terça-feira, 21 de novembro de 2017

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2018 – OS INDICADOS


FILME

Me Chame pelo seu Nome
Corra!
The Florida Project
Lady Bird
The Rider

DIREÇÃO

Luca Guadagnino – Me Chame pelo seu Nome
Sean Baker – The Florida Project
Jonas Carpignano – A Ciambra
Jordan Peele – Corra!
Benny & Josh Safdie – Bom Comportamento
Chloé Zhao – The Rider

ATOR

Timothée Chalamet – Me Chame pelo seu Nome
Harris Dickinson – Beach Rats
James Franco – Artista do Desastre
Daniel Kaluuya – Corra!
Robert Pattinson – Bom Comportamento

ATRIZ

Salma Hayek – Beatriz at Dinner
Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime
Margot Robbie – I, Tonya
Saoirse Ronan – Lady Bird
Shinobu Terajima – Oh Lucy!
Regina Williams – Life and Nothing More

ATOR COADJUVANTE

Armie Hammer – Me Chame pelo seu Nome
Nnamdi Asomugha – Crown Heights
Barry Keoghan – The Killing of a Sacred Deer
Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime
Benny Safdie – Bom Comportamento

ATRIZ COADJUVANTE

Holly Hunter – Doentes de Amor
Allison Janney – I, Tonya
Laurie Metcalf – Lady Bird
Lois Smith – Marjorie Prime
Taliah Lennice Webster – Bom Comportamento

FILME INTERNACIONAL

Beats Per Minute (França)
Lady Macbeth (Reino Unido)
Loveless (Rússia)
Uma Mulher Fantástica (Chile)
I Am Not a Witch (Reino Unido)

ROTEIRO

Lady Bird
The Lovers
Três Anúncios para um Crime 
Corra!
Beatriz at Dinner

ROTEIRO DE ESTREIA

Donald Cried 
Doentes de Amor
Women Who Kill
Columbus
Ingrid Goes West

FILME DE ESTREIA

Ingrid Goes West
Columbus
Menashe
Patti Cake$
Oh Lucy!

DOCUMENTÁRIO

Visages Villages
Last Men in Aleppo
Motherland
The Quest
The Departure

FOTOGRAFIA

The Killing of a Sacred Deer
Columbus
Beach Rats
Call Me by Your Name
The Rider

EDIÇÃO

Bom Comportamento
Call Me by Your Name
The Rider
Corra!
I, Tonya

PRÊMIO JOHN CASSAVETES

Dayveon
A Ghost Story
Life and Nothing More
Most Beautiful Island
The Transfiguration

PRÊMIO ROBERT ALTMAN

Mudbound


Os indicados ao prestigiado Indie Spirit Awards foram anunciados. É sinal de que a awards season está só começando. E com ela surgem alguns favoritos, surpresas, esnobações. A corrida esse ano vai ser boa. 

Liderança de indicações, Me Chame pelo seu Nome – o grande hit cinematográfico de 2017 (talvez?) – parece ser até agora a aposta mais certeira para a temporada. Sai à frente em muitas categorias, principalmente na de filme. Surpresa ligada ao filme é a presença de Armie Hammer na categoria de ator coadjuvante (até então quem estava bastante cotado era Michael Stuhlbarg) mas vale lembrar que o Indie Spirits é um parâmetro parcial para os demais prêmios desta temporada, embora tenha um grande valor em apontar quais filmes poderão se repetir daqui pra frente. 

Corra!, filme que manteve seu pique lá em cima desde que despontou nas primeiras apostas, também parece ser um dos mais favoráveis concorrentes, saindo à frente com um bocado de indicações, especialmente nas categorias de filme, diretor e roteiro. Daniel Kaluuya, cuja atuação é das mais talentosas do ano, cresceu bastante nas apostas (já apareceu entre os indicados ao Gotham, pra lembrar) mas ainda permanece meio em off quanto a premiações maiores como o Oscar (o que não quer dizer que o ator não tenha chances). Precisamos acompanhar mais a temporada pra ver se isso se confirma. 

Bom Comportamento, outra pérola do ano, saiu à frente em cinco categorias, e infelizmente ficou de fora em melhor filme. Os irmãos Safdie podem levar Robert Pattinson ao Oscar? Só o tempo nos responderá. Surpresa nas categorias de atuação são Benny Safdie (que dirigiu o filme com seu irmão Josh e também foi indicado a edição) e Taliah Lennice Webster. 

Lady Bird, outro título cujo buzz aponta um favoritismo desmedido (o filme foi sucesso estrondoso de crítica) recebeu indicações em filme, atriz principal (Ronan), coadjuvante (Metcalf) e roteiro (Gerwig), categorias em que deverá receber várias indicações (e prêmios) nesta temporada. Surpreendentemente, Greta Gerwig ficou de fora de direção (estranho porque esse ano a categoria teve seis indicados). The Rider, filme que arrancou aplausos em Cannes, apareceu em 4 categorias, inclusive filme e direção para Chloé Zhoe. Ainda é uma incógnita para os próximos prêmios, mas é um destaque a ser acompanhado. Inclusive, na categoria de direção esse ano, rolou indicação também para A Ciambra, do italiano Jonas Carpignano (que foi o escolhido da Itália pra concorrer a uma vaga no Oscar).

Em filme internacional, à parte das 2 produções inglesas que figuram, o francês Beats Per Minute e o russo Loveless, sucessos em Cannes, podem fazer uma bela trilha ao Oscar. Ameaça para eles é Uma Mulher Fantástica, do chileno Sebastián Lelio, que está fortíssimo na corrida a todo vapor (estranhíssima ausência de Daniela Vega, cuja atuação conquistou muitos elogios e um certo buzz) pra fazer bonito no Oscar. Aliás, categoria de melhor atriz este ano está meio "hum" comparada à do ano passado, mas Ronan, Robbie e McDormand seguem firmes e fortes. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

BOM COMPORTAMENTO (2017)


Acho que nunca falei antes aqui no blog sobre a dupla Safdie, os irmãos Josh e Benny, nomes promissores do cinema independente americano. Ainda vamos ouvir falar muito sobre esses dois arteiros, até porque Bom Comportamento é um grande filme e que deverá ser bastante comentado e falado daqui pra frente, ainda que muita gente praticamente desconhecia a filmografia deles. Antes de começar a falar sobre esse aqui, vou recomendar rapidamente 2 filmes da dupla que eu tive a chance de conferir esse ano e que são bastante especiais (e isso vale pra quem quer uma introdução na filmografia dos diretores) que são Traga-me Alecrim e Amor, Drogas e Nova York, sem falar também em The Pleasure of Being Robbed

Agora, vamos ao filme. Que alucinação, hein? Quem já tinha visto Amor, Drogas e Nova York até podia esperar uma boa dose de loucura e uma vibe meio alucinógena, mas talvez essa seja a confirmação definitiva do cinema dos Safdie. Bom Comportamento acompanha, em uma única noite, a trajetória de um criminoso tentando livrar seu irmão deficiente da prisão, e para isso ele enfrenta vários perrengues, encontra os tipos mais bizarros e as situações mais inesperadas. Aliás, Robert Pattinson está em sua melhor atuação (acreditem, totalmente digna). 

As comparações a John Cassavetes surgem já nas semelhanças estéticas e narrativas, mas eu creio que existe também um certo laço espiritual entre os filmes dos Safdie e Cassavetes, muito no que diz respeito às histórias de uma jornada mundana, de personagens mundanos, não rotineiros, mas que pertencem ao mundo, que vivem pelo mundo e que podemos encontrar ao virar a esquina. Comparou-se também a Scorsese e Friedkin, de forma mais indireta, até pela construção do gênero aqui, fica muito evidente que existe uma trilha entre o indie e uma aspiração maior ao cinema americano.

