quinta-feira, 20 de julho de 2017

Twin Peaks – Segunda Temporada


Eis que ninguém esperava que a 2ª temporada de Twin Peaks fosse ser tão longa e a ansiedade em saber quem é o assassino de Laura Palmer cresce mais a cada episódio, com o mistério mantido desde a primeira temporada. Uma pena que a série foi cancelada pelos produtores da ABC, mesmo que tenha um final tão desconcertante e misterioso, um tanto obscuro, majestoso, que deixa a gente morrendo a descobrir seus porquês. Nesta temporada, vemos o desenrolar e um foco maior nas subtramas de Twin Peaks, dos triângulos amorosos, das relações entre os moradores e dos envolvidos no assassinato de Laura Palmer e os afetados e possíveis suspeitos. 

A revelação do assassino me deixou em dúvida, mas fez um completo sentido, até porque o modo como ele é revelado, à frente de tantos outros episódios, pode deixar muita gente em dúvida se foi ele mesmo que matou a Laura. No episódio final, mais revelações são feitas e mais questões são abertas (e, infelizmente, deixadas em branco). É a segunda temporada que afirma esse status de trabalho artístico de Twin Peaks, com grandes episódios muito bem dirigidos e alguns experimentos incríveis (em especial no último episódio, marcante em sua concepção). 

É nesta temporada que passamos a descobrir mais sobre Laura Palmer e os seus lados "bom" e "ruim", a jovem mocinha que todos da cidade tinham o maior carinho e mal sabiam que tinha um envolvimento sério com prostituição, drogas e crime. A questão da dualidade é trabalhada com afinco por toda essa temporada, e pode ser muito bem observada tanto nas relações dos moradores da cidadezinha (os triângulos amorosos de Ed e de James Hurley) e como estes acabam se refletindo e contextualizando caso postos frente a frente, como um espelho. 

É também nesta temporada que, em seu desfecho enigmático, propositalmente desarmador, que é possível observar mais de perto o detetive Cooper, em sua bondade e generosidade, sendo corrompido pela maldade, no último episódio, quando este entra em contato com o espírito de Bob, um personagem que também é observado com mais proximidade nesta temporada, e é nesta que passamos a saber quem ele é e qual papel desempenha na vida de personagens como Leland Palmer e, posteriormente, de sua filha, a assassinada Laura.

O bem e o mal. Os picos gêmeos. Lynch e Frost criaram uma das maiores (se não é a maior, creio) série da história da TV, alados de um time de diretores e roteiristas competentes. Enfim, nunca é demais elogiar Twin Peaks, e sim celebrá-la é um ato tentador a ser feito com palavras. Se a primeira temporada já tinha sido um estouro, a segunda foi ainda mais extasiante, embora eu ache que o seu único defeito seja mesmo a quantidade de episódios que matam a gente de ansiedade, mas no final, olhando para trás, a gente observa quantas coisas vimos no caminho e podemos aprender. 

Twin Peaks
2ª Temporada
★★★★★

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