domingo, 28 de maio de 2017

FESTIVAL DE CANNES 2017


PALMA DE OURO
The Square (dir. Ruben Östlund)

PRÊMIO DO ANIVERSÁRIO DE 70 ANOS
Nicole Kidman

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
120 Beats Per Minute (dir. Robin Campillo)

PRÊMIO DO JÚRI
Loveless, dir. Andrey Zvyagintsev

PRÊMIO DA MISE-EN-SCÈNE
Sofia Coppola – The Beguiled

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO FEMININA
Diane Kruger, In the Fade

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO MASCULINA
Joaquin Phoenix, You Were Never Really Here

PRÊMIO DE ROTEIRO
(empate)
The Killing of a Sacred Deer
You Were Never Really Here

CAMERA D'OR
Jeune Femme, de Léonor Sérraille

PALMA DE OURO, CURTA-METRAGEM
A Gentle Night, de Qiu Yang
menção honrosa: Katto, de Teppo Airaksinen

Em alguns pontos, os principais momentos da cerimônia deste ano.

– Palma de Ouro entregue para o filme sueco The Square, a escolha surpreendente do júri deste ano contra o favoritismo de 120 Beats Per Minute, longa francês que, por outro lado, ganhou o Grande Prêmio do Júri.

– Sofia Coppola ganha o Prêmio da Mise-en-Scène (Melhor Direção) tornando-se a segunda mulher a abocanhar tal reconhecimento (a primeira foi Yuliya Solntseva, em 1961, por The Chronicle of Flaming Years)

– Apesar de não ter ganhado o prêmio de interpretação feminina (entregue a Diane Kruger, já favorita para o prêmio) Nicole Kidman, que teve quatro produções lançadas na Croisette este ano, conquistou o Prêmio Comemorativo do 70º Aniversário.

– Joaquin Phoenix, sempre controverso, levou merecidamente o prêmio de melhor ator por sua performance em You Were Never Really Here – filme que também levou o prêmio de roteiro (entregue a Lynne Ramsay) empatado com The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos (outrora favorito à Palma).

PIRATAS DO CARIBE: A VINGANÇA DE SALAZAR (2017)


Demasiadamente longo, desesperadamente ambicioso e tecnicamente exuberante, o novo Piratas do Caribe é trilhado por um roteiro desnorteado e que não dá conta do recado – um desfecho com soluções preguiçosas e pouco convincentes –, a performance sempre caricata e exagerada de Johnny Depp da qual ele parece nunca se cansar de fazer e refazer. As piadas surtem efeito, e não por acaso os "menos piores" momentos do filme são os mais engraçados. Esta franquia, de tanto repetir os mesmos clichês piratas e com os mesmos propósitos grandiosos, está ficando cansada. Os filmes de aventura de Jack Sparrow ainda podem trazer alguma emoção a quem procure embarcar na viagem, mas são insuficientes, deliberados, inconclusivos.

Traz a direção dos noruegueses Joachim Ronning e Espen Sandberg que – não por acaso – já dirigiram um filme sobre aventuras no mar que foi Kon Tiki, talvez mais lembrado por ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013. Certamente há muitos momentos que, graças à mise-en-scène dos dois, serão certamente lembrados como os mais audaciosos e bem elaborados momentos deste filme, como o uso inventivo da câmera em certas sequências de tirar o fôlego, como a estranhíssima cena do roubo do cofre, esquisita e totalmente insana porém muito bem conduzida, acreditem se quiser. E o vilão do Javier Bardem (sim, Bardem está fazendo papel de antagonista de novo...) é impagável. Mas sempre escolhem o cara para esses tipos de papéis de malvado, não? 

O filme, é claro, dispensa quaisquer críticas acerca sua comissão técnica – que é, de fato, fascinante –e por isso mesmo talvez seja interpretado como um dos filmes mais atrativos, no que diz respeito à fotografia estarrecedora e à direção de arte fantasticamente bem elaborada, desta franquia que promete levar muita gente aos cinemas nesta temporada. Elas vão se divertir? Com certeza. Mas o filme é bom? Ele pode ser até legal, como já foi esclarecido, mas certo é que há muitos erros e poucas qualidades que realmente importam. Ou seja, sim, esta é mais uma superprodução hollywoodiana maniqueísta com interesses meramente comerciais, entretanto com pouco investimento em seu conteúdo. 