Bom Comportamento coleciona uma série de momentos altos e memoráveis. O filme já começa imerso num nível desmedido de adrenalina quando Connie invade o consultório onde está seu irmão, um jovem rapaz com problemas psicológicos (vivido pelo próprio Benny Safdie), e decide tirá-lo dali nem que seja a força. É o ponto de partida para uma jornada entorpecente, onde somos colocados no banco da frente a mil por hora, enquanto a emoção pulsa firme nas veias. Pra se ter uma noção, só durante os créditos, há uma utilização fantástica da narrativa, e o que segue dali é o cinema da mais pura e verdadeira qualidade. 

Bem, não vou dizer muito. Acho que é um filme que fala por si mesmo. Só garanto que os Safdie estão confirmadíssimos nessa nova safra de grandes diretores do cinema independente e Bom Comportamento é o melhor filme deles até agora. Fiquei muito contente em poder assistir esse baita filmaço. Sobre a nossa constante busca por libertação, redenção, fuga, o constante desejo da alma de se livrar das amarras do destino. É a fuga, é o escapismo que alimenta nossa vontade de sentir a vida no seu limite, pois é unicamente nessa intensidade, nesse ritmo frenético, que podemos sentir o tempo. Essa vontade louca de fugir de tudo, de enfim achar a liberdade, onde quer que ela possa ser encontrada. And have a good time. 

Bom Comportamento (Good Time)
dir. Benny & Josh Safdie
★★★★½

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

LOVELESS (2017)


Minha lembrança de Leviatã (indicado ao Oscar em 2015) é muito boa. Era o primeiro filme que eu tinha visto do cineasta russo Andrey Zvyagintsev, e eu lembro ter gostado bastante. Não sei se posso dizer o mesmo do mais novo trabalho do diretor, Loveless, que em Cannes já saiu ganhando prêmios e agora já é aposta, novamente, ao Oscar, e todos os elogios da crítica que parecem celebrá-lo com um dos melhores do ano. Seria até compreensível, todo esse astral. Mas pra mim não fica tão claro. 

Andrey começa seu filme muito bem, uma fotografia inspirada (e uma frieza que parece já prever os decorrentes sombrios acontecimentos que permeiam a cinzenta tramoia do drama) e uma promessa de grande filme. Logo, todo esse universo meio nublado, gélido, penumbroso do filme cai numa artificialidade indigerível. As performances, de um elenco muito excelente, não conseguem reavivar a trama do filme quando esta já se encontra petrificada, congelada. As cenas de sexo são filmadas esculturalmente, os movimentos da câmera tão elaborados e bem coordenados, toda aquela mistura de técnica e cuidados mínimos com a manipulação da imagem congelam-se na frieza que o próprio filme personifica. 

Temos, em cena, um casal em divórcio (inclusive já com outros parceiros, e decididos a seguirem suas vidas separados) cujo único laço é um filho adolescente que eles tiveram, um jovem que vive a chorar sozinho em seu quarto enquanto brigas tempestuosas do casal ocorrem do outro lado da porta, ambos a mãe e o pai se cegam ao sofrimento do filho ao ver o relacionamento ruir. Do nada, o garoto desaparece. O pai acha que é apenas uma simples escapada, que o garoto estará de volta em 10 dias. Logo, o casal se vê preso a esse sumiço repentino e inexplicável do filho. Tudo vai culminar numa crise de culpa, angústia e perdição, em um casamento consumido pelas ruínas da individualidade. 

O filme tem uma premissa magnífica, assim por se dizer, mas em duas horas faz é pouco do que poderia ter feito em uma e meia e com doses bem menores do impacto que parece querer tanto nos causar, e quando ele chega (ou pelo menos é que o vemos) é tarde demais para as coisas enfim darem um passo à frente, como acontece no próprio casamento do casal protagonista. Chegou muito perto, mas infelizmente é um filme que perde a essência do seu próprio conflito à medida em que aspira causar um efeito que não está ali, confiando todas suas forças nesse efeito que não surte, logo menospreza toda uma camada de elementos que seriam muito caros à narrativa e ao desfecho dos personagens. O tratamento dramático tem momentos altos, mas o resultado fica um pouco abaixo do esperado. Não há como dizer se é um filme bom ou ruim, pelo menos pra mim é um filme que está exatamente no limite entre um e outro, sem ser completamente nenhum dos dois. 

Loveless
dir. Andrey Zvyagintsev
½

domingo, 12 de novembro de 2017

PERSONAL SHOPPER (2016)


Demorei a falar sobre o mais novo filme do cineasta francês Olivier Assayas, um dos maiores nomes do cinema contemporâneo mundial, esta preciosa obra que é Personal Shopper. Em Cannes, no ano passado, Assayas conquistou o merecidíssimo prêmio de melhor direção (mise-en-scène), conquista essa que foi bastante questionada até porque em 2016 a entrega dos prêmios do júri foi tida como controversa, vistas as inesperadas escolhas para filmes nem tão aclamados, e grandes filmes como Elle, Toni Erdmann, Aquarius, Julieta e Paterson saíram de mãos abanando. O caso de Personal Shopper é um filme justamente grande, que está entre os maiores destaques da edição (que foi, inclusive, uma das melhores em muitos anos no que diz respeito à seleção) mas que acabou sendo desprezado pelos críticos. É uma pena, pois trata-se sim de um filmaço, e com vários motivos para sê-lo.

Kristen Stewart interpreta a americana Maureen, a personal shopper de uma badalada celebridade, vivendo em Paris, que começa a ter estranhos contatos mediúnicos com seu falecido irmão gêmeo, que acaba surgindo para ela em diversos momentos, como se estivesse tentando dizer algo à irmã. A moça, que tem o poder de se comunicar com pessoas mortas, inicialmente parece estar assustada com esse seu dom, mas aos poucos ela vai passando a entender melhor os eventos que estão acontecendo ao seu redor. Stewart, que raras vezes esteve tão bem em cena, prova que é uma atriz de grandíssimo porte, e está incrível, hipnotizante, nesta que é a sua mais extraordinária atuação (e que é só uma previsão do que ela tem a nos mostrar daqui pra frente). E vale lembrar que essa não é a primeira vez que ela trabalha com o diretor do filme (em Acima das Nuvens, ela estava brilhante, ganhou vários prêmios e quase chegou ao Oscar, pra quem não se recorda). 

Assayas capricha na construção atmosférica do seu filme, temperada por uma tensão que torna os silêncios, ensurdecedores. Aliás, tensão é uma coisa muito bem administrada em diversas cenas do longa, mesmo sem se revelar prontamente, mas que está sempre ali, como se fosse o fio condutor desse ar sobrenatural do filme, como acontece na cena do trem, que deve ser uma das melhores do filme, onde a tensão concentra-se completamente na conversa entre Maureen e um "anônimo" no celular.

A personagem de Maureen em si é arquitetada com uma certa complexidade, mas ao mesmo tempo envolta no próprio espectro sombrio que tonaliza a trama. É como se fosse ela a entregue ao desfecho de uma trama cada vez mais vertiginosa. É muito curioso também quando o Assayas faz uma conexão entre o mundo dos fantasmas e a internet, talvez o filme seja mesmo sobre "coisas que não vemos mas que estão presentes", ou como a ausência pode ser uma maneira de estar presente, indiretamente, em algo, "a vida após a morte". 

