o documentário se instala numa conversa entre Polanski e Braunsberg sobre a trajetória e a carreira do diretor. Trata-se de um dos documentários mais interessantes que eu vi de uns tempos pra cá, se bem que eu não ando vendo muitos documentários ultimamente. Enfim, é certamente um filme fascinante e interessantíssimo. E, para fãs do Polanski como eu, Roman Polanski: A Vida em Filmes é obrigatório. Achei muito curioso quando o Andrew perguntou qual era o filme que o Polanski considerava ser o melhor dele e ele disse que era O Pianista, que, de fato, é um dos melhores trabalhos dele. Aliás, O Pianista, apesar de ser a biografia de Władysław Szpilman, tem um toque autobiográfico por parte do Polanski, que experienciou de perto o terror e a agonia durante a guerra. Durante o documentário, ele fica emocionando inúmeras vezes, ao lembrar da família, do pai, que foi para um campo de concentração quando ele ainda era criança e quem ele milagrosamente reencontrou anos depois (Polanski chega a relatar que, depois que o pai foi levado pelos nazistas, vivia confundindo outros homens com ele, na esperança de ele continuar vivo), da ex-esposa Sharon Tate, que foi brutalmente assassinada às vésperas de dar à luz pela "família Manson" em 1969. Polanski teve uma vida muito difícil. Surpreendentemente, a carreira dele começou no rádio, beirou o teatro, até que ele se firmou no cinema, como um figurante, depois fazendo curtas, até se tornar o grande diretor que é, dono de alguns dos melhores filmes já feitos, como Chinatown, A Faca na Água, O Pianista, Tess, O Bebê de Rosemary, Repulsa ao Sexo, entre outros. Visto na Netflix (17/07).


Julie & Julia
dir. Nora Ephron - 

Há quem diga que Nora Ephron era a versão feminina do Woody Allen. Aclamada pelo trabalho de roteirista (indicada 3 vezes ao Oscar de Melhor Roteiro Original por Silkwood, Harry & Sally e Sintonia de Amor, não tendo vencido nenhuma vez, injustamente e infelizmente), e mais tarde celebrada como diretora (Sintonia de AmorMens@gem pra Você e Bilhete Premiado estão entre os filmes que Nora assina como diretora/roteirista), Nora nos deixou cedo demais, há quatro anos. Muito triste. Julie & Julia foi o último trabalho da talentosa Nora tanto como diretora e roteirista. Não é a obra-prima dela, mas é um filme encantador. Eu diria que é quase como um feel-good, daqueles de adoçar o nosso imaginário e dançar valsa com nossas emoções. A irretocável Meryl Streep entrega uma performance deliciosa, apaixonante, brilhante, no ponto, tudo o que se espera de uma atuação dela: um espetáculo. Amy Adams, que de talentosa tem de sobra, também não está nada mal na pele de uma blogueira, Julie, que escreve sobre culinária e que idolatra a cozinheira Julia Child, sua musa e inspiração. O filme se equilibra em dois planos, o da Julie e o da Julia, duas mulheres se aventurando no mundo da culinária e compartilhando diversas coincidências e acasos, embora sejam separadas pelo tempo. O roteiro é fenomenal. Stanley Tucci e Chris Messina ganham espaço como coadjuvantes. Não dá pra reclamar de Julie & Julia. Visto em DVD (dia 24/06).


Para Maiores (Movie 43)
dir. vários - 

Ô filmezinho ruim da bexiga! Quer dizer, ruim é pouco. Para Maiores é uma porcaria de filmes. Simplesmente um lixo. Entraria fácil numa lista de "piores filmes já feitos". É aquele tipo de filme que só os idiotas gostam. Aliás, é uma ofensa ao paladar fílmico das pessoas idiotas dizer que esse é o tipo de filme que lhes agrada. Para Maiores é um filme baixo, muito baixo. Quase odiável. A reunião de um elenco realmente invejável (Naomi Watts, Kate Winslet, Hugh Jackman, Emma Stone, Halle Barry, Liev Schreiber, Anna Faris, Chris Pratt, Richard Gere, Jack McBrayer, Uma Thurman, Katrina Bowden, Bobby Cannavale, Chloë Grace Moretz, Gerard Butler, Terrence Howard, Elizabeth Banks, e por aí vai). Na verdade, o filme é uma reunião de curtas (taí o porquê do elenco gigantesco) de diferentes diretores que os filmaram ao longo de um certo tempo para esse projeto. E, mesmo assim, isso não justifica a escolha dos atores, já que cada sequência é mais ridícula e menosprezível que a outra. Seria dinheiro? Pouco crível, já que o financiamento foi relativamente baixo (tá na cara porque ninguém quis produzir isso). Seria por entretenimento? Improvável, já que de divertido Para Maiores não tem é nada. Seria pela arte? Impossível. É vergonhoso e inútil. Dá vergonha de assistir a uma porcaria dessas. Repugnante, na mais franca das hipóteses. Visto na Netflix (16/07).


O Amor Custa Caro (Intolerable Cruelty)
dir. Joel Coen, Ethan Coen - ★★★

Os irmãos Coen são gênios. Apesar de estar longe de estar entre os melhores filmes da dupla, Amor a Todo Custo é um exemplar veemente de competência e vigor dessa incansável dupla que de filmes bons tem a filmografia lotada. George Clooney vive um advogado que come na mão de uma mulher manipuladora caçando o marido "ideal". É um de seus trabalhos mais divertidos e tenazes. Os desempenhos de Catherine Zeta-Jones e George Clooney são imperdíveis. Mesmo sendo um filme mais incomum , não deixa de ser caprichadíssimo, em especial a fotografia de Roger Deakins, sempre pulsante. O Amor Custa Caro fascina pela originalidade. Cativante, sem deixar de ser profundo. Leve, sem deixar de ser preciso. Engraçado, sem ser imaturo. Irônico, sem ser desrespeitoso. Mais uma vez, os Coen mostram que dominam o gênero comédia e são bons no que fazem. Não há razão para ser tão subestimado e ignorado. A crítica pisoteou e desperdiçou o filme. Uma pena, pois é excelente, e merecia ter um reconhecimento à altura. Visto na internet (24/06).


Procura-se um Amigo Para o Fim do Mundo (Seeking a Friend for the End of the World)
dir. Lorene Scafaria - ★★

Este eu estava devendo ver há um tempão. Na época em que o descobri, ano passado, fiquei extasiado quando soube que nele Steve Carell, um comediante que eu considero um cara fenomenal, e Keira Knightley, uma das atrizes mais bonitas e talentosas dos últimos anos, estavam contracenando. A história também é bastante curiosa. Um homem (Carell) é abandonado pela namorada, e pra completar o fim do mundo se aproxima. Ele e a vizinha (Knightley) decidem resolver alguns assuntos pendentes juntos, e partem em uma viagem bastante excêntrica enquanto um meteoro se aproxima da Terra. É um filme que tem seus pontos positivos mas que é extremamente maçante. A dupla Keira e Steve é sensacional. Inconvencional e ocioso, Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo tem seus momentos, mas é, na maior parte do tempo, desgastante e supérfluo. Visto na Netflix (11/06).