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales)
dir. Joachim Ronning & Espen Sandberg
★★

Cannes 2017 – Apostas


Quem serão os escolhidos do júri de Pedro Almodóvar? Quais foram os melhores filmes? Perguntas que surgem à nossa cabeça parecem apontar que as decisões do júri serão difíceis este ano, possivelmente ainda mais controversas que as decisões do júri do ano passado. Por isso, ainda que seja muito complicado acertar quando se faz apostas com um júri tão diversificado como este e com opiniões contraditórias a respeito dos que podem ganhar e dos que podem ser deixados de fora, lanço aqui as minhas singelas predicações dos prêmios que serão entregues na tarde de hoje em Cannes:

PALMA DE OURO


os favoritos

120 Beats Per Minute
The Killing of a Sacred Deer
L'amant double
The Day After

as surpresas

Loveless
The Beguiled
Radiance
Wonderstruck

PRIX DE LA MISE EN SCÈNE
(MELHOR DIRETOR)


os favoritos

Yorgos Lanthimos, The Killing of a Sacred Deer
Ruben Östlund, The Square
François Ozon, L'amant double
Sofia Coppola, The Beguiled

as surpresas

Lynne Ramsay, You Were Never Really Here
Robin Campillo, 120 Beats Per Minute
Michael Haneke, Happy End
Hong Sang-Soo, The Day After

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO FEMININA


as favoritas

Diane Kruger, In the Fade
Nicole Kidman, The Beguiled
Fantine Harduin, Happy End
Vasilina Makovtseva, A Gentle Creature

as surpresas

Kim Min-Hee, The Day After
Isabelle Huppert, Happy End
Ayame Misaki, Radiance
Stacy Martin, Redoubtable

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO MASCULINA



os favoritos

Joaquin Phoenix, You Were Never Really Here
Jean-Louis Trintignant, Happy End
Nahuel Pérez Biscayart, 120 Beats Per Minute
Colin Farrell, The Killing of a Sacred Deer ou The Beguiled

as surpresas

Adam Sandler, The Meyerowitz Stories (New and Selected)
Kwon Hae-hyo, The Day After
Vincent Lindon, Rodin
Louis Garrel, Redoubtable

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI


os favoritos

Happy End
The Beguiled
A Gentle Creature

as surpresas

Loveless
The Square
Wonderstruck

PRÊMIO DO JÚRI


os favoritos

The Day After
120 Beats Per Minute
Good Time

as surpresas

Radiance
Okja
In the Fade

PRÊMIO DE ROTEIRO


os favoritos

The Day After
The Killing of a Sacred Deer
The Meyerowitz Stories (New and Selected)
Redoubtable

as surpresas

120 Beats Per Minute
Good Time
L'amant double
You Were Never Really Here

Cannes 2017 – Décimo Dia


Eis que chega o penúltimo dia do Festival de Cannes antes da entrega dos prêmios, que acontece neste domingo. 

Último filme da linha competitiva exibido, You Were Never Really Here traz Joaquin Phoenix numa das performances mais aplaudidas de Cannes este ano – o que favorece a índole do ator na corrida pelo prêmio de melhor interpretação masculina – por outro lado o filme foi tanto vaiado quanto aplaudido em sua estreia, refletindo já a opinião do público e também dos críticos a favor ou contra ele. Alguns chamam o filme de "desastre", outros dizem "ótimo". 

Based on a True Story já era um projeto que crescera em nossas expectativas quando fora anunciada a direção de Roman Polanski e o roteiro de Olivier Assayas – e, por mais incrível que pareça, o filme foi detestado – críticas negativas denigrem o novo thriller erótico de um dos maiores diretores de todos os tempos e ainda em atividade. As performances de Eva Green e Emmanuelle Seigner foram elogiadas, entretanto.

E os prêmios da mostra UN CERTAIN REGARD já foram entregues ontem:

Prêmio Un Certain Regard
A Man of Integrity (dir. Mohammad Rasoulof)

Prêmio do Júri
Las Hijas de Abril (dir. Michel Franco)

Melhor Diretor
Taylor Sheridan – Wind River

Prêmio de Interpretação Feminina
Jasmine Trinca – Fortunata

Prêmio The Poetry of Cinema
Barbara (dir. Mathieu Amalric)

sábado, 27 de maio de 2017

Cannes 2017 – Nono Dia


Últimos dias de Cannes e, hoje mesmo, no sábado, alguns prêmios importantíssimos já foram anunciados no Festival de Cannes. 

Prêmio do Júri Ecumênico
Radiance de Naomi Kawase

Prêmio Œil d'or (Melhor Documentário)
Visages Villages de Agnès Varda & JR

Prêmio FIPRESCI – Em Competição
120 Beats per Minute de Robin Campillo

Prêmio FIPRESCI – Un Certain Regard
Closeness de Kantemir Balagov

Grande Prêmio – Semana Internacional da Crítica
Makala de Emmanuel Gras

Quizena dos Realizadores – Prêmio Art Cinema
The Rider de Chloé Zhao

Quinzena dos Realizadores – Prêmio SACD
Let the Sunshine In de Claire Denis
Lover for a Day de Philippe Garrel

Prêmio de Melhor Trilha Sonora
Good Time por Oneohtrix Point Never

Ainda hoje, devem ser anunciados os prêmios da mostra Un Certain Regard. 