Por mais que muitos apontem este como um exemplar do gênero horror (o que parece muito lógico até por conta da temática do filme e do apelo comercial que um filme estrelado por Kristen Stewart pode fomentar as distribuidoras) mas pra mim é mais um filme noir do que horror propriamente dito. Muito digno comparar Assayas a um certo cinema hitchcockiano principalmente na forma como o gênero é trabalhado nos moldes da trama que investiga. É um jogo de suspense, e cada cena tem um certo valor nisso, nessa propriedade do thriller. Por mais que muitos considerem o noir um gênero morto, existem filmes dispostos a trazê-lo de volta ao primeiro plano do cinema, onde esse gênero já esteve, nos seus idos tempos de ouro, e Assayas se empenha justamente em catalisar o noir numa história sobrenatural sobre passado, descobertas, ausências, medos e recomeços, com um clima mais moderno e atual, mas sem deixar a pegada sinistra que sempre foi o grande "quê" do gênero morrer (e todo o seu universo). É essa relação de trazer o passado ao presente, os mortos ao mundo dos vivos, que rege Personal Shopper

Personal Shopper
dir. Olivier Assayas
★★★★★

sábado, 11 de novembro de 2017

GIMME DANGER (2016)


Passou em branco este documentário de Jim Jarmusch sobre a famosa banda de rock The Stooges, Gimme Danger, pelo menos aqui no Brasil nem sequer tivemos a distribuição, e por isso tive que recorrer a meios alternativos pra conferir o tal filme. Trata-se de um documentário bastante razoável, possui uma estrutura bem convencional e típica, principalmente das produções americanas recentes, nem sei se é muito lógico ficar cobrando grandes coisas quando o documentário possui um ar bastante despretensioso e o que quer mesmo é trazer um pouco da memória da banda através de depoimentos espirituosos e um acervo no mínimo interessante, então explica-se, talvez, porque de terem optado por uma construção mais óbvia.

Vale ressaltar que o filme é basicamente a entrevista de Jarmusch a Iggy Pop, ícone do mundo do rock e líder da banda The Stooges, cuja carreira é traçada e recontada, também com foco nos demais integrantes do grupo, durante os anos 70, quando houve um estouro na produção da indústria midiática norte-americana, numa época marcada pela revolução cultural e grandes mudanças na sociedade do país. E o mundo da música também foi alvo de muitas descobertas e novas experimentações.

Eu, como conheço muito pouco do mundo do rock 'n roll (menos do que eu possa admitir) fiquei especialmente fascinado com a abordagem do documentário e principalmente as filmagens dos shows dos Stooges, e aquelas performances adoidadas e impressionantes do Iggy Pop, que se soltava (e como) no palco fazendo estripulias e impulsionando seu corpo em movimentos alucinantes. Por isso, quem gosta de rock, com certeza vai gostar bastante de Gimme Danger. É prato cheio pros admiradores do trabalho da banda e quem aprecia um bom trabalho de montagem documental. Este aqui é bem mais simples, bem à la Jarmusch, mas seu cuidado com o conteúdo, e o singelo carinho das entrevistas e do espírito selvagem e roqueiro do documentário em si, rendem elogios. 

Gimme Danger
dir. Jim Jarmusch
★★

LADY MACBETH (2016)


Os últimos dias foram um pouco turbulentos, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na nossa vida acaba fazendo com que a gente passe a dar mais atenção aos pequenos momentos de desfrute e prazeres simples entre outros sentimentos que na maioria das vezes nos fazem sentir muito mal em relação a nós mesmos, ainda mais quando estamos enfrentando uma situação delicada e que costuma exigir bastante da gente (sentimentalmente falando). É nessas horas que percebemos o quão importante é o cinema a ponto de, no mínimo, nos sentirmos gratificados por termos na arte um refúgio das agitações do dia-a-dia.

Eis que me surge este belo exemplar do cinema britânico, Lady Macbeth, de um cineasta de quem eu nunca tinha ouvido falar antes, William Oldroyd, e que já é um dos maiores destaques do ano. Muitas coisas me impressionaram em relação a este filme. A começar pela atuação de Florence Pugh, que está aí para ganhar muitos prêmios na awards season (bem próxima), que interpreta uma bela e jovem moça que se casa, a contragosto, com um homem bem-sucedido apenas por conta de seu renome, quando ele é, na verdade, vil e insolente. Os dois quase não se comunicam e não interagem entre si, o que acaba criando um inevitável distanciamento, até por conta das viagens frequentes dele. Numa dessas viagens, a moça acaba se relacionando com um capataz do marido, que acaba se tornando seu amante. Mas a história toma rumos inesperados, e várias pessoas acabam sendo afetadas pela relação da moça com o empregado, o que sucederá em mortes e intrigas.

É muito interessante observar esse trabalho com a influência de uma ótica Shakesperiana, é claro, de Macbeth, onde o personagem-título tem de matar várias pessoas influentes da nobreza para chegar ao trono e alcançar o poder, com a ajuda de sua infame esposa, a inescrupulosa Lady Macbeth, que o "encoraja" psicologicamente a cometer os assassinatos e até se infiltra em seus negócios para manipular o poder. Lady Macbeth apoia-se nesta mesma premissa, só que a personagem, ao invés de matar por poder, comete as mortes pelo amor entre ela e o empregado (isso pode soar romântico de primeira mão, mas a realidade é a mais anti-romântica e trágica que se pode imaginar).

É, sem dúvidas, um filme muito bem articulado e construído, destaque para o elenco estelar, com grandes performances de todos os lados (também é destaque Naomi Ackie, a empregada que acaba sofrendo pelos atos cometidos pela sua senhora) e uma narrativa extremamente meticulosa que parece ter o controle sobre cada pedacinho desta trama macabra. A fotografia também tem muitos momentos de ouro. Tecnicamente falando, é irreparável.

Oldroyd conduz seu filme com o mesmo tom trágico do começo ao fim, culminando todos os personagens a um destino trépido e insosso, costurando as tragédias pessoais de cada um ao nível quase coletivo, em que o deslize de um reflete na miséria do outro, e como cada ação acaba tendo uma reação, às vezes, bem mais forte e impactante no outro, como é o caso da relação entre quem está no poder e quem é comandando por este, a reação sempre recai ao último (e o desfecho deixa isso muito claro).

Execução primordial, com diversas sequências espetaculares e muito bem filmadas, Lady Macbeth não é filme para se perder.

Lady Macbeth
dir. William Oldroyd
★★★½

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Oscar de animação: os pré-concorrentes


A Academia divulgou a lista das 26 produções que foram submetidas à categoria de Melhor Animação do Oscar. 

The Big Bad Fox & Other Tales
Birdboy: The Forgotten Children
The Boss Baby
The Breadwinner
Captain Underpants The First Epic Movie
Cars 3
Cinderella the Cat
Coco
Despicable Me 3
The Emoji Movie
Ethel & Ernest
Ferdinand
The Girl without Hands
In This Corner of the World
The Lego Batman Movie
The Lego Ninjago Movie
Loving Vincent
Mary and the Witch’s Flower
Moomins and the Winter Wonderland
My Entire High School Sinking into the Sea
Napping Princess
A Silent Voice
Smurfs: The Lost Village
The Star
Sword Art Online: The Movie – Ordinal Scale
Window Horses The Poetic Persian Epiphany of Rosie Ming

minhas primeiríssimas apostas

1. Coco
2. The Breadwinner
3. The Lego Batman Movie
4. Mary and the Witch's Flower
5. Loving Vincent

os outros cinco

1. The Big Bad Fox and Other Tales
2. Ferdinand
3. The Baby Boss
4. My Entire High School Sinking into the Sea
5. Despicable Me 3

