terça-feira, 31 de janeiro de 2017

ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (2016)



O tão aguardado retorno do australiano Mel Gibson às telas como diretor, o que não acontecia desde 2006, quando ele assumiu a direção do controverso Apocalypto, tem seus pontos negativos e positivos. Mel, que sempre foi um cineasta disposto a trabalhar com a ambição estética de seus projetos de maneira excessiva e sempre massiva, ressurge com um filme que muitos prometiam ser o seu retorno triunfal, mas a verdade é que a recepção que este teve não diverge muito de alguns trabalhos anteriores dele, como A Paixão de Cristo e Coração Valente, que dividiram opiniões. E é justamente essa recepção que excepcionalmente define o que Até o Último Homem nos transmite: um sentimento de divisão, de que este se trata de um filme que é tanto bom na sua realização como um todo como também escancara defeitos que comprometem seu valor cinematográfico. 

Por mais bem dirigido que seja, Até o Último Homem é um filme bastante irregular na sua composição. A concepção de sequências de guerra extremamente ambiciosas, bastante impressionantes, apesar de exporem a competência de Mel Gibson na direção e na regência de uma trupe técnica inspirada, acaba por delatar a superficialidade descompromissada de Mel com a contextualização de sua narrativa trôpega e a disposição de elementos cinematográficos com um certo rigor pretensioso. É a pretensão de engrandecer a si mesmo que se confunde com a dimensão de uma história verídica e que amarga o contexto narrativo de uma jornada de batalhas, sangue, explosão e perrengues dos mais eletrizantes.

Até o Último Homem cumpre seu papel enquanto relato de um grupo de homens enfrentando uma batalha tempestuosa no Japão, com foco no personagem de Andrew Garfield, um homem de uma cidadezinha do interior que, intrigado ao ver tantos homens indo lutar pela pátria, decide se unir a eles na guerra, mas não apoia o uso de armas. Dito fraco pelos colegas e brutalmente humilhado, o homem, que se dispõe a ajudar os feridos na batalha com seu conhecimento médico, transforma-se num verdadeiro herói, surpreendendo a quem não via coragem em sua pessoa.

O filme faz ligação com a temática do armamento militar e do porte legal de armamentos nos Estados Unidos, ao retratar de forma altruísta um "herói de guerra que nunca tocou em uma arma", mas o filme o faz não como uma lição de moral, e sim como um relato dos conceitos morais que contornam os ideais de uma guerra e de homens que se desafiam em nome da nação. Se Mel os dignifica, por outro lado torna unilateral essa representação da batalha. 

Há um cuidado imenso com os artifícios visuais, e com a estrutura técnica em si, que já vem do próprio estilo fílmico de Mel Gibson, um cineasta cujos filmes sempre capricham no que diz respeito à técnica. A performance louvável de Andrew Garfield ajuda o público a olhar para o seu personagem, um herói de verdade, com admiração e simpatia. Consagra-se também o ator Vince Vaughn, que andava meio desaparecido dos filmes, e que entrega neste filme a provável melhor atuação de toda a sua carreira, por fim subestimada. Outro destaque é a atriz Teresa Palmer, que interpreta o grande amor de Desmond (Garfield).

Enfim, é basicamente isso. Esse tão celebrado regresso de Mel Gibson à direção pode ser interpretado como uma experiência tecnicamente gratificante, mas que não se distancia muito do que ele faz de bom, que é dirigir. A contação de história aliada ao discernimento técnico produz um resultado satisfatório pra quem gosta do estilo Gibsoniano. Um regresso contemplável, mas que tem suas falhas...

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
dir. Mel Gibson
★★★

PEDRO ALMODÓVAR SERÁ O PRESIDENTE DO FESTIVAL DE CANNES 2017


O cineasta espanhol Pedro Almodóvar irá presidir o Festival de Cannes desse ano, que acontecerá durante o mês de maio. O aclamado longa "Julieta", dirigido por ele, estreou na mostra competitiva do festival ano passado. Ele já tinha participado do júri anteriormente em 1992, mas é a primeira vez em que ele o preside. Em 2017, o festival comemora seus 70 anos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

SCREEN ACTORS GUILD AWARDS 2017



Cinema

MELHOR ELENCO
Estrelas Além do Tempo

MELHOR ATRIZ
Emma Stone – La La Land

MELHOR ATOR
Denzel Washington – Um Limite Entre Nós

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis – Um Limite Entre Nós

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali – Moonlight

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS
Até o Último Homem

Televisão

MELHOR ELENCO – DRAMA
Stranger Things

MELHOR ELENCO – SÉRIE DE COMÉDIA
Orange Is The New Black

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMÁTICA
Claire Foy – The Crown

MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMÁTICA
John Lithgow – The Crown

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DE COMÉDIA
Julia Louis-Dreyfus – Veep

MELHOR ATOR – SÉRIE DE COMÉDIA
William H. Macy – Shameless

MELHOR ATRIZ – TELEFILME/MINISSÉRIE
Sarah Paulson – The People V. O.J. Simpson

MELHOR ATOR – TELEFILME/MINISSÉRIE
Bryan Cranston – All the Way

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS
Game of Thrones

IMPRESSÕES

O grande vencedor da noite foi o elenco do filme Estrelas Além do Tempo! Uma surpresa bem inesperada, já que muitos apostavam que o prêmio iria diretamente para Moonlight ou Manchester à Beira-Mar. As categorias de ator e atriz também foram marcadas por surpresas este ano. Denzel Washington venceu Melhor Ator por Um Limite Entre Nós, contrariando as expectativas de que Casey Affleck ganharia este prêmio. Será que o Denzel vai levar o Oscar? Enquanto isso, Emma Stone venceu na categoria de Melhor Atriz, uma vitória que representa um certo favoritismo em torno de sua atuação, mas vale lembrar que no Oscar a atriz compete ao lado de peixes grandes como Isabelle Huppert e Natalie Portman. Enfim, a vitória no SAG demonstra um certo avanço de Emma nesta corrida, mesmo que as coisas ainda estão bem incertas no Oscar.

Os já esperados vencedores de ator e atriz coadjuvante Mahershala Ali e Viola Davis estão firmes e fortes nessa corrida, prontos pra receber o Oscar. Lembrando que esta noite tivemos três atores negros vencendo nas categorias de cinema e um filme com um elenco predominantemente negro vencedor do prêmio principal, o de Melhor Elenco.

Um dos pontos altos da premiação este ano foi o prêmio honorário entregue à atriz Lily Tomlin, e o resultado foi um dos momentos mais engraçados da noite. Às vezes me surpreendo com o humor dela. Quem introduziu Lily foi a atriz e cantora Dolly Parton. 

Nos prêmios televisivos, a surpresa foi em Melhor Elenco em Série Dramática. O prêmio acabou indo parar nas mãos do elenco de Stranger Things e perderam os elencos de Downton Abbey, The Crown (série que faturou dois prêmios, os de atriz para Claire Foy e o de ator para John Lithgow) e Game of Thrones.

Nas categorias de comédia, o seriado Orange Is The New Black conquistou Melhor Elenco pela terceira vez consecutiva e a atriz Julia Louis-Dreyfus papou melhor atriz por sua atuação em Veep. William H. Macy surpreendeu ao levar melhor ator por Shameless.