Bem, voltando aos filmes exibidos no Festival.

Dia 9 foi dia de Sofia Coppola. Uma das diretoras mais renomadas do cinema americano atual, a filha de um dos "poderosos chefões" da cinematografia americana parece seguir os mesmos traços do pai com uma filmografia que a cada título se confirma sólida e corresponde às expectativas promissoras. The Beguiled foi aplaudido – e muito dos elogios recaem para o elenco, liderado por Nicole Kidman e Colin Farrell – talvez não seja o melhor filme de Sofia, mas é certamente um dos grandes destaques do festivais desse ano. As expectativas continuam lá em cima.

Também foi dia de filme polêmico – L'Amant Double foi comentadíssimo, e da mesma forma recebeu uma penca de elogios – e a então controvérsia sobre o novo filme de François Ozon, o Almodóvar da França, gira em torno da sequência que abre o filme e que exibe imagens que foram descritas como "difíceis de esquecer". O filme é um thriller erótico que traz no elenco atores de primeira classe, tais como Jacqueline Bisset, Marine Vacht e Jérémie Renier. Segue como um dos, até agora, mais conceituados filmes da seleção desse ano. 

In the Fade, do cineasta alemão Fatih Akin, traz a bela Diane Kruger em uma das performances mais queridas da Croisette este ano, e que possivelmente a trará o Prêmio de Interpretação Feminina amanhã, visto o favoritismo que gira em torno da escolha dela para tal honra. Dentre os méritos do longa, há um vislumbre para a atuação dela. E já é um motivo para colocar este filme na sua watchlist.

A Gentle Creature, de Sergei Loznitsa, também é um filme cuja atriz principal, a ucraniana Vasilina Makovtseva, está entre as forças maiores da produção. Loznitsa, um nome recorrente às seleções do festival mas que nunca é lembrado nos prêmios, retorna à riveira com mais um filme que dialoga com propostas críticas e anárquicas em torno de suas ambições ao retratar a política russa como um verdadeiro pesadelo. O filme é um título de destaque, a julgar pelas críticas positivas. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cannes 2017 – Oitavo Dia


Um dia em que dois filmes da seleção Um Certo Olhar se sobressaem: Las hijas de Abril (dirigido pelo mexicano Michel Franco, um dos nomes mais promissores do cinema recente) e o elogiadíssimo La Novia del Desierto, estrelado pela intérprete chilena Paulina García, aplaudida por sua atuação neste filme. O filme tem a direção de Cecilia Atán e Valeria Pivato, e já é considerado um dos principais filmes da mostra esse ano, aposta certeira para os prêmios que serão entregues amanhã.

Enquanto isso, de volta à mostra competitiva, temos Good Time, dirigido pela dupla de irmãos Josh & Ben Safdie, destaques do cinema americano independente contemporâneo, sendo este o primeiro longa deles exibido em competição, uma surpresa na seleção deste ano. Alguns defendem o filme e seu propósito, e outros o consideram um filme mediano, uma "tentativa", talvez com um pouco de sucesso em sua abordagem, mas insuficiente. Não sei se o filme tem tanta garra assim para levar algum prêmio importante no domingo, mas é sempre bom estar de olho pois as escolhas do júri desse ano prometem ser ainda mais controversas do que as do ano passado.

12 jours, documentário de Raymond Depardon, é um destaque em hors concours. O filme conta com 80 minutos – conta a história de quatro juízes e uma relação inconvencional com os réus –. Bom ver que Depardon ainda está na ativa, com uma filmografia repleta de pérolas, inclusive seus documentários, muito famosos. E que bom ver que Cannes gostou de seu novo trabalho. 


Cannes 2017 – Sétimo Dia


Sétimo dia de Cannes – o festival chegando ao fim – e ainda não está muito claro o favoritismo e a negação conferidos a certos filmes. Pra mim, o festival está tendo um ano fraco, com uma parcela maior de filmes criticados e uma menor com poucos filmes realmente bem-falados e elogiados. 

Da cineasta japonesa Naomi Kawase, o elogiado Radiance debuta com críticas positivas. A diretora, que possui uma filmografia bastante irregular, decorada por filmes tanto aplaudidos quanto menosprezados, é uma forte aposta à Palma de Ouro com seu novo filme.

De Jacques Doillon, o cinebiográfico Rodin, que aborda a vida e a carreira do artista francês Auguste Rodin, com o ator Vincent Lindon (que em 2015 ganhou o prêmio de Melhor Interpretação Masculina pelo longa La loi du marché) que surge como um possível preferido ao mesmo prêmio este ano, embora o filme tenha sido tachado de "irregular" por muitos veículos da imprensa.