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Indicados ao European Film Awards 2017


melhor filme

BPM (Beats per Minute)
Loveless 
On Body and Soul
The Other Side of Hope
The Square

melhor diretor

Ildiko Enyedi – On Body and Soul
Aki Kaurismaki – The Other Side of Hope
Yorgos Lanthimos – The Killing of a Sacred Deer
Ruben Ostlund – The Square
Andrey Zvyagintsev – Loveless

melhor ator

Claes Bang – The Square
Colin Farrell – The Killing of a Sacred Deer
Josef Hader – Farewell to Europe
Nahuel Pérez Biscayart – BPM (Beats per Minute)
Jean-Louis Trintignant – Happy End

melhor atriz

Paula Beer – Frantz
Juliette Binoche – Bright Sunshine In
Alexandra Borbely – On Body and Soul
Isabelle Huppert – Happy End
Florence Pugh – Lady Macbeth

melhor roteiro

Ildiko Enyedi – On Body and Soul
Yorgos Lanthimos and Efthimis Filippou – The Killing of a Sacred Deer
Ruben Ostlund – The Square
Oleg Negin and Andrey Zvyagintsev – Loveless
François Ozon – Frantz

melhor documentário

Austerlitz
Communion
La Chana
Stranger in Paradise
The Good Postman

melhor filme de animação

Ethel & Ernest
Louise by the Shore
Loving Vincent
Zombillenium

melhor comédia 

King of The Belgians
The Square
Vincent and The End of The World
Welcome to Germany

impressões

European Film Awards – o Oscar do cinema europeu – já anunciou suas indicações para este ano. Com cinco indicações, The Square (vencedor da Palma de Ouro) desponta como um dos favoritos do prêmio. Surpresa ao ver o nome de Isabelle Huppert na categoria de melhor atriz pelo segundo ano consecutivo, desta vez por Happy End (que também garantiu a Jean-Louis Trintignant uma indicação em ator). Com a awards season chegando, me parece que Huppert e Trintignant ainda tem chances de entrar nas categorias de atuação. Juliette Binoche também está indicada, por Bright Sunshine In, da cineasta Claire Denis (e me parece que ela é quem vai ganhar). Na categoria, também temos Florence Pugh por Lady Macbeth, Paula Beer por Frantz e Alexandra Borbely por On Body and Soul. Estranha ausência de Diane Kruger, que estava tão cotada, na categoria. E – para lembrar – nas últimas cinco edições do prêmio pelo menos 1 indicada também apareceu no Oscar em melhor atriz. Este ano, as chances são fortes, eu diria pelo menos para Huppert/Pugh, de entrarem na lista. Binoche também despontaria, caso o filme tivesse uma distribuição decente.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

CRAZY HORSE (2011)


Meu primeiro filme de Frederick Wiseman. Que experiência! E pensar que eu só fui descobrir a filmografia do diretor agora, em pleno (quase) final de 2017, com essa maravilhosa, fascinante obra que é Crazy Horse. Um dos documentaristas mais aclamados, Wiseman, com mais de cinquenta anos de carreira, produziu muitos trabalhos independentes e infelizmente sua filmografia ainda é pouquíssimo conhecida e difundida, o que é uma lástima, porque ele está provando ser um dos mais ativos e íntegros cineastas do chamado gênero documental. Ativíssimo aos 87 anos, lançando em média um documentário por ano, Wiseman está aí para provar o que o cinema pode nos oferecer de melhor, com todas as suas possibilidades e experimentações.

O documental aqui pode ser chamado de cinema natural, tamanha é a naturalidade que transcorre pelo filme em suas duas horas, não necessariamente espontâneo, mas preciso e que se desenrola de maneira bastante expansiva. A ousadia aqui também é uma palavra que recorre – não por acaso, 90% do filme é composto de cenas de mulheres nuas dançando no Crazy Horse, uma badalada casa noturna de Paris, famosíssima e luxuosa, onde ocorrem apresentações de dançarinas que ousam com as mais criativas e inventivas performances. Essa exposição tão frontal da nudez pode até surpreender a quem não estiver esperando uma explosão de ousadia, mas é, por incrível que pareça, um elemento que acaba transcorrendo no filme da forma mais natural do mundo, a observação (e o ritmo) acabam gerando uma espécie de admiração, de contemplamento, não necessariamente erótico, mas sim visual, da nudez. 

É sobretudo a performance que dá o gostinho ao filme, que tempera ela. Essa obsessão, digamos, pela performance, por sua completude. Wiseman sabe filmar muito bem isso, com o olhar de poucos. Aliás, trata-se de um filme interessantíssimo principalmente pelo mecanismo com que trabalha esse olhar para a performance. É delicioso, instigante, curioso e ao mesmo tempo um espetáculo fascinante. As danças, as músicas, o ato de filmar a nudez como uma incógnita do desejo, uma performática alucinada que leva aos extremos da diversão, da expressão artística e da observação. 

Acho que não tem uma cena no filme que eu não goste, todas são imensamente interessantes e ricas, cada uma melhor que a outra. É como se cada pedacinho do filme fosse de extrema importância para a construção completa de uma obra-prima. Isso acontece da maneira mais deliciosa, sob as lentes de Wiseman, que filma toda aquela alegoria, aquele espetáculo vivo de cores e emoções, cintilantes e vigorosos, com uma expressividade magnífica. 

Crazy Horse
dir. Frederick Wiseman
★★★★★

domingo, 29 de outubro de 2017

THE MEYEROWITZ STORIES (2017)


Noah Baumbach está de volta, felizmente com um de seus trabalhos mais satisfatórios. The Meyerowitz Stories, filme que em Cannes esse ano se envolveu na polêmica da Netflix, ao lado de Okja na competição do festival por terem sido distribuídos (e produzidos) pela empresa de streaming. Foi um falatório geral, e nem o presidente do júri, Pedro Almodóvar, quis saber de "premiar filmes que não pudessem ser assistidos no cinema", o que causou a maior confusão, e por aí vai. Foi decidido que nenhum filme produzido para streaming seria exibido mais na mostra competitiva de Cannes, agora é regra. Pode ser frescura? Talvez. Fato é que ambos Okja e The Meyerowitz Stories são – até agora – os melhores filmes de Cannes 2017.

Baumbach está em seu habitual estado de sempre: as relações humanas, o estudo das personagens sempre inquietas e insatisfeitas, brigas de família, reconciliações, muitos diálogos. É também esse um dos filmes do diretor que mais lembra Woody Allen, não creio que essa comparação seja de todo ruim (como muita gente andou dizendo) mas há uma parcela de acertos aqui que lembram o melhor do cinema do nosso nova-iorquino.

A começar pelo elenco, incrível, liderado pela performance de um Adam Sandler irretocável, no seu melhor papel desde Embriagado de Amor, é verdade! Até dizem que ele pode ser indicado ao Oscar, e seria muito justo, aliás. Logo em seguida, Dustin Hoffman surpreende na pele de um pai artista que está passando por uma situação complicada com a aproximação dos filhos e as feridas do passado da família. Emma Thompson rouba a cena diversas vezes, com sua personagem meio perdida, quase uma doidinha. Ben Stiller está formidável. Elizabeth Marvel, apesar de aparecer pouco, tem seus momentos bons.

É um dos trabalhos mais humanos de Baumbach, essa exploração meio cômica de uma crise familiar e das relações entre pais e filhos, é até meio surpreendente que entre uma tonalidade dramática bem discretamente, mas que suaviza o retrato e até permite um olhar mais carinhoso para a história e os personagens. 