A atriz Sarah Paulson, numa das vitórias mais prestigiadas da noite, acabou levando o prêmio de melhor atriz em telefilme ou minissérie. A surpresa da vez foi com a vitória do ator Bryan Cranston, que venceu pelo telefilme All the Way

domingo, 29 de janeiro de 2017

Apostas – SAG 2017


MELHOR ATRIZ


quem vai vencer – Natalie Portman (Jackie)
quem pode vencer – Emma Stone (La La Land)
quem pode surpreender – Amy Adams (A Chegada)
quem deveria vencer – Natalie Portman (Jackie)
"esqueceram de mim" – Isabelle Huppert (Elle)

***

Com Amy Adams fora da disputa do Oscar, as coisas no SAG ficam um pouco mais incertas. Meryl Streep e Emily Blunt estão longe de ganhar, a rixa é entre Emma Stone (vencedora do Globo de Ouro) e Natalie Portman (que venceu o prêmio dos críticos). Lembrando que o SAG é um prêmio extremamente determinante para o Oscar então, quem vencer aqui praticamente já garante uma estatueta. A menos que, é claro, Amy Adams ganhe (o que eu acho que não acontecerá, embora ela merecesse). 

MELHOR ATOR


quem vai vencer – Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
quem pode vencer – Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
quem pode surpreender – Andrew Garfield (Até o Último Homem)
quem deveria vencer – Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
"esqueceram de mim" – Joel Edgerton (Loving)

***

Casey Affleck disparou nos prêmios esse ano e tudo aponta que ele é o grande favorito da categoria de Melhor Ator. Eu acho que é bem difícil ele não ganhar, embora o ator esteja atualmente envolvido em um caso de assédio sexual – algo que gerou certa polêmica recentemente e pode acabar com seu favoritismo. Entre as possíveis surpresas, vale cogitar Denzel Washington, cuja atuação foi bastante elogiada. Acho difícil, mas pode acontecer de dar Andrew Garfield. Quiçá, Viggo Mortensen.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE


quem vai vencer – Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
quem pode vencer – Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
quem pode surpreender – Naomie Harris (Moonlight)
quem deveria vencer – Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
"esqueceram de mim" – Lily Gladstone (Certas Mulheres)

***

Viola Davis, que já ganhou o SAG em 2012 por Histórias Cruzadas, está de volta à jogada com uma atuação que todo mundo adorou, e que promete rendê-la mais uma vitória (merecida). Michelle Williams, elogiadíssima, vem logo atrás. Naomie Harris está firme em Moonlight, mas são poucas as chances dela vencer. Nicole Kidman e Octavia Spencer provavelmente assistirão à vitória de uma delas três. 

MELHOR ATOR COADJUVANTE


quem vai vencer – Mahershala Ali (Moonlight)
quem pode vencer – Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
quem pode surpreender – Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
quem deveria vencer – Mahershala Ali/Hugh Grant
"esqueceram de mim" – Michael Shannon (Animais Noturnos)

***

Honestamente, não consigo pensar em alguém além do Mahershala Ali para ganhar este prêmio. O cara está fenomenal em Moonlight e já faturou inúmeros prêmios. Lucas Hedges ameaça, mas eu acho que não tem muitas chances de vencer. Jeff Bridges está cotado. Hugh Grant está ótimo em Florence Foster Jenkins, e mesmo que merecesse levar, é pouco provável que isso aconteça. Dev Patel é uma possibilidade distante. 

MELHOR ELENCO


quem vai vencer – Moonlight
quem pode vencer – Manchester à Beira-Mar
quem pode surpreender Capitão Fantástico
quem deveria vencer Moonlight
"esqueceram de mim" A Qualquer Custo

Moonlight ganha. Quase certeza que vai. Manchester à Beira-Mar tem chances, porém Moonlight tá na frente. Capitão Fantástico seria uma baita surpresa. Pouquíssimas chances para Um Limite Entre Nós e Estrelas Além do Tempo

sábado, 28 de janeiro de 2017


Em um dia tão triste para a cinefilia, nos deixam duas lendas do cinema, dois dos maiores intérpretes que já existiram: a francesa Emmanuelle Riva (estrela de Hiroshima, Mon AmourA Liberdade é Azul e Amor) e o britânico John Hurt (de O Homem Elefante, Expresso da Meia-Noite e Alien, o 8º Passageiro); Perdas lamentáveis, resplandece o legado de dois ícones maiores da sétima arte. 

R.I.P.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

UM LIMITE ENTRE NÓS (2016)


Para quem não está acostumado com o lado diretor de Denzel Washington, pode ser até surpreendente encontrar o nome do ator no crédito de direção, mas não é a primeira vez que ele se aventura como cineasta. Um Limite Entre Nós é o terceiro filme que Denzel dirige. Os anteriores foram O Grande Debate (indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático em 2008) e Voltando a Viver, ambos sucesso de crítica. Como bom ator que é, Washington dirige atores com excelência. É justamente esse o mérito maior deste filme: o elenco. Adaptação de uma peça aclamadíssima do dramaturgo August Wilson, Um Limite Entre Nós é um filme predominantemente teatral – o texto da peça "Fences" foi praticamente transcrito de sua forma original para o roteiro do filme, é tanto que o próprio August Wilson é creditado como roteirista do drama – e, embora suas intenções sejam claramente positivas, o resultado pode ser um pouco frustrante.

É claro, o elenco está em perfeita sintonia, as performances são preciosíssimas: Denzel Washington, que não atuava tão bem há tempos, se alia a Viola Davis (numa atuação estarrecedora, certamente uma das mais impressionantes que ela já nos presentou) e a dupla unida se transforma no alicerce dramático da trama pulsante de Um Limite Entre Nós. Inclusive os dois já interpretaram a peça juntos anteriormente, e isso explica porque a química flui tão bem entre os dois. A trama gira em torno de Troy Maxson, que trabalha como lixeiro em Pittsburgh, casado com Rose (Davis) e os constantes conflitos com o filho adolescente, Cory Maxson (Jovan Adepo, excelente). Também são destaques os atores Stephen McKinley Henderson (Jim Bono), Russell Hornsby (filho mais velho de Troy) e Mykelti Williamson (irmão de Troy). Engraçado é que o filme se dispõe a focar tão decididamente nesta relação turbulenta entre pai e filho mas visto por completo o retrato se estende superficialmente, e suas motivações não ficam tão claras, visíveis. 

O papel metafórico do filme dentro do cenário coletivo e ao contexto histórico e social dos negros na sociedade americana contrasta às superficialidades de uma narrativa que se dedica a redesenhar personagens de uma maneira tematicamente impressiva, porém acaba deixando de lado o posicionamento da síntese entre esse desenvolvimento dramático e o que o filme está querendo dizer. O emular da construção teatral eclipsa as virtudes cinematográficas que a produção evoca.

Há um cuidado maior com as atuações (e esse tratamento é devidamente excepcional em sua montagem) e a forma com que a história é descrita, mas chega-se a um ponto em que Um Limite Entre Nós deixa de ser cinematográfico, tornando-se produto do teatral sem compromisso com as intenções cinemáticas. A observação por sobre os personagens em si é pungente, mas o foco da trama acaba se desviando e invadindo perspectivas pouco críveis, convincentes, gerando um distanciamento entre as excelentes atuações (que enriquecem o retrato dos personagens, consequentemente) e o andamento da narrativa. As interpretações sozinhas são grandiosas, mas quando sobrepostas à trama soam demasiadamente desconexas. 

Há uma pretensão por parte de Denzel Washington em querer adaptar uma peça com uma vértice tão teatral, que depende tanto dos palcos para funcionar em seu formato mais pleno e causar um certo impacto. A dependência dessa compreensão teatral paira sobre Um Limite Entre Nós, e a realização perde um pouco de sentido com essa extensão. Neste caso, a tentativa de aliar teatro e cinema é falha, mas as intenções – como já foi dito – apontam que Denzel não fez por mal. 