E, neste dia, também tivemos a sessão de 24 Frames, o último filme do iraniano Abbas Kiarostami, que faleceu em 2016 pouco após finaliza-lo (e muitos até então pensavam que o filme não tinha sido terminado) que completa o ciclo de exibições comemorativas de 70 anos do festival de Cannes, com direito a muitas fotos luxuosas com várias estrelas e diretores também no tapete vermelho mais suntuoso da Croisette.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Cannes 2017 – Sexto Dia


Dia de três estreias importantíssimas e talvez principais da mostra competitiva deste ano.

The Day After (Geu-hu) é o novo filme daquele que é um dos maiores diretores contemporâneos, nosso querido Hong Sang-Soo, de volta à Croisette com 2 filmes (este e Claire's Camera, com Isabelle Huppert) anos depois de A Visitante Francesa ter estreado em Cannes. Pelo que foi visto, o trabalho satisfez os críticos e arrebatou elogios calorosos, já confirmando o estilo autoral novamente bem-sucedido que o coreano carrega em sua filmografia repleta de títulos de ouro. É também considerado um dos melhores filmes em competição da Croisette este ano. Forte concorrente à Palma de Ouro? O teor autoral do longa pode não convencer o júri.

Happy End, o retorno de Michael Haneke às telas depois de um hiato de cinco anos – e neste meio tempo ele já havia abandonado um projeto, Flashmob, previsto para ser lançado em 2015 – teve uma recepção pouco calorosa por parte da crítica, um pouco inesperado para o follow-up de Amor, vencedor da Palma de Ouro. No entanto, o filme recebeu críticas geralmente positivas, ainda que não tenha tido o tipo de apreciação que se esperaria. Os destaques do filme são as performances de Jean-Louis Trintignant e a newcomer Fantine Harduin, forte concorrente à Melhor Atriz.

The Killing of a Sacred Deer, o novo filme do grego Yorgos Lanthimos, traz Colin Farrell e Nicole Kidman juntos em uma trama de suspense sobre um cirurgião e um jovem cujo pai morreu nas mãos desse cirurgião que penetra em suas vidas e instala uma amarga vingança. Recebido com aplausos e vaias, o filme é até agora uma incógnita da mostra desse ano (como praticamente todos os outros filmes de Lanthimos, o cineasta mais ame-ou-deixe da temporada), mas foi elogiado pela composição de uma atmosfera tenebrosa, a fotografia e o elenco.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cannes 2017 – Quinto Dia


E Cannes ontem teve, talvez, seu melhor dia até o momento. A exibição do único longa-metragem brasileiro exibido no festival esse ano – aplaudido de pé ao final da sessão – Gabriel e a Montanha, do cineasta Felipe Barbosa; a segunda produção da Netflix marca pontos com a crítica, e mostra a boa forma do americano Noah Baumbach – The Meyerowitz Stories – comédia que também traz Adam Sandler em sua performance mais aclamada em anos, que até já virou aposta ao Oscar e favorito ao prêmio de interpretação masculina. 

Do coreano Hong Sang-Soo, um dos lançamentos mais aguardados do Festival desse ano, pelo menos por minha pessoa, Claire's Camera, o retorno da parceria do mais querido cineasta coreano da atualidade com a maior das intérpretes francesas, nossa dama Isabelle Huppert. A comédia, de uma hora e poucos minutos, foi celebrada pelos críticos por sua leveza e simpática trama.

Un Certain Regard: première dos filmes Before We Vanish, do japonês Kiyoshi Kurosawa, e A Man of Integrity, do iraniano Mohammad Rasoulof, os dois elogiadíssimos pela crítica em Cannes. O documentário Carré 35, de Éric Caravaca, também debutou como hors concours/special screening.

Mais uma vez, entra a polêmica da Netflix em cena. Ao começo da sessão de The Meyerowitz Stories, a vinheta da empresa foi vaiada, mas no fim da sessão só foram ouvidos aplausos. Os dois filmes seguem na disputa e até agora são tidos como uns dos melhores lançamentos do festival este ano (também Okja). Na coletiva de imprensa, o diretor Noah Baumbach disse que espera que "seu filme seja distribuído comercialmente", visto que ele ainda segue sem previsão de estreia pela Netflix, que adquiriu os direitos de distribuição do filme mês passado.

Fora da competição, o longa How to Talk to Girls at Parties, com Elle Fanning e Nicole Kidman, também estreou com uma recepção mista por parte da crítica.

domingo, 21 de maio de 2017

Cannes 2017 – Quarto Dia



É mais um dia de sol na Croisette, e mais polêmicas agitam a pequena cidade litorânea da riviera. Na sessão da imprensa de Le Redoubtable, a exibição foi interrompida por ameaças de terrorismo e de uma suposta bomba que teria sido deixada no local – foi o suficiente para que o festival rapidamente se tornasse um cenário de guerra – quando na verdade era apenas alguém que tinha esquecido uma mochila, um crítico com insônia provavelmente.

