domingo, 4 de fevereiro de 2018

THE SQUARE – A ARTE DA DISCÓRDIA (2017)


É até meio estranho a gente ver um filme como The Square – A Arte da Discórdia aparecendo em tantos prêmios importantes, indicado ao Oscar e vencedor da prestigiada Palma de Ouro, equivalente a melhor filme, do Festival de Cannes (aliás, prêmio esse que teve umas escolhas bem bizarras em suas últimas edições), não sei explicar direito se é hype ou o raio que for, mas é uma escolha até engraçada se a gente for ver que o filme é, na verdade, uma grande brincadeira. Digo isso porque parece que nem seu próprio diretor leva ele a sério, tamanhas são as bobagens que ele discorre nas suas difíceis duas horas e meia de duração, que exigem (muita) paciência do espectador.

Então, como levar esse filme a sério, com suas propostas deslocadas, exageradas, quase desesperadas? Podem até dizer que há uma certa ousadia em falar de arte usufruindo de um humor que nunca se sabe onde começa e termina. Ostlund não sabe como manejar as doses de humor que ele imprime no absurdismo de seu mais novo filme, e isso só resulta em uma grande mistureba de cenas aloucadas que se perdem na própria sátira que evocam, e se permitem a tantas "ousadias" e maluquices narrativas que chega a ser ofensivo.

Um curador de arte meio imbecil que decide atormentar os ladrões que furtaram sua carteira e seu celular enviando uma mensagem de ameaça, mas que acaba gerando ainda mais confusão e tormenta, chegando a envolver pessoas que nem estavam ligadas com o acontecimento. Há uma série de eventos que promovem o caos na rotina daquele homem, mas o filme parece sempre olhar para isso com um certo esculacho, o mais "zueira" possível, enquanto segue para um desfecho improvável, selvagem, sempre zombeteiro, com excessos irresponsáveis.

Se há comédia nesse filme, é algo tão forçado e constante que não dá nem pra entender quando é que ele quer que a gente ri. Acaba incomodando bastante, especialmente em cenas mais provocadoras, digamos, em que o Östlund mistura comédia e tensão sem saber no que vai dar, só pra "causar" mesmo, dizer que colocou alguma coisa em cena. É essa vontade de "causar" e de ser engraçadinho e esperto o tempo todo que mata qualquer chance de qualquer proposta promissora do filme suceder, produzir algo realmente digno de nota ou minimamente relevante, coisa que ele não é. São tempos estranhos, em que tem gente dando ibope pra filme assim, comédia que quer ser inteligente sendo estúpida, demais da conta. 

The Square – A Arte da Discórdia (The Square)
dir. Ruben Östlund
★★

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