A já rotineira leveza dos diálogos, das discussões despretensiosas, dos pequenos detalhes que podem ser encontrados, é no retrato de uma família imperfeita recolhendo seus cacos, e aprendendo a superar os problemas e as mágoas. A fotografia está nos trinques: há cenas em que o azul é utilizado lindamente, não podia deixar passar. Baumbach capricha nesse filme que tem um gosto bem mais sentimental do que seus outros filmes, é nesse sentimento que a gente encontra um alento para o conflito que está sendo retratado. Pode-se até dizer que é um filme otimista, nesse sentido, esperançoso. 

The Meyerowitz Stories (New and Selected)
dir. Noah Baumbach
★★★★

O ORNITÓLOGO (2016)


Talvez seja um filme mais curioso do que propriamente explicativo. Cria mais perguntas do que respostas, e isso não é necessariamente um problema para o espectador, como se cada enigma devesse ser respondido ali na hora. O Ornitólogo surge como um dos filmes mais fascinantes do cinema português recente, é destaque também seu diretor, João Pedro Rodrigues, ao "traduzir" para os tempos atuais a história de Santo Antônio, com o ator Paul Hamy interpretando um cara que está numa floresta estudando pássaros e acaba atravessando várias desventuras no caminho, se encontrando com duas mulheres orientais "sinistras" que o aprisionam, e também um estranho ritual que acontece ali naquele lugar. Não é exatamente um filme bizarro de se assistir, mas sim curioso, de uma curiosidade bastante energética, como se isso fosse o motor da trama, criar um certo interesse do público naquelas situações tão desnorteantes.

Se o cinema pode ser um veículo para essa "atração" entre o que é mostrado e a quem está sendo mostrado, toda essa intervenção, toda a relação que existe nesse meio, é uma proporção muito conveniente de estabelecer fixações, de criar relações entre filme e público, e nesse quesito João Pedro Rodrigues cria uma obra quase que fundamental nessa síntese, na complexidade desse relacionamento e do que pode surgir dele.

Pasolini está presente aqui, acho que não é segredo pra quem conhece o trabalho do diretor, e isso só torna a reforçar essa ideia de que a imagem contém uma sensualidade escondida, basta o próprio espectador adentrar o filme e redescobrir isso. O Ornitólogo, aliás, pode até não ter uma trama. Personagens que se encontram, situações esquisitas, figuras ainda mais esquisitas, é como se isso fosse o alimento da trama, o personagem principal caindo nessas armadilhas do destino. 

A belíssima fotografia em scope não exatamente agrada por uma certa beleza, mas pelos ângulos inventivos, inusitados, pela captura das cenas, pelos enquadramentos ainda mais contundentes e alucinantes. Há, é claro, pitadas de comédia no meio de um suspense tão agridoce e ao mesmo tempo, desconhecido. Paul Hamy está fabuloso. A temática homossexual também entra aqui de uma maneira muito mais inesperada, para a surpresa e o deliciamento do espectador, com toques de sensualidade extremamente sólidos. A cena final, ao som de António Variações, é provavelmente a melhor sequência de encerramento do ano de 2016. 

tu estás livre e eu estou livre
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos

tu estás só e eu mais só estou
tu que tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta

vem que amor
não é o tempo
nem é o tempo
que o faz
vem que amor
é o momento
em que eu me dou
em que te dás

tu que buscas companhia
e eu que busco quem quiser
ser o fim desta energia
ser um corpo de prazer
ser o fim de mais um dia

tu continuas à espera
do melhor que já não vem
e a esperança foi encontrada
antes de ti por alguém
e eu sou melhor que nada

O Ornitólogo
dir. João Pedro Rodrigues
★★★★

sábado, 28 de outubro de 2017

O AMANTE DUPLO (2017)


Acho que nunca tinha me decepcionado antes com um filme de François Ozon. Foi a primeira vez. O Amante Duplo é o mais novo trabalho do francês, competiu pela Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes, recebeu o prestígio da crítica (quase não vi ninguém falando mal, aliás). Trata-se de um filme tentador, é até interessante no começo, mas o filme passa de interessante para quase insuportável numa rapidez absurda. 

Existem três ou quatro momentos realmente dignos de nota, e ainda sim dizer isso é um tanto exagerado. A execução destrambelhada e a constante evocação de uma atmosfera artificial estão entre os mais gritantes deslizes do thriller, para não mencionar que existe muito humor involuntário entre um escorregão e outro. No máximo mesmo, o destaque aqui é a curta participação de uma enigmática Jacqueline Bisset (coisa que dura questão de poucas cenas), uma grande atriz que está sendo subvalorizada em suas aparições mais recentes no cinema (uma lástima) e que até mesmo numa ponta como essas consegue evocar um mínimo de atenção. 

Marine Vacth interpreta uma jovem mulher que procura a assistência de um psicólogo para tratar de dores que sofre e que crê serem psicológicas. Logo, no que aparenta ser a cura da mulher, ela e o psicólogo se aproximam e iniciam uma relação juntos. Só que ela acaba descobrindo que o homem tem um irmão gêmeo (também psicólogo) que é o completo inverso dele, um sujeito arrogante, que a maltrata e despreza, enquanto ao mesmo tempo nutre um desejo irascível, carnal por ela. 

Ozon imprime nas cenas de sexo o expressivo ardor que já é comunal aos seus filmes, mas falta algo que o torne realmente o que ele quer apenas com o que é posto aqui, e não dá conta dessa expectativa. Por mais bem filmado, fotografado, editado... O Amante Duplo é falho. São percebíveis as influências de De Palma e Cronenberg tanto no suspense quanto na estética, mas isso também tem sua parcela de desacertos, de incômodos. Tanto se cria, tanto se investe no erotismo cru do filme, e se extrai muito pouco de toda essa ação circunstancial, de uma história que se preocupa demais com essa constante emulação, em fazê-la funcionar, e acaba por não concluir isso.

Há um quê de erótico sim, há cenas impressionantes, como eu já disse. Mas aqui isso não se sustenta por muito tempo. Talvez seja um filme para ser visto no cinema, onde há valorização de fotografia, de elementos visuais e a estrutura distorcida, mas não sei se a experiência decepcionante sofreria mudanças, ou seria diferente do que foi. Realmente não sei dizer. 

O Amante Duplo (L'Amant Double)
dir. François Ozon
★★

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Oscar de documentário: os 150 pré-indicados