Quanto ao filme Le Redoubtable, teve resenhas positivas, foi elogiado, mas nem tanto. A recepção mediana ao novo filme do cineasta Michel Hazanavicius, a cinebiografia de Godard, teve sua parcela de acertos e erros. O que vale é esperar mesmo pra ver o resultado deste novo trabalho. 

Kristen Stewart foi alvo dos fotógrafos com a sessão de seu primeiro trabalho cinematográfico como diretora, o curta Come Swim – selecionado fora de competição. Stewart, que ano passado foi apelidada de "rainha de Cannes" por Thierry Frémaux, exibiu só em 2016 os filmes Café Society e Personal Shopper no festival, ambos protagonizados por ela. 

O documentário Promised Land (hors concours), que segue a trajetória do cantor Elvis Presley, arrecadou muitas críticas favoráveis e altas cotações em sua estreia ontem. Também estrearam os filmes The Venerable W. (dirigido por Barbet Schroeder) e Wind River, filme de estreia de Taylor Sheridan, roteirista do aclamado faroeste moderno A Qualquer Custo, um dos maiores lançamentos de Cannes ano passado.

Em Competição, surge também o favoritado candidato fortíssimo à Palma de Ouro 120 Beats Per Minute, do francês Robin Campillo. Não faltaram elogios para o longa, que chegou a ser comparado até com Azul é a Cor Mais Quente. O principal do filme, Nahuel Pérez Biscayart, no papel de Sean, é até agora a aposta definitiva dos críticos ao prêmio de interpretação masculina. Vale ficar de olho neste filme. 

sábado, 20 de maio de 2017

CORRA! (2017)


O terror racial. Jordan Peele fabrica um dos filmes mais geniais de 2017, so far, com sua brilhante, eufórica, magistral estreia como diretor com Corra! ou, em seu título original, Get Out. O jovem Chris Washington decide visitar a família de sua namorada, Rose Armitage, a pedido dela. Ele receia que a família dela o receba com um certo incômodo por ele ser negro, mas tudo "corre bem" no encontro, até que tudo passa a não "correr bem" – uma estranha reunião da família repleta de bizarrices amedronta Chris para então dar espaço a uma série de loucuras, que passam a deixar mais e mais clara a intenção daquela família ao acolhe-lo com a aparente singela hospitalidade. 

A metáfora do racismo, do preconceito racial que assombra a América, a "terra dos justos", o passado escravocrata, a história de uma nação em um filme que é tanto um retrato ácido e feroz da hierarquia racista da sociedade norte-americana quanto também é um clamor de justiça por respeito e igualdade em pleno século 21. A mise-en-scene é completa, absolutamente formidável em todos os sentidos, a elaboração de um clima de horror capaz de criar uma desestabilização e ao mesmo tempo reproduzir o próprio terror racial, vivido e sentido. 

Poucos filmes recentes foram capazes de criar uma história que conseguiu ter uma dimensão desse clamor de justiça sem cair em um maniqueísmo falível, já não é o caso de Corra!, que dispensa maniqueísmos em sua construção narrativa, trazendo uma espécie de inovação quanto à forma que aborda suas temáticas revitalizando os gêneros do terror e do suspense – que reflete no significado ideológico e metafórico da trama – criando uma atmosfera bizarra, surreal, explicitamente perturbadora.

O elenco – em ótima forma – é liderado pela performance magistral da revelação Daniel Kaluuya. Também estão excelentes Catherine Keener – a mãe hipnótica –, Allison Williams – a filha manipuladora –, Caleb Landry Jones – o filho agressivo – e Bradley Whitford – o mestre de cerimônias deste show de horrores e bizarrices –. 

Certamente trata-se de um dos melhores filmes de 2017, um item obrigatório na sua lista, um filme que vai além das nossas expectativas e surpreende com sua abordagem e técnica inovadoras e sua perspectiva assombradora sobre o conflito racial. Não há, até agora, um filme melhor que este ano tenha tratado de suas ideologias com um cuidado tão grande e cujo resultado é ainda mais satisfatório, e também que tenha sido tão bem dirigido e coordenado, uma experiência tanto sensorial quanto ideológica, sobretudo cinematográfica e imagética. 