Às vezes, chega a aborrecer certas cenas arrastadas, com diálogos monótonos e cansativos que provavelmente caso encenados no teatro, imagino eu, ganhariam mais potência. Um Limite Entre Nós vale mesmo pelos desempenhos impecáveis de Denzel e Viola, ambos indicados ao Oscar nas categorias de melhor ator e atriz coadjuvante. Lembrando que o filme também recebeu indicações em filme e roteiro adaptado. A balança pesa para o lado de Viola Davis, lembrando que ela já levou o Globo de Ouro pra casa recentemente, e está cotadíssima para receber o Oscar. E, caso ela o faça, será digno. Não acho que o filme seja totalmente merecedor da indicação de melhor filme, mas por um lado, em tempos tão frágeis e conturbados, a temática e a abordagem do longa propiciam e adicionam sentido à essa inclusão. 

Lá no fundo, Um Limite Entre Nós guarda sua importância, no retrato de personagens convivendo em uma época difícil para os negros nos Estados Unidos, em meio ao racismo e a ignorância de uma sociedade fragmentada. A direção de Denzel é estupenda, e a inspiração refletida em cada ator deriva nesta disposição incrível de personagens que é Um Limite Entre Nós.

Um Limite Entre Nós (Fences)
dir. Denzel Washington
★★★

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (2016)


Bem, finalmente tomei coragem pra comentar sobre Moonlight: Sob a Luz do Luar. E quando digo que tomei coragem é porque trata-se de uma missão bastante delicada escrever sobre um filme tão tocante como este, que pegou muita gente de surpresa, já que no começo ninguém esperava que o filme fosse ser um tremendo sucesso. Este é o segundo longa-metragem do cineasta Barry Jenkins, também diretor do pouco conhecido Medicine for Melancholy. E sobre Moonlight, é um filme admiravelmente bem-feito. Todo reconhecimento é merecido. Não é de se estranhar que o filme tenha faturado inúmeros prêmios, e agora também está concorrendo ao Oscar em oito categorias, incluindo Melhor Filme e Diretor, tendo se tornado um dos principais concorrentes da premiação este ano.

Dividido em três atos, o filme acompanha a jornada de Chiron, um jovem negro, desde a sua infância turbulenta nos subúrbios da Flórida até a idade adulta, e a vivência do rapaz em meio à violência e ao submundo das drogas contrastando com a atmosfera de auto-conhecimento adentro a sexualidade. É um filme bonito, e ao mesmo tempo carregado de uma melancolia desoladora. Aliás, melancolia é uma palavra que define bem o filme Moonlight, que reflete sobre os sentimentos e as relações de uma maneira belíssima. 

Sensibilidade é o que se encontra a todo instante em Moonlight. O elenco está excepcional. Performances dignas, estarrecedoras, que confirmam a competência da direção de Barry Jenkins e os talentos reunidos neste magistral grupo de atores. Naomie Harris, intérprete que está presente em todas as três fases do longa, entrega uma interpretação autêntica, daquelas de impressionar mesmo. Mahershala Ali, cuja performance foi elogiadíssima, está entre os destaques deste drama irretocável. Janelle Monaé, André Holland e os iniciantes Jharrel Jerome, Alex R. Hibbert (Chiron fase "little") e Ashton Sanders (Chiron fase adolescente) também estão excelentes.

Parcialmente, o filme é sustentado pelos desempenhos marcantes de cada um desses atores, que dão o melhor de si para tornar completa a imaginação dos personagens descritos na trama. Moonlight é uma coleção de sequências avassaladoras enfeitadas por uma fotografia desnorteante e demarcadas pela trilha sonora excepcional, que arquiteta uma atmosfera sinfônica incrivelmente sublime e rítmica. Até Caetano Veloso toca em uma determinada cena do filme, aliás.

Há cenas essencialmente importantes no filme, como a cena dos garotos na praia (provavelmente a melhor cena do filme, nas questões de ser tanto belamente fotografada quanto bem dirigida), o diálogo do reencontro de Chiron e Kevin, Juan ensinando Chiron a nadar, entre várias outras. Por ser tanto impressionante na sua abordagem estética repleta de sensibilidade quanto muito bem retratado em sua narrativa versátil, o filme é um dos exemplares mais ricos e dignos do cinema independente norte-americano recente, e merece ser lembrado dessa forma. Jenkins é um nome promissor e integra o naipe dos gigantes. 

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight)
dir. Barry Jenkins
★★★★★

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

OSCAR 2017 – IMPRESSÕES


– A lendária atriz francesa Isabelle Huppert foi indicada pela 1ª vez ao Oscar este ano, na categoria de Melhor Atriz, por sua performance extraordinária no filme Elle, que terminou desclassificado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Ainda sim, Huppert é uma das grandes favoritas da categoria. Esperamos que ela vença. Ruth Negga e Meryl Streep também foram lembradas. Amy Adams foi esnobada.

– Meryl Streep emplacou sua 20ª indicação ao Oscar. 

La La Land lidera o quadro de indicados com 14 indicações, o recorde de indicações do Oscar, que já fora efetuado antes pelos filmes A Malvada e Titanic. Logo em seguida, vem Até o Último Homem e Moonlight, ambos com 8 indicações. 

– À exceção de Mel Gibson, que venceu há 21 anos por Coração Valente, é a primeira indicação em Direção de todos os indicados na categoria.

– Surpreendentemente, o ator Aaron Taylor-Johnson ficou de fora da corrida do Oscar, mesmo tendo ganhado o Globo de Ouro. Enquanto isso, Michael Shannon, que contracena com Johnson em Animais Noturnos, abocanhou a indicação. Hugh Grant foi esnobado. 

– Há 16 anos uma mulher não era indicada na categoria de Melhor Trilha Sonora, desde que Rachel Portman foi nomeada por Chocolate em 2001. Hoje, a compositora Mica Levi recebeu uma indicação pelo filme Jackie, que também foi lembrado nas categorias de atriz (Portman, uma das concorrentes mais fortes) e figurino.

– O filme O Lagosta indicado em Roteiro Original. Surpreendentemente justo.

– O documentário italiano Fogo no Mar, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2016, figura entre os indicados a melhor documentário. Indicação merecidíssma. 

– Esnobado nas categorias principais, o épico Silêncio, do diretor Martin Scorsese, ganhou apenas 1 indicação, em Melhor Fotografia.

– A animação Kubo e as Cordas Mágicas surpreende entre os indicados a Efeitos Visuais, sendo esta a segunda vez em que um desenho placa uma nomeação na categoria (a primeira vez foi em 1994, quando O Estranho Mundo de Jack foi indicado).

– Nada de Deadpool entre os indicados. Alarme falso dos prêmios de sindicato.

Sully, de Clint Eastwood, esnobado em várias categorias e lembrado discretamente em Edição de Som, a mesma situação do novo filme de Scorsese. Isso é um sinal de que a Academia está procurando novos talentos... 

– A bomba Passageiros surpreendeu ao aparecer entre os indicados a Trilha Sonora e Direção de Arte.