“Abacus: Small Enough to Jail”
“Aida’s Secrets”
“Al Di Qua”
“All the Rage”
“All These Sleepless Nights”
“AlphaGo”
“The American Media and the Second Assassination of President John F. Kennedy”
“And the Winner Isn’t”
“Angels Within”
“Architects of Denial”
“Arthur Miller: Writer”
“Atomic Homefront”
“The B-Side: Elsa Dorfman’s Portrait Photography”
“Bang! The Bert Berns Story”
“Bending the Arc”
“Big Sonia”
“Bill Nye: Science Guy”
“Birthright: A War Story”
“Bobbi Jene”
“Bombshell: The Hedy Lamarr Story”
“Born in China”
“Born to Lead: The Sal Aunese Story”
“Boston”
“Brimstone & Glory”
“Bronx Gothic”
“Burden”
“California Typewriter”
“Can’t Stop, Won’t Stop: A Bad Boy Story”
“Casting JonBenet”
“Chasing Coral”
“Chasing Trane”
“Chavela”
“Citizen Jane: Battle for the City”
“City of Ghosts”
“Clive Davis: The Soundtrack of Our Lives”
“Cries from Syria”
“Cruel & Unusual”
“Cuba and the Cameraman”
“Dawson City: Frozen Time”
“Dealt”
“The Death and Life of Marsha P. Johnson”
“Destination Unknown”
“Dina”
“Dolores”
“Dream Big: Engineering Our World”
“A Dying King: The Shah of Iran”
“Eagles of Death Metal: Nos Amis (Our Friends)”
“Earth: One Amazing Day”
“11/8/16”
“Elian”
“Embargo”
“Eric Clapton: Life in 12 Bars”
“Escapes”
“Everybody Knows... Elizabeth Murray”
“Ex Libris: The New York Public Library”
“Extraordinary Ordinary People”
“Faces Places”
“The Farthest”
“The Final Year”
“Finding Oscar”
“500 Years”
“Food Evolution”
“For Ahkeem”
“The Force”
“The Freedom to Marry”
“From the Ashes”
“Gaga: Five Foot Two”
“A German Life”
“Get Me Roger Stone”
“Gilbert”
“God Knows Where I Am”
“Good Fortune”
“A Gray State”
“Hare Krishna! The Mantra, the Movement and the Swami Who Started It All”
“Harold and Lillian: A Hollywood Love Story”
“Hearing Is Believing”
“Hell on Earth: The Fall of Syria and the Rise of ISIS”
“Human Flow”
“I Am Another You”
“I Am Evidence”
“I Am Jane Doe”
“I Called Him Morgan”
“Icarus”
“If You’re Not in the Obit, Eat Breakfast”
“The Incomparable Rose Hartman”
“An Inconvenient Sequel: Truth to Power”
“Intent to Destroy”
“Jane”
“Jeremiah Tower The Last Magnificent”
“Jim & Andy: The Great Beyond - Featuring a Very Special, Contractually Obligated Mention of Tony Clifton”
“Joan Didion: The Center Will Not Hold”
“Joshua: Teenager vs. Superpower”
“Karl Marx City”
“Kedi”
“Keep Quiet”
“Kiki”
“LA 92”
“The Last Dalai Lama?”
“The Last Laugh”
“Last Men in Aleppo”
“Legion of Brothers”
“Let It Fall: Los Angeles 1982 - 1992”
“Let’s Play Two”
“Letters from Baghdad”
“Long Strange Trip”
“Look & See”
“Machines”
“Man in Red Bandana”
“Mr. Gaga: A True Story of Love and Dance”
“Motherland”
“Mully”
“My Scientology Movie”
“Naples ’44”
“Neary’s - The Dream at the End of the Rainbow”
“Night School”
“No Greater Love”
“No Stone Unturned”
“Nobody Speak: Trials of the Free Press”
“Nowhere to Hide”
“Obit”
“Oklahoma City”
“One of Us”
“The Paris Opera”
“The Pathological Optimist”
“Prosperity”
“The Pulitzer at 100”
“Quest”
“Rancher, Farmer, Fisherman”
“The Rape of Recy Taylor”
“The Reagan Show”
“Restless Creature: Wendy Whelan”
“Risk”
“A River Below”
“Rocky Ros Muc”
“Rumble: The Indians Who Rocked the World”
“Santoalla”
“School Life”
“Score: A Film Music Documentary”
“Served Like a Girl”
“The Settlers”
“78/52”
“Shadowman”
“Shot! The Psycho Spiritual Mantra of Rock”
“Sidemen: Long Road to Glory”
“The Skyjacker’s Tale”
“Sled Dogs”
“Soufra”
“Spettacolo”
“Step”
“Stopping Traffic: The Movement to End Sex-Trafficking”
“Strong Island”
“Surviving Peace”
“Swim Team”
“Take Every Wave: The Life of Laird Hamilton”
“Take My Nose... Please!”
“They Call Us Monsters”
“32 Pills: My Sister’s Suicide”
“This Is Everything: Gigi Gorgeous”
“Tickling Giants”
“Trophy”
“Twenty Two”
“Unrest”
“Vince Giordano - There’s a Future in the Past”
“Voyeur”
“Wait for Your Laugh”
“Wasted! The Story of Food Waste”
“Water & Power: A California Heist”
“Whitney. “Can I Be Me”
“Whose Streets?”
“The Work”

.............

Pois bem, saiu a lista com os 150 filmes que vão concorrer às cinco vagas finais de Melhor Documentário no Oscar 2018 (lembrando que a lista de filme estrangeiro já fechou também); A lista é grande, mas há alguns títulos favorecidos sim. Ex Libris pode dar ao mestre Frederick Wiseman sua primeira indicação (autêntica) ao Oscar esse ano, lembrando que, apesar de nunca sequer ter sido indicado ao prêmio, ganhou um honorário recentemente. A mesma situação cabe à veterana da nouvelle vague Agnès Varda, que pode emplacar sua primeira indicação nesse ano – que justamente irá receber também um Oscar honorário entregue pela Academia no mês que vem – com seu Visages Villages, aclamadíssimo e com uma campanha farta. 

Oscar 2018 – melhor filme estrangeiro


Albânia – Daybreak, dir. Gentian Koci
Alemanha – In the Fade, dir. Fatih Akin
Argélia – Road to Istanbul, dir. Rachid Bouchareb
Argentina – Zama, dir. Lucrecia Martel
Áustria – Happy End, dir. Michael Haneke
Azerbaijão – Pomegranate Orchard, dir. Ilgar Najaf
Bélgica – Racer and the Jailbird, dir. Michael R. Roskam
Bolívia – Dark Skull, dir. Kiro Russo
Bósnia & Herzegovina – Men Don't Cry, dir. Alen Drljevic
Brasil – Bingo: O Rei das Manhãs, dir. Daniel Rezende
Bulgária – Glory, dir. Kristina Grozeva & Petar Valchanov
Canadá – Hochelaga, Land of Souls, dir. François Girard
Camboja – First They Killed my Father, dir. Angelina Jolie
Cazaquistão – Road to Mother, dir. Akan Satayev
Chile – Una mujer fantástica, dir. Sebastian Lelio
Colômbia – Guilty Men, dir. Iván Gaona
Coreia do Sul – A Taxi Driver, dir. Jang Hoon
Croácia – Quit Staring at my Plate, dir. Hana Jusic
Dinamarca – You Disappear, dir. Peter Schonau Fog
Egito – Sheikh Jackson, dir. Amr Salama
Equador – Alba, dir. Ana Cristina Barragán
Eslováquia – The Line, dir. Peter Bebjak
Eslovênia – The Miner, dir. Hanna Antonina Wojcik Slak
Espanha – Summer 1993, dir. Carla Simón
Estônia – November, dir. Rainer Sarnet
Filipinas – Birdshot, dir. Mikhail Red
Finlândia – Tom of Finland, dir. Dome Karukoski
França – 120 Beats Per Minute, dir. Robin Campillo
Geórgia – Scary Mother, dir. Ana Urushadze
Grécia – Amerika Square, dir. Yannis Sakardis
Hungria – On Body and Soul, dir. Ildikó Enyedi
Holanda – Layla M., dir. Mijke de Jong
Hong Kong – Mad World, dir. Wong Chun
Índia – Newton, dir. Amit V Masurkar
Indonésia – Leftovers, dir. Wicaksono Wisnu Legowo
Irã – Breathe, dir. Narges Abyar
Iraque – The Dark Wind, dir. Hussein Hassan
Irlanda – Song of Granite, dir. Pat Collins
Islândia – Under the Tree, dir. Hafsteinn Gunnar Sigurðsson
Israel – Foxtrot, dir. Samuel Maoz
Japão – Her Love Boils Bathwater, dir. Ryôta Nakano
Kosovo – Unwanted, dir. Edon Rizvanolli
Laos – Dearest Sister, dir. Mattie Do
Letônia – The Chronicles of Melanie, dir. Viestur Kairish
Líbano – The Insult, dir. Ziad Doueiri
Lituânia – Frost, dir. Sarunas Bartas
Luxemburgo – Barrage, dir. Laura Schroeder
Marrocos – Razzia, dir. Nabil Ayouch
México – Tempestad, dir. Tatiana Huezo
Nepal – White Sun, dir. Deepak Rauniyar
Noruega – Thelma, dir. Joachim Trier
Quênia – Kati Kati, dir. Mbithi Masya
Quirguistão – Centaur, dir. Aktan Abdykalykov
Palestina – Wajib, dir. Annemarie Jacir
Paquistão – Saawan, dir. Farhan Alam
Panamá – Beyond Brotherhood, dir. Arianne Benedetti
Peru – Rosa Chumbe, dir. Jonatan Relayze
Polônia – Spoor, dir. Agnieszka Holland
Portugal – São Jorge, dir. Marco Martins
Reino Unido – My Pure Land, dir. Sarmad Masud
República Dominicana – Woodpeckers, dir. José María Cabral
República Tcheca – Ice Mother, dir. Bohdan Sláma
Romênia – The Fixer, dir. Adrian Sitaru
Rússia – Loveless, dir. Andrey Zvyagintsev
Senegal – Félicité, dir. Alain Gomis
Sérvia – Requiem for Mrs. J., dir. Bojan Vuletic
Singapura – Pop Aye, dir. Kirsten Tan
Suécia – The Square, dir. Ruben Östlund
Suíça – The Divine Order, dir. Petra Biondina Volpe
Tailândia – By the Time It Gets Dark, dir. Anocha Suwichakornpong
Turquia – Ayla: The Daughter of War, dir. Can Ulkay
Ucrânia – Black Level, dir. Valentyn Vasayanovych
Venezuela – El Inca, dir. Ignacio Castillo Cottin
Vietnã – Father and Son, dir. Lương Đình Dũng