Corra! (Get Out)
dir. Jordan Peele
★★★½

Cannes 2017 – Terceiro Dia


A polêmica Cannes/Netflix deu o que falar este ano, e no meio desta intriga, Okja, o esperado novo filme de Bong Joon-Ho, é lançado na Croisette. E mais reconfortante ainda é que, apesar das polemicas envolvendo as duas produções que estão concorrendo à Palma de Ouro este ano distribuídas pela companhia de streaming, a crítica recobra o respeito por estes filmes e seus diretores, como foi o caso de Okja, talvez o primeiro grande filme exibido este ano em Cannes, como dizem as críticas. A recepção surpreendentemente positiva do drama, frente aos burburinhos, é algo a se relevar. Não é certo dizer que o filme é um favorito para a Palma de Ouro – como até mesmo o próprio presidente do júri, Almodóvar, deixou muito clara a sua posição a respeito das polêmicas – mas a aprovação dos críticos está garantida. 

Durante a exibição do filme para a imprensa e os jornalistas, na manhã de ontem, vários que estavam presentes na sessão vaiaram quando a vinheta da Netflix foi reproduzida. Porém aplausos puderam ser ouvidos ao final desta. A sessão oficial do filme teve alguns problemas técnicos e por isso foi interrompida, mas depois o festival assumiu a responsabilidade pelos dados problemas. Okja chega à plataforma de streaming dia 28 de junho e ainda não teve sua estreia cinematográfica confirmada pela Netflix. 

Também estreia de ontem, The Square, do cineasta sueco Ruben Ostlund, recebeu elogios da crítica, e até foi comparado ao trabalho anterior do diretor, Força Maior, indicado ao Globo de Ouro e selecionado para a mostra Um Certo Olhar em 2014. O filme conta com a participação dos atores Dominic West, Terry Notary e Elisabeth Moss.


Hors concours, o novo documentário de Agnès Varda, co-dirigido por JR, é Visages Villages, descrito pelo crítico de cinema Pablo Villaça, em sua cobertura em Cannes, como "Uma reflexão divertida e humana sobre o poder da Arte e a passagem do tempo". A diretora parece estar de volta e em plena forma à Croisette, e seu novo filme já é um membro muito bem-vindo da minha watchlist.

Enquanto isso, na mostra Un Certain Regard é estreia o filme iraniano Lerd, com uma recepção mais restrita. They (hors concours/special screenings), de Anahita Ghazvinizadeh, recebe críticas mistas. Na Quinzena dos Diretores, A Ciambra, do italiano Jonas Carpignano, drama coming-of-age, debuta com uma recepção também divida. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cannes 2017 – Segundo Dia


Segundo dia de Cannes é marcado por estreias aguardadas e importantes, mas pelo que tudo indica, o festival ainda continua dando lentos passos rumo a descoberta de seus grandes filmes. 

Pelo menos nesta última quinta a estreia do dia foi Wonderstruck, do americano Todd Haynes (diretor de Carol e Longe do Paraíso), que teve uma recepção favorável, mas há ainda quem problematize o filme – e o considere menos importante que o antecessor de Haynes, o sucesso Carol – por outro lado não poupam elogios à performance de Julianne Moore, forte candidata ao prêmio de Melhor Atriz, e a trilha sonora de Carter Burwell.

Também ontem, o longa Blade of the Immortal do japonês Takashi Miike, foi recebido com uma recepção pouco calorosa. O filme estreou como hors concours. 

O novo filme de Claire Denis, Let the Sunshine In por outro lado já pode ser confirmado como um dos lançamentos mais aguardados de 2017 e as expectativas muito provavelmente serão correspondidas. A diretora está de volta com um filme estrelado por Juliette Binoche & Gerárd Depardieu que realiza uma desconstrução da linguagem do amor. Trata-se de uma adaptação do livro de Roland Barthes (Fragments d’un discours amoureux).

Na mostra competitiva, Jupiter's Moon foi recebido com uma certa distância pelos críticos. É o novo filme do húngaro Kornél Mundruczó, que em 2014 ganhou o prêmio Um Certo Olhar com White God.

Já na mostra Um Certo Olhar, Western recebeu elogios, é um título para se ficar de olho. Barbara, dirigido pelo ator Mathieu Amalric, que abriu a mostra deste ano, teve ambos elogios e críticas duras. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Cannes 2017 – Primeiro Dia


Cannes já deu partida inicial – o festival começou ontem em ritmo acelerado, continua hoje com a exibição de mais outros trabalhos de várias mostras – e o primeiro dia de um dos maiores eventos cinematográficos foi marcado por polêmicas e pela exibição do filme de abertura, Les Fantômes d'Ismaël, com uma recepção bem morna por parte da crítica. O longa conta com a participação de algumas das maiores figuras de renome do cinema francês, tal como Marion Cotillard, vencedora do Oscar, Mathieu Amalric (colaborador frequente de Desplechin), Charlotte Gainsbourg e Louis Garrel. O drama foi atacado pela crítica – que não economizou ao usufruir dos adjetivos "frio", "fraco" e "desinteressante" para defini-lo – talvez um pontapé inicial que não tenha dado tão certo assim. O filme ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. 