OSCAR 2017 – INDICADOS



MELHOR FILME

A Chegada
Um Limite Entre Nós
Até o Último Homem
A Qualquer Custo
Estrelas Além do Tempo
La La Land
Lion
Manchester à Beira-Mar
Moonlight

MELHOR DIRETOR

Denis Villeneuve – A Chegada
Mel Gibson – Até o Último Homem
Damien Chazelle – La La Land
Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
Barry Jenkins – Moonlight

MELHOR ATRIZ

Isabelle Huppert – Elle
Ruth Negga – Loving
Meryl Streep – Florence Foster Jenkins
Emma Stone – La La Land
Natalie Portman – Jackie

MELHOR ATOR

Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar
Andrew Garfield – Até o Último Homem
Ryan Gosling – La La Land
Denzel Washington – Um Limite Entre Nós
Viggo Mortensen – Capitão Fantástico

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Viola Davis – Um Limite Entre Nós
Naomie Harris – Moonlight
Nicole Kidman – Lion
Octavia Spencer – Estrelas Além do Tempo
Michelle Williams – Manchester à Beira-Mar

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Mahershala Ali – Moonlight
Jeff Bridges – A Qualquer Custo
Lucas Hedges – Manchester à Beira-Mar
Dev Patel – Lion
Michael Shannon – Animais Noturnos

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Manchester à Beira-Mar
A Qualquer Custo
La La Land
O Lagosta
20th Century Women

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Chegada
Um Limite Entre Nós
Estrelas Além do Tempo
Lion
Moonlight

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Toni Erdmann (Alemanha)
O Apartamento (Irã)
Tanna (Austrália)
Um Homem Chamado Ove (Suécia)
Land of Mine (Dinamarca)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Kubo e as Cordas Mágicas
Zootopia
My Life as a Zucchini
A Tartaruga Vermelha
Moana

MELHOR DOCUMENTÁRIO

O.J.: Made In America
Fogo no Mar
I Am Not Your Negro
A 13ª Emenda
Life, Animated

MELHOR TRILHA SONORA

La La Land (Justin Hurwitz)
Moonlight (Nicholas Britell)
Lion (Dustin O'Halloran & Hauschka)
Jackie (Mica Levi)
Passageiros (Thomas Newman)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Audition (The Fools Who Dream)", La La Land
"City of Stars", La La Land
"How Far I'll Go", Moana
"The Empty Chair", Jim: The James Foley Story
"Can't Stop the Feeling", Trolls

MELHOR FOTOGRAFIA

A Chegada (Bradford Young)  
La La Land (Linus Sandgren)
Lion (Greig Fraser)
Moonlight (James Laxton)
Silêncio (Rodrigo Prieto)

MELHOR EDIÇÃO

La La Land (Tom Cross)
Moonlight (Joi McMillon & Nat Sanders)
Até o Último Homem (John Gilbert)
A Chegada (Joe Walker)
A Qualquer Custo (Jake Roberts)

MELHOR DESENHO DE PRODUÇÃO

La La Land
Ave, César!
Animais Fantásticos e Onde Habitam
A Chegada
Passageiros

MELHOR FIGURINO

Florence Foster Jenkins (Consolata Boyle)
Jackie (Madeline Fontaine)
La La Land (Mary Zophres)
Aliados (Joanna Johnston)
Animais Fantásticos e Onde Habitam (Colleen Atwood)

MELHOR MAQUIAGEM/PENTEADOS

Um Homem Chamado Ove
Esquadrão Suicida
Star Trek Beyond

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

A Chegada
Sully
Deepwater Horizon
Até o Último Homem
La La Land

MELHOR MIXAGEM DE SOM

A Chegada
Até o Último Homem
13 Horas
Rogue One: Uma História Star Wars
La La Land

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Doutor Estranho
Mogli, o Menino Lobo
Rogue One: Uma História Star Wars
Kubo e as Cordas Mágicas
Deepwater Horizon

MELHOR CURTA-METRAGEM (LIVE ACTION)

Ennemis Intérieurs
La Femme et le TGV
Silent Nights
Sing (Mindenki)
Timecode

MELHOR CURTA-METRAGEM (DOC)

Extremis
4.1 Miles
Joe's Violin
Watani: My Homeland
The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM (ANIMAÇÃO)

Blind Vaysha
Borrowed Time
Pear Cider and Cigarettes
Pearl
Piper

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

MANCHESTER À BEIRA-MAR (2016)


É uma pena que Kenneth Lonergan faça filmes de tempos em tempos, pois eles são tão excelentes. E a prova disso pode ser encontrada em sua filmografia, curta, porém sucessiva, completada por este seu novo trabalho, um exemplar estonteante de controle narrativo e dramático, uma verdadeira obra deste diretor/roteirista tão celebrado. Anteriormente, ele dirigiu o belíssimo Margaret, um drama intenso e marcante, e também Conte Comigo, sua estreia na direção. Estes três títulos conversam entre si por abordar de maneira pungente e honesta o impacto de conflitos e tragédias na vida das pessoas, e é essa abordagem que torna esses trabalhos tão universais. 

A premissa de Lonergan foca em pessoas comuns, gente como a gente, e adentra suas particularidades enquanto também explora o que está acontecendo ao redor dessas pessoas e como se instala uma conexão desproporcional entre a gente e o que nos cerca com uma dimensão devastadora, realçada por um roteiro genial sempre acompanhado da mise-en-scene riquíssima, nunca exagerada, no ponto certo.

Em Manchester à Beira-Mar, Casey Affleck (na melhor performance de sua carreira) vive um zelador de Quincy que, certo dia, recebe a notícia de que seu irmão faleceu. Ele se desloca até a cidade de Manchester, onde residia, para encontrar a família e acertar os pormenores do que vem a seguir. A surpresa do personagem é quando lhe é informado que o irmão desejava que ele cuidasse de seu filho adolescente após sua morte, uma vez que ele já sofria de um mal cardíaco e tinha pouco tempo de vida. Indisposto a executar tal tarefa, o homem duvida calado enquanto segue cuidando do sobrinho, e ao mesmo tempo é atormentado por um passado enegrecido e turvo que surge à tona. 

Lonergan costura personagens humanos, afetivos, o que os faz mais palatáveis frente ao espectador, e ao mesmo tempo lhes provém uma certa complexidade, distinta, que pertence a seu formato em compreensão e construção. O comportamento auto-destrutivo de um homem que não consegue lidar com as perdas e as circunstâncias de um destino fatídico, um jovem no auge da adolescência provocado por seus instintos e atormentado por um evento recente e suas consequências emocionais. Um passado e um futuro. Uma história que aconteceu. E o que poderia ter acontecido. 

O foco é Lee, o personagem de Casey Affleck, um homem cercado de tragédias pessoais e que não consegue se conciliar devido aos traumas e ao sentimento de culpa por um capítulo impossível de deixar pra trás. Através desses sentimentos, evoca-se um clima de aproximação e ao mesmo tempo distanciamento, enquanto os personagens interagem entre si, uns tentando superar e outros tentando esquecer. 

O elenco está excepcional. Lucas Hedges, uma revelação impecável, e Michelle Williams, que há tempos não entregava uma performance tão inspirada e arrasadora, estão fascinantes. Affleck comanda esse elenco com maestria e uma firmeza irrevogável. Ele exerce seu personagen com punhos de ferro, e o encontra dentro de si mesmo, tornando-o um reflexo de suas próprias evocações e imitações, mas com um toque de compreensão e afeto por este, tornando a interpretação verdadeira e impactante. É o personagem compactuando um contraste com as intenções e capacidades do ator, que encarna-o com vida e dedicação. 

A trilha sonora radiante sela momentos emocionantes desta trama dramática sobre amor (e a falta de amor), família, despedida e a humanidade dos nossos sentimentos. Aliás, o filme é um dos favoritos ao Oscar. E é merecedor de prêmios, especialmente o elenco fabuloso e Kenneth Lonergan, o cara genial por trás dessa história belíssima e triste.

Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea)
dir. Kenneth Lonergan
★★★★★

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

OSCAR 2017 – APOSTAS


MELHOR FILME

1. La La Land
2. Moonlight
3. Manchester à Beira-Mar
4. A Qualquer Custo
5. Até o Último Homem
6. Lion
7. A Chegada
8. Cercas
9. Silêncio
10. Estrelas Além do Tempo

ficaram de fora:
Loving
Deadpool
Eu, Daniel Blake
Sully
Capitão Fantástico
Jackie
Florence Foster Jenkins
Animais Noturnos
20th Century Women
O Lagosta

MELHOR DIRETOR

1. Damien Chazelle – La La Land
2. Barry Jenkins – Moonlight
3. Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
4. Mel Gibson – Até o Último Homem
5. Denis Villeneuve – A Chegada

ficaram de fora:
Martin Scorsese – Silêncio
David Mackenzie – A Qualquer Custo
Ken Loach – Eu, Daniel Blake
Garth Davis – Lion
Tom Ford – Animais Noturnos

MELHOR ATOR

1. Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar
2. Denzel Washington – Cercas
3. Ryan Gosling – La La Land
4. Andrew Garfield – Até o Último Homem
5. Viggo Mortensen – Capitão Fantástico

ficaram de fora:
Joel Edgerton – Loving
Ryan Reynolds – Deadpool
Tom Hanks – Sully
Adam Driver – Paterson
Jake Gyllenhaal – Animais Noturnos

MELHOR ATRIZ

1. Isabelle Huppert – Elle (ou O Que Está Por Vir)
2. Natalie Portman – Jackie
3. Meryl Streep – Florence Foster Jenkins
4. Emma Stone – La La Land
5. Amy Adams – A Chegada

ficaram de fora:
Ruth Negga – Loving
Annette Bening – 20th Century Women
Rebecca Hall – Christine
Sonia Braga – Aquarius
Jessica Chastain – Armas na Mesa

MELHOR ATOR COADJUVANTE

1. Mahershala Ali – Moonlight
2. Jeff Bridges – A Qualquer Custo
3. Dev Patel – Lion
4. Lucas Hedges – Manchester à Beira-Mar
5. Hugh Grant – Florence Foster Jenkins

ficaram de fora:
Aaron Taylor-Johnson – Animais Noturnos
Michael Shannon – Animais Noturnos
Alden Ehrenreich – Ave, César!
Simon Helberg – Florence Foster Jenkins
Aaron Eckhart – Sully

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

1. Viola Davis – Cercas
2. Michelle Williams – Manchester à Beira-Mar
3. Octavia Spencer – Estrelas Além do Tempo
4. Nicole Kidman – Lion
5. Naomie Harris – Moonlight

ficaram de fora:
Janelle Monáe – Estrelas Além do Tempo
Greta Gerwig – 20th Century Women
Lily Gladstone – Certas Mulheres
Judy Davis – A Vingança Está na Moda
Hayley Squires – Eu, Daniel Blake

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

1. Manchester à Beira-Mar
2. O Lagosta
3. La La Land
4. A Qualquer Custo
5. Eu, Daniel Blake

ficaram de fora:
Jackie
20th Century Women
Capitão Fantástico
Zootopia
Café Society

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

1. A Chegada
2. Animais Noturnos
3. Cercas
4. Estrelas Além do Tempo
5. Moonlight

ficaram de fora:
Loving
Deadpool
Silêncio
Amor & Amizade
Lion

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

1. Toni Erdmann – Alemanha
2. O Apartamento – Irã
3. É Apenas o Fim do Mundo – Canadá
4. Land of Mine – Dinamarca
5. Um Homem Chamado Ove – Suécia

ficaram de fora:
Tanna – Austrália
The King's Choice – Noruega
Ma vie de courgette – Suíça
Paraíso – Rússia

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

1. Zootopia
2. Moana
3. A Tartaruga Vermelha
4. Procurando Dory
5. Kubo e as Cordas Mágicas

ficaram de fora:
Ma vie de courgette
Sing
Trolls
Your Name
Abril e o Mundo Extraordinário

MELHOR DOCUMENTÁRIO

1. O.J.: Made In America
2. Cameraperson
3. A 13ª Emenda
4. I Am Not Your Negro
5. Zero Days

ficaram de fora:
Life, Animated
Weiner
Gleason
Fogo no Mar
Tower

MELHOR EDIÇÃO

1. La La Land (Tom Cross)
2. Manchester à Beira-Mar (Jennifer Lame)
3. Moonlight (Joi McMillon & Nat Sanders)
4. A Chegada (Joe Walker)
5. Silêncio (Thelma Schoonmaker)

ficaram de fora:
Até o Último Homem (John Gilbert)
Deadpool (Julian Clarke)
O Lagosta (Yorgos Mavropsaridis)
A Qualquer Custo (Jake Roberts)
Animais Noturnos (Jean Sobel)

MELHOR FOTOGRAFIA

1. La La Land (Linus Sandgren)
2. Moonlight (James Laxton)
3. A Chegada (Bradford Young)
4. Silêncio (Rodrigo Prieto)
5. Jackie (Stephane Fontaine)

ficaram de fora:
Animais Noturnos (Seamus McGarvey)
Lion (Greig Fraser)
Ave, César! (Roger Deakins)
Café Society (Vittorio Storaro)
A Qualquer Custo (Giles Nuttgens)

MELHOR TRILHA SONORA

1. Jackie (Mica Levi)
2. Moonlight (Nicholas Britell)
3. La La Land (Justin Hurwitz)
4. Lion (Dustin O'Halloran & Hauschka)
5. Mogli, o Menino Lobo (John Debney)

ficaram de fora:
Florence Foster Jenkins (Alexandre Desplat)
Animais Fantásticos e Onde Habitam (James Newton Howard)
Até o Último Homem (Rupert Gregson-Williams)
Zootopia (Michael Giacchino)
O Bom Gigante Amigo (John Williams)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

1. Audition – La La Land
2. City of Stars – La La Land
3. Can't Stop the Feeling – Trolls
4. How Far I'll Go – Moana
5. I'm Still Here – Miss Sharon Jones!

ficaram de fora:
Flicker – Audrie & Daisy
Drive It Like You Stole It – Sing Street
Never Give Up – Lion
The Rules Don't Apply – Rules Don't Apply
Faith – Sing

MELHOR FIGURINO

1. Animais Fantásticos e Onde Habitam (Colleen Atwood)
2. Jackie (Madeline Fontaine)
3. La La Land (Mary Zophres)
4. Florence Foster Jenkins (Consolata Boyle)
5. Amor & Amizade (Eimer Ní Mhaoldomhnaigh)

ficaram de fora:
Aliados (Joanna Johnston)
A Vingança Está na Moda (Marion Boyce & Margot Wilson)
Silêncio (Dante Ferretti)
Cercas (Sharen Davis)
Café Society (Suzy Benzinger)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

1. La La Land (Sandy Reynolds-Wasco & David Wasco)
2. A Chegada (Patrice Vermette & Paul Hotte)
3. Animais Fantásticos e Onde Habitam (Stuart Craig & Anna Pinnock)
4. Silêncio (Dante Ferretti & Francesca Lo Schiavo)
5. Jackie (Jean Rabasse & Veronique Melery)

ficaram de fora:
Café Society
A Criada
Animais Noturnos
Ave, César!
Estrelas Além do Tempo

MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS

1. Florence Foster Jenkins
2. Deadpool
3. Um Homem Chamado Ove

ficaram de fora:
Ave, César!
Esquadrão Suicida
A Vingança Está na Moda
Star Trek Beyond

