quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O OUTRO LADO DA ESPERANÇA (2017)


Kaurismaki, em sua nova fase, tem juntado todos os seus esforços para trazer todo o seu estilo e suas obsessões para a atualidade, e para isso ele resiste a qualquer alteração ou anulação à estética classicista que este estilo abriga (e que na verdade o compõe, pra ser bem exato) para fazê-lo, para unir questões étnicas (a imigração na Europa) e conceitos atuais a um mecanismo cinematográfico atemporal. Guarda muitas semelhanças com Le Havre, o mesmo contexto humanista, o roteiro (inclusive algumas personagens) e a doçura irresistível de sua composição, podem apontar essa similaridade, embora o diretor saiba muito bem o que quer mesmo quando aparenta a repetição, seja num exercício dramático excepcionalmente bem arquitetado que valoriza o elenco que tem (Sherwan Haji e Sakari Kuosmanen estão fantásticos) ou numa prática formalista que se reafirma, dando indícios inegáveis de revitalização da energia fílmica em uma estética cada vez mais vigorosa e gostosa de se assistir, do jeito que Kaurismaki faz e ninguém consegue imitar, o ato de resistir contido nos gestos de humanidade e de cinema. Dos melhores de 2017, este com certeza fica entre os primeiros (so far).

O Outro Lado da Esperança (Toivon tuolla puolen)
dir. Aki Kaurismaki
★★★★

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