Pedro Almodóvar, presidente do júri, revelou na conferência da imprensa, na manhã de ontem, que "não daria a Palma de Ouro a um filme que não pudesse ser visto na tela do cinema", declaramento este que foi o suficiente para gerar um certo burburinho na Croisette. Desde que os filmes Okja (do coreano Bong Joon-Ho) e The Meyerowitz Stories (do americano Noah Baumbach), que participam da mostra competitiva e foram adquiridos pela empresa de streaming Netflix, o falatório foi em torno justamente do fato de que nenhum desses dois filmes serão distribuídos comercialmente na França – o lançamento ocorrerá diretamente via streaming – e a notícia foi tão urgente que o próprio festival mudou a regulamentação para 2018, criando barreiras para o serviço de streaming e priorizando a experiência de conferir um filme na grande tela.


Neste mesmo dia, tivemos o 1º filme da mostra competitiva exibido, o drama russo Loveless do cineasta Andrey Zvyagintsev (Leviatã) que recebeu muitas críticas positivas, favorecedoras ao impacto do filme e de sua importância. Zvyagintsev, que tem uma filmografia curta porém aclamada, é considerado hoje um dos maiores diretores da Rússia – seu novo filme é uma forte aposta, embora tão distante, à Palma de Ouro – outros candidatos ainda mais promissores ameaçam essa possibilidade. 

O documentário Sea Sorrow, da famosa atriz britânica Vanessa Redgrave – estreando aos 80 anos como diretora – também foi uma das estreias de Cannes ontem, e teve uma recepção mediana, alguns elogiam, outros difamam, apontando o "bom intencionismo" deste mas o desastroso resultado do filme como um todo. O filme foi selecionado como hors concours. 

É isso, o festival segue, com mais filmes a serem revelados e muitas expectativas que embriagam nossa mente cinéfila. Hoje mesmo é dia de exibição de filmes de Todd Haynes e Claire Denis, dois cineastas de peso. Mais tarde tentarei escrever sobre seus novos projetos e o que rolou neste segundo dia por lá em Cannes.

Conferência de imprensa do júri, 17/05/2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

Uma Breve Expectativa


Os dias se passam e, logo quando vamos ver, Cannes já está mais próxima do que esperávamos. O festival de cinema mais badalado está retornando com mais filmes aguardadíssimos, retornos de alguns dos maiores diretores contemporâneos e estrelas deslumbrando e espalhando beleza pelo tapete vermelho. Então, nada melhor do que dar uma revisada nos filmes que estarão na Croisette este ano e o que podemos esperar destes trabalhos. As expectativas estão lá em cima – as surpresas que talvez possam emergir de seleções menos aguardadas, como a seleção Um Certo Olhar ou a Quinzena dos Realizadores – tudo que esta nova rodada de prazerosos e memoráveis desdobramentos sobre uma das festas mais elegantes do cinema pode nos trazer.


A revista Cahiers du Cinema já está engatilhada para receber Cannes de braços abertos. A seleção deste ano, que sucede uma das seleções mais graciosas dos últimos anos (que fora a seleção de 2016), promete muitos títulos de vários países e diretores que frequentemente (e outras novas estreias não) tem seus trabalhos apresentados na Croisette – o que já é de praxe do festival rechear a sua seleção com trabalhos de algumas figuras de renome do escalão cinematográfico, sejam elas atores ou cineastas. E, por isso, num ano tão promissor, o festival é sempre motivo de comemoração, e sua seleção geralmente costuma atrair alguns daqueles que serão os filmes mais falados de 2017.


Os dois últimos títulos consecutivos na filmografia do austríaco Michael Haneke conquistaram, em 2009 (A Fita Branca) e em 2012 (Amor) o laureamento máximo de Cannes, a célebre e desejada Palma de Ouro – que este ano será entregue decorada de diamantes em virtude da edição comemorativa de 70 anos do festival – e já foi suficiente para então trazer à tona os boatos de que este ano, e provavelmente, Haneke placará uma terceira Palma de Ouro, que seria um feito histórico, visto que o número recorde de Palmas por diretor, até o dado momento, é de duas, com o seu novo Happy End (a ironia do título, dadas as circunstâncias deste ser um trabalho genuinamente Hanekiano, é por si só uma baita EXPECTATIVA) que traz no elenco a grande dama do cinema francês Isabelle Huppert (que ano passado lançou em Cannes Elle, numa interpretação que a rendeu sua primeiríssima indicação ao Oscar em mais de 40 anos de carreira) e também um dos maiores intérpretes na história, o lendário Jean-Louis Trintignant, protagonista de Amor, alados de um elenco gigantesco. 