MELHORES EFEITOS VISUAIS

1. Rogue One: Uma História Star Wars
2. Mogli, o Menino Lobo
3. A Chegada
4. Doutor Estranho
5. Animais Fantásticos e Onde Habitam

ficaram de fora:
O Bom Gigante Amigo
Deadpool
Capitão América: Guerra Civil
Passageiros
Horizonte Profundo

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

1. La La Land
2. A Chegada
3. Até o Último Homem
4. Doutor Estranho
5. Mogli, o Menino Lobo

ficaram de fora:
Horizonte Profundo
Rogue One: Uma História Star Wars
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Sully
Capitão América: Guerra Civil

MELHOR MIXAGEM DE SOM

1. La La Land
2. A Chegada
3. Doutor Estranho
4. Até o Último Homem
5. Rogue One: Uma História Star Wars

ficaram de fora:
Mogli, o Menino Lobo
Sully
Horizonte Profundo
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Silêncio

– Terça-feira serão anunciados os indicados ao Oscar 2017, a 89ª edição dos Prêmios da Academia. Esta é minha singela lista de apostas, baseado no acompanhamento da temporada de premiações e a previsão de especialistas além de, é claro, alguns filmes já conferidos que estão entre os principais concorrentes. 

LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES (2016)


O filme mais comentado da temporada tem mil e um motivos para sê-lo. A magia do velho universo hollywoodiano reencarnada em um musical delicioso e nostálgico repleto de referências marcantes e coreografias desconcertantes. Damien Chazelle, o diretor-revelação de “Whiplash”, retorna às telas com mais um trabalho muito bem executado, em todos os sentidos. 

Trata-se de “La La Land”, a doce ode ao cinema clássico que revisita musicais que marcaram época e fórmulas irretocáveis de um gênero que, outrora tão popular e inovador, raramente traz algo de interessante nos tempos atuais, onde muitos exemplares comparam-se a reciclagens de clichês inflados e copiosos. Não é todo dia que a gente vê um filme que consegue reinventar e ao mesmo tempo se apoiar na nostalgia, e recriar um estilo – sem copiar. Chazelle prova que há homenagem, balanço e autenticidade em “La La Land”, mas também faz questão de incluir neste filme que a cada frame pinta nostalgia algo propriamente particular da filmografia do cineasta: o jazz, que já havia sido retratado em "Whiplash" e o longa de estreia de Chazelle, o pouco conhecido "Guy and Madeline on a Park Bench". E a conexão entre os elementos é intensa e viva, elaborando um contato bastante energético entre cada partícula deste musical. 

O espetáculo de cores, danças, canções melancólicas e que cheiram a amor expõem a influência do lendário diretor francês Jacques Demy neste musical, e é possível denotar a cada sequência um certo frescor que remete à linha de Demy e seu cinema encantador e cheio de vida que deu à luz alguns dos maiores musicais de todos os tempos, vá lá: os suntuosos “Os Guarda-Chuvas do Amor” e “Duas Garotas Românticas”. 

A atuação comovente de Emma Stone na pele de uma atriz aspirante que nunca consegue um papel é bastante lírica, e muitas das cenas protagonizadas por ela são pungentes e enfeitadas com graça. Risonha que só ela, Emma consegue compor uma personagem crível e imensurável, que esconde por trás da simpatia a angústia dos fracassos (algo que durante a segunda metade do filme fica mais visível, quando a resolução dramática se aproxima), e ela encontra no cinema uma razão para continuar perseguindo seus sonhos e a seguir vivendo, como muitos de nós do outro lado da tela.  Assim como essa sonhadora, a gente se identifica com o cinema, com personagens que sonham e que nunca desistem, mesmo quando não é fácil.

O par romântico de Emma, Ryan Gosling (na melhor performance de sua carreira desde “A Garota Ideal”) interpreta um pianista que tem o sonho de abrir um clube, mas que não consegue concretizar suas ideias. Ao entrar em uma banda, ele faz sucesso, mesmo que não seja o que ele queira da vida, e isso desaponta um pouco a namorada, e involumentariamente gera-se uma certa distância. [alerta de spoiler] O final é essencialmente triste. O contraste entre os sonhos realizados e a realidade em si de um sonho de amor acabado encontra uma contraposição melancólica e emocionante nos minutos finais de “La La Land”, quando vemos dois personagens que tanto lutaram para agarrar seus sonhos, e deixaram um amor ir embora, ainda que este ressurja amargamente na troca de olhares triunfal entre Mia e Sebastian, o casal dos sonhos, na eterna cidade dos sonhos. 

Muita gente reclama de que o filme traz uma perspectiva mais limpa e decente da cidade de Los Angeles, lugar em que todos os sonhos são depositados e que tudo parece ser tão mágico e perfeito, o lar do cinema americano. Provavelmente, mas não necessariamente, há um retrato desonesto, digamos, de L.A., mas um retrato musicalizado de uma cidade imaginada como o “paraíso cinematográfico”. É a forma como os personagens desta trama a veem. Talvez seja um pouco inconvencional, mas faz referência à imaginação dos musicais passados, e essa ligação é totalmente crível e favorável ao que o filme defende, e sua relação com as referências que expõe torna essa abordagem bastante sólida além das intenções da história em falar desse amor em particular e como ele é afetado pelos sonhos, seja de forma positiva ou negativa.

“La La Land” é sobre cinema, sonho, amor e música – e a relação entre os quatro – e também mais intimamente sobre a força do cinema e da arte sobre o ser humano, e como nosso imaginário busca nos filmes, nas músicas e nos amores (porque amor também é uma arte) a ambição, os sonhos, a vida. Cada cena é recheada de paixão e ritmo. Chazelle restaura o charme dos musicais clássicos e o enquadra em seu filme tão atual, mas também tão nostálgico, tão ligado ao passado de tantas maneiras, seja na história da jovem mocinha sonhadora que quer aparecer nos filmes, retratada em diversos filmes de várias formas desde o cinema mudo, até a mise-en-scene calculada e vibrante de Damien Chazelle, que se preocupa em mesclar o moderno ao antiquado da maneira mais eclética possível – e ele, à seu modo, o faz –.

Delicioso é ver um filme e poder sonhar – seja com o amor do casal protagonista ou com a concretização dos nossos desejos – e encontrar uma pérola com corpo de 2016 e alma da década de 50. “La La Land” é primoroso, cheio de glamour, rico em suas propostas, bonito na fotografia inspirada de Linus Sandgren, divertido nas letras e músicas de Justin Hurwitz e maravilhoso como um todo. Simplesmente maravilhoso!

La La Land – Cantando Estações (La La Land)
dir. Damien Chazelle
★★★★★

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

SOB A AREIA (2000)


Quando Charlotte Rampling está em cena, algo magnífico acontece. Ela toma o controle da tela e seu público é manipulado de maneira triunfal e abismadora. Em “Sob a Areia”, a atriz nos entrega uma de suas performances mais minimalistas e bem-feitas, daquelas de dar gosto mesmo, o que principalmente torna tão especial este suspense do cineasta francês François Ozon, que três anos depois viria a dirigir a lendária intérprete inglesa novamente em outro thriller arrasador, o brilhante “Swimming Pool – À Beira da Piscina”, que guarda muitas semelhanças com este trabalho aqui, não apenas pela construção detalhada, mas pela abordagem simbólica e a forte influência hitchcockiana, que paira sobre estes dois filmes tão desconcertantes, misteriosos e BONS!