MARJORIE PRIME (2017)


Eis um filme que promete pegar muita gente de surpresa, especialmente na temporada de premiações que está por vir, com alguns prêmios praticamente garantidos para a veterana Lois Smith (em performance arrebatadora), Jon Hamm, Geena Davis e Tim Robbins – o quarteto fantástico de Marjorie Prime. No filme, hologramas trazem de volta à vida as imagens de entes queridos e reavivam a memória com suas presenças. Há um jogo de interpretações que raramente se vê fluir com tamanha flexibilidade, de uma firmeza irreparável. Se deve muito à direção de Almereyda, mas há de se notar que o elenco domina uma dinâmica totalmente própria, um jogo muito particular que se desdobra no mesmo ritmo que a trama passa a reconcentrar suas camadas mais ínfimas. 

A fotografia é também de uma elaboração minimalista e pra lá de aguçada (Sean Price Williams, direção de fotografia), cuja riqueza é mais que complemento à complexidade metafísica do filme, mas um alento que procura acompanhar em sintonia as configurações da narrativa. Pode-se dizer que trata-de se um filme teatral (pra mim não há problema em um filme que emula uma certa teatralidade, embora eu creio que aqui não seja o caso, mas pra mim isso pode ser visto como um elemento de grande porte dramático, dependendo da situação, é claro) embora o que exista de mais cinematográfico em Marjorie Prime seja justamente esse comportamento do elenco que é tão caro às principalidades da trama e, centralmente, da maneira como o filme trabalha sua riquíssima disposição cênica, e subsequentemente a detalhista construção espacial. 

É também de cortar o coração que um filme como esse abarque tamanhas verdades – chega a ser até melancólico assistir – observar que o tempo esvanece e com ele uma cadência de transformações, desaparecimentos e urgências preenchem as lacunas da percepção humana, faz-se necessária a busca por uma presença, ainda que artificial, quando descobre-se que depois da ausência o que surge é o temer pelo esquecimento. A ausência é o ponto final, e ao mesmo tempo ponto de partida para uma cobrança nostálgica, um sentimento de reaproximação e natural redescoberta. É essa ilusão – a ilusão da artificialidade das substituições e do transbordar humano das presenças – que o filme questiona e explora. 

Poucos filmes recentes foram tão verdadeiros, tão melancólicos e profundos como Marjorie Prime. Vai diretamente no seu ponto para dissecar a ação do tempo sobre seus personagens e na existência humana, bem como na nostalgia. Direção incrível, mais uma vez, de Michael Almereyda. Sobressai-se um elenco de ouro, formado centralmente por quatro dos mais talentosos atores americanos trabalhando hoje (e provavelmente deve vir um Oscar – ou algo do gênero, pelo menos – para Lois Smith). 

Marjorie Prime
dir. Michael Almereyda
★★★★

domingo, 22 de outubro de 2017

MANIFESTO (2015)


É num filme como Manifesto que a gente começa a refletir sobre como a presença de um determinado intérprete em cena pode fazer toda a diferença, em diferentes aspectos, no que diz respeito à construção de um trabalho cinematográfico. É aí que entra a gigante Cate Blanchett, que já provou (várias vezes, inclusive) que é uma das maiores atrizes dos nossos tempos, em um de seus papéis mais emblemáticos e curiosos no cinema. Neste filme, que sem sombra de dúvida é um achado na filmografia da australiana, ela alterna entre diferentes personagens numa alegoria que questiona os valores, os fundamentos e princípios da arte na vida humana, na história e na filosofia. Projetado inicialmente como uma instalação (que não chegou a vir para o Brasil) e depois "traduzido" para a linguagem de cinema, Manifesto é um desses filmes bizarros que acabam pegando a gente pela sua iminente estranheza e cativante interação com o espectador, e por isso mesmo não deixa de ser uma experiência no mínimo inovadora e quase chocante até pra quem está do lado de cá da tela. 

Blanchett figura nas treze esquetes deste projeto vivendo personificações distintas em monólogos riquíssimos e repletos de questionamentos à arte em si, envolvendo famosos manifestos de artistas, filósofos e pensadores aclamados. A alternância pode surpreender pelas pitadas inesperadas de humor, pela bizarrice frontal ou pela exuberância da atuação, fato é que, por mais irregular que seja, Manifesto consegue conspirar sua atmosfera em torno de Blanchett de uma maneira que raramente se viu, e é por isso mesmo que vale dizer que vale a pena conferi-lo justamente pela presença dela, num de seus momentos mais inspirados e tentadores e que é prato cheio pra quem acompanha ela há algum tempo e nutre uma certa admiração por seu talento. 

Sim, o filme é interessante, tem um quê bem mais experimental do que propriamente narrativo, mas não há como deixar passar que existe aqui uma pretensão em dar conta de um conteúdo extensíssimo e muito variado, repleto de referências, códigos e contextos próprios, que vão se atropelando para dar lugar a outros. Há um discurso bastante rico sobre a arte, mas é imaginável (e o filme deixa isso claro) que é um trabalho bem mais compatível à uma instalação artística do que um longa-metragem em si. Ainda sim, é notável que Blanchett esteja numa de suas performances mais celebráveis e talentosas, com suas mil faces, transformações fascinantes que já dão motivo de sobra pra valer uma conferida. 