O coreano Hong Sang-Soo também estará em Cannes para divulgar seus dois novos filmes, selecionados para as mostras competitivas e hors concours, sendo eles respectivamente The Day After/Geu-hu (filmado em torno de mais ou menos uma semana, filmagens permanecidas em segredo) e La Camera de Claire (filmado em Cannes ano passado durante o festival, estrelado por Isabelle Huppert e Kim Min-Hee, frequente musa do cineasta que em fevereiro ganhou o prêmio de Melhor Atriz em Berlim por On the Beach at Night Alone). As expectativas para estes novos dois filmes do diretor estão altíssimas, e os fãs do cineasta mal podem esperar para conferir estes dois títulos e também seu mais novo filme recém-estreado, fechando uma roda com três sessões de Sang-Soo só em 2017. Não dá pra reclamar, certo?

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Blessed Virgin, o novo filme de Paul Verhoeven


A produtora de Saïd Ben Saïd, o mesmo que produziu Elle, Deus da Carnificina, Paixão e Aquarius, anunciou que o próximo filme do nosso querido Paul Verhoeven já está no gatilho. E o projeto já pode ser considerado um dos longas mais aguardados do ano que vem. Blessed Virgin, como o trabalho está sendo apresentado, virá ao mundo em 2018 – o filme ainda não começou a ser rodado – e trará a atriz Virginie Efira no papel da protagonista (Efira co-estrelou Elle, recente filme de Verhoeven, vencedor de 2 Globos de Ouro e indicado a 1 Oscar). Blessed Virgin encontra-se em um estágio de pré-produção. Não há informações de outros atores que talvez possam aparecer no filme, Efira é a única confirmada até o momento. A trama é descrita da seguinte maneira:

      Uma freira na Itália durante o século 17 sofre de visões eróticas e religiosas perturbadoras. Ela é auxiliada por uma outra freira – e a relação entre as duas mulheres se eleva a um tórrido caso de amor.

A personagem Benedetta Carlini – a principal – está a cargo de Virginie Efira. Ainda não há uma data certa de lançamento, estima-se que o filme fique pronto até 2018. O filme é uma adaptação do romance Immodest Acts, da escritora Judith C. Brown, publicado em 1986. O roteiro é assinado por Gerard Soeteman (frequente colaborador de Verhoeven, mesmo roteirista de A Espiã e Conquista Sangrenta e de alguns filmes da fase holandesa do cineasta, como O Quarto Homem). Blessed Virgin será apresentado a compradores no mercado cinematográfico do Festival de Cannes este ano. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

O CÍRCULO CROMÁTICO (2011)


Quem se depara com este O Círculo Cromático até pode se confundir achando que se trata de um filme de Noah Baumbach ou, mais provavelmente, Woody Allen: a leveza da história, o humor piadista dos personagens, o deboche, as sacadas geniais... Alex Ross Perry, um dos nomes mais promissores do cinema independente americano da atualidade, em seu segundo longa-metragem, esta espirituosa comédia com um gostinho de road movie O Círculo Cromático (que não chegou a ser lançado no Brasil), desenha uma trama simples, mas não preguiçosa, e recheada de cenas deliciosas com diálogos inteligentes e perspicazes. A graça deste filme está na dupla maravilhosa de protagonistas: o próprio Alex Ross Perry e Carlen Altman.

Alex e Carlen interpretam dois irmãos que se reencontram – uma aspirante a jornalista tentando arranjar um emprego em uma pequena cidade e um homem com problemas em seu relacionamento – eles dois partem em uma viagem, na qual a personagem de Carlen pretende rever seu antigo namorado, outrora seu professor de jornalismo, que está ficando com outra aluna. O roteiro (assinado por ambos Perry & Altman) traz uma sequência de eventos bastante natural, despretensiosa – com uma libido cômica que flui de maneira perversa e sentimental ao mesmo tempo – para chegar em uma conclusão ainda mais simplista. 

Sendo um filme verborrágico, há o constante falatório dos personagens, conversas pontuadas e bastante incisivas. A relação entre os dois irmãos é desenhada de uma forma quase liberal, sem se prender à muitas restrições ou limitações, e a química flui com uma naturalidade imensa. 

Ainda sim, há momentos em que o filme se divide, não consegue estabelecer um equilíbrio definitivo, mesmo que se baseie em um humor puramente irônico e sagaz para a construção de um clima menos arisco e mais sincero. Se por um lado a comédia funciona perfeitamente, do outro o final deixa um gosto de insatisfação no ar, como se faltasse algo para complementar o significado e a proposta do filme. De qualquer maneira, é uma delícia. A forma como o filme se desenrola é espontaneamente divertida e gostosa de se acompanhar. 

O Circulo Cromático (The Color Wheel)
dir. Alex Ross Perry
★★★½