O sumiço do marido de uma mulher de meia-idade é o estopim da trama de “Sob a Areia”, que persegue a personagem de Rampling e suas angústias enquanto traça um mistério que a cada cena fica mais indecifrável. Cenas do cotidiano se misturam a sequências que carregam um gostinho surreal, que estão ali para emular um suspense sinistro. Durante a primeira metade, a câmera vagueia entre planos abertos e curiosamente amplos para, aos poucos, se limitar à takes mais intimistas e fechados enquanto acompanhamos a trajetória de Marie Drillon após o desaparecimento de seu companheiro e sua negação à realidade que a confronta. Irresoluta, ela resiste aos impulsos desta para viver a situação à seu próprio modo. O fim de um casamento e as consequências de uma ilusão que nunca aconteceu, um matrimônio consumido pela mesmice. 

Claramente, a intenção do diretor (também roteirista) François Ozon é fazer com que o espectador compreenda essa personagem tão complexa e as suas atitudes, bem como o que a leva a criar uma perspectiva tão distante frente aos eventos que abarcam em sua vida amorosa e sua relação com pessoas próximas. O desaparecimento pode ser interpretado como uma metáfora da descrença de um casamento feliz, o momento em que a personagem se dá conta da farsa impassível que se submeteu, e sua imagem da relação perfeita se desfaz, num completo e súbito “desaparecimento” do amor improvável e todas as suas condições.

Como bom realizador que é, Ozon não desaponta na direção e não deixa nenhum detalhe escapar. A complexidade que envolve este filme torna eficaz a mise-en-scene e enriquece os méritos fílmicos do cineasta por trás desse projeto. Por outro lado, é possível denotar que “Sob a Areia” depende bastante de sua narrativa. Mais interessante é perceber como a mise-en-scene realça os traços narrativos do filme e seu semblante metafórico.

Deixando as comparações de lado, Ozon sabe trabalhar muito bem elementos determinantes em um thriller, como a tensão e o clímax. Por trás dessa façanha, revela-se um dom do diretor para com o gênero suspense que poucos dominam. Charlotte Rampling esculpe uma atuação magistral, provavelmente uma das melhores dela, que atua como ninguém, e sabe dominar seus papéis (algo que é extremamente importante para a sua personagem neste suspense). Certamente está no time das gigantes. 

Sob a Areia (Sous le sable)
dir. François Ozon
★★★★

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

SINDICATO DOS DIRETORES – DGA 2017 – OS INDICADOS


MELHOR DIRETOR

Damien Chazelle – La La Land
Garth Davis – Lion
Barry Jenkins – Moonlight
Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
Denis Villeneuve – A Chegada

MELHOR DIRETOR ESTREANTE

Garth Davis – Lion
Kelly Fremon Craig – The Edge of Seventeen
Tim Miller – Deadpool
Nate Parker – O Nascimento de uma Nação
Dan Trachtenberg – Rua Cloverfield, 10

MELHOR DIRETOR – DOCUMENTÁRIO

Otto Bell – The Eagle Huntress
Ezra Edelman – O.J.: Made In America
Josh Kriegman & Elyse Steinberg – Weiner
Raoul Peck – I Am Not Your Negro
Roger Ross Williams – Life, Animated

IMPRESSÕES

– Chazelle, Jenkins e Lonergan indicados não é nada surpreendente, mas Villeneuve e Davis mudam as coisas um pouco. 
– O australiano Garth Davis foi duplamente indicado por Lion, filme que aos poucos se consolida como um dos favoritos desta awards season. Praticamente em todos os prêmios do sindicato, Lion foi lembrado, até mesmo no sindicato dos figurinistas, dos diretores de arte e no de fotografia! Ou seja, toda essa paparicação pode engrandecer a lista de indicações ao Oscar do filme. 
Deadpool, lembrado anteriormente nos sindicatos de roteiro e produtores, aparece discretamente indicado em Diretor Estreante. E mesmo que esta seja uma categoria (criada ano passado, inclusive) menos decisiva para o Oscar, a inclusão do filme dá a entender que ele é um "sexto indicado". E, pelo andar dessa corrida e a chegada "surpresa" de Deadpool, o contexto dessa "sexta indicação" é totalmente compreensível. Não creio que o filme vá aparecer indicado em Diretor no Oscar, mas que vai aparecer no Oscar disso eu não tenho dúvida.
– Nate Parker, diretor de O Nascimento de uma Nação, também foi indicado. Uma surpresa, já que o filme tinha sido "banido" desta awards season e a inclusão dele chega a ser bastante notória, mesmo que não signifique um grande avanço na corrida.
– Esnobados em diretor: Clint, Gibson, Mackenzie, Denzel, Ford, Frears...
– Esnobados em diretor estreante: Trey Edward Shults (Krisha), Anna Rose Holmer (The Fits), Brady Corbet (A Infância de um Líder), Chris Kelly (Other People).

SINDICATO DOS FIGURINISTAS – CDGA 2017 – OS INDICADOS


MELHOR FIGURINO – FILME CONTEMPORÂNEO

1. Lion – Cappi Ireland
2. Capitão Fantástico – Courtney Hoffman
3. Absolutely Fabulous: O Filme – Rebecca Hale
4. La La Land – Mary Zophres
5. Animais Noturnos – Arianne Phillips

MELHOR FIGURINO – FILME DE ÉPOCA

1. A Vingança Está na Moda – Marion Boyce & Margot Wilson
2. Ave, César! – Mary Zophres
3. Florence Foster Jenkins – Consolata Boyle
4. Jackie – Madeline Fontaine
5. Estrelas Além do Tempo – Renee Ehrlich Kalfus

MELHOR FIGURINO – FILME DE FANTASIA

1. Rogue One: Uma História Star Wars – David Crossman & Glyn Dillion
2. Doutor Estranho – Alexandra Byrne
3. Kubo e as Cordas Mágicas – Deborah Cook
4. O Lar das Crianças Peculiares – Colleen Atwood
5. Animais Fantásticos e Onde Habitam – Colleen Atwood

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

SINDICATO DOS DIRETORES DE FOTOGRAFIA – ASC 2017 – OS INDICADOS


Greig Fraser – Lion
James Laxton – Moonlight
Rodrigo Prieto – Silêncio
Linus Sandgren – La La Land
Bradford Young – A Chegada

*****

– É a primeira vez que vejo Silêncio indicado a algum prêmio nesta awards season. Talvez o Oscar seja mais gentil com o novo filme do Scorsese incluindo ele em mais categorias técnicas, quiçá se o mesmo despontar nas categorias principais – à essa altura do campeonato, seria um milagre – uma vez de sua ausência em premiações de cunho definitivo para a corrida do Oscar. É um bom sinal, mesmo que suas chances de ganhar minguem ao lado de outros contenders mais potentes, como James Laxton e Linus Sandgren, os favoritos da categoria. A indicação de Lion é uma baita de uma surpresa.  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

SINDICATO DOS PRODUTORES – PGA 2017 – OS INDICADOS



A Chegada
Deadpool
Cercas
Até o Último Homem
A Qualquer Custo
Estrelas Além do Tempo
La La Land
Lion
Manchester à Beira-Mar
Moonlight

IMPRESSÕES

– A surpresa da vez foi Deadpool, o filme que poderá levar a Marvel ao Oscar esse ano. O filme já foi indicado ao prêmio do sindicato dos roteiristas (baita importante) e agora também conquista mais uma menção nessa lista de ouro que é um indicador infalível dos indicados ao Oscar em Melhor Filme.

– Algumas escolhas são bastante óbvias. Vá lá: La La Land, Manchester à Beira-Mar, Moonlight, Lion, A Qualquer Custo... Mas outros filmes que ainda continuavam bastante incertos nessa corrida, como A Chegada e Estrelas Além do Tempo, ganham potência com suas indicações.

FESTIVAL DE BERLIM 2017 – SELEÇÃO OFICIAL


FILME DE ABERTURA

1. Django, de Étienne Comar (FRANÇA)

SELEÇÃO OFICIAL – EM COMPETIÇÃO

1. Ana, mon amour, de Călin Peter Netzer (ROMÊNIA)
2. Beuys, de Andres Veiel (ALEMANHA)
3. Bright Nights, de Thomas Arslan (ALEMANHA/NORUEGA)
4. Colo, de Teresa Villaverde (PORTUGAL)
5. The Dinner, de Oren Moverman (E.U.A.)
6. Django, de Étienne Comar (FRANÇA)
7. A Fantastic Woman, de Sebastian Lelio (CHILE)
8. Félicité, de Alain Gomis (FRANÇA)
9. Joaquim, de Marcelo Gomes (BRASIL/PORTUGAL)
10. Mr. Long, de Sabu (JAPÃO)
11. On Body and Soul, de Ildikó Enyedi (HUNGRIA)
12. On the Beach at Night Alone, de Hong Sang-soo (COREIA DO SUL)
13. The Other Side of Hope, de Aki Kaurismaki (FINLÂNDIA)
14. The Party, de Sally Potter (REINO UNIDO)
15. Return to Montauk, de Volker Schlöndorff (ALEMANHA)
16. Spoor, de Agnieszka Holland (POLÔNIA)
17. Wild Mouse, de Josef Hader (ÁUSTRIA)

FORA DE COMPETIÇÃO

1. El Bar, de Álex de la Iglesia (ESPANHA)
2. Logan, de James Mangold (E.U.A.)
3. T2 Transpotting, de Danny Boyle (REINO UNIDO)
4. Viceroy's House, de Gurinder Chadha (ÍNDIA)

BAFTA 2017 – OS INDICADOS


MELHOR FILME

A Chegada
Eu, Daniel Blake
La La Land
Moonlight
Manchester à Beira-Mar

MELHOR DIRETOR

Denis Villeneuve – A Chegada
Ken Loach – Eu, Daniel Blake
Damien Chazelle – La La Land
Kenneth Lonergan – Manchester à Beira-Mar
Tom Ford – Animais Noturnos

MELHOR ATOR

Andrew Garfield – Até o Último Homem
Casey Affleck – Manchester à Beira-Mar
Jake Gyllenhaal – Animais Noturnos
Ryan Gosling – La La Land
Viggo Mortensen – Capitão Fantástico

MELHOR ATRIZ

Amy Adams – A Chegada
Emily Blunt – A Garota no Trem
Emma Stone – La La Land
Meryl Streep – Florence Foster Jenkins
Natalie Portman – Jackie

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Aaron Taylor-Johnson – Animais Noturnos
Dev Patel – Lion
Jeff Bridges – A Qualquer Custo
Hugh Grant – Florence Foster Jenkins
Mahershala Ali – Moonlight

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Hayley Squires – Eu, Daniel Blake
Michelle Williams – Manchester à Beira-Mar
 Naomie Harris – Moonlight
Nicole Kidman – Lion
Viola Davis – Cercas

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

A Qualquer Custo
Eu, Daniel Blake
La La Land
Manchester à Beira-Mar
Moonlight

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Chegada
Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Lion
Animais Noturnos

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Dheepan – França
Filho de Saul – Hungria
Toni Erdmann – Alemanha
Julieta – Espanha
Cinco Graças – França

MELHOR ANIMAÇÃO

Procurando Dory
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana
Zootopia

MELHOR DOCUMENTÁRIO

A 13ª Emenda
Weiner
The Eagle Huntress
Notes on Blindness
The Beatles – Eight Days a Week: The Touring Years

MELHOR FOTOGRAFIA

A Chegada
A Qualquer Custo
La La Land
Lion
Animais Noturnos

MELHOR FIGURINO

Aliados
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Florence Foster Jenkins
La La Land
Jackie

MELHOR SOM

A Chegada
Deepwater Horizon
Animais Fantásticos e Onde Habitam
La La Land
Até o Último Homem

MELHOR EDIÇÃO

A Chegada
Até o Último Homem
La La Land
Manchester à Beira-Mar
Animais Noturnos

MELHORES EFEITOS VISUAIS

A Chegada
Doutor Estranho
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Mogli, o Menino Lobo
Rogue One – Uma História Star Wars

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Doutor Estranho
La La Land
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Animais Noturnos
Ave, César!

MELHOR MAQUIAGEM

Doutor Estranho
Florence Foster Jenkins
Até o Último Homem
Animais Noturnos
Rogue One – Uma História Star Wars

MELHOR TRILHA SONORA

A Chegada
Jackie
La La Land
Lion
Animais Noturnos

MELHOR FILME BRITÂNICO

Eu, Daniel Blake
Docinho da América
Denial
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Notes on Blindness
Sob a Sombra

MELHOR ESTREIA DE UM ROTEIRISTA/DIRETOR/PRODUTOR BRITÂNICO

Mike Carey & Camille Gatin – The Girl With All the Gifts
George Amponsah & Dionne Walker – The Hard Stop
Peter Middleston, James Spinney & Jo-Jo Ellison – Notes on Blindness
John Donnelly & Ben A. Williams – The Pass
Babak Anvari, Emily Leo, Oliver Roskill & Lucas Toh – Sob a Sombra

MELHOR ARTISTA EM ASCENÇÃO

Anya Taylor-Joy
Laia Costa
Lucas Hedges
Ruth Negga
Tom Holland

IMPRESSÕES

La La Land lidera o quadro com 11 indicações. O filme continua firme e forte nesta corrida. Depois de bater o recorde no Globo de Ouro, as chances no BAFTA e no Oscar aumentam.

– O filme Eu, Daniel Blake, que venceu a Palma de Ouro em Cannes ano passado, recebeu um bocado de indicações, inclusive em Melhor Filme, Diretor e Roteiro Original. Apesar dessa inclusão quase extraordinária, já que raramente Ken Loach é lembrado na premiação do cinema britânico, o filme não tem muitas chances no Oscar. Mas, quem sabe?

– Isabelle Huppert, que venceu o Globo de Ouro anteontem, não foi indicada a Melhor Atriz, e nem mesmo Elle apareceu entre os indicados a Filme Estrangeiro. O filme foi considerado inelegível ao BAFTA. Ainda sim, a atriz é a grande favorita ao Oscar.

– Emily Blunt, que já tinha aparecido (surpreendentemente) entre os indicados ao SAG, foi lembrada por A Garota no Trem em Melhor Atriz. Há quem duvide que ela vá aparecer no Oscar, mas essas duas indicações importantíssimas favorecem sua presença. É esperar pra ver. Contudo, a atriz tem poucas chances de ganhar. Indicadas junto a ela, estão Meryl Streep (também favorecidíssima na corrida do Oscar), Natalie Portman (a provável vencedora), Emma Stone e Amy Adams. 

– Aaron Taylor-Johnson, a surpresa do Globo de Ouro, foi indicado em Ator Coadjuvante novamente. Candidato de última hora, Johnson ganha força na corrida. Assim como o filme pelo qual ele foi nomeado, Animais Noturnos, que conquistou outras várias indicações esse ano no BAFTA, inclusive em Direção e Roteiro Adaptado. Será que Tom Ford vai ser indicado ao Oscar esse ano?

Silêncio, de Scorsese, não apareceu em nenhuma categoria. O filme está sendo ignorado em todos os prêmios. Estranho.