Manifesto
dir. Julian Rosefeldt
★★★

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Oscar 2018 – novas apostas (parte I)


filme


Me Chame Pelo Seu Nome
Dunkirk
A Forma da Água
Corra!
Três Anúncios para um Crime
Lady Bird
The Florida Project
The Post
Doentes de Amor
Detroit em Rebelião

logo em seguida

Blade Runner 2049
Mudbound
Roman Israel, Esq.
Last Flag Flying
Phantom Thread

possível surpresa

The 15:17 to Paris

diretor


Guillermo del Toro – A Forma da Água
Christopher Nolan – Dunkirk
Luca Guadagnino – Me Chame Pelo Seu Nome
Martin McDonagh – Três Anúncios para um Crime
Jordan Peele – Corra!

logo em seguida

Steven Spielberg – The Post
Denis Villeneuve – Blade Runner 2049
Greta Gerwig – Lady Bird
Joe Wright – Darkest Hour
Kathryn Bigelow – Detroit em Rebelião

possível surpresa

Woody Allen – Roda Gigante

ator


Timothée Chalamet – Me Chame Pelo Seu Nome
James Franco – The Disaster Artist
Daniel Kaluuya – Corra!
Gary Oldman – Darkest Hour
Daniel Day Lewis – Phantom Thread

logo em seguida

Denzel Washington – Roman Israel Esq.
Jake Gyllenhaal – O Que Te Faz Mais Forte
Robert Pattinson – Bom Comportamento
Adam Sandler – The Meyerowitz Stories
Tom Hanks – The Post

possível surpresa

Andrew Garfield – Breathe

atriz


Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime
Kate Winslet – Roda Gigante
Sally Hawkins – A Forma da Água
Meryl Streep – The Post
Margot Robbie – I, Tonya

logo em seguida

Jessica Chastain – Molly's Game
Daniela Vega – Uma Mulher Fantástica
Saoirse Ronan – Lady Bird
Annette Bening – Film Stars Don't Die in Liverpool
Judi Dench – Victoria & Abdul

possível surpresa

Diane Kruger – In the Fade

ator coadjuvante


Willem Dafoe – The Florida Project
Steve Carell – Last Flag Flying
Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime
Michael Stuhlbarg – Me Chame Pelo Seu Nome
Richard Jenkins – A Forma da Água

logo em seguida

Bryan Cranston – Last Flag Flying
Armie Hammer – Me Chame Pelo Seu Nome
Woody Harrelson – Três Anúncios para um Crime
Michael Shannon – A Forma da Água
Jim Belushi – Roda Gigante

possível surpresa

Mark Rylance – Dunkirk

atriz coadjuvante


Allison Janney – I, Tonya
Holly Hunter – Doentes de Amor
Melissa Leo – Novitiate
Octavia Spencer – A Forma da Água
Hong Chau – Pequena Grande Vida

logo em seguida

Lois Smith – Marjorie Prime
Mary J. Blige – Mudbound
Kristin Scott Thomas – Darkest Hour
Julianne Moore – Sem Fôlego
Kirsten Dunst – O Estranho que nós Amamos

possível surpresa

Brooklynn Prince – The Florida Project

filme estrangeiro


Zama (Argentina)
Uma Mulher Fantástica (Chile)
Foxtrot (Israel)
In the Fade (Alemanha)
BPM: Beats Per Minute (França)

logo em seguida

Loveless (Rússia)
Félicité (Senegal)
On Body and Soul (Hungria)
Happy End (Áustria)
The Square (Suécia)

possível surpresa

Bingo: O Rei das Manhãs (Brasil)

AS MIL E UMA NOITES (2015)


Comentarei sobre os três filmes da maravilhosa trilogia do cineasta Miguel Gomes As Mil e uma Noites


Por incrível que pareça, o primeiro filme (ainda que seja o melhor dos três) demorou um pouco pra me pegar, confesso que no começo ainda tive um certo receio de não "embarcar na viagem", mas esse sentimento foi passageiro. É o mais delicioso e relevante dos filmes da trilogia, Miguel Gomes também está participando, que é bem mais denso, tem uma ótima síntese de construção narrativa e o trabalho com a câmera é destaque. Pra quem não estiver no pique, pode ser um pouco difícil seguir a linha desse aqui, entretanto é um trabalho mais que encantador. Ali naquele olhar crítico pra crise em Portugal (que é o tema central dos três longas), o Gomes encontra brechas pra fazer comentários ainda mais desconcertantes e inserir ordens que parecem não estar muito conectadas às principais atenções do filme, e que gradativamente vão se fazendo importantes e essenciais. O elenco está em ótima forma, não tem do que reclamar, certas cenas de diálogos são deveras exímias e nestas os atores estão impecáveis.

As Mil e uma Noites: Volume I, O Inquieto
★★★★


A cena genial do julgamento já diz muito sobre o que este filme vem a abordar, e está entre as sequências mais importantes e hilárias desta trilogia (se não for a mais). Aliás, humor aqui neste filme recebe um tratamento bastante diferenciado, talvez porque esteja mais explícito do que no primeiro, e ainda sim nesse aqui um senso de comédia impressionante se apropria do formato crítico do filme, mas de forma alguma o drama é desvalorizado, até acho que existem certas passagens que encontram uma ótima expressão dramática. Notáveis presenças de atores já recorrentes à filmografia do Gomes (inclusive de Tabu) e do filme anterior. Por vezes é vertiginoso, a presença da comédia primeiramente se torna um aliado desse comentário do diretor e segundamente é a ferramenta pela qual o elenco acaba acessando uma certa liberdade e rigor excepcionais, e os diálogos ficam ainda mais interessantes com essa inserção. O segmento do cachorrinho também merece menção. Este é, sem dúvida, o mais original dos três filmes, destaque pela abordagem inventiva que já se denotava no primeiro.

As Mil e uma Noites: Volume II, O Desolado
★★★½


Este filme, embora apontado como o menos relevante, tem a cena mais linda entre os três trabalhos, que é da Crista Alfaiate (cujas performances ao longo da trilogia são excelentes) cantando "Perfidia", me emocionou profundamente. Há de se perceber que, no que diz respeito ao filme, esse deve ser mesmo o menos impressionante e nem por isso é ruim. Foi falado que há muita irrelevância no conto dos passarinheiros, que pra mim tem ótimos momentos, mas é fato que isso pode deixar muita gente impaciente. Há cenas memoráveis, como o senhorzinho que acaba caindo na armadilha de um passarinheiro (hilária) e entre outras, a cena do encontro de Sherazade e de um homem na praia com seus filhos. Trata-se de um segmento desolador, não menos tocante, ainda que cometa certos deslizes sim, especialmente na estrutura.

As Mil e uma Noites: Volume III, O Encantado
★★★½

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

INDICADOS AO GOTHAM 2017


E foi dada a largada! A corrida pelo Oscar já começou e algumas premiações já estão anunciando seus indicados e revelando favoritos do ano cujos nomes poderão se repetir com frequência nos próximos prêmios da awards season. Acabaram de ser anunciados os indicados ao Gotham, premiação exclusiva do cinema independente que já está apontando os principais filmes e performances a serem destacados na temporada. 

melhor filme

Call Me By Your Name
The Florida Project
Get Out
Good Time
I, Tonya

melhor documentário

Ex Libris – The New York Public Library
Rat Film
Strong Island
Whose Streets?
The Work

melhor roteiro

The Big Sick
Brad's Status
Call Me By Your Name
Columbus
Get Out
Lady Bird

melhor ator

James Franco – The Disaster Artist
Willem Dafoe – The Florida Project
Daniel Kaluuya – Get Out
Robert Pattinson – Good Time
Harry Dean Stanton – Lucky
Adam Sandler – The Meyerowitz Stories

melhor atriz

Haley Lu Richardson – Columbus
Melanie Lynskey – I Don't Feel At Home in This World Anymore
Margot Robbie – I, Tonya
Saoirse Ronan – Lady Bird
Lois Smith – Marjorie Prime

melhor ator estreante

Mary J. Blige – Mudbound
Timothée Chalamet – Call Me by Your Name
Harris Dickinson – Beach Rats
Kelvin Harrison, Jr. – It Comes at Night
Brooklynn Prince – The Florida Project

melhor diretor estreante

Maggie Betts – Novitiate
Greta Gerwig – Lady Bird
Jordan Peele – Get Out
Kogonada – Columbus
Joshua Z Weinstein